Coluna: Rotas opostas no Paissandu

Participei ontem à noite, na Rádio Clube, com Giuseppe Tomaso e Rui Guimarães, do debate entre os candidatos à presidência do Paissandu, Luiz Omar Pinheiro e Ubirajara Lima. Um civilizado confronto de idéias e propostas para administrar o clube nos próximos dois anos. Pelo nível dos postulantes ficou claro que, apesar das discordâncias, ambos estão sinceramente interessados em dedicar atenção e esforço pelo clube.

Os estilos são diferentes. Bira Lima, da oposição, procura ser mais técnico na argumentação, esmiuçando os planos da chapa “Novos Rumos”. Contesta os ataques a administrações passadas do clube e não nega alinhamento com o ex-presidente Artur Tourinho, em cuja gestão foi diretor de futebol.

Defende uma gestão moderna, que privilegie decisões compartilhadas. Advoga a profissionalização das diretorias do futebol, prega um empenho maior no trato das divisões de base e promete se utilizar do marketing para valorizar a marca e alavancar os rendimentos do clube. 

Luiz Omar cultiva gênero mais folclórico, seguindo a linha de Miguel Pinho, cujas tiradas quase sempre seduziam as platéias. Recorre ao humor ferino para desconstruir críticas dos opositores, admitindo o destempero em algumas atitudes. Tem como principal apelo de convencimento a “continuidade da gestão que saneou o Paissandu”.

E esgrime números expressivos: de uma dívida trabalhista em torno de R$ 36 milhões, conseguiu baixar o passivo do clube para cerca de R$ 6 milhões. Não é pouco. Basta observar que, por dívida mais ou menos igual, o Remo deve perder hoje pedaço valioso de seu patrimônio, com o leilão da antiga área do Carrossel.

Quando Bira Lima reprova a administração individualista e centralizadora, Luiz Omar não refuga. Assume, com todas as letras, que realmente tira dinheiro do próprio bolso para apagar incêndios no clube. Cita, inclusive, o pagamento de R$ 12 mil do recurso contra uma ação trabalhista de Jóbson. Se não botasse dinheiro seu, o clube sairia muito mais prejudicado, defende-se.

Partidário da tese de que futebol é um negócio surpreendente e de difícil controle, Luiz Omar dá a entender que, caso eleito, continuará a administrar o Paissandu à sua maneira. Bira Lima posiciona-se no outro extremo do ringue e propõe mudanças radicais nesse modelo. Acredita que os clubes só irão sobreviver se conseguirem manejar adequadamente as ferramentas de marketing e forem dirigidos como empresas.

Teses interessantes, jeitos diferentes de pensar, candidatos bem-intencionados e a certeza de que o Paissandu continua rachado ao meio. (Foto: THIAGO ARAÚJO/Diário)

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A gestão Amaro Klautau começa a cumprir hoje, por via tortuosa, seus projetos mais visíveis. Antes do meio-dia, o Remo deve perder parte valiosa de seu patrimônio – a área do antigo Carrossel. Tudo porque o atual presidente deixou de cumprir acordos com a Justiça do Trabalho. Que o próximo seja mais zeloso com os bens do clube.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 20) 

16 comentários em “Coluna: Rotas opostas no Paissandu

  1. A gestão Luiz Omar não pode mais continuar no Paysandu. Sua administração é amadorística e os motivos são fartos:

    a) De cada sete dias, passa pelo menos quatro fora da cidade. Em seus dois anos de mandato, passou menos de um ano em Belém. Se questionado, o próprio LOP não saberia dizer em que dias do ano estaria disponível para gerir o clube, tal a natureza de sua ocupação. Os atletas saem daqui dizendo que o clube é casa de mãe Joana. Somente isso já seria suficiente para que não continuasse mais à frente do Paysandu.

