Mês: novembro 2010
Sócios remistas escolhem novos conselheiros
Transcorre sem maiores incidentes, na mais absoluta tranquilidade, a eleição para o Conselho Deliberativo do Remo. Duas urnas estão à disposição dos sócios com direito a voto. Desde as 8h é grande a movimentação de eleitores, confirmando o grau de interesse que o pleito despertou na comunidade azulina. Partidários e cabos eleitorais das duas chapas concorrentes – Chapa 1/Reconstrução com Seriedade e Chapa 2/Diretas Já – buscam convencer os indecisos, mas o clima é ordeiro, apesar de algumas denúncias de voto duplo e erros na lista de votação. O colégio eleitoral do Remo é composto de mais de 10 mil sócios aptos a votar, mas, tradicionalmente, a eleição atrai menos de 2 mil votantes efetivos. Na última eleição para o Condel, apareceram 1.030 eleitores. A votação se encerra às 16h e a apuração começa imediatamente. (Foto: THIAGO ARAÚJO/Diário)
Coluna: Chega de aventureiros
O Remo, representado por seus mais de 10 mil sócios, tem hoje a oportunidade de fazer as pazes com sua história. Depois de quatro desastrosos anos, o clube vai às urnas para escolher seu novo Conselho Deliberativo e, por conseqüência, um novo presidente. Poucas vezes uma eleição foi tão aguardada pelo caráter decisivo que carrega.
A verdade é que não há mais como errar. Ou o Remo se emenda e adota uma gestão profissionalizada, que respeite prazos e evite gastos desnecessários, ou desaparece no turbilhão de dívidas sem controle.
Nas mãos dos atuais dirigentes, o clube mergulhou no caos administrativo, a partir da obsessão cega pela venda do estádio Evandro Almeida. Ao longo de 24 meses, perdeu-se tempo e oportunidades com um projeto irresponsável, fadado ao fracasso desde sua origem.
Disfarçado de ação moderna, destinada a catapultar o clube a um futuro grandioso, a transação nasceu por vias tortuosas, a partir do calote programado a acordos trabalhistas. Ao invés de depositar mensalmente cerca de R$ 40 mil reais nas contas da Justiça Trabalhista, o presidente Amaro Klautau optou por deixar rolar para ver como ficava. Tudo com o objetivo de forçar a negociação do Baenão. O que parecia ousadia era apenas uma vultosa jogada imobiliária facilitada pela apatia do torcedor e na omissão das instâncias fiscalizadoras do clube.
O desastre só não se consumou por completo, na forma do desmanche do patrimônio, porque a inabilidade para conduzir o futebol se estendeu às manobras de bastidores e a transação resultou em fiasco, repetindo a vergonhosa trajetória do time nas duas temporadas. Do mesmo jeito que passou dois campeonatos sem ganhar um turno sequer, AK também saiu de mãos abanando da aloprada operação de “permuta” do velho estádio.
O canto de cisne do único projeto da gestão foi o leilão da área do Carrossel, realizado na manhã de ontem. Apesar de suspenso por falta de interessados, o leilão continuará a ser uma ameaça pairando sobre a cabeça dos futuros dirigentes. Herança desse inglório passado recente.
Penso que se o torcedor mais consciente pudesse dizer realmente o que pensa, expulsaria os vendilhões do templo e pediria aos aventureiros para que abram espaço para os que têm pelo menos afeto pelo clube. É inaceitável que uma agremiação centenária, com milhares de adeptos, seja tão mal administrada. Pior: seja entregue nas mãos de gente descompromissada com a história azulina. Que os votos deste sábado permitam ao Remo não mais sofrer a humilhação de ter seu símbolo destruído, na calada da noite, por ordem do próprio presidente. É hora de os remistas tratarem com verdadeiro respeito o objeto de sua paixão.
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Causa espanto que, apesar de todas as lambanças praticadas e sem prestar contas do atual exercício, o presidente em fim de mandato ainda planeje se reeleger. Age, nas sombras, como o candidato oculto de uma das chapas concorrentes. Abram os olhos, remistas.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste sábado, 20)
Rock na madrugada – Paul McCartney, Helter Skelter
Prefeito de Marituba oferece terreno ao Remo
O prefeito Bertoldo Couto, de Marituba, acompanhado de vereadores, reuniu na tarde desta sexta-feira com a diretoria do Remo para oferecer ao clube um terreno de 120 mil metros quadrados, às margens da Alça Viária, capaz de abrigar um centro de treinamento. O terreno será cedido em sistema de comodato, pelo maior prazo possível previsto em lei. Antes que alguém tente capitalizar o “presente”, Couto informou que não tem ligação com nenhuma das chapas que concorrem à eleição do Condel azulino neste sábado. E disse que negociará os termos do contrato com a chapa vencedora.
