Redistribuição de forças

A decisão começa hoje, tendo como oponentes um dos grandes da capital e um emergente. Nos últimos nove anos é a quarta vez que isso acontece. Antes do São Raimundo, três outros interioranos já desafiaram o poderio da dupla Re-Pa: Castanhal (2000), Ananindeua (2006) e Águia (2008). Nenhum conseguiu o título, mas a presença desses clubes em finais comprova uma alteração na geopolítica do futebol no Pará.

Tem sido cada vez mais marcante a participação de clubes do interior, embora não se possa determinar uma tendência, até porque Castanhal e Ananindeua não conseguiram repetir campanhas de alto nível. No entanto, algo mudou e as forças estão se redistribuindo.

Todas as disputas entre times do interior e da capital foram renhidas e extremamente equilibradas. Não será diferente desta vez. O S. Raimundo decidiu os dois turnos, ganhou o returno e demonstra ser a equipe mais entrosada da competição. Além disso, traz no meio-campo a revelação da competição, o meia Michel. 

O Paissandu, pelo histórico e força da torcida, ostenta ligeira vantagem, mesmo depois de 21 dias de inatividade. Tem o ataque mais efetivo e um time mais forte fisicamente. De mais a mais, com as partidas confirmadas para Belém, o S. Raimundo perdeu importante aliado: a torcida santarena, que estabeleceu média de 10 mil pagantes por jogo no returno.

No primeiro turno, o Paissandu tinha a vantagem do empate e isso acabou facilitando a conquista. Embora tenha levado de 3 a 0 no jogo inicial, o S. Raimundo não se abateu. Na final, venceu e quase levou o título em pleno Mangueirão. Não creio em resultado elástico, mas o confronto de hoje vai sinalizar quem chegou mais afiado à decisão. 

 

Até sexta-feira ainda era tímida a venda de ingressos para a primeira partida. Claro que o feriado contribuiu para isso, mas já é um indicativo. Além daquele hábito de não valorizar o primeiro jogo, há a transmissão de TV para Belém e a concorrência das decisões de Rio e S. Paulo. 

No ano passado, o primeiro jogo das finais, entre Remo x Águia, levou 10.886 pagantes ao estádio Edgar Proença. Na finalíssima, quando o Leão se sagrou bicampeão estadual, 28.152 pagaram ingressos. 

 

Um esclarecimento necessário, até para aplacar corações mais exaltados. O TJD não poderia reverter a punição aplicada ao S. Raimundo (perda de um mando de campo) porque, segundo a Lei Pelé, o efeito suspensivo só seria possível a partir de dois jogos de suspensão.

Já o efeito suspensivo que beneficiou o técnico Edson Gaúcho cumpriu apenas o estabelecido na Lei Pelé. Suspensões de 30 dias em diante dão direito a recurso e o benefício da lei é automático.

 

No Rio, neste domingo, mais que a ausência de Maicosuel, o que atormenta a torcida alvinegra é a presença do beque Emerson.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO, deste domingo, 03/05)

Exercício do ceticismo

De Gay Talese, 77 anos, papa do romance-reportagem, fazendo a distinção entre jornalistas e blogueiros apressados:

Jornalismo é investigação conduzida por alguém que exercita seu ceticismo a cada momento.

Acho a mesma coisa, mas nunca tinha conseguido pensar numa frase igual.

Anatomia de um massacre

A marcha da contagem:

Higuaín, de cabeça, abriu o placar para o Real, logo aos 13 minutos.

Henry, aos 17, empatou com um golaço. O zagueiro Puyol virou para 2 a 1 três minutos depois.

Em contra-ataque matador, Messi ampliou aos 35.

Aos 10 do segundo tempo, Ramos diminuiu para 3 a 2.

Aos 12, Henry fez 4 a 2, em novo contragolpe.

Aos 34, Messi marca um golaço e estabelece 5 a 2.

Pique fecha a goleada aos 38.

Barça humilha Real: 6 a 2

Não é mole, não.

Depois da humilhante sova de 6 a 2 imposta ao Real Madri no Santiago Bernabeu, hoje à tarde, pode-se dizer que o trio formado pelo argentino Lionel Messi, o francês Thierry Henry e o camaronês Samuel Eto’o é o melhor da história do certame espanhol.

Alcançou os 69 gols pelo Barcelona, superando o legendário Real Madrid da temporada 1960-61, que marcou 66 e contava com o infernal Ferenc Puskas e o argentino Alfredo Di Stéfano.

Eto’o fez 27 gols e ocupa a artilharia do Espanhol, enquanto Messi fez 23 e Henry, 19. Naquele ataque do Real, Puskas acabou com 28, Di Stefano fez 21 e Luis del Sol completou o trio com outros 17.

Dos atuais participantes do Espanhol, apenas o Real marcou mais vezes que o trio, com 79 gols – o Sevilla, terceiro colocado, fez apenas 48.

Hoje,  Messi fez seus dois primeiros gols no estádio do Real em toda a carreira, enquanto Henry marcou outros dois. Os zagueiros Puyol e Piqué completaram a vitória, que praticamente garante ao Barça o título da temporada.

Bota cheio de desfalques

Do plantão do iG Esporte:

O atacante Reinaldo, do Botafogo não vai estar em campo na final do Campeonato Carioca, onde o Fogão enfrenta o Flamengo. O jogador, que era dúvida, voltou a sentir dores no tornozelo direito e foi vetado pelo departamento médico. Assim o técnico Ney Franco ganha mais um desfalque importantíssimo, já que não poderia contar com o artilheiro Maicosuel.

