Coluna: O herói das missões impossíveis

Desde o exato instante da catarse coletiva na Curuzu provocada pelos gols de Zé Augusto renasce o sentimento de louvação ao atacante, novamente decisivo em situações adversas para o Paissandu. Qualquer elogio à atuação do atacante soa justo e inquestionável. Há cinco ou seis anos, Zé se transformou em talismã da torcida e desafogo para o time quando surge um aperreio.
Aliás, o que marca de forma particular sua trajetória no Paissandu é justamente a especial vocação para executar as chamadas missões impossíveis. Sua façanha de ontem foi parecida com aquela do ano passado, quando marcou um gol salvador diante do Ananindeua e garantiu a participação do time na Série C.
Ontem, entrou em campo com a incumbência de ajudar a reverter um jogo que estava perdido até os 30 do segundo tempo e se desenhava praticamente irreversível. Substituiu Balão, que até vinha jogando bem, mas já demonstrava cansaço. E Zé é o cara talhado para desafiar o cansaço. Corre o tempo todo, se movimenta por todos os lados do ataque e sempre aparece em condições de arrematar dentro da área.
Foi exatamente assim, com disposição e bom posicionamento, que escreveu sua participação na jornada frente ao Águia. No primeiro lance era o atacante mais próximo de Torrô. Recebeu o passe e mandou um disparo indefensável, de primeira e à meia altura. Aos 48 minutos, começou a jogada e correu para o interior da área, a tempo de escorar o cruzamento de Torrô.
É importante notar que Zé vem refinando, digamos assim, seu repertório. Desde que foi redescoberto por Givanildo Oliveira nos idos de 2000, o atacante foi aprimorando suas virtudes e reduzindo as resistências dos críticos. Longe de ser habilidoso, baseia todo seu jogo na velocidade e na força. Sem medo das vaias, costuma chutar em gol todas as bolas que recebe, o que o transforma num jogador sempre perigoso.
O papel brilhantemente executado por Zé acabou por deixar em segundo plano a participação de outro personagem fundamental para a vitória do Paissandu: Valter Lima, que pegou o bonde andando durante a semana e herdou um time cheio de desfalques.
Com calma e método, soube juntar peças e escalar o melhor time possível nas circunstâncias. E, acima de tudo, foi corajoso para escalar uma nova dupla de beques (Rogério e Bernardo) e lançar Balão como terceiro atacante. Teve peito, ainda, para trocar Velber por Tiago. Por tudo isso pode-se dizer que Valtinho foi quase impecável na estréia. Ficou abaixo apenas do herói Zé Augusto.
 
 
Poucas vezes vi um assalto tão indecente quanto o que vitimou, ontem, o Huracán na final do campeonato argentino (Clausura) diante do Vélez Sarsfield. Aos 38 minutos do segundo tempo, no lance do gol decisivo, o goleiro Monzón foi atingido por um carrinho e a bola sobrou livre para um outro atacante do Vélez. Arbitragem frouxa e incompetente, bem no estilo das piores que temos por aqui. 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 6)

9 comentários em “Coluna: O herói das missões impossíveis

  1. Gerson, tenho uma tia que quando o Zé Augusto vai entrar ela diz: Pronto agora é que o Paysandu vai pro buraco, olha quem vai entrar. Será que não tem outro? Ontem após o jogo ela me ligou e disse: Ei meu sobrinho viu o que o Zé Fez? Ele é a nossa arma secreta. Esqueceu tudo que falara sobre o Zé anteriormente. Acho que é mais ou menos o que acontece com a maioria dos torcedores do Paysandu, em relação ao Zé. Parabéns ao Zé Augusto, e dizer que gostaria e muito de ter um jogador como ele no Remo. Só queria entender o porque que até quando se joga com 3 atacantes, ele é preterido, não consigo entender.
    Cláudio Santos – Técnico do Columbia de Val de Cans.

    1. É, Cláudio. Fica difícil de entender mesmo esse esquecimento, porque o Zé é quase sempre mais produtivo que todos os demais parceiros de ataque.

  2. Na saida do estadio o Arbitro foi ovacionado pelos adeptos do Velez e no melhor estilo o cara saiu-se com isto!
    “No sé por qué la gente de Vélez me agradecía”,
    a unica coisa que eu poderia dize a este sr. seria ” CALATE! BOLUDO!

    O Presidente esta atras de jogador marqueteiro ??? nao se da conta que o tal esta em seu propio terreiro ha anos.

    Zé Augusto, ANIMAL!! e’ um operario padrao. ha anos no plantel do clube, esta ai o cara! pra quer ir longe demais.
    Nao se pode esperar o cara morrer para reconhecer muitos de seus valores.

    1. Harold,
      O careta é um senhor batedor de carteiras. Afinal, aquela falta sobre o goleiro é do tipo que qualquer rebe-rebe marcaria. Falta clássica, carrinho nos peitos do arqueiro. Um lance escandaloso. O Huracán não merecia.

  3. Claudio, não é só a sua Tia não, ha ha ha ha …..o Regis, um colega pensa a mesma coisa, rsrsrs…fazer o quê né ? Gerson, qq dia desses, com um gol no final do jogo, a Curuzu vai ser arrebatada…oh glória meu Pai do cêu…meu Tio quase desmaia eu mano, Marcelo Maciel já se contentava com o empate…Ei de onde é esse Huracan mesmo ? viva o Velez, he he he he ….

  4. Bom dia Caro Senhor, sou leitor assiduo de sua coluna, por achar seus comentarios consistentes e imparcial. Gostaria que o senhor soubesse que, sou torcedor do Payssandu “saudavel”. Mas nao poderia deixar de fazer minha critica, pois bem, quando o senhor coloca na chamada ” O heroi das missoes impossiveis”, se e missao impossivel, logicamente que seria incapaz de ser feito tal feito, por um heroi ou mesmo um ser humano normal. Se e IMPOSSIVEL, entao !!!

    Atenciosamente,

    Jorge Silva

    1. Caro Jorge,
      O termo “missões impossíveis” foi, digamos, uma liberdade de estilo, força de expressão para acentuar o grande feito do Zé. Claro que se a meta é impossível não há como ser atingida por um ser humano normal.

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