Coluna: Mar revolto na Curuzu

Rachada ao meio por diferenças e vaidades, a diretoria do Paissandu não pode fazer as cobranças ao time que a torcida exige. Muito menos ao técnico Sérgio Cosme, desgastado pelas más atuações – mais até do que pelas derrotas, que foram somente duas, desde que assumiu o time no final de 2010. Mas, se o torcedor tem motivos de sobra para desejar ver Cosme longe da Curuzu, parece cada vez mais consciente também de que o problema não se restringe ao comando técnico.
Por esse ponto de vista, a diretoria acerta ao desatracar uma barca de dispensas para aplacar a ira do torcedor. Ocorre que os jogadores agora descartados foram trazidos, indiscriminadamente, pelos atuais dirigentes. Como cartolas não são demitidos, sobra para os boleiros – quase sempre a parte menos responsável pela confusão reinante.
O grupo de jogadores é um dos mais fracos já formados nas últimas temporadas. Quase tão desigual quanto o que veio acompanhando o técnico Nazareno Silva em 2010. Naquela ocasião, o Paissandu optou por mudar o planejamento em pleno campeonato. Deu sorte. Charles Guerreiro assumiu o leme no final da fase classificatória do turno e conseguiu conduzir o time à conquista da primeira etapa.
Desta vez, pelo que se observa das decisões do presidente, o treinador deverá ser mantido pelo menos até a decisão do turno, o que pode ser fatal para os planos de conquista do tricampeonato estadual. É justamente aí que há um fosso entre a vontade do torcedor e a disposição da diretoria. Em função de cláusulas amarradas em contrato, Cosme não sairá de mãos abanando. A obrigatoriedade de indenizá-lo não estimula o clube a fazer o que a lógica e o bom senso recomendam a essa altura.
 
Os rolos financeiros comprometem também a frágil disciplina interna. Depois do empate com o Penarol, o volante Sandro, um dos líderes do grupo, declarou que “tudo continua como no ano passado”. Referia-se, obviamente, aos problemas que levaram ao fiasco na Série C.
Não é segredo que há uma crescente insatisfação dos atletas, principalmente aqueles mais cobrados pela torcida, com o atraso de salários. E a irritação aumenta à medida que são anunciadas novas contratações. Por isso, não se imagine que o grupo está contra o técnico. É mais correto avaliar que a bronca tem endereço de maior patente.   
E, diante do vazamento da notícia sobre os salários, a diretoria agiu como na famosa anedota do adultério: preferiu afastar o sofá da sala. Tratou de proibir qualquer referência ao assunto nas entrevistas dos atletas. Os sucessivos apagões defensivos talvez tenham a ver com essa questão. Jogador profissional não entrega ou faz corpo mole, mas sofre com as contas vencidas no fim do mês e os compromissos de ordem pessoal, como qualquer outro cidadão comum. Sem tranqüilidade, fica difícil manter a concentração em campo. Nada de novo sob o sol, todo mundo sabe – e os diretores certamente não desconhecem o fato.   
 
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 4) 

Com apito amigo, Palmeiras bate piauienses

O Comercial foi devidamente operado no Palestra Itália. Dois gols anulados e duas expulsões discutíveis.