Conexão África (15)

Sim, é possível golear times retrancados

Uma Copa que apresenta resultados bizarros e deixa apreensivas algumas torcidas tradicionais teve finalmente seu dia de bonança. Portugal disparou a maior goleada da competição, aproveitando-se da categoria, velocidade e da boa pontaria de seus atacantes. Até aí nenhuma novidade porque goleadas dependem basicamente disso: superioridade técnica e finalizações certeiras. O problema é que neste mundial raramente se consegue ver essas virtudes postas lado a lado. Quando há amplo domínio, daqueles avassaladores, faltam chutes corretos. E vice-versa. Pode-se dizer que os times chegaram ao torneio precisando treinar mais fundamentos.
O mais interessante do massacre lusitano de ontem foi a maneira inteligente como dobrou um adversário cuja principal característica é o forte bloqueio defensivo. A Coreia do Norte se fecha em campo mais ou menos como seu ditador fecha o regime vigente no país. Pois os portugueses, com velocidade no passe e deslocamentos permanentes, arranjaram um jeito de furar esse duríssimo bloqueio. Já no primeiro tempo, quando marcou apenas um gol, a seleção de Carlos Queiroz mostrou-se engenhosa na estratégia de ataque. Cristiano Ronaldo, muito visado, afastou-se da grande área, abrindo espaços para nomes menos conhecidos, como Hugo Almeida, Simão, Tiago e Raul.
O craque recuou para a intermediária, mas sempre acompanhava as triangulações em torno da área norte-coreana. Deram chance e ele apareceu como um raio para disparar um arremate que beijou o travessão. Depois, como um verdadeiro líder em campo, participou ativamente das articulações que conduziram aos gols que conduziram ao acachapante placar. No final, ganhou de presente um gol, após uma sucessão de falhas da defesa da Coreia. Consciente da importância de suas atitudes para a seleção, abriu mão da honraria de melhor em campo, atribuída pela Fifa, e dedicou-a a Tiago, autor de dois gols e incansável nas ações ofensivas.
Para quem acompanha futebol com os olhos distraídos a inspirada atuação portuguesa pode parecer irrelevante porque o adversário não tem credenciais. Menos, menos. Este mesmo time norte-coreano, há uma semana, enfrentou o Brasil com a mesma postura tática conservadora e criou imensas dificuldades ao time de Dunga, que não encontrava meios de furar a retranca. Mais que isso: teve a pachorra de se lançar à frente nos instantes derradeiros, fazer um gol e ainda criar um punhado de lances preocupantes. Na justificativa para o apertado escore, o treinador brasileiro repetiu Zagallo e disse que é muito difícil superar adversários muito fechados (um discurso que se repete, conforme as conveniências, desde que Bellini levantou a taça pela primeira vez, naquele estádio sueco). Pois Portugal mostrou, com disciplina e rapidez, que a tarefa é mais do que possível.

