Os caminhos de Dilma, há oito anos

Por Natuza Nery, da Folha SP em Brasília

“Dilma, é o Palocci. Tudo bem? Gostaria de convidar você para integrar o grupo de transição do presidente Lula na área de energia”. Menos de 24 horas depois do telefonema, um voo da Varig levava a “técnica” a Brasília, cumprindo o que determinava a portaria 47 do “Diário Oficial”: “Nomear Dilma Vana Rousseff” para a equipe. Era 13 de novembro de 2002, há exatos oito anos. Um carro a levou direto ao trabalho. O QG da transição também era no Centro Cultural Banco do Brasil, e o coordenador do grupo, o mesmo Antonio Palocci Filho.

A publicação daquela data trazia outros 14 indicados e curiosas coincidências. Três nomes da lista são hoje cotados para o ministério da ex-técnica desconhecida que se tornou presidente: Miriam Belchior, José Sérgio Gabrielli e Gleisi Hoffmann. Miriam, aliás, tinha à época um cargo mais alto que o de Dilma. “A doutora Dilma não parava. Saía muito tarde do CCBB, pra mais de meia noite. Eu ficava lá esperando”, recorda-se Arilson Cavalcante Pereira, o “faz tudo” que a conheceu no dia de sua chegada e que, até hoje, a serve em variadas tarefas: pagar contas, compensar cheques, fazer mercado e organizar viagens. Atende, orgulhoso, pelo apelido dado pela chefe logo de cara: “Ligeirinho”.

“Eu sempre corria para adiantar o serviço pra ela”, contou, sem conseguir se lembrar de quantas vezes providenciara alimentação de urgência no escritório. Quando a fome apertava, ela engolia um sanduíche de frios e uma maçã.

BOA PAGADORA

Dilma Rousseff hospedou-se na Academia de Tênis, um resort a menos de dois quilômetros do quartel general da transição. Chegava sempre depois da meia noite e, vez ou outra, relaxava em um dos restaurantes do hotel com auxiliares de sua estrita confiança. Não havia assédio da imprensa. Não havia nem promessa de emprego para depois de 31 de dezembro. Uma camareira que está lá desde 2002 confunde as hóspedes: “Claro que me lembro dela. Marina Silva morava aqui, era gente boa”. Um dos funcionários que cuidava do café da manhã a chama de “chata”. Outra, de “exigente”. A então recepcionista, agora chefe do departamento financeiro, elogia a assiduidade com que Dilma honrava a hospedagem: R$ 1.970,00 mensais.

Novata no PT e na transição, não havia honrarias. Dilma e o “grupo gaúcho” dividiam a mesma sala no 2º andar do CCBB com a equipe de petróleo e o pessoal que montava a Secretaria para a Mulher. “Eu, ela e Valter Cardeal [diretor da Eletrobras ligado à presidente eleita] dividíamos o mesmo computador, a mesma escrivaninha. Não tinha lugar pra todo mundo”, relatou Ronaldo Custódio, hoje na Eletrosul.

ERENICE

Foi exatamente nessa sala que Dilma avistou Erenice Guerra pela primeira vez. Ela integrava a equipe de advogados da liderança do PT na Câmara e havia chegado ao núcleo de energia por seu passado na Eletronorte. A identificação foi imediata: ambas eram consideradas duronas e costumavam cobrar muito por resultados. A amizade só se revelaria depois, em 22 de janeiro, quando o “Diário Oficial” estampava a nomeação de Erenice para o cargo de consultora jurídica do Ministério de Minas e Energia, destinado a Dilma. Salário: R$ 6.300,00.

“Na transição, Erenice era nossa referência política, era nossa ponte com a estrutura do PT, porque não conhecíamos o partido muito bem”, afirmou Custódio. Na época, Dilma desembarcava apenas na capital e na transição, mas também no PT -direto do berço do brizolismo, o PDT gaúcho. Oito anos mais tarde, a relação muito próxima entre Dilma e Erenice e os escândalos protagonizados pela ex-braço direito na Casa Civil ajudaram a frustrar a expectativa de Dilma vencer as eleições já no primeiro turno.

