Há cerca de dois anos, um leilão judicial tirou do Remo sua sede campestre, em Benfica, ainda na gestão Raimundo Ribeiro. Agora, com Amaro Klautau no leme, a Justiça do Trabalho anuncia a penhora do Baenão para quitar dívidas trabalhistas avaliadas (em valores atualizados) em R$ 6,8 milhões. E avisa: a anunciada venda do estádio só será possível sob sua anuência.
Nas duas situações chama atenção o desmesurado interesse dos dois gestores (??) na venda dos imóveis. Ribeiro pegava-se com deus e o capeta para vender qualquer patrimônio. Precisava fazer dinheiro, pois “estava debaixo de vara”, conforme suas próprias palavras. Tentou vender a sede social, mas foi impedido. Conformou-se com o leilão da campestre – cujo dinheiro virou fumaça em menos de três meses. Klautau também mostra urgência (e obstinação) em ver dinheiro vivo e brada aos quatro ventos a necessidade de “permutar” o Evandro Almeida com a construtora Leal Moreira.
Corre contra o tempo para convencer os conselheiros a aceitarem a transação. Com a notícia da penhora, seus auxiliares diretos apelam para o discurso do “fato consumado” (ou a velha anedota: se ficar o bicho come; se correr, o bicho pega). As coisas não são bem assim, existe negociação e inúmeras outras alternativas de solução, mas vale tudo para que a vontade da diretoria prevaleça. Afinal, não esqueçamos, este é um ano especial. 2010. O calendário diz que, em outubro, haverá eleição.
A pergunta, óbvia e ululante: quem tem mais pressa, o Remo ou seus dirigentes? As mãos da Justiça, que foram decisivas para o desfecho do negócio da sede, podem (e devem) ter papel balizador no caso atual.
Enquanto isso, do outro lado da avenida Almirante Barroso, o projeto de revitalização da Curuzu, que prevê a construção de espaço multiuso, no estilo da Arena da Baixada de Curitiba, começa a sair do papel. O estádio “vovô da cidade” ganharia novas instalações (camarotes vips, lojas temáticas, auditórios, bares, boates e restaurantes) e utilidades. Beneméritos e conselheiros trabalham em silêncio, parceiros de fôlego já foram procurados e mostram-se interessados no negócio. O prazo de construção é de dois anos. Tempo suficiente para fazer uma obra definitiva. Sem pressa.



