Há coisas que só acontecem ao Botafogo

Por Thiago Fernandes (Globo.com) 

Amor de mãe. Amor de torcedora. O sentimento de Dona Terezinha pelo Botafogo é difícil de explicar. Algo tão forte que fez com que a senhora de mais de oitenta anos decidisse mudar seu testamento para deixar uma de suas posses para o Alvinegro quando morresse. Mas ela não fez uma simples caridade. Afirmou, com clareza, como o presente deve ser usado. O terreno de cerca de 35 mil metros quadrados, que fica em uma área nobre da Freguesia, zona oeste do Rio de Janeiro, apenas poderá ser utilizado pelo clube como área de construção de um centro de treinamento ou para um projeto social esportivo.

– Eu fico até constrangido de falar sobre o assunto porque a dona Terezinha é muito querida e sempre ajudou o clube. Ela teve esse gesto bonito que eu, como presidente, não poderia recusar. Mas o terreno só será efetivamente do Botafogo quando ela não estiver mais aqui. E eu espero que isso demore muito. Quero que ela veja o Botafogo ser campeão brasileiro. Merece muito essa alegria – explicou o presidente Maurício Assumpção.

O clube negocia com a senhora os últimos detalhes da transação. Em breve, o Botafogo já será o detentor da área, embora o usufruto da terra continue pertencendo à Dona Terezinha. O vice-presidente geral do clube, Antônio Carlos Mantuano é o responsável por intermediar as negociações com a senhora.

Viúva e sem filhos, dona Terezinha é muito conhecida na área da Freguesia. Dona de alguns imóveis na região, a senhora vem de uma família alvinegra. No clube, é reconhecida por ajudar, principalmente, as categorias de base. A senhora, inclusive, já comprou um dos carrinhos de atendimento aos jogadores quando eles se machucam em campo.

Acreanos em pé de guerra com derrota no tapetão

Acreanos estão encarando a derrota do Rio Branco no STJD como um ataque aos interesses do Estado. As emissoras de rádio não falam de outra coisa e os políticos se mobilizam para ir à CBF cobrar uma reviravolta na decisão. O próprio governador Tião Vianna, dois senadores e diversos deputados federais devem ir ao Rio de Janeiro nesta segunda-feira fazer o chamado corpo-a-corpo. Há um sentimento de injustiça e perseguição, principalmente porque o Rio Branco foi o primeiro classificado de sua chave, com excelente campanha dentro de campo. Todos alegam que a Arena da Floresta é um dos melhores estádios da Região Norte (o que é verdade) e que sua interdição – origem de toda a confusão – foi absurda. A pressão será grande sobre os auditores do STJD. E há um retrospecto de mudanças nas decisões do pleno do tribunal (Brasil/RS, América/AM e Duque de Caxias/RJ). Por via das dúvidas, o Paissandu deveria se esforçar para golear o Araguaína, neste domingo, na Curuzu.

Paissandu fica a um passo da classificação

O Paissandu foi o grande beneficiado, ao lado do Luverdense, com a exclusão sumária do Rio Branco (AC) da Série C em julgamento realizado na tarde desta sexta-feira na Quarta Câmara Disciplinar do STJD. A punição inclui também o rebaixamento à Série D e uma multa de R$ 13 mil. A decisão caiu como uma bomba na Curuzu, reanimando os jogadores e a torcida alviceleste, que se mostravam preocupados com o jogo de domingo contra o Araguaína. Com a nova situação, o Paissandu depende de uma vitória simples para se classificar. Mesma situação do Luverdense no jogo contra o Águia. Anteriormente, o time de Lucas do Rio Verde precisaria vencer e torcer por uma vitória do Araguaína na Curuzu. Já o Águia segue precisando de uma vitória ou empate, mas passa a ter pela frente um adversário mais motivado do que nunca. Até o Araguaína lucrou com a decisão da comissão disciplinar, pois escapará do rebaixamento à Quarta Divisão. O Rio Branco foi punido porque recorreu à Justiça Comum, julgando-se prejudicado pela interdição de seu estádio por ordem do MPE/AC. O clube ainda pode recorrer ao Pleno do STJD.