Leilão do Carrossel suspenso por falta de interessados
O leilão marcado para venda da área do antigo Carrossel terminou logo depois de ser aberto, no Tribunal Regional do Trabalho. Apesar da grande expectativa e divulgação, ninguém apresentou lance pela propriedade do Clube do Remo. Com isso, a Justiça deve marcar um novo leilão, provavelmente no começo de 2011. O leiloeiro Aldenor Bohadana abriu a sessão, mas, diante da inexistência de interessados, fechou os trabalhos cerca de 15 minutos depois.
Capa do DIÁRIO, edição de sexta-feira, 19
Capa do Bola, edição de sexta-feira, 19
Macca apanha e dá a outra face desde os anos 60
Por André Barcinski
Paul McCartney tem 68 anos e, há meio século, ele é o maior astro pop do mundo. Mas, apesar de toda a pressão da fama e dos conflitos, raramente se viu McCartney perdendo a esportiva. Ninguém é Sir à toa. Philip Norman, autor de “Shout”, uma das melhores biografias dos Beatles, descreve assim a personalidade de McCartney: “Paul, embora tão individualista quanto John, não possuía nada da rebeldia temerária deste. Tinha uma aversão profunda a toda agressão e confrontação aberta, preferindo dobrar os outros à sua vontade usando a simpatia, a diplomacia e a inocência por vezes enganosa de seus grandes olhos castanhos”.
O momento mais marcante no processo de ruptura dos Beatles foi o romance entre John Lennon e Yoko Ono. No fim dos anos 60, Lennon passou a levar Yoko para o estúdio durante as gravações da banda. “O mais inacreditável era que, ao final de cada tomada de gravação, era para Yoko, não para Paul ou George Martin (produtor), que ele se voltava em busca de um comentário”, escreveu Philip Norman. Apesar dessa interferência rude no trabalho da banda, Paul tentou ser diplomático. Diferentemente de George Harrison, que insultou Yoko, acusando-a de “transmitir vibrações negativas”. Lennon acusou McCartney de escrever “Get Back” para Yoko: “Toda vez que ele cantava ‘Volte para o lugar de onde você veio’, ele olhava para Yoko”.
Depois do fim dos Beatles, Lennon não perdeu uma chance de achincalhar McCartney. Em 1971, lançou a rancorosa faixa “How Do You Sleep?” (“Como você dorme?”), um ataque direto a Paul, em que dizia: “Um rostinho bonito dura um ano ou dois” e “a única coisa que você fez foi ‘Yesterday'”. Dois anos depois dessa briga pública, Lennon estava separado de Yoko e passando por um período difícil, afundado em álcool e drogas. E quem saiu em socorro do ex-parceiro e ajudou o casal a se reconciliar?
“Eu quero que o mundo saiba que foi uma coisa muito tocante o que Paul fez por John”, disse Yoko. “Ele ouviu boatos de que John estava com problemas e ficou genuinamente preocupado com seu velho parceiro. John sempre dizia que não entendia por que Paul tinha feito isso por nós, mas ele fez”. A admiração de Yoko por Paul, entretanto, não durou muito. Certa vez, comparou Lennon a Mozart e McCartney a Salieri, o rival menos talentoso de Mozart. E quando McCartney pediu a Yoko que os créditos de algumas canções, como “Yesterday”, fossem mudados para “McCartney/Lennon”, ela recusou. “A princípio, ela concordou. Mas ligou algumas horas depois, mudara de ideia”, disse McCartney.
http://www.folha.com.br/103217
MICHAEL
Outra megacelebridade com quem McCartney entrou em conflito foi Michael Jackson. No início dos anos 80, McCartney e Jackson gravaram juntos as músicas “Say Say Say” e “The Girl Is Mine”. A parceria entre os dois tinha tudo para durar. Até que McCartney casualmente contou a Jackson que estava ganhando muito dinheiro com edição musical. O ex-beatle, que havia comprado o catálogo das canções de Buddy Holly, disse a Jackson que a melhor maneira de faturar com música era comprar os direitos de edição de canções famosas.
Jackson não titubeou: em 1985, comprou por 47 milhões de dólares cerca de 200 músicas dos Beatles, vencendo o próprio McCartney, que também havia feito uma oferta. “Isso não está certo”, disse McCartney, comentando o caso. “Toda vez que eu faço um show e toco ‘Hey Jude’, preciso pagar”. Quando McCartney procurou Jackson, este respondeu: “Ah, Paul, mas são apenas negócios!”.
