Zé salva (de novo) o Papão

Com gols de Zé Augusto nos instantes finais (o segundo foi na marca dos 48 minutos), o Paissandu venceu o Águia de virada por 2 a 1 e assumiu a liderança da chave A do Campeonato Brasileiro da Série C. Charles marcou o gol marabaense no começo do segundo tempo. O jogo marcou a estréia do técnico Valter Lima, que promoveu diversas mudanças na escalação do time e acabou vitorioso ao lançar mão de Zé Augusto, veterano e espécie de talismã da torcida alviceleste.

No segundo tempo, quando o Águia abriu o marcador, Valtinho substituiu Velber por Tiago Silva e Balão por Zé Augusto. A torcida não aprovou as trocas, mas a alteração surtiu efeito. O time ficou mais ofensivo e partiu para sufocar o Águia. No final, em dois lances iniciados por Torrô, Zé Augusto marcou os gols que deixaram o Paissandu em posição privilegiada para conseguir a classificação à próxima fase.

Falta combinar com os russos

Matéria pródiga em adjetivos, própria do estilo da Veja, enaltece e tenta ressuscitar FHC, o Farol de Alexandria e grande timoneiro dos povos. “15 anos de bonança”, diz o título, atribuindo ao tucano todos os méritos pelos acertos econômicos dos últimos anos. Claro que a excepcional contribuição de Lula é completamente escamoteada, como se não existisse. E a matéria, cinicamente, não faz qualquer referência ao papel de Itamar Franco na implementação do Plano Real.

Ao mesmo tempo, o texto não menciona os aperreios que a população (e os funcionários públicos) passaram às custas do arrocho instituído pelo governo tucano. Nem aponta os equívocos e trapalhadas do processo de privatização de grandes empresas nacionais, cujo prejuízo até hoje afronta os mais lúcidos.

A reportagem da Veja deixa claro que a campanha presidencial está quase no apogeu a um ano de sua realização. A revista da Abril, obviamente, está engajada até o fio dos cabelos com o projeto Zé Serra. FHC ressuscitado é apenas um veículo para dourar a pílula tucana. Precisam, porém, combinar primeiro com os russos (eleitores em geral).

Já nem é Clube, é Seleção…

Jornada esportiva da Rádio Clube:

16h PAISSANDU X ÁGUIA – Série C

Local: estádio da Curuzu

Narração: Valmir Rodrigues

Comentários: Carlos Castilho

Reportagens: Dinho Menezes, Hailton Silva e Carlos Estácio

Banco de informações: Adilson Brasil e Fábio Scherni

 

21h15 Bola na Torre (TV RBA)

Guerreiro, Tomaso, Valmir e Gerson

Animal vem ou não vem?

O presidente do Papão, Luiz Omar Pinheiro, esteve no Rio de Janeiro na última quarta-feira (1), e conseguiu entrar em contato com o Animal, fazendo uma proposta para o jogador vir defender o Paissandu na Série C. E para aqueles que dizem que tudo não passa de factóide, o ex-atleta do Vasco (RJ) teria aceitado conversar pessoalmente com o cartola alviceleste, que saiu animado do encontro. 

Luiz Omar expôs seu projeto ao jogador, que tem 38 anos e atualmente disputa apenas partidas de showbol, além de curtir a frenética noite carioca. O dirigente explicou que pretende executar um amplo plano de marketing que será benéfico para o clube e para o jogador. Além disso, disse ter o apoio da Futebol Brasil Associados (FBA) para fechar o negócio. 

“Nós deixamos uma proposta com o Animal e estamos muito esperançosos que ele aceite e venha para o Paissandu. O que eu deixei bem claro é que não queremos que ele venha aqui só pra ser campeão, mas também para um projeto de marketing que seria bom para ambas as partes”, disse Pinheiro. Edmundo ficou de responder até segunda-feira, 6.

Pontos positivos de uma hipotética vinda do Animal:

1) Alavancar o nome do Paissandu na mídia nacional.

2) Reforçar, em termos, o time na reta final da Série C.

3) Atrair grandes rendas para os jogos do Papão e nas vendas de camisas do clube.

4) Permitir que grandes anunciantes se interessem em patrocinar o Paissandu.

5) Levantar a bola do Pará no cenário nacional depois da perda na disputa pelas sub-sedes da Copa 2010.

Pontos negativos de uma hipotética vinda do Animal:

1) Salário hiperinflacionado (cerca de R$ 300 mil) para as raquíticas finanças do futebol local. 