Falsa história de Davi contra Golias

Ouvi ontem, de uma pessoa acima de qualquer suspeita, que medíocres são sempre perigosos. Por vaidade cega, buscam enfiar goela abaixo dos
outros suas crenças, quase sempre vendendo uma imagem positiva de si mesmos. Ai de quem atravessar seus caminhos. Lembro disso quando o
comportamento do técnico da Seleção Brasileira é motivo de tantas discussões. Nas últimas horas, falou-se mais sobre os xingamentos e destemperos verbais do treinador do que da preparação para o importante jogo de sexta-feira contra Portugal. Não acompanhei o incidente porque, no momento da entrevista coletiva, estava na tribuna de imprensa analisando a partida para a Rádio Clube do Pará. Sei dizer, porém, das outras entrevistas de Dunga aqui em Johanesburgo. Garanto que não é um trabalho recomendável para almas sensíveis. O técnico adota uma postura claramente hostil desde que pisa na sala de entrevistas. Reage a qualquer pergunta com sarcasmo, quando não tenta intimidar jornalistas. Beneficia-se da subserviência
de um determinado grupo, que por receio de ficar “marcado” junto à cúpula da Seleção, direciona perguntas simpáticas, sob encomenda para levantar a bola do irascível Capitão do Mato. Quando surgiu a história de que parte da imprensa torce contra o escrete – tema de uma das primeiras colunas enviadas aqui da África -, fiz questão de marcar posição sobre o meu trabalho. Jornalistas não torcem, pelo menos não estão aqui com essa finalidade. Como têm sentimentos, podem também torcer, mas seu papel não é esse. Estão aqui imbuídos de uma missão: informar sobre a Seleção Brasileira da maneira mais verdadeira e fiel aos fatos. O impasse surge quando, pela primeira vez em 18 Copas, o técnico da equipe declara um boicote à imprensa. Há quem saia em defesa de Dunga, comparando-o a Davi em luta contra um hipotético Golias (simbolizado pela Globo). Lamento desapontar, mas não é bem assim. Ao usar essa suposta desavença com a rede de TV, o técnico espertamente desvia o foco da discussão. O problema é que aqui em Johanesburgo as hostilidades se dirigem a todos os profissionais, não apenas aos de uma emissora. A grosseria, os maus modos e a truculência verbal são usados contra jornalistas, indistintamente.
Desconfio de uma tática (a exemplo de Enzo Bearzot com a Itália, em 1982) pensada para unificar os jogadores em torno das ideias do comandante. Se for isso, o fim pode ser justificável, mas os meios são deploráveis. Respeito é fundamental, em qualquer nível de relacionamento.

Fúria vence, mas não parece um time

Fernando Torres, goleador consagrado na Europa, teve três chances de ouro para estufar as redes hondurenhas ontem, no estádio Ellis Park. Para surpresa geral, se atrapalhou e desperdiçou todos os lances. Saiu de campo no começo do segundo tempo, depois que Vicente Del Bosque cansou de vê-lo perder oportunidades. David Villa marcou os dois gols espanhóis, mas perdeu outros três (incluindo o pênalti sofrido por Jesus Navas). Do festival de desperdícios proporcionado pela Fúria ficou a impressão de um time desnorteado, sem um líder em campo e que facilmente esquece sua condição técnica superior. Diante da fraquíssima Honduras, a defesa chegou a fraquejar em vários momentos, denunciando insegurança e falha de posicionamento. Com a vitória, a equipe fica a depender de uma outra vitória sobre o Chile na última rodada. Normalmente, não seria tarefa complicada, mas a Espanha de hoje tem a incrível capacidade de complicar situações fáceis. Daí que a batalha contra o time de Bielsa se prenuncia das mais tensas e imprevisíveis.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 22)

Pesquisa mede importância do futebol para os homens

Dedicação ao esporte mais popular do mundo ocupa cinco horas, em média, do tempo da população masculina adulta em todo o mundo. E, mais uma vez, quando o assunto é futebol, tem brasileiro no meio. A Heineken acabou de divulgar o resultado da pesquisa realizada com 5,3 mil pessoas de 15 países sobre a importância do futebol na vida dos homens, e o Brasil aparece em segundo lugar, perdendo apenas para os ingleses. Os homens da terra da rainha são os mais fanáticos quando o assunto é bola na rede: assistem semanalmente cerca de 2 horas e 22 minutos de partidas e passam 3 horas e 21 minutos falando sobre futebol. Os brasileiros vêm em logo seguida. Conversam sobre os últimos resultados, faltas, gols ou rumores de transferências de jogadores com seus amigos, por aproximadamente 3 horas e 20 minutos e ao assistir um total de 2 horas e 10 minutos de partidas a cada semana.