    b) Porém ainda há mais: nos três brasileiros que disputou, cometeu os mesmos erros – inchou o time com jogadores velhos e caros, além de deixar que o ambiente do elenco fosse minado. Nos três anos o Paysandu sofreu divisões no elenco. O próprio LOP é desagregador. Nas derrotas, culpa os atletas, como fez com Dadá, Mael e Sandro. Quando ganha, chama para si os aplausos. Errar é humano, insistir no erro…

    c) Também não é verdadeira a informação de que o clube deva “apenas” 6 milhões. Existem dívidas como a do Sandro (2 milhões), Balão (200 mil), Zé Augusto (200 mil), cujo processo não se iniciou (mas, como toda dívida, um dia serão cobradas). O jornal concorrente já pesquisou e descobriu que o clube deve 5 milhões no TRT e mais 5 milhões no TST, como já foi amplamente noticiado. Há também a dívida na justiça cível.

    d) Na gestão LOP o Paysandu sofreu os maiores vexames de sua história, as derrotas humilhantes para Salgueiro e Icasa, coisa jamais vista.

    e) Segundo a coluna, LOP diz que continuará a administrar o clube da mesma maneira, ou seja: prosseguirão os vexames. Esse “modelo” de administração merece continuar? Qual clube no Brasil conseguiu ir adiante com presidente tirando dinheiro do bolso?

    Não foi à toa que a chapa de oposição conquistou rapidamente novos eleitores. Esta nada tem a comemorar, no entanto, visto que as eleições no Paysandu (e também no rival) estão cheias de “cabritos” (eleitores-fantasmas), o que explica por que a oposição raramente ganha eleições… Talvez isso justifique a súbita confiança apresentada por LOP nas últimas horas.

  2. Gerson, acompanhei o debate e, pude perceber, novamente, o quanto o LOP é despreparado para a função de Presidente de um clube de massa como o Paysandu. Pode ser que eu me engane, mas gostei muito da postura do Sr. Bira Lima da CHAPA NOVOS RUMOS(JÁ). em um determinado momento, ele só faltou dizer ao LOP, aquilo que sempre falo aqui: “PRESIDENTE QUE COLOCA DINHEIRO DO SEU BOLSO EM CLUBE, É UM INCOMPETENTE. Na minha opinião, o Associado do Papão, não pode perder essa chance de se livrar de um Incompetente como o LOP. É A MINHA OPINIÃO.

    CHAPA NOVOS RUMOS – JÁ – A QUE NÃO TIRA DINHEIRO DO BOLSO, PORQUE É COMPETENTE, LOGO, TEM PROJETOS.

  3. Por tudo o que foi dito aqui, no debate que achei muito oportuno e por isso a equipe da clube está de parabéns, mais o que temos acompanhado durante esses 2 últimos anos com LOP a frente do papa títulos, fica evidente que a mudança se faz necessário. O modelo de administrar o clube utilizada por LOP é arcaico e como bem lembrado, sempre ausente por compromissos particulares. O que a da chapa de oposição oferece em termos de mudança é necessidade e urgente e mais do que isso, solucionário.

  4. Quanto ao carrossel azulino, ainda acho que não haverá comprador. O valor inicial não é atrativo para enfrentar batalhas judiciais que hão de vim por conta e em nome do clube. Pode ser que eu me engane e a Leal Moreira arremate, previsível.

  5. Concordo que falta tempo ao LOP e que a centralização é prejudicial ao clube, mas há de se reconhecer o trabalho feito em prol do Paysandu.
    E ignorância atribuir-lhe culpa pelas derrotas contra Icasa e Salgueiro, pois condições foram dadas para que o objetivo fosse alcançado, mas não foi. Paciência. Aliás, existem vergonhas maiores no futebol paraense.

  6. Certa vez disse aqui que LOP é bem intecionado, mas não planeja sendo seu modo ditador prejudicial ao clube. Caro Cássio reconheço o bom trabalho do atual presidente e a oposição no debate de ontem avaliou isso favoravelmente, mas mostrando, também, o outro caminho inverso seguido por LOP que não avançou por falhas cometidas.