Em 2008, para piorar um pouco as coisas, Michael Jackson lançou o “remix” de seu álbum mais famoso, “Thriller”, e simplesmente apagou os vocais de McCartney da faixa “The Girl Is Mine”, substituindo o ex-beatle por Will.I.am, do Black Eyed Peas. Pouco mais de um ano depois, em junho de 2009, Jackson morreu. McCartney, sempre diplomático, foi só elogios ao ex-parceiro: “É muito triste e chocante. Me sinto privilegiado por ter conhecido e trabalhado com Michael. Ele era um menino-homem incrivelmente talentoso e com uma alma gentil”.
| AFP | ||
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| O ex-beatle Paul McCartney e o cantor pop Michael Jackson, em foto de 1983 |
HEATHER
Mas nenhum conflito de McCartney foi tão feio quanto seu divórcio da ex-modelo e ativista Heather Mills. Eles se casaram em 2002 e tiveram uma filha, Beatrice, em 2003. O relacionamento deteriorou rapidamente, e o casal se separou em 2006. Os detalhes da vida conjugal viraram um banquete para os tabloides sensacionalistas ingleses. Logo após a separação, Heather Mills foi à imprensa e destruiu McCartney: culpou sua filha, a estilista Stella McCartney, pela separação, ameaçou divulgar fitas de McCartney em sessões de análise e acusou o marido de ser viciado em drogas e álcool. Em março de 2008, um juiz de Londres concedeu o divórcio. Heather Mills saiu do tribunal com R$ 84 milhões. Desta vez, ele desabafou, ainda que timidamente: “Não vai haver mais tumulto, nem caos, nem Heather. Enfim, eu tenho paz!”. (Da Folha SP)
A arte de Atorres
Rock na madrugada – R.E.M., Animal
Coluna: Rotas opostas no Paissandu
Participei ontem à noite, na Rádio Clube, com Giuseppe Tomaso e Rui Guimarães, do debate entre os candidatos à presidência do Paissandu, Luiz Omar Pinheiro e Ubirajara Lima. Um civilizado confronto de idéias e propostas para administrar o clube nos próximos dois anos. Pelo nível dos postulantes ficou claro que, apesar das discordâncias, ambos estão sinceramente interessados em dedicar atenção e esforço pelo clube.
Os estilos são diferentes. Bira Lima, da oposição, procura ser mais técnico na argumentação, esmiuçando os planos da chapa “Novos Rumos”. Contesta os ataques a administrações passadas do clube e não nega alinhamento com o ex-presidente Artur Tourinho, em cuja gestão foi diretor de futebol.
Defende uma gestão moderna, que privilegie decisões compartilhadas. Advoga a profissionalização das diretorias do futebol, prega um empenho maior no trato das divisões de base e promete se utilizar do marketing para valorizar a marca e alavancar os rendimentos do clube.
Luiz Omar cultiva gênero mais folclórico, seguindo a linha de Miguel Pinho, cujas tiradas quase sempre seduziam as platéias. Recorre ao humor ferino para desconstruir críticas dos opositores, admitindo o destempero em algumas atitudes. Tem como principal apelo de convencimento a “continuidade da gestão que saneou o Paissandu”.
E esgrime números expressivos: de uma dívida trabalhista em torno de R$ 36 milhões, conseguiu baixar o passivo do clube para cerca de R$ 6 milhões. Não é pouco. Basta observar que, por dívida mais ou menos igual, o Remo deve perder hoje pedaço valioso de seu patrimônio, com o leilão da antiga área do Carrossel.
Quando Bira Lima reprova a administração individualista e centralizadora, Luiz Omar não refuga. Assume, com todas as letras, que realmente tira dinheiro do próprio bolso para apagar incêndios no clube. Cita, inclusive, o pagamento de R$ 12 mil do recurso contra uma ação trabalhista de Jóbson. Se não botasse dinheiro seu, o clube sairia muito mais prejudicado, defende-se.
Partidário da tese de que futebol é um negócio surpreendente e de difícil controle, Luiz Omar dá a entender que, caso eleito, continuará a administrar o Paissandu à sua maneira. Bira Lima posiciona-se no outro extremo do ringue e propõe mudanças radicais nesse modelo. Acredita que os clubes só irão sobreviver se conseguirem manejar adequadamente as ferramentas de marketing e forem dirigidos como empresas.
Teses interessantes, jeitos diferentes de pensar, candidatos bem-intencionados e a certeza de que o Paissandu continua rachado ao meio. (Foto: THIAGO ARAÚJO/Diário)
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A gestão Amaro Klautau começa a cumprir hoje, por via tortuosa, seus projetos mais visíveis. Antes do meio-dia, o Remo deve perder parte valiosa de seu patrimônio – a área do antigo Carrossel. Tudo porque o atual presidente deixou de cumprir acordos com a Justiça do Trabalho. Que o próximo seja mais zeloso com os bens do clube.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 20)







