Talese despreza o Google

Em interessante entrevista ao Roda Viva, da TV Cultura, o escritor Gay Talese afirmou que desconhece o buscador mais famoso do mundo, o Google. “Eu nem sei o que é. Minha mulher diz que eu sou preguiçoso. Não sei se é isso, mas acho que o jornalista que se baseia nisso tem uma mediocridade em termos de relato. Porque o importante é encarar a pessoa nos olhos”, revelou.

Talese, que definitivamente não é adepto das novas tecnologias, também enfatizou que a tecnologia pode ser prejudicial ao bom jornalismo. “O laptop é uma armadilha, limita muito o trabalho do jornalista. A pessoa que é curiosa anda por aí atrás de histórias”, afirmou.

Ao contrário do que é considerado pela grande mídia, Talese não classifica “Frank Sinatra está gripado” como a melhor história que já escreveu ou vivenciou.  O jornalista considera um encontro com o ex-ditador Fidel Castro e o boxeador Mohammed Ali como sua melhor experiência.  “Foi uma entrevista não-verbal. Um encontro genial. Às vezes não é necessário verbosidade. Observar gestos e postura pode ser suficiente”, explicou.

O craque Talese, que escreveu a melhor obra sobre a formação de um jornal, sobre o The New York Times, é dado a chistes. Óbvio que o laptop não limita ninguém e duvido muito que ele não dê suas “googladas” de vez em quando.

Coluna: Triunfo da barriga de aluguel

O futebol vive dando escancarados sinais de nivelamento. Na recente Copa das Confederações, por exemplo, a seleção americana passou pela favorita Espanha e foi à final, sendo que, por pouco, não barrou os passos da favoritíssima Seleção Brasileira.
No atual Brasileiro da Primeira Divisão, dois clubes emergentes da Série B, Grêmio Barueri e Santo André, estão brigando palmo a palmo com os bichos-papões nesta fase inicial do torneio. São dois times sem torcida, com gestões pragmáticas, voltadas exclusivamente para o lucro.
O Barueri, que faz a campanha mais expressiva – é o quinto colocado –, chama atenção também pelo artilheiro da competição: Val Baiano, com oito gols. O atacante não é nenhum novato.
Já rodou o Brasil. Perambulou pelo Nordeste, defendeu o Brasiliense e agora sentou praça no Barueri de Estevam Soares. Sempre se destacando na sua especialidade, que é fazer gols, mas sem despertar o interesse dos grandes clubes.
Nunca foi craque, nem mereceu maior badalação, mas é o típico centroavante operário. Daqueles que faz gol de todo jeito – de cabeça, de canela, orelha, sem-pulo. Raramente acerta um gol de placa. O que importa é a objetividade.
Val Baiano é uma espécie de “punk da periferia”, um goleador barato, se é que me entendem. Eficiência é a sua marca. Contra o Náutico, fez os quatro gols do Barueri. À sua maneira. Com simplicidade, sem afetação.
 
 
Vale aqui explicar como funcionam as coisas no Barueri, que segue à risca a receita consagrada pelo São Caetano. O arranjo é sempre o mesmo: empresários do interior paulista se agrupam, investem na contratação de jogadores, alugam a marca do clube e depois recuperam o dinheiro negociando atletas. Como não há torcida, inexiste pressão. Só negócios. Sem traumas ou remorsos.
Os salários, insignificantes para os padrões da Série A (e até da Segundona), são pagos rigorosamente em dia. Não há extravagância, o teto é R$ 10 mil. Como o time é “barriga de aluguel”, nada mais apropriado do que contratar um matador profissional. E, no caso de Val Baiano, o acerto é modesto. Ele, que nem é o mais bem pago do elenco, ganha R$ 9 mil.
Só para se ter uma ideia da política executada no Barueri, tem jogador no Paissandu que ganha quase duas vezes mais que isso. Val Baiano pode nem terminar como o goleador máximo, mas vai ajudando o Barueri a se destacar. Daqui a pouco, aparece um clube europeu – dos mais modestos, certamente – para reembolsar os investidores do clube e garantir a Val Baiano rendimentos à altura de sua comprovada eficiência.
 
 
O escriba concede merecida folga aos 33 baluartes a partir de hoje e aproveita para dar um pulo até Baião. A coluna volta na próxima segunda-feira, 27. Mas o blog continuará no ar.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 21)

Sobre a verdadeira amizade

Por Clayton Matos

Amigo que é amigo não separa brigas. Entra logo dando voadora.

É isso aí. Assino embaixo.

Cristiano estréia sem gols

09201212

O jogador mais caro da história do futebol fez nesta segunda-feira a primeira partida pelo clube que tumultuou com alto investimento a atual janela de transferências na Europa. Cristiano Ronaldo foi a atração da vitória por 1 a 0 sobre o Shamrock Rovers, em Dublin, amistoso que abriu a pré-temporada do Real Madrid. O português foi escalado pelo técnico Manuel Pellegrini para iniciar a partida. O francês Karim Benzema, outro badalado reforço, começou no banco de reservas e entrou no segundo tempo.

