Nas 72 horas que separaram o Re-Pa de domingo e o jogo com o Águia, anteontem, o Paissandu desceu aos infernos. De time mais ofensivo e elogiado do campeonato até a quarta rodada do primeiro turno, passou a ser observado com desconfiança até pelos torcedores mais empedernidos. Sob efeito ainda do mal digerido revés no clássico, todos passaram a duvidar das possibilidades do ex-favorito ao título.
De equipe fortemente armada (e temida) transformou-se, repentinamente, em patinho feio, uma farsa, quase um cavalo paraguaio na disputa. Até seus próprios jogadores pareciam duvidar da capacidade de recuperação. Não é a primeira vez tal fenômeno acontece. Sim, o futebol é exagerado e injusto, principalmente nas derrotas.
Aí bastou fazer uns ajustes na auto-estima da equipe, organizar melhor a defesa e redefinir posicionamentos para espanar o princípio de crise. Contra o Águia, na Curuzu, o Paissandu foi um time modificado. Bem mais que as três novidades na escalação – Sidny, Ari e Alexandre Carioca –, teve atitude vencedora, item fundamental em qualquer projeto futebolístico.
O maior exemplo dessa mudança de ânimo ficou patente em Tiago Potiguar. Apagado no clássico de domingo, o meia-atacante foi incansável durante todo o tempo em que esteve no jogo contra os marabaenses. Correu com objetividade, assumiu a responsabilidade de criar as jogadas ofensivas e acertou todos os passes que deu. Parecia mordido e a fim de apagar a má impressão. Foi, enfim, o Potiguar do começo do campeonato.
Sidny, que não disputou o Re-Pa, foi outro exemplo de entrega e vontade de vencer. Billy também ressurgiu depois da jornada infeliz no Mangueirão. Ambos foram vibrantes e se destacaram no apoio a Potiguar e Rafael Oliveira na tarefa de golear o Águia.
É verdade que os demais não conseguiram manter o mesmo ritmo. Sandro continuou discreto e errando passes como nunca antes na carreira. Mendes até tentou jogar dentro da área, mas parece travado ao lado do dinamismo de Rafael Oliveira. A cobrança do penal sofrido por Potiguar só ajudou a disfarçar um pouco sua improdutiva participação, mas o torcedor não perdoou.
Outro que não teve trégua foi o técnico Sérgio Cosme e, na conversa com os repórteres, foi sincero na admissão da dificuldade em compreender reação tão hostil a uma goleada irretocável. Lá fora, os xingamentos de uma turba de torcedores pareciam ressoar no estádio vazio e talvez permaneçam zumbindo por algum tempo nos ouvidos do carioca gente-boa, que garante estar lutando para se adaptar a Belém. Difícil avaliar se terá tempo para isso.
Breno e Herbert, os zagueiros que o Paissandu anunciou ontem, desconhecidos por aqui, devem ser os primeiros da nova leva de reforços que o clube já prepara para enfrentar as semifinais do primeiro turno. Conseqüências do clássico-rei da Amazônia.