Coluna: Os caminhos do coração

Jovens são apressados e naturalmente impacientes, sabemos bem disso. O rock já expôs, em cores vivas, ídolos que levavam ao pé da letra o conceito de urgência radical. Há uma geração de torcedores surgida nos últimos 20 anos que tem muita pressa, que cobra resultados e não perde tempo acumulando frustração. Esse novíssimo torcedor representa um tremendo dilema para os clubes que se divorciaram das vitórias, habituando-se a chegar e não levar ou – pior ainda – a nem chegar.
Essa realidade aponta para um divórcio inevitável: os times podem se acostumar com as derrotas, mas os torcedores tomarão outro rumo. É improvável que deixem de cultuar a bandeira de origem, mas transformam rapidamente o sentimento em amor puramente platônico, dedicando atenção maior aos novos objetos de admiração. 
O distanciamento da paixão local conduz à preferência por clubes de outros Estados ou até países, como a atual febre que se alastra em todo o mundo em torno de agremiações européias. Barcelona, Real Madri, Manchester e Milan são grifes de alcance mundial, muito pela força de suas conquistas e super exposição na mídia, mas também pelas frustrações represadas de torcidas que desaprenderam a ganhar e cansaram de perder sempre.
No passado, por absoluta falta de alternativas, o sujeito até conseguia ficar preso a uma paixão solitária, cultivada desde a infância por influência dos pais. Hoje, no apogeu da era digital, com a facilidade de acesso à informação e a quebra das barreiras geográficas, torcer pelo Real Madri ou pelo Milan tornou-se hábito tão natural (e próximo) para o garoto da Cremação quanto para os moleques de Madri ou Milão.
Claro que há um oceano a nos separar dos gigantes europeus, mas o fervor ganha asas com as transmissões ao vivo de jogos de La Liga, do certame italiano e da Premier League. De certa forma, é até mais fácil acompanhar a campanha desses times quanto a dos clubes paraenses. E uma cruel diferença estética se estabelece: o glamour dos jogos, quase cinematográficos diante da produção mambembe do nosso campeonato.
Sim, ainda há luz no fim do minhocão: a identificação com a história dos clubes paraenses alimenta a rivalidade centenária e passa como herança de pais para filhos. Mas, para não perder o amor dos jovens, Remo e Paissandu precisam rever conceitos e entender que no futebol (e na vida) não há paixão que resista a tantas decepções. Ainda há tempo.
 
Quem diria que Alisson, de rejeitado nos primeiros momentos, viraria figura indispensável ao esquema de Sérgio Cosme? Pois a escalação do meio-campo para o jogo decisivo com o Bahia, hoje à noite, terá Alisson e mais três. Dois são conhecidos: Alexandre Carioca e Billy. Mas o parceiro de Alisson na armação ainda é uma incógnita. Alex Oliveira é o mais cotado, mas Marquinhos e Martín Cortez também disputam a posição. Tudo porque Alisson mostrou regularidade e disciplina tática desde que entrou na equipe, virtudes que faltam a Alex. No ataque, Héliton só não entra jogando se Cosme adotar Dunga como guru. 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 6)

23 comentários em “Coluna: Os caminhos do coração

  1. Muito se tem falado sobre uma pretensa melhora na defesa bicolor, mas a estória é outra. O time passou a sofrer menos gols porque:

    1) Nas últimas partidas, jogou como time pequeno, recuado, explorando os contra-ataques.

    2) A entrada de Fávaro também colaborou para a “melhora”. Ocorre que Fávaro vem sendo o melhor jogador do Paysandu nos últimos jogos, sinal de que não foram os zagueiros que melhoraram, nem os volantes, foi O GOLEIRO. Fávaro é bem superior a Nei. Contra o Bahia, que perdeu três gols feitos, viu-se que a zaga continua a mesma.

    Para se classificar, o Paysandu não poderá jogar recuado, como vem jogando. O preparo físico tem que durar os noventa minutos, e não apenas quarenta e cinco (será que vai ter jogador com caimbra de novo?). O time todo terá de jogar bem, não apenas o Fávaro. Perspectivas pouco animadoras.