Tribuna do torcedor

Por João Rodrigues (jrodrigues.pa@hotmail.com)

Lamentável! Simplesmente lamentável!
Alguém tem de por fim nas barbaridades que estas tais “torcidas organizadas”
continuam praticando. Terror Bicolor simplesmente se travestiu, se maquiou, mas
continua praticando as mesmas barbaridades.
É só prestar atenção no fim das partidas nas violências que eles covardemente praticam
contra qualquer torcedor que dê o azar de passar na frente deles.
Esses bandidos que invadiram o campo de treino deveriam ir para cadeia que é o lugar de bandido.
Mas parece que eles não pularam o alambrado. Alguém abriu o portão para eles.
Isto parece até coisa do aLOPrado.
O Payssandu pode até não se classificar, mas vai ganhar e bem, domingo.
A Polícia deve estar atenta para o que esses bandidos poderão fazer.

Coluna: Sobre a passagem do tempo

Ronaldinho Gaúcho vive a fase descendente da carreira, depois de ter chegado ao topo, há seis anos, quando defendia o Barcelona. Como tem acontecido com outros jogadores famosos, depois de perder espaço no mercado europeu, o experiente meia-atacante buscou refúgio no Brasil. Abrigou-se no Flamengo sob desconfianças gerais, mas vem surpreendendo, como maestro do time e até goleador.
Faz um Campeonato Brasileiro tão bom que conseguiu tornar o Flamengo num dos aspirantes ao título, apesar de sérios problemas defensivos. Ocorre que a Seleção Brasileira impõe exigências maiores e isso Ronaldinho já não tem a oferecer. O jogo de anteontem em Córdoba, contra a seleção B da Argentina, escancarou essa realidade.
Com boa vontade, pode-se dizer que talvez tenha sido apenas uma noite pouco inspirada do camisa 10, mas o fato é que na Seleção o comportamento de Ronaldinho poucas vezes vai além do burocrático. Comporta-se como quem está ali apenas para bater ponto, sem preocupações em ir além do óbvio. Não se atreve nem mesmo a um drible mais moleque. Prefere o toque de lado, o passe curto e jamais arrisca dar uma arrancada em direção à área como nos bons tempos. 
O motivo não é físico, pois Ronaldinho aparenta estar em plena forma. A questão, como observou ontem o jornalista Bob Fernandes, talvez esteja mesmo na cabeça, como bradava o subversivo Walter Franco na época dos últimos festivais de música. E quando o problema é de cabeça não há muito o que fazer ou esperar.
Penso que o tempo de Ronaldinho passou. É uma página virada. Ele ultrapassou aquele momento único e iluminado no qual todas as fantasias parecem se realizar. Teve o mundo aos pés, viveu numa cidade encantadora e era idolatrado pela torcida mais engajada do planeta. Continua a ter muito dinheiro e fama, mas deixou de desfrutar da adoração que cerca os fora-de-série.
No estádio Mário Kempes, de Córdoba, antes do amistoso, Ronaldinho ainda mereceu aplausos respeitosos, não pelo presente, mas pelo conjunto da obra. Aquele tipo de aclamação que é uma espécie de canto triste em homenagem a um artista que já não dispõe do mesmo alcance vocal e que apenas desfia pastiches de seu repertório musical. A platéia finge não ver a decadência e se constrange em vaiar, 
Posso estar redondamente errado e Ronaldinho talvez se reinvente no amistoso programado para Belém. Tomara. Mas a partida que vi retratou um fato doloroso: Ronaldinho é um jogador do passado. O Flamengo ainda lucrará e talvez até ganhe títulos com ele, mas que ninguém conte com o craque quando o assunto for Seleção. Seu futebol deixou de fazer a tal diferença que um selecionado exige.

Mestre Didi já ensinava: treino é treino, jogo é jogo. Torcedor se manifesta nos jogos, quando pode vaiar e protestar à vontade. Nos treinos, torcedor nem deve entrar no estádio, pois normalmente perturba o clima de tranqüilidade e concentração dos atletas. É preciso haver respeito pelos profissionais, principalmente quando eles estão trabalhando e ensaiando. Jogar futebol requer técnica, talento e disciplina. Torcer, de verdade, significa compreender tudo isso.
O que um grupelho de desocupados fez ontem, de novo, no treino do Paissandu, constitui abuso. Pressionar técnico e jogadores é comportamento burro, pois só atrapalha o time pelo qual dizem torcer. O fato é que o clube falhou, pois é o responsável pela segurança de seus empregados e não pode permitir acesso ao campo de treinamento. 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 16)