Como se não bastasse a atuação trôpega na Arena da Floresta, o Paissandu ainda arranjou um jeito de prolongar o constrangimento promovendo uma lambança monumental na hora do retorno para Belém. A desorganização deu o tom e grande parte da delegação foi obrigada a permanecer na capital acreana porque as passagens aéreas não foram compradas. Um pequeno grupo, depois de improvisado sorteio no aeroporto, conseguiu embarcar.
O fato expõe mazelas administrativas bem conhecidas internamente, mas sempre negadas pelo presidente Luiz Omar Pinheiro. O episódio, que envolveu problemas com as diárias de hotel, gera um desgaste público desnecessário à imagem do clube. Uma situação que deveria ter sido contornada pela ação de um bom gerente.
Trapalhadas próprias de comédia pastelão não ficam bem para um clube que luta para voltar às divisões mais importantes do futebol brasileiro. O projeto de subir à Série B neste ano, anunciado com pompa e circunstância pela diretoria do clube, tem custo mensal superior a R$ 500 mil somente com salários.
As outras despesas (deslocamentos e hospedagens) elevam a conta para a casa dos R$ 700 mil mensais. Números que desafiam a lógica e o bom senso num cenário de patrocínios insuficientes e arrecadações abaixo do esperado nos jogos em Belém. Com base nos desencontros contábeis era até previsível o desfecho vexatório, que se junta a um ambiente já conturbado pelo mau resultado em campo e notícias sobre atrasos salariais.
Como a Curuzu vive sob um tiroteio de boatos e especulações, há quem aposte até na substituição de Roberto Fernandes por uma dupla improvisada apenas para o jogo contra o Araguaína: Zé Augusto/Sandro, reedição da experiência remista com Belterra & Agnaldo nos anos 90. Não se sabe se é apenas factóide para abafar a crise ou se LOP e seus assessores estão, de fato, levando a idéia a sério. A conferir.
Sem Flamel, Mendes, Taxista e Danilo Goiano, o Águia se vira como pode para o confronto decisivo em Lucas do Rio Verde, domingo. João Galvão estuda até a hipótese de lançar um 4-5-1, com o endiabrado Peri na função de atacante solitário. Para quem precisa vencer, a estratégia parece (e é) esquisita.
Surpreendente, para dizer o mínimo, o sorteio de ingressos para o jogo Brasil x Argentina promovido ontem no Twitter pelo senador Flexa Ribeiro (PSDB). Na esteira das críticas ao inusitado lance de marketing político veio o oportuno esclarecimento sobre a origem dos bilhetes. A assessoria garante que serão comprados em Belém pelo próprio Flexa, sem uso de dinheiro público. Ainda bem.
Direto do blog
“Pra vocês verem a que ponto nós chegamos com esse time medíocre. Pobreza em tudo, gol marcado, gol sofrido, artilharia, enfim, tudo. Agora a gente fica fazendo continhas miseráveis. Haveria necessidade de deixar a coisa tomar esse rumo perigoso? Todo ano é a mesma coisa! Te contar…”.
De Manoel Lima, torcedor do Paissandu, naturalmente aborrecido com a campanha na Série C.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 13)