Cenas da jornada esportiva no Soccer City

Imagens do estádio Soccer City, na noite de domingo, por ocasião do jogo Brasil x Costa do Marfim. Nas fotos acima, visão do gramado com as equipes perfiladas, companheiros Geo Araújo e Giuseppe Tomaso na cabine 113 ocupada pela Rádio Clube do Pará e o encontro deste escriba baionense com o narrador Paulo “Amigão” Soares, da ESPN/Rádio Eldorado.

Chile vence e confirma campanha 100%

Com um gol de Mark González, no segundo tempo, o Chile derrotou a Suíça por 1 a 0  nesta segunda-feira, no estádio Nelson Mandela Bay, em Porto Elizabeth. Com 100% de aproveitamento até aqui, o Chile está praticamente classificado para as oitavas-de-final, deixando a briga pela segunda vaga entre Espanha e Suíça. O resultado confirmou a boa performance da equipe, que rendeu melhor no tempo final, com grande atuação de Valdívia. Chile, Argentina e Brasil venceram todos os seus jogos e Paraguai e Uruguai estão invictos, garantindo à América do Sul a melhor presença na Copa até agora. Ásia, África e Europa decepcionam nesta primeira fase.

Aventuras gastronômicas no país da Copa (7)

Prato que une itens da culinária sul-africana com contribuições de um chef afegão. A iguaria servida num dos restaurantes do Centro de Imprensa (IBC), em Johanesburgo, no cardápio desta segunda-feira, traz esfiha de milho e brócolis, almôndegas com molho picante, pastéis crocantes com recheio de legumes e a nossa velha conhecida galinha guisada com batatas. De razoável para bom, não fosse a receita excessivamente apimentada. Nota 6,5.

Tempestade de golos na Cidade do Cabo

A Cidade do Cabo foi palco da maior goleada da Copa até aqui. Portugal surrou impiedosamente a Coreia do Norte por 7 a 0 nesta segunda-feira e ficou em ótima situação para garantir participação nas oitavas-de-final, pelo excelente saldo de gols que passou a ter em relação à Costa do Marfim, seu adversário direto na briga por uma das vagas do Grupo G. No estádio Green Point totalmente lotado (mais de 63 mil pessoas) e sob chuva, Portugal conseguiu estabelecer a sua maior vitória em Copas depois de um primeiro tempo equilibrado e sem superioridade flagrante. Na etapa final, em apenas sete minutos, o ataque lusitano marcou três gols e desnorteou a Coreia do Norte.

Raul Meireles abriu a contagem aos 39 minutos do primeiro tempo. Na etapa final, Simão aos 8 minutos, Hugo Almeida aos 11 e Tiago aos 13 abriram caminho para a goleada, que seria complementada com gols do brasileiro naturalizado Liédson aos 36, Cristiano Ronaldo aos 42 e Tiago aos 44. Cristiano Ronaldo não marcava pela seleção portuguesa desde a Eurocopa de 2008.

Uma noite de felicidade e xingamentos

Dunga saiu do campo chutando a grama e gritando contra o árbitro francês Stephane Lannoy. Não engoliu a expulsão de Kaká nem os pontapés que seus jogadores levaram dos africanos da Costa do Marfim. Desde os primeiros instantes do jogo, ele não conseguiu disfarçar sua irritação com o juiz. Xingou até a quarta geração de Lannoy. Pouco mais de 15 minutos após a partida, aparentemente sereno, o treinador atribuiu a vitória (3 a 1) à maturidade dos jogadores, que não revidaram as pancadas, e ao futebol arte do seu time.

Quando entrou na sala de entrevistas do Soccer City, diante de cerca de 200 jornalistas brasileiros e estrangeiros, Dunga tinha um sorriso sarcástico. Ele acabava de classificar o Brasil às oitavas de final da Copa. Não havia motivos para ser bombardeado. E mesmo assim se irritou com alguns jornalistas. Antes da entrevista, deu uma abraço em Cafu, capitão do penta, que passou pela sala só para dar parabéns ao treinador e a Luís Fabiano. Antes de se indispor com um repórter da TV Globo, Dunga disse que a partida foi muito difícil, não só pelo estilo do adversário, mas também pela complacência do árbitro aos pontapés dos marfinenses.