    Gérson, e o palpite sobre o jogo de hoje?

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    1. Perfeita análise, meu caro Antônio. São Fávaro ajudou a melhorar o rendimento do setor defensivo e transformou-se no salvador da pátria das burradas da defesa. A bola entra menos porque Fávaro é muito mais goleiro que Ney.
      Quanto ao palpite, infelizmente acho que dá Bahia: 2 a 0.

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  2. Transmissões, insegurança, desconforto, queda de qualificação, desmandos administrativos e outras incoerêncis, afastam o torcedor do campo. Não figurar no mínimo na faixa média das competições nacionais por longo tempo vai minando a paciência e interesse de todos,reduzindo aos mais apaixonados a míngua presença de público. O sinal de alerta vem clamando a muito tempo buscas por medidas mais eficazes e parece que os dirigentes de clubes estão mudos, cegos e surdos.

    Quanto ao jogo do Payssandú, estou otimista por um desfecho favorável. Palpito 1×1.

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  3. No Remo, a mídia pedia a semana toda a entrada de Welington Silva e, como o Comeli não deu ouvidos, colocou acertadamente(na minha opinião), o Pardal. Se o Remo Ganhou, perdeu ou empatou, certamente não foi pela entrada do Pardal nem pela barração do Welington, portanto, penso que o correto foi feito e, assim deve ser. Pardal foi entrar e, a mídia carregou pesado contra o rapaz, porque ela queria o outro.
    – Hoje, a semana toda a mídia tenta “empurrar” o Helinton no time titular, sem analisar taticamente, como vem o adversário e, não levando em consideração que o Papão joga fora e tem a vantagem do empate. Segundo se ouve, é porque o Paysandu joga fora e o Helinton é o ideal para puxar os contra ataques. Vale lembrar, que no estadual, o Papão é o time que mais fez gol de todos e, sem a presença do Helinton e, por aí, vai. Penso que, se o Sérgio Cosme analisou o time do Bahia corretamente, ele entra com o Martins Cortez(fazendo um quinteto no meio), com o Rafael Oliveira no ataque, se sofrer imposições da Mídia ou do LOP, entrará com o Helington(o que poderia até ser bom, mas no decorrer do jogo e, dependendo da situação)’.
    – Se jogar com inteligência, primeiramente anulando as principais jogadas do Bahia e, dessa vez o SC acertar nas substituições, o paysandu pode ter chances de sair de salvador com a classificação, até porque o Bahia, sem o Ramon, não é o mesmo.A não ser que o Papão facilite, como foi aqui, no 2º tempo. É a minha opinião.

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    1. Vale ressaltar que, aquele que entrar no lugar do Helinton e, caso o Papão não consiga sua classificação, esse será o Culpado, juntamente com o Sérgio Cosme. Anotem.

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      1. É apenas uma questão de opinião, amigo Gerson. O futebol é muito bom de se discutir, pra quem leva o mesmo esportivamente( como todos nós aqui no seus blog). Só faltava pedir uma cervejinha e uns petiscos e continuar discutindo. rsrsrsr
        – Quanto ao Tuica, amigo Berlli, é aquilo que falei, acima, o Paysandu jogava em função de um Ponta, na época,logo seu time era treinado pra isso, diferentemente de agora.

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    2. Pois eu insisto, amigo Cláudio: se o Cosme sonha em ganhar o jogo, terá que apostar nos contra-ataques e Héliton é seu único atacante especialista nesse tipo de jogada. Qualquer criança sabe disso, não precisa ter diploma de técnico. Se não entrar com Héliton ou não utilizá-lo ao longo do jogo, terá que apostar tudo na tática do 0 a 0 e esperar os penais. É uma alternativa arriscadíssima de sustentar por 90 minutos, ainda mais dentro de Salvador.

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  4. Amigo Cláudio, aquela situação que em vezes deparamos de portões fechados nos treinos para a torcida e imprensa, que de imediato é censurado, em certas ocasiões faz sentido. A conduta certa é o treinador acreditar nele e nos seus comandados e apagar para o resto, ciente dos riscos que assume. Helinton ou não. Eis a questão, de certo é que só Rafel Oliveira para brigar na frente é condená-lo ao fracaso pela dificuldades e cansaso.