2) Reforço técnico questionável, visto que o Animal está fora de forma e já não é nenhum filhote. Portanto, vai levar umas três semanas para adquirir condições de jogo.  

3) A conhecida aversão de Edmundo a cidades que ficam muito distantes das praias e da noite carioca.

4) As mordomias que o clube terá que conceder ao Animal, como fez o Figueirense há três anos. Hotel cinco estrelas e nenhuma obrigatoriedade de participar dos treinos normais a que os demais atletas são submetidos.

5) O trânsito de Belém, já tão caótico, pode levar o Animal a aumentar sua famigerada marca de destruição ao volante de automóveis.

(Com informações do Bola e da Rádio Clube)

Sampaio e Luverdense: 0 a 0

Foi um excelente resultado para Paissandu, Águia e Rio Branco. Na abertura do segundo turno do Campeonato Brasileiro da Série C, Luverdense e Sampaio Correa ficaram no 0 na 0, em Lucas do Rio Verde, na noite deste sábado. O resultado não serviu para nenhuma das duas equipes, ambas com 4 pontos na tabela e muito distantes da briga pela classificação, só restanto agora a batalha contra o rebaixamento à Série D.

Coluna: Valtinho e seu maior desafio

Os ventos da mudança começaram a soprar concretamente no Paissandu. O primeiro sinal veio junto com a relação de convocados para o jogo deste domingo, frente ao Águia, na Curuzu. Valter Lima, que assumiu na terça-feira e teve pouco tempo para treinamentos, deu uma pista indisfarçável sobre a escalação do time e pôs o dedo na principal ferida do esquema montado por Edson Gaúcho.
A antiga dupla de defesa titular, Roni & Luciano, está desfeita. Os zagueiros convocados por Valtinho são Rogério Corrêa, Bernardo, Roni e Ademilton. Nos últimos treinos, chegou a exercitar o esquema de três homens na zaga, excluindo Roni e privilegiando os zagueiros que não tiveram chances com Edson Gaúcho.
Tudo isso discretamente, sem alarde, bem ao estilo discreto do ex-técnico do S. Raimundo. Em conversa ao vivo no Cartaz Esportivo da Rádio Clube, na sexta-feira, deixou claro que o sistema 3-5-2 não lhe agrada, tanto que só usou uma vez durante o campeonato estadual.
Mas justificou a experiência com três beques como tentativa de dar maior segurança ao setor, mas praticamente descartou usá-lo ao destacar a força do meio-campo do Águia, acostumado a atuar com dois volantes e um meia-armador (Soares), que normalmente se transforma em terceiro atacante pela aproximação com Bruno Rangel e Marcelo Maciel.
Caso optasse pelo trio, correria o risco do enfrentamento direto (e desvantajoso) com os homens de meio-campo do adversário, que saem muito para a ação direta e têm bastante entrosamento. Na opção preferencial pela dupla central, os escolhidos devem ser Rogério Corrêa e Roni, com boas chances para Bernardo. 
Valtinho, que demonstra inteira consciência da responsabilidade de comandar o Paissandu num momento delicado na Série C, mostra-se mais inquieto com a formação de seu quadrado de meio-campo. Na falta de Dadá, Mael e Zeziel, será forçado a improvisar: admite usar Balão como meia avançado, à frente até de Vélber no setor de criação. Seria o jogador encarregado de ligar o meio ao ataque, que deve ter Zé Carlos e Torrô.
O principal inconveniente dessa opção é a fragilidade na marcação. O segundo é que Valtinho queimará forçosamente uma substituição, pois Balão não agüenta jogar os 90 minutos. A vantagem é que, pelo menos no primeiro tempo, o Paissandu dará ao torcedor motivos para empurrar o time: atacando maciçamente.
 
 
No Águia, que mantém a equipe que começou o jogo em Parauapebas (empate em 2 a 2), há duas semanas, todas as fichas estão depositadas no artilheiro Bruno Rangel e na força ofensiva do meio-campo. Poder de fogo que aumenta bastante quando o time encontra facilidades para o contra-ataque, o que também explica as freqüentes vitórias em terreno inimigo.
A rigor, o Águia seria favorito para o embate, mas um detalhe faz grande diferença em relação a outros adversários do time na Série C: o fator campo/torcida, capaz de multiplicar a disposição do Paissandu em campo.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 5)