“O jogo foi muito complicado, atlético, de muita força física, de muitas faltas. Todos nós que gostamos do futebol não podemos aceitar o que aconteceu hoje (domingo). Pessoas que têm a missão controlar espetáculo tem de saber o que é futebol e o que não é. Difícil jogar futebol arte como pedem, se o árbitro deixar passar o que deixou passar hoje.” Após a resposta, Dunga olhou para Alex Escobar, da Globo, que estava na sala e disse assim: “Algum problema?” Escobar respondeu: “Nenhum, Dunga. Eu nem estava olhando para você.”

Em seguida, um jornalista brasileiro pediu a avaliação do treinador sobre o desempenho de Luís Fabiano. Antes de responder, Dunga continuou olhando para Escobar e murmurando palavrões. Depois falou do artilheiro da noite. “Todos os jogadores da seleção confiam no Luís. E ele sempre deu a resposta aqui na seleção. Vinha de uma lesão, cinco jogos sem marcar um gol. Havia muita cobrança dele próprio e de vocês (imprensa). Os gols foram importantes para acabar com essa ansiedade. A gente sabia que o seu momento ia chegar”, respondeu e voltou a olhar para Escobar. De novo murmurando para sua fala não sair no microfone, xingou o repórter da Globo.

Então perguntaram sobre Kaká, se ele concordava com a expulsão. Mais um bom momento para espetar Lannoy, o juiz francês. “A expulsão do Kaká foi totalmente injusta. O cara sofre a falta e ainda é punido. Essa arbitragem seria boa para mim quando jogava, ia fazer faltas à vontade e não ia levar o cartão. Fizemos três gols e levamos mais cartões que o adversário. Fica a dúvida: o que temos de fazer para jogar futebol?”. E o Kaká? “Ele vinha bem, faltava ganhar confiança. Essa parada (pela expulsão), que vai ser curta entre um jogo (Portugal) e o outro (pelas oitavas de final), vai acabar ficando boa para o Kaká se recuperar ainda mais.”

Quase ao final entrevista perguntaram ao treinador se daria folga aos jogadores hoje. “Não adianta dar tempo livre aos jogadores porque vocês (jornalistas) vão atrás deles. Então é melhor ficar relaxado lá no hotel. Assim teremos mais tempo lapidar o que cada um precisa”. Antes de deixar a sala, o técnico disse assim a um funcionário da Globo: “É preciso ser homem, olho no olho e não m… nas calças.”. Dunga estava feliz.

(Do Estadão)

Conexão África (14)