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    1. Futebol, amigo Berlli, se ganha com inteligência e, esse jogo, então, é de raciocínio tático. O Paysandu num 4-5-1, como falei ontem, ele atacará, quando for preciso,com o Sidny(ala direito= atacante pelo lado direito), Billy(que faz muito bem esse revezamento pelo lado direito com o Sidny), Alex Oliveira, Alisson ou Carioca e Martin Cortez. É muito atacante, pra se dizer que o RO vai ficar sozinho.
      – Na libertadores, o Paysandu goleou um time(não recordo, mas penso que foi o Cerro) por 6×1, jogando forade casa(e olha que foi em outro País) e, com apenas o Robson de referência, mas tinha pra chegar nele: Velber, Iarley, Sandro….. . Esse negócio de dizer que tem que haver um homem velocista, depende muito de como seu time está acostumado a jogar. Só isso. É a minha opinião.

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      1. Entendo sua posição, mas aquele time da libertadores era anos luz melhor individualmente que este. Lembro que certa vez jogando em Goiania o Paissandú derrotou o Goiás pelo brasileiro com a ajuda do velocista Tuíca e aquele time da época também, era superior a este, embora nem tanto.

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      2. Amigo Cláudio, sabemos que o 4-4-2 quase sempre se transforma num 4-5-1 depois que a bola rola. No Paissandu, quando Mendes está em campo, isso ocorre o tempo todo. Talvez hoje Sérgio Cosme prefira manter o 4-4-2 puro pela necessidade de atacar com mais força. Quanto ao atacante de velocidade, não dá para improvisar nos contragolpes. Se o sujeito não for um velocista, compromete a execução da jogada.

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  5. Discordo. Para quê gastar tanto dinheiro melhorando os estádios, o torcedor é aquele determinado que se adapta aos cantos cegos, à insegurança, gosta das filas e tumultos. Não precisa administração, onde nossos abnegados vão arranjar tempo; vamos resolvendo os problemas à medida que eles surjam. Os clubes não precisam investir em divisão de base, para quê? É ligar para os ‘empresários’ que eles têm à disposição dezenas de jogadores disponíveis, e o torcedor paga. Se não der, a gente empurra a dívida com a barriga.
    Para quê organizar?

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  6. E o jovem vai continuar torcendo por Remo e Paissandu, igual aos pais e avós. E para que construir centros de treinamento, se sempre foi assim.
    Estádios maiores? Que nada. Quem não se sujeitar ao acotovelamento nas filas para comprar ingresso ou não pagar muito mais nas mãos de cambistas, que fique em casa ouvindo o jogo pelo rádio ou vendo pela tevê.
    O povo paraense é assim mesmo e não vai se acostumar nunca a ser bem tratato. Pra quê mudar?

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    1. Perfeito…é assim mesmo e pronto….a gente reclama, reclama, reclama mas no fim das contas nao mexe um pauzinho pra melhorar o que está errado…

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      1. Caros Edmundo e Valentim, fora à parte o sarcasmo e a ironia, há de se distinguir o quadro de integrantes do Clube Social, da massa torcedora vinculada passionalmente ao futebol. Pois bem, enquanto Clube Social, de há muito que o Clube do Remo assistiu à debandada, em massa, de seus associados. Todavia, enquanto motivo de paixão para torcedor, o movimento tem sido franca e contraditoriamente inverso. Deveras, a massa torcedora só tem aumentado. Aliás, recentemente o blog publicou uma pesquisa dando conta que o Remo está entre aqueles (salvo engano, vinte) que apresenta o maior crescimento de torcedores entre as crianças. Enfim, creio firme que o que está prestes a desaparecer, a se extinguir, a ser fulminado, por inanição, pela insistente gestão perniciosa de seus sucessivos dirigentes, de todas as tendências, é o patrimônio material Clube do Remo. A Paixão, o Fenômeno Azul, a Instituição, estes subsistirão. Enfim, o risco não é o abandono da Torcida, e, sim, da Torcida ficar sem ter pra quem torcer.