Reinaldo sentiu dores no último clássico entre Fla e Bota, no domingo passado. O jogador teve que ser substituído por Jean Carioca enquanto a bola ainda rolava e durante a semana participou de um tratamento intensivo para estar em campo no segundo jogo da final. Não deu.

Reforço a convicção de que essa será a mais heróica das batalhas. Despojado de seus principais jogadores, contra tudo e contra todos, o Glorioso de Nilton Santos e Garrincha vai surpreender o favorito Flamengo.

Não há base lógica para dizer isso, eu sei, mas é o que eu penso neste momento.

A conferir daqui a algumas horas.

Assim nem He-Man aguenta

Escrevi na sexta-feira sobre esse lance criminoso, ocorrido no jogo entre Atlético-PR e Corinthians, pela Copa do Brasil.

A cena é revoltante.

Digna de futebol de várzea – aliás, nem na várzea se aceita um delito desse porte.

Na maior cara dura, o narrador global avalia que Dentinho apenas deixou o braço. Não é verdade.

As imagens deixam claro que Dentinho agrediu mesmo a Rafael Moura, o He-Man, que já defendeu o Paissandu.

A agressão do corintiano deveria ser punida com o cartão vermelho, mas o assoprador de apito Nielson Nogueira Dias (PE) fez que não viu.

Essa miopia em lances que envolvem o impávido Corinthians é uma das doenças mais crônicas do futebol nacional.

Além da queda, o coice: absolvido da agressão, Dentinho ainda faria o segundo gol do Corinthians, aos 47 minutos do segundo tempo, confirmando a máxima de que, às vezes, a justiça tarda e falha.

Não é nada, não é nada…

Daquelas notícias que têm toda a pinta de que vão mudar o mundo.

Segundo a BBC Brasil, não pertence mais a um brasileiro o posto de rei das embaixadinhas. Na sexta-feira, o inglês Dan Magness, 25 anos, entrou para o Guiness, o livro dos recordes, por ficar quase 20 horas controlando uma bola em Londres sem deixar cair.

A marca anterior era de 19 horas e 30 minutos, do brazuca Martinho Eduardo Orige.

A mãe de todas as batalhas

A narração mais emocionante (e involuntariamente hilária) de todos os tempos. São os segundos finais da contenda entre Peñarol e América de Cáli, na decisão da Libertadores de 1987, disputada em Santiago (Chile). 

O locutor colombiano simplesmente trava, se recusando a acreditar no que vê: o gol de Aguirre para o Peñarol no segundo final da prorrogação.

Tão eloquente quanto à reação colombiana é a locução uruguaia (de Javier Maximo Goni), que simplesmente chora ao cantar o gol do Peñarol – aquele que padeceu nas mãos do Paissandu nos idos de 60.

Timidez nas bilheterias

Informação do repórter Paulo Sérgio Pinto, que cobre a FPF para a Rádio Clube, indica que ainda é tímida a venda de ingressos para a primeira partida da decisão.

Claro que o feriado contribuiu para isso, mas já é um indicativo.

Torcida do Papão precisa fazer valer o mando de campo, comparecendo para apoiar o time diante do S. Raimundo.

No ano passado, o primeiro jogo das finais, entre Remo x Águia, levou 10.886 pagantes ao estádio Edgar Proença. No segundo, quando o Leão se sagrou bicampeão estadual, 28.152 pagaram ingressos.

Remo desiste de parceria

O grande Jair Ventura Filho, um dos imortais do Botafogo e fundamental na conquista da Copa de 70 no México, esteve em Belém para negociar uma parceria com o Remo.

Sua visita coincidiu com o jogo contra o Flamengo, pela Copa do Brasil.

No Mangueirão, cheguei a falar com ele nas cabines.

A reunião com os dirigentes remistas visava estabelecer um convênio para ter exclusividade na negociação de jovens valores revelados pelo clube.

Não sei o que o Furacão achou de Ednaldo, Neto, Hélinton, Ramon e Diego Maciel, mas desconfio que não saiu bem impressionado.

Caso fechasse negócio, o Remo teria pagar mensalmente R$ 30 mil à empresa de Jairzinho, que é agente Fifa e também trabalha com a formação de jogadores no Rio.

Pelo que se tem notícia, a diretoria azulina, num surto de austeridade, em boa hora desistiu da parceria.

Galgando parâmetros

Notícia alvissareira nesta noite preguiçosa de 1º de Maio.

O glorioso Qatar SC, dos meias brasileiros Marcinho e Roger, e do treinador Sebastião Lazaroni, conquistou nesta sexta-feira a Copa do Príncipe Herdeiro – lá no Qatar, claro.

Nem sabia que Lazaroni estava a galgar parâmetros agora nas Arábias.

Para quem não sabe, no dialeto quase indecifrável que utiliza, o ex-técnico da Seleção (Itália 90) costuma usar expressões idiomáticas enigmáticas, como “galgando parâmetros”.

Nos pênaltis, a equipe bateu o Al-Rayyan, do técnico Paulo Autuori, do meia Ricardinho e do atacante Aloísio Chulapa (que está vindo reforçar o Vasco na Segundona), por 4 a 2 (0 a 0 no tempo normal).