O racha no Clube dos 13

Por Juca Kfouri

Sim, é bem possível que já na semana que vem Andrés Sanchez anuncie que o Corinthians saiu do Clube dos 13.

E que o Flamengo venha junto porque a Traffic, que quer vender o patrocínio de Ronaldinho Gaúcho, não tem dúvida de que a exposição na Globo vale mais que em qualquer outra emissora neste momento em que a Record aparece como candidata ao Brasileirão. Mais: os dissidentes, provavelmente todos aqueles que votaram em Kléber Leite contra Fábio Koff (leia-se Botafogo, Corinthians, Coritiba, Cruzeiro, Goiás, Santos, Vasco e Vitória) acreditam que uma cisão no Clube dos 13 possa ser a semente da Liga dos Clubes, porque com o apoio de Ricardo Teixeira.

Estes, ao contrário de São Paulo e Atlético Mineiro, por exemplo, avaliam que a exposição feita pela Globo na quarta-feira passada foi realista e não desfez do produto futebol. Porque de fato a audiência do futebol cai depois da novela e do Faustão, às quartas-feiras e domingos. Alegam que se eventualmente a Record vencer e puser os jogos às 20h, não só  a exposição de seus patrocinadores perderá em relação à Globo como, por outro lado, perderá em audiência para a programação global, seja com o Jornal Nacional, seja com a novela. Como era inevitável, a disputa entre as TVs rachou os clubes e há até quem avalie que a Globo nem entre na licitação, cujas regras serão definidas nesta segunda-feira, em São Paulo.

Mas há também quem ria de tal hipótese, considerando-a puro blefe e esteja disposto a pagar para ver. Como há quem garanta que qualquer negociação direta entre uma TV e os clubes separadamente ferirá o que ficou acordado com o Cade.

Com a palavra, o Cade.

Coluna: Bons jogadores em ação

Não faltam bons jogadores ao campeonato paraense. Apesar dos pesares, das contratações sem critério e de última hora, os oito clubes disputantes da fase principal conseguiram montar equipes decentes e alguns têm solistas merecedores de elogios. São os chamados valores indiscutíveis, que se destacam como tema das conversas de bar, do papo de esquina.
Observação rápida nas atuações dos times após cinco rodadas permite chegar a uma escalação de boa qualidade: Adriano; Elsinho, Paulo Sérgio, Rafael Morisco e Marlon; Billy, San, Fabrício, Tiago Potiguar; Rafael Oliveira e Tiago Marabá. Como se vê, mais da metade desse time hipotético estará presente ao clássico Tuna x Remo. Mais ainda: o melhor goleiro e a defesa mais sólida da competição entram em campo, em lados opostos, no estádio Edgar Proença. Adriano, que fez carreira com a camisa do Remo, vai se defrontar pela primeira contra o antigo clube como defensor da Tuna. Se reeditar as atuações recentes, deverá ser um senhor obstáculo ao ataque remista.
A rigor, nenhuma novidade. Há praticamente uma década, Adriano é o melhor goleiro do futebol paraense, seguro e regular. Quase perfeito nas saídas de gol, tem o mérito de não enfeitar, nem fazer defesas espalhafatosas. Não por acaso, conquistou o apelido de “Paredão”.
Adorado pela torcida azulina, não ficou no Baenão nesta temporada porque foi injustamente avaliado como “azarado” e “desagregador”. A primeira definição é estapafúrdia, não pode ser levada a sério. Sempre que integrou bons times, Adriano foi campeão. Donde se conclui que, pelo menos nos últimos anos, o time deu azar a ele, e não o contrário.
Do outro lado, a defesa do Remo surge como um dos destaques do próprio campeonato. Os alas Elsinho e Marlon têm brilhado na competição, utilíssimos tanto nas ações ofensivas quanto na cobertura. Paulo Sérgio e Rafael Morisco, os zagueiros de área, respondem pela segurança defensiva do Remo, aparecendo como diretamente responsáveis pelo baixo índice de gols sofridos pelo time – apenas três em cinco jogos.
E a partida tem outras atrações. Felipe, artilheiro cruzmaltino, e Tiaguinho, organizador do meio-campo remista, são dois nomes a serem observados com atenção. Vale também ficar atento aos volantes Luís André e San, do Remo, e aos cruzmaltinos Maraú (lateral esquerdo) e Japonês (meia), da Lusa. Sem dúvida, bons motivos não faltam para ir ao Mangueirão. 
 
 
Quando Pelé, novo amigo de Ricardo Teixeira, desce do trono para reclamar dos rumos da organização da Copa de 2014 cabe prestar atenção. Poderia significar apenas um daqueles alertas que o Rei costuma disparar de vez em quando, sem maiores conseqüências, mas adquire importância quando o próprio Teixeira é o comandante em chefe da operação. De resto, seria oportuno que as autoridades se apressassem em fazer cumprir os prazos das obras, até para que as previsões de Pelé não se revelem funestas, mais uma vez. 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 20)