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    2. Pelo que entendi, o paraense dve ser tratado como gado. Aí mano o Alonso tem razão. Estou começando a mudar meus conceitos sobre a fórmula de trato ao paraense. Por isso que remista gosta de sofrer e se sente gigante. Tá explicado.

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    3. Pra que clube social, isso fica pra outros como o Internacional, por exemplo. Quem disse que o quadro social vai sustentar um clube?? E o torcedor – esse bovino – não está acostumado com conforto, clube, etc.

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  7. Foi feita uma invasao silenciosa e por culpa da ma gestao nos clubes, temos “dirigentes” sem preparo nenhum e que chegam aos clubes simplesmente para tirarem proveito dos adeptos.

    Mas nessa invasao toda nos amantes da bola temos uma parcela imensa de culpa.
    -Quando pagamos ingressos caros por espataculos deprimentes e feitos em estadios sem a minima condicao.
    – Quando nao sabemos o funcionamento das eleicoes nos nossos clubes ,aceitando as formulas usadas nas escolhas
    -Quando aceitamos que um Coronel tenha se apoderado do orgao maximo do futebol no estado.
    -Quando aceitamos caladinhos o endividamento escandaloso nos clubes.. ahh sao tantas coisas!
    Que muitos preferem colar a bunda no sofa e sonharem que estao no Bernabéu ou Old Trafford e’ bem mais confortavel.

    Mas ainda ha’ tempo para recuperar o tempo perdido, basta querer e fazer algo, pois mesmo com toda essa invasao ainda temos nossa cores sendo maioria no mangal. Ainda!

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  8. Caro Gerson. Vou discordar de você nesta coluna. Não vejo que há uma diluição de amor pelos clubes locais em favor de outros de fora, isso sempre aconteceu. E hoje, inclusive, vejo que isso acontece de forma menor. Antigamente era comum torcer para 3 times brasileiros, sempre sendo 1 local, 1 do Rio e outro de São Paulo e até hoje é comum ver pessoas mais velhas torcendo dessa forma. Por pura influência eu acabei na infância escolhendo também os meus times do eixo Rio-São Paulo e na adolescência resolvi largar de mão em favor de uma dedicação exclusiva ao Clube do Remo. Vi muitos outros amigos tomando o mesmo rumo e pressenti uma mudança nesse paradigma, até, acredito, pela equiparação do futebol nacional (por baixo, diga-se de passagem). E um dos fatores para tal acontecimento foi justamente a debandada de jogares brasileiros para a Europa. Passou a se ter, então, admiração por um time europeu em favor de um ou outro jogador (brasileiro ou não). São poucos os casos na minha geração (tenho 28) que vejo que realmente se torce para um time estrangeiro. E eu, hoje, mesmo em São Paulo, ainda me recuso a torcer por um time daqui e continuo amando e acompanhando de longe o Clube do Remo. Abraços.

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  9. No jogo de domingo, o Plácido da TV Cultura foi taxativo: o futebol paraense não acaba por conta única de sua torcida. Até quando, porém, isso será suficiente. O século XXI está demonstrando cabalmente o ocaso do futebol em regiões subdesenvolvidas em detrimento do praticado no seio das economias globalizantes. O Pará não esrtá imune a isso. Veja, será que no maranhão, ainda se encontra massa de torcedores do Sampaio Corrêa ou do MAC? Onde está grande torcida do Fast Club, do Nacional e do Rio Negro no Amazonas? No Centro-Oeste, à exceção de Goiás, a situação é pior: cadês os Operários (Várzea Grande e Campo Grande), Mixto, Dom Bosco? É só olhar as equipes que andam pontuando a Copa do Brasil: Murici, Penarol e congêneres. Não vamos longe. Ultimamente, Águia, São Raimundo e até Castanhal, estão se apresentando em gramados nacionais. Esse é o alerta. O alento é que o Apocalipse não traduz somente a destrição, mas a epifania da esperança.

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