O Cametá massacrou o Remo em apenas 20 minutos de futebol objetivo e envolvente. Além de quebrar a invencibilidade do líder do campeonato, destruiu o mito da super defesa. Dos 13 aos 33 minutos do primeiro tempo, a equipe cametaense empreendeu contra-ataques mortíferos e criou seis chances claras de gol, convertendo quatro delas. Esse altíssimo índice de aproveitamento traduz qualidade de passe e eficiência nas finalizações.
Nenhuma outra partida deste campeonato surpreendeu tanto quanto à flagrante superioridade de um time sobre outro. O Cametá esteve tão acima, enquanto buscou o gol, que nem os jogadores do Remo sabiam explicar o que havia acontecido em campo.
Que o Cametá tem bom time todo mundo já sabia, inclusive o Remo, que empatou lá na fase classificatória. O meio-de-campo é bem aprumado, com dois jogadores (Wilson e Robinho) acima da média atuando por ali. O ataque tem Leandro Cearense, artilheiro do torneio e um autêntico ponta-de-lança clássico, que finaliza, mas sabe passar. Seu calcanhar-de-aquiles era o centro da defesa, mas a situação foi devidamente contornada.
Nem o terrível gramado do Parque do Bacurau atrapalhou as ações velozes do Cametá e a precisão de seus lançamentos. O time saía da defesa em dois, três toques e com tamanha sincronia que os defensores do Remo não conseguiam acertar a marcação. E esse tormento azulino durou o jogo todo, embora tenha sido mais cruel nos primeiros 45 minutos.
O correto posicionamento de Leandro Cearense foi essencial para a precisão ofensiva do Cametá. Voltou a cair pelos lados da área, para atrair os zagueiros e abrir a defesa. O truque funcionou, pois nunca neste campeonato a dupla Paulo Sérgio/Rafael Morisco mostrou-se tão atrapalhada. Impressiona o fato de que Paulo Comelli não percebeu a manobra. Passou o jogo inteiro sem deslocar um de seus três volantes para acompanhar Leandro.
Mais que isso: o Remo não conseguiu anular a ágil saída do Cametá, centrada em Robinho e Leandrinho. Ao longo do primeiro tempo, ambos tiveram liberdade absoluta para chegar à intermediária inimiga e escolher a quem passar a bola. Isso se repetia a todo instante, sempre do mesmo jeito. Quase sempre a bola era esticada para os laterais Mocajuba e Américo cruzarem para o lado oposto. E havia sempre alguém desmarcado para receber. Um jeito simples e certeiro de fazer bons ataques.
Sem esse papo de extrair lições transcendentais de um jogo, mas o que se viu ontem em Cametá foi um daqueles momentos raros em que um time consegue transformar aplicação em vantagem no placar. Normalmente, chances como as de ontem são criadas ao longo dos 90 minutos sem pleno aproveitamento. Quando isso ocorre é prova de concentração e maturidade de um time. Portanto, mais que o apagão azulino, é justo destacar a excepcional atuação do Cametá, que de fato sobrou em campo.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 11)