Por Gerson Nogueira
Depois da derrota em quatro minutos do Águia, ontem, em Juazeiro do Norte, o futebol paraense tem outro encontro marcado com time cearense hoje no estádio Edgar Proença. Com o apoio de sua torcida – novamente fiel neste campeonato –, o Paissandu precisa vencer para reassumir a liderança isolada da competição. Se repetir o rendimento das duas primeiras apresentações, tem plenas condições de derrotar o Fortaleza, por enquanto uma das decepções desta Série C.
Nos treinamentos da semana, Roberval Davino experimentou 13 jogadores na equipe titular. Não errou a conta, apenas buscou mostrar que contar de fato com 13 nomes efetivos, incluindo Robinho e Héliton, que normalmente frequentam o banco de reservas.
Como o adversário não venceu ainda e estreia novo técnico (Vica), o mais provável é que adote postura cautelosa. Diante disso, Héliton dificilmente entrará jogando, pois tem características que se ajustam mais ao jogo de contra-ataque. Kiros, então, deve ter a companhia de Tiago Potiguar no ataque.
O meio-de-campo, que ainda não pode contar com o meia Alex William, preferido de Davino, terá o reforço de Ricardo Capanema, que desfalcou o setor na partida contra o Guarani de Sobral. A criação fica com Harisson, peça fundamental na conquista da vitória fora de casa e que tem se candidato à camisa 10 do time, com inteira justiça.
Por tudo isso, além do descanso que o time teve, o Paissandu reúne aquilo que em futebol costuma se definir como favoritismo. Não custa, porém, tomar os cuidados necessários para evitar surpresas, pois a Terceira Divisão é equilibrada por natureza e qualquer time se sente à vontade no Mangueirão.
Depois do penal indecente dado ao Corinthians no meio da semana contra o Botafogo, a caolha arbitragem brasileira voltou a fazer das suas ontem. Em Pituaçu, o Bahia foi devidamente operado contra o Flamengo. Em fase instável no Brasileiro, o rubro-negro ganhou uma penalidade quando os donos da casa mais pressionavam. Ibson, que ao lado do corintiano Jorge Henrique forma a mais talentosa dupla de atores dos gramados nacionais, desabou espalhafatosamente na grande área e Sua Senhoria não teve dúvidas em assinalar a falta máxima. O fato é que nunca dantes neste país a instituição do pênalti foi tão vilipendiada.
Quem acompanha a vida administrativa da dupla Re-Pa não se espantou com os dados divulgados pela Justiça do Trabalho, incluindo os dois tradicionais clubes entre os maiores devedores do Estado. O exemplo mais óbvio dessa penúria é o drama enfrentado pelo Paissandu, às voltas com dívidas monstruosas com Arinelson e Jobson e sob o risco de perda de patrimônio. O Remo, que cumpre um processo de recuperação – graças ao trabalho incansável do advogado Ronaldo Passarinho –, esteve a pique de perder o Baenão há dois anos, num casamento nefasto entre débitos do passado e a vocação mercantil do então presidente Amaro Klautau. O esforço da atual diretoria prova, porém, que é possível enfrentar os erros do passado e sonhar com o saneamento completo das dívidas. Basta querer.
Fase terrível se abate sobre o setor defensivo do Remo. Depois dos ilustríssimos Teco-Teco, Fiapo e Pimbinha, outro centroavante de apelido exótico conseguiu deixar sua marca contra os azulinos. Xibiu saiu do banco de reservas do glorioso alviverde de Paragominas para entrar, de corpo e alma, no folclore do nosso futebol. O jogo não valia nada, era pouco mais que um treino, mas o atacante aproveitou a chance e cravou seu nome na estatística de fatos insólitos que atazanam o Leão nos últimos anos.
O placar não significa muito, pois era óbvio o interesse de Edson Gaúcho de movimentar o time e observar alguns reservas, tanto que mudou completamente a escalação para o segundo tempo depois do empate sem gols nos primeiros 45 minutos. E foi justamente na etapa final que Xibiu mostrou a que veio.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 16)
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