  7. De acordo com informações do próprio Paysandu, na última eleição votaram 540 sócios. Ora, ora, ora… é substimar a inteligência dos outros de que um pleito nesta configuração não sofra influências de toda ordem. Mais de um terço desse n° são vinculados a situação e o resto, como disse o Antônio Lins surgem do nada. A utilização velada e as vezes às claras do poder econômico( neste caso, das 2 chapas) torna o vencedor em dono do clube e não presidente, por achar que investiu muito e precisa ter ganhos, nem que seja político( falo da política partidária). Isso não é democracia. Todos os grandes clubes brasileiros foram organizados no início do século XX com estatutos preparados para evitar que “qualquer um” (associado) pudesse chegar ao poder. Vejam o caso dos 2 grandes e em especial o vizinho que em pleno século XXI, os nomes dos ditos grandes beneméritos, beneméritos e outros, são os mesmos há aproximadamente 40 anos. E o pior, com o mesmo discurso pseudo democrático. Mudança é trabalhar para o clube aumentar o n° de sócios e eleições diretas com a participação de todos associados, aqui incluindo-se o desgraçado e esquecido, sócio torcedor. Mas o que fizeram Paysandu e Remo, com relação ao Projeto de sócio torcedor(PST) ?
    Lançaram campanhas de arrecadação de dinheiro, sob o apelido de PST, campanhas intempestivas, falsas e fracas quanto a sua manutenção ao longo do tempo.Como diz o adágio, mentira tem pernas curtas. O pobre torcedor comprou gato por lebre. Explico: Se voltarmos há 1 ano atrás, os dois clubes lançaram sus campanhas de “ST”, com alarde e pompa.
    Neste mesmo espaço democrático fiz algumas críticas, senão vejamos:
    À notícia do lançamento do projeto de sócio torcedor do Paysandu publicado no Diário do Pará em 04.12.09:

    “O Rezende tem toda razão.O projeto foi lançado intempestivamente e acrescento que sem transparência, falta o regulamento com direitos e deveres publicado no site, para fins de direito do sócio torcedor.Depois vai reclamar com quem? Com o papa?” ( aqui o Rezende, como presidente do conselho deliberativo afirmou que o CD não tinha aprovado o PST como reza o art.15 do estatuto, para a entrada de qq tipo de sócio) Depois se calou e não criticou mais o projeto do LOP.

    ricardo // 14/01/2010 às 13:06 | Responder
    Concordo plenamente com o posicionamento do Cléiton, todo sócio e não importa a sua categoria, se proprietário, remido, benemérito ou torcedor, é regulado por uma relação de troca: compra o título ou adesão e paga uma manutenção para usufruir do clube ao qual é sócio. O sócio torcedor é aquele que tem direitos diferenciados e mais restritos que as outras categorias, mas não é um simples colaborador. Ele é sócio com direitos e deveres.
    Na última eleição do Paysandu participaram 540 sócios aptos a votarem, porque? O clube Paysandu não oferece praticamente nada aos seus sócios, um restaurante? O sócio não é mero colaborador. Sócio para ser fiel pagador de suas mensalidades precisa de retorno, clube estruturado, serviços como restaurante,jogos, etc. Quanto mais se oferece ao sócio, mais ele fica fiel. É essa relação que mantém ou afasta os sócios e não importa a categoria. Como os clubes(inclusive do sul) não tem estrutura para oferecer aos sócios torcedores, oferecem ingressos, descontos em ingressos, lojas,colégios ,etc. Para finalizar, acredito pelo que tenho acompanhado, o projeto do Paysandu não é de sócio torcedor e sim campanha denominada fiel torcedor bicolor. Quem fez essa afirmativa foi o próprio presidente dia 06.12.09 ao explicar a sua briga com o Ricardo Rezende quando do lançamento do projeto, por não ter sido aprovado pelo Conselho Deliberativo do Papão. Ele disse ao Dinho Menezes: ” Você viu eu lançar algum título de sócio? O que lançamos foi a campanha fiel torcedor bicolor que não precisa da aprovação prevista no artigo 15 do Estatuto do Clube.”
    Por outro lado, o Carlos Lira citou o único meio de manter o sócio torcedor, mesmo nas derrotas ou outros revezes, pois se o colaborador perceber falta de transparência, clube derrotado, perda de títulos e outras mazelas, agirá como sempre age nessas horas, com paixão e abandona o projeto. Tem que ser oferecido o direito de votar e ser votado, logicamente após um determinado período de carência para diferenciá-lo do sócio proprietário. Esse tempo precisaria ser definido, 3, 4, 5 anos? Do jeito que vai essa campanha do papão , como já disse outras vezes aqui no blog é um natimorto!
    È POR ISSO QUE NO REMO NÃO SE MUDA ESTATUTO E NO pAYSANDU, APESAR DE HAVER PREVISÃO LEGAL, ESTE NÃO O FAZ.
    C omo falei no início deste comentário, MUDAR COMEÇA PELO ESTATUTO CADUCO, PARA PODERMOS MODERNIZAR O CLUBE.
    Ganhe A ou B, tudo vai ficar como dantes no quartel de abrantes.( vejam se eles falam nisso). Ontem no debate faltaram esses questionamentos.