Dois golaços e alguns momentos inspirados

Quando insisto que passe e velocidade são itens indispensáveis no futebol atual é porque não há defesa ou esquema defensivo que resista a essa combinação. Alguns confundem com afobação, mas o conceito é simples e dispensa a correria desenfreada. É consenso que o Brasil não fez um bom primeiro tempo, pois reincidiu no pecado da lentidão na saída para o ataque e na ausência de agressividade. Mas venceu ao construir a única grande jogada desse período: uma tabelinha perfeita envolvendo Robinho, Luís Fabiano e Kaká, com direito a um toque de calcanhar e um passe sutil para o centroavante estufar as redes marfinenses. Foi o solitário sopro de talento da seleção, mas abriu esperanças quanto ao desenvolvimento da partida.
No segundo tempo, tudo se modificou – e sem que fosse necessária a troca de jogadores. Apenas com o novo posicionamento do meio-campo, o
Brasil adquiriu outra feição em campo e desfez a apatia predominante nos 45 minutos iniciais. Do 4-2-3-1 que se arrastava sem grande inspiração, o time evoluiu para um 4-4-2 clássico, que em certos momentos se transformava em 4-2-4, pois Kaká e Elano passaram a atuar praticamente como extremas. Os resultados práticos dessa iniciativa não tardaram a aparecer, com a providencial interferência de Luís Fabiano, que aproveitou um chutão para fazer o segundo gol brasileiro, depois de aplicar dois dribles sensacionais (incluindo um chapéu) sobre os zagueiros.
A inspiração pelo golaço de Luís Fabiano parece ter contagiado o restante do time, que por cerca de 20 minutos realizou sua melhor atuação nesta Copa, coroada pelo gol de Elano em lance inteiramente executado por Kaká em incursão pela extrema esquerda. Dali veio não um lançamento, mas um passe perfeito para a finalização do volante. A partir daí, com rapidez na reposição de bola e fluidez na troca de passes, a Seleção ainda teve duas ou três chances de disparar uma goleada. A partir dos 35 minutos, a partida acabou apresentando uma sequencia de faltas duras cometidas pelos marfinenses, sem que o árbitro coibisse o jogo violento. Para surpresa geral, Kaká acabou se envolvendo na escaramuça e foi expulso, desfalcando o time, que já havia perdido Elano, também atingido asperamente por um zagueiro adversário. Sem seus dois homens mais dinâmicos na armação, Dunga lançou Daniel Alves, sem conseguir porém o mesmo rendimento da formação anterior. Um cochilo de marcação permitiu que Drogba descontasse, de cabeça.
O saldo final do confronto, contudo, é bem positivo para a Seleção. Sem ser brilhante nem regular, o time mostrou competência para aproveitar os espaços no segundo tempo, usando velocidade e habilidade na dose certa e beneficiando-se do talento individual de seus atacantes. A dúvida é como o time irá se comportar no clássico com Portugal, com a saída de Elano (contundido) e Kaká justo quando o bom futebol começava a aparecer.

Castigo para quem mais sofreu faltas

Kaká, bom moço e rapaz de família, não pode entrar na malandragem de jogadores acostumados a usar a catimba como arma. Depois de ter sofrido uma falta dura, Kaká levou injustamente um cartão amarelo. Abalado, continuou a aceitar as provocações e acabou dando um esbarrão, punido severamente pelo confuso árbitro da partida. A repetição das imagens de todos os lances de tumulto indicam que Kaká fez por onde ser advertido, mas a expulsão foi um exagero, típico de árbitros que não conseguem fazer cumprir as determinações da Fifa quanto ao antijogo. Afinal, quem estava travando o jogo com faltas seguidas era justamente a equipe da Costa do Marfim, mas o castigo foi aplicado na vítima maior de faltas violentas durante o jogo. Para sorte do Brasil, o placar já estava construído quando perdeu seu camisa 10, mas fica a lição para as próximas jornadas. Quando a confusão se apresentar, garotos bem educados devem se manter longe e deixar a coisa com os malandros passados na casca do alho.

Luís Fabiano, Kaká, Elano e Felipe em destaque

A atuação não foi exuberante, mas a vitória garantiu a classificação antecipada às oitavas, o que não é pouca coisa numa Copa marcada pelo equilíbrio. Os melhores da Seleção aqui no Soccer City nesta noite fria de domingo foram, pela ordem: Luís Fabiano, Elano, Kaká e Felipe Melo. Luís Fabiano pelos dois golaços e a luta incessante de em busca do gol, aproveitando todas as brechas que apareciam. Elano foi discreto, mas muito eficiente, como prega Dunga. Kaká deu sinais de que recuperou a confiança e pela primeira vez tentou os lances individuais, participando da construção de dois gols. Felipe Melo fez uma boa apresentação, sem errar tantos passes e cobrindo muito bem a saída dos meias e laterais pelo lado direito. No outro extremo,
Robinho foi discretíssimo, apesar do esforço. Juan e Lúcio andaram muito hesitantes nas antecipações e falharam na marcação a Drogba no lance do gol marfinense. E os dois laterais, Maicon e Michel Bastos, estiveram abaixo de sua produção habitual.