O CONVITE

“Palocci, queria sugerir um nome do nosso grupo para integrar a missão internacional a Frankfurt”, disse Dilma ao chefe, em 17 de novembro. “Nem pensar, Dilma, quem vai é você”, respondeu o coordenador. A viagem em questão era um encontro de infraestrutura na Alemanha, e o convite fora feito por Pedro Parente, chefe da Casa Civil no governo Fernando Henrique Cardoso. Era o primeiro sinal de que Dilma poderia integrar o primeiro escalão do Executivo no governo Lula. “Ela não se considerava a líder do grupo e nunca avançava o sinal”, conta Palocci.

CHAMPANHE NACIONAL

Dias depois, outra ligação. “Mantenham segredo, mas o presidente acaba de me chamar para ser ministra de Minas e Energia”, contou Dilma a quatro assessores próximos. A técnica desconhecida assumia uma pasta estratégica do ministério petista. Foi Regina Barnasque, assessora e amiga dos tempos de PDT, quem atendeu o telefonema de Lula. Ela tentou dar os parabéns ao ouvir a novidade, mas Dilma não aceitou. “Sem comemorações. Melhor esperar o anúncio”, disse, precavida. Duas garrafas de champanhe nacional compradas ali mesmo, num restaurante do CCBB, brindaram o Natal, mas não a nomeação.

E a nova ministra entrou no governo em 1º de janeiro de 2003 para ser, nos anos seguintes, muitas vezes mais surpreendida pelos convites de Lula, que primeiro a escolheu para o lugar de José Dirceu e, depois, para sucedê-lo na Presidência da República.

Abraço simbólico ao Baenão acaba em bate-boca

Conversei no ar, durante o programa Cartaz Esportivo da Rádio Clube, com meu amigo Odilardo Silva, diretor do Remo e da Atar, sobre os incidentes que marcaram a manifestação de integrantes da Chapa 1/Reconstrução com Seriedade em frente ao estádio Evandro Almeida, na tarde desta sexta-feira. Sob chuva, um grupo de ex-presidentes e grandes beneméritos do clube foi barrado na portaria do estádio, sob a alegação de que haveria uma ordem do presidente Amaro Klautau impedindo o acesso. Odilardo foi avisado por um funcionário e foi até o Baenão, onde discutiu com Ronaldo Passarinho e Ubirajara Salgado.

O grupo queria colocar um novo escudo, em acrílico, no pórtico do estádio para substituir o improvisado emblema colocado na noite de quinta-feira a mando do presidente Amaro Klautau. Odilardo se opôs à ideia, alegando que ninguém está autorizado a tocar na fachada do clube. Os conselheiros – entre os quais, cinco ex-presidentes – sentiram-se ofendidos e o bate-boca foi intenso. Na Clube, pelo telefone, Odilardo deu sua versão para o episódio, lembrando que tomou a iniciativa de proibir o acesso depois de ler a notícia postada aqui no blog sobre o abraço simbólico programado para esta tarde no Evandro Almeida.

Na conversa com este blogueiro, defendeu que as discussões sobre o futuro do clube sejam proativas e elevadas. Concordei com essa afirmação, mas ressalvei que não houve essa mesma preocupação, em preservar intacta a arquitetura do estádio, por ocasião da destruição do escudo de 75 anos a golpes de picareta, por ordem do próprio presidente do clube. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

A poesia emprestada

“Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro”.
De Clarice Lispector (via Ronaldo Franco)

Portugal homenageia “gestão” do alcaide Dudu

Incrível, mas verdadeiro. O prefeito Duciomar Costa receberá o diploma e a medalha de Destaque Luso-Brasileiro em Gestão Pública Municipal, em reconhecimento à sua administração empreendedora como chefe do Poder Executivo da capital paraense. Em Portugal. A sessão solene de premiação será no dia 19 de novembro, durante o 8º Seminário Binacional de Gestão Pública Municipal, na cidade histórica de Évora, região do Alentejo. O evento, que acontece de 15 a 19 de novembro, é promovido pelo Instituto Ambiental Biosfera e Tordesilhas Participações e Eventos.

Há doido pra tudo.

Abraço simbólico no Baenão com entrega de escudo

A Chapa 1/Reconstrução com Seriedade, que faz oposição à atual diretoria do Remo, anuncia que irá realizar hoje, às 17h, um abraço simbólico ao estádio Evandro Almeida, culminando com a recolocação do escudo do clube no local de origem. Deverá substituir o arranjo malfeito que Amaro Klautau mandou instalar ontem e que virou motivo de chacota em toda a cidade.