  8. Pode não ser a mais representativa nem por isso deixa de ser legitima a forma de escolher através do voto indireto. O associdado escolhe o conselho e este os Ptes.
    As diretas pretendidas ou já praticadas, resumem-se aos sócios e assim sendo não são tão diretas quanto se apregoa. Opinião não se discute para evitar contrariedades, só.; Temos que admitir e aceitar quando elas são erradas. A eficácia das diretas ou indiretas depende muito da cultura do eleitor.

  9. Vale ressaltar que a CHAPA 2, no Remo, tem como primeiro objetivo, a REVISÃO DESSE CADUCO ESTATUTO DO REMO, com a intenção de modernizar o clube e, fazer com que o Sócio Torcedor, também, participe das questões internas do clube, COMO FAZ O iNTERNACIONAL DE pORTO aLEGRE, a começar pela escolha do seu Presidente, ainda este ano, ainda que tal caduco ESTATUTO, NÃO PERMITA.

    CHAPA 2 – JÁ.

    1. Amigo Cláudio, não embarque na canoa de mudança imediata do estatuto. Os mesmos que clamam por diretas-já no Remo ajudaram a engavetar o estatuto há 2 anos – com AK à frente. Dê a informação correta: qualquer alteração só irá vigorar para as eleições de 2012.

  10. Até concordo que o LOP fez muita lambança, mas ele não é de todo ruim, e a turma do outro lado é visceralmente ligada ao Tourinho. Isso mesmo colegas: o tourinho, aquele que deixou o papão em frangalhos e quebrou até a SUDAM.

    Outra coisa, como já afirmei aqui: Quem foi responsável pelo endividamento do clube, com certeza não é a solução para o pagamento de suas dívidas.

    O paysandu vem melhorando.

  11. Cláudio, durante a gestão 2009-2010 foi montada uma comissão para mudança do estatuto e ….Campanhas para qq tipo de eleição ´são todas iguais. Para se eleger, promete-se de tudo e depois….
    Tavernard, respeito sua opinião, porém permita-me discordar: Quando comprovadamente temos algo errado, não devemos aceitá-las passivamente e sim, contestá-las, denunciá-las, por fim lutar para que o certo prevaleça.

  12. Vença quem vencer, o maior desafio deste vencedor, serão dois:

    1º subir o clube pra séie B

    2º Consegui trazer sinergia, ou seja, saber trazer pra perto os derrotados, só dessa forma eu acredito em reerguimento verdadeiro e definitivo. Ontem eu falei isso pessoalmente para o LOP. Espero que realmente todos estejão visando o bem maior , que é o PAYSANDU ( COM Y E UM S APENAS ).

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