Farpas desnecessárias e fora de lugar

Para não perder o hábito, Dunga usou a entrevista coletiva para atirar farpas contra os jornalistas, perdendo uma excelente oportunidade de valorizar o trabalho da Seleção, principalmente no segundo tempo. As ironias demonstram que será difícil o técnico assimilar que saber vencer é uma grande virtude. Se o comportamento já é assim hoje, quando o Brasil ainda não ganhou nada, fico a imaginar o que o nosso Capitão do Mato poderá fazer se o hexa for conquistado.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 21)

Brasil vence com lampejos de bom futebol

Não houve show de bola, mas foram produzidos bons momentos de futebol, suficientes para garantir a segunda vitória à Seleção Brasileira na Copa do Mundo e a classificação antecipada às oitavas de final. Dois belos gols de Luís Fabiano e um de Elano garantiram o triunfo no estádio Soccer City, por 3 a 1, sobre a Costa do Marfim. É a quinta vez consecutiva – ou seja, desde que os três pontos por vitória foram instaurados no Mundial, em 1994 – que a Seleção chega á última rodada da fase de grupos já com sua vaga assegurada.

Não foi essa a única escrita mantida no Soccer City: a Seleção manteve seu aproveitamento de 100% em partidas de Copa do Mundo diante de equipes africanas. São agora seis jogos só de vitórias. Entre todas essas boas notícias – incluindo aí a boa atuação de Kaká, com participação direta em dois gols -, o jogo deixou também algumas preocupações. O time passou o primeiro tempo sem inspiração, tocando bola para os lados, até que surgiu a tabelinha infernal entre Robinho, Kaká e Luís Fabiano, para a finalização deste último. Sem ser criativo como se esperava, o time dependeu muito da individualidade de seus jogadores. Além disso, Elano sofreu dura entrada de Ismael Tioté pouco depois de marcar o terceiro gol e saiu de campo de maca, substituído por Daniel Alves. E, a dois minutos do fim, quando prevalecia o jogo violento, Kaká foi expulso de campo.

O saldo positivo óbvio é que, mesmo ainda sem exibir um futebol brilhante, o Brasil passou com relativa facilidade pela Costa do Marfim, um adversário difícil de ser batido e que no primeiro tempo se posicionou cautelosamente, esperando oportunidades para o contragolpe. Agora, a Seleção vai fechar sua participação no Grupo G no próximo dia 25, em Durban, quando enfrenta Portugal – que entra em campo nesta segunda-feira, na Cidade do Cabo, diante da Coreia do Norte. Os africanos enfrentam os norte-coreanos, também no dia 25.

 

Itália não acerta o passo

Atual campeã mundial, a seleção italiana deu vexame neste domingo, em Nelspruit, pela segunda rodada do grupo F da Copa do Mundo da África do Sul. Mesmo jogando contra a fraca Nova Zelândia, a Azzurra não passou de um empate por 1 a 1, mesmo placar da estreia diante do Paraguai, e continua sem vencer no Mundial. Com o resultado, o time de Marcelo Lippi tem apenas dois pontos na competição – mesma pontuação dos neozelandeses – e precisa vencer na última rodada para seguir na Copa. O líder isolado da chave é o Paraguai, com quatro pontos, após derrotar a Eslováquia por 2 a 0. Na última rodada do grupo F do Mundial, a Azzurra terá pela frente a Eslováquia, no próximo dia 24, em Johanesburgo, às 11h (horário de Brasília). No outro jogo da chave, no mesmo dia e horário, mas em Polokwane, o Paraguai encara a Nova Zelândia. Cada jogador italiano entrou em campo no Estádio Mbombela com uma faixa preta no braço, em luto pela morte de Roberto Rosato, defensor da seleção vencedora da Eurocopa de 1968 e vice-campeã do mundo em 1970.