Coluna: Juventude desperdiçada

Mais três garotos estão de saída das divisões de base do Remo rumo à Vila Belmiro, seguindo as pegadas de Paulo Henrique Ganso e Moisés. De diferente em relação aos dois, o fato de que são atletas das categorias sub-15 e sub-17, em condição de receberem as orientações e ensinamentos que o Santos fornece a seus craques.
Nos últimos dois anos, ao contrário do time profissional, cujos resultados foram pífios, a prata da casa azulina tem se mostrado talentosa e promissora, a ponto de despertar a atenção de grandes equipes e do próprio rival, que se apossou de três revelações e contratou – a preço de banana – o atacante Héliton, um dos melhores jogadores formados no Evandro Almeida.
Mesmo sem desfrutar das oportunidades que mereciam, garotos bons de bola como Raul, Jorge Santos, Alessandro, Neto e Betinho foram úteis ao Remo na disputa do Campeonato Paraense deste ano. Para espanto geral, nenhum teve qualquer chance sob o comando do técnico Giba ao longo da frustrada campanha no Brasileiro da Série D.
Carlinhos Dornelles, misto de técnico e professor, é a cabeça pensante por trás dessa fábrica de boleiros instalada no Baenão há pelo menos 10 anos. De lá já saíram Rogerinho (hoje no Bahia), Edinaldo, Levy, Romeu, Gegê, Patrick e Da Silva. Sem patrocínio, com salários que pingam somente de vez em quando na conta, Dornelles dribla a ausência de infra-estrutura com criatividade e muita disposição para a missão.
O esquema é tão bem sucedido que até um dos auxiliares diretos de Dornelles, Tindô, foi recrutado pelo Santos para trabalhar com a garotada da Vila. Curiosamente, o Remo é quem menos se beneficia das revelações que forma. Quando estão em condições de entrar no time principal, os atletas são cedidos a outras equipes ou simplesmente levados por empresários atentos.
Como tantas outras áreas, a divisão de base remista é vítima da gestão caótica do clube, padecendo de crônico abandono e falta de apoio. Sobrevive da teimosia de baluartes numa era em que amadorismo é apenas uma palavra nostálgica quando se fala em futebol.    

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Miro Almeida, torcedor azulino residente no Parque Verde, envia à coluna uma lista de questionamentos e fatos que, em sua opinião, “só não são hilários porque diretamente toda a nação azulina”. Abro espaço para três dos itens mais urgentes da carta: “A) o escudo do Remo vai ser recolocado no Baenão pela atual diretoria, mas se vão recolocar por que retiraram? E quem vai pagar a conta? B) Todas as chapas são de oposição, mesmo aquela cuja diretoria faz parte dos quadros atuais? C) Já não temos série, não temos ginásio e dinheiro para reconstrução? Onde está? Querem acabar com tudo?”.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 12)

Jogos Escolares Municipais terão 3.380 atletas

De 12 a 15 deste mês o Departamento de Educação Física e os professores de Educação Física da Semec estarão participando dos primeiros Jogos Escolares Municipais de Belém, que mobilizarão 32 escolas municipais reunindo 3.380 participantes entre crianças e jovens alunos. A abertura oficial acontece nesta sexta-feira, às 9h, na Escola Superior de Educação Física. Entre os objetivos principais dos Jogos Escolares estão: despertar o gosto pela prática esportiva, com fim participativo e formativo; estimular a participação de crianças e adolescentes em competições formais; favorecer a integração entre os alunos das escolas municipais de Belém, além de promover o desporto educacional através das vivências de variadas modalidades esportivas.
A SEMEC além de oferecer todo o material para as competições, também garante os lanches e transportes para os participantes. Entre as modalidades de quadra, haverá futsal, basquete, handebol e vôlei, além de tênis de mesa, queimada, futebol de campo e de areia e atletismo. Os Jogos serão realizados no espaço de nove escolas municipais de Belém, incluindo os distritos de Mosqueiro, Icoaraci e Outeiro, Espaço Cultural Altino Pimenta e no campo de futebol e pista de atletismo da Uepa.

Rock na madrugada – Paul McCartney, I’m Looking Through You

Grande versão ao vivo (no Hyde Park londrino, em junho) de Macca para um rockão da insuperável lista de obras-primas dos Beatles.