Apesar de ter ficado no banco, foi Benzema quem definiu o confronto. O francês fez o gol da vitória espanhola aos 43 do segundo tempo, quando Cristiano Ronaldo já não estava mais em campo – foi substituído por Negredo aos 11 minutos da etapa final.

Corinthians inicia desmanche

da20f6a2-d137-3366-a7ef-ca76ef165ac5

Por Paulo Calçade (ESPN)

André Santos e Cristian vão jogar no Fenerbahçe. Os dois clubes já anunciaram em suas páginas na internet. A janela de contratações finalmente se abriu para o Corinthians. Por uma porta entra um dinheiro que o clube não tem, por outra sai o talento, o jogador que resolve.

Cristian e André Santos não são craques, não são os “superstars” que anuncia o site do Fenerbahce, mas foram extremamente significativos nos títulos conquistados. Ainda é difícil prever que tipo de Corinthians o mercado do futebol deixará nas mãos de Mano Menezes.

O treinador já havia dado uma pista dias atrás:é possível consertar o time após o atual período de transferências. O grande problema está na próxima janela, após o Brasileiro. Desfalques, em janeiro, podem significar o fim do sonho da Libertadores no ano do centenário.

É o mercado.

Renato reassume no Flu

d0ed8c0a-0137-30b5-b467-27514b77a761
Um ano depois de levar o Fluminense à final da Copa Libertadores da América, Renato Gaúcho está de volta ao comando técnico da equipe. O treinador, que chega junto com Alexandre Mendes, será apresentado ao grupo de jogadores na tarde desta terça-feira, no CFZ. Logo após, Renato comandará o treinamento marcado para as 15h e em seguida concederá entrevista coletiva.

Alexandre Mendes, que foi auxiliar técnico de Renato Gaúcho na última passagem do treinador pelo Fluminense, em 2007 e 2008, volta ao clube desta vez para assumir a preparação física da equipe.

Renato, que entra em sua quinta passagem como treinador do Fluminense – ele desconsidera o breve período em que comandou a equipe interinamente no fim de 1996, quando ainda era jogador –, dirigiu o time na vitoriosa campanha da Copa do Brasil de 2007. No ano seguinte, levou o Fluminense à inédita final da Copa Libertadores. Ele fará sua reestreia na partida desta quinta, contra o Atlético-MG, no Mineirão.

Tribuna do torcedor

Por Fábio Cebolão

Vejo com bons olhos o inicio do trabalho do Sinomar à frente da comissão técnica do Remo, buscando jovens valores alguns já conhecidos e principalmente dando chance a outros que porventura não estavam sendo utilizados por técnicos anteriores. Caso não haja pressão e a cobrança indevida esse trabalho sendo mesclado com alguns jogadores expererientes tem tudo a dar certo e dar bons frutos ao Remo.

Foto famosa de Robert Capa seria fraude

MostraImagem

Do Comunique-se

“Se as suas fotografias não estão boas é porque você não está perto o suficiente”. Essa frase foi dita por Robert Capa, um dos fotojornalistas mais respeitados da história e fundador da famosa agência Magnum. Entretanto, segundo um jornal espanhol, Capa não seguiu sua cartilha e pode ter fraudado uma das imagens de maior repercussão da sua carreira. 

“A partir de 1936, a cobertura de Capa da Guerra Civil Espanhola apareceu com regularidade. Sua fotografia de um soldado sendo atingido fatalmente garantiu sua reputação internacional e se tornou um forte símbolo da guerra”, informa a biografia do fotógrafo no site da Magnum. 

É essa mesma imagem que o jornal El Periódico de Catalúnia afirma ter sido montada. Tirada em 05/09/1936, a fotografia mostra o miliciano Federico Borrell sendo atingido por um tiro em Cerro Muriano, na cidade de Córdoba. 

Porém, dados levantados pelo historiador Francisco Moreno mostram que, naquele dia, não houve combates e só existem registros de mortos na região a partir do final de setembro. Além disso, os conflitos na região foram urbanos, o que contrasta com a paisagem rural da imagem. 

De acordo com o jornal, até mesmo o local é uma fraude. Características da série de 40 imagens mostram que a foto em questão não pode ter sido tirada em Cerro Muriano. Além disso, um dos moradores mais antigos da região, Francisco Castro, que tinha nove anos em 1936, conta que não aconteceram trocas de tiros, apenas bombardeios aéreos. 

“Desde que vieram no fim de setembro, não houve um tiro por aqui, só alguns bombardeios de aviação. Os milicianos passeavam pelas ruas, comendo os melhores presuntos do povo”, contou Castro. 

“Capa pode ter chegado ao local sem encontrar ação real para fotografar (em Cerro Muriano só tinha refugiados), mas sim milicianos desocupados dispostos a posar”, afirmou o jornal.