Copa na cabeça

Da coluna de Guilherme Augusto, no DIÁRIO, nesta quarta-feira (27):

Olha o vexame

Uma coisa é certa em relação à decisão da Fifa neste domingo: tirar a champanhe do gelo antes do anúncio oficial pode ser precipitação de amador.

Daí pra virar motivo de piada é um passo. Está dado o toque.

 

Torcida contra

Outra coisa mais que certa é que se Belém for mesmo a cidade escolhida três senadores estão barrados nesse baile: Flexa, Nery e Couto.

O trio não mexeu uma palhinha, umazinha, para trazer a Copa pra cá.

Comunicação tem novo secretário

O jornalista Paulo Roberto Ferreira, ex-diretor da TV Cultura, será o novo secretário de Comunicação do governo, em substituição a Fábio Castro. Alcançado ontem à noite em Altamira, no retorno de Anapu a Belém, o chefe da Casa Civil, Cláudio Puty, confirmou a escolha.

Meus votos de sucesso ao amigo Paulo Roberto na nova empreitada. E parabéns ao Fábio pelo trabalho realizado.

CBF dá balão no S. Paulo

Enquanto por aqui estamos nessa expectativa quanto à escolha da sub-sede amazônica, em S. Paulo a briga é de outro nível. Envolve o poderoso S. Paulo e seu estádio, Morumbi. A CBF já teria dado sinais de que o principal estádio da cidade será limado da Copa, para desespero dos sócios e conselheiros do clube mais elitista da Paulicéia.

Informações de Ancelmo Góis, de O Globo, em encontro realizado em Miami no último fim de semana, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, comunicou ao presidente da CBF que será vetado o projeto de estádio “de uma grande cidade-sede”, “porque o projeto não está à altura de uma Copa”. E, de acordo com informações do site Portal da Copa, o projeto que está na mira da Fifa é do estádio Cícero Pompeu de Toledo.

Regras para os arraiais

A Segup baixou portaria nesta terça-feira determinando que as festas juninas só podem ocorrer de 29 de maio a 30 de junho de 2009. Horário: até 2h da madrugada do dia seguinte e, no domingo, até meia-noite. Quanto a local, é proibido armar terreiros em vias públicas, tais como canteiros centrais, calçadas, vilas, alamedas, praças e outros logradouros.

Em tempo: se a portaria for seguida à risca, com tantas exigências, simplesmente não vai haver festa junina. É mais fácil fazer passeata de protesto.

Torcedores armam tumulto no Flu

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Nem mesmo o técnico Carlos Alberto Parreira escapou da fúria e dos xingamentos de uma facção da torcida do Fluminense, nesta terça-feira, no estádio das Laranjeiras, no Rio. Além dele, os jogadores Tiago Neves, Eduardo Ratinho e Diguinho foram alvos da ira dos torcedores, que invadiram o campo. Uma faixa de protesto dizia: “Se Eduardo Ratinho é jogador, eu sou astronauta”. Diguinho foi ameaçado, reagiu e acabou perseguido por um grupo de baderneiros (imagem acima). Um segurança teve que disparar para o alto a fim de dispersar os invasores. A revolta estourou depois da goleada (1 a 4), em casa, para o Santos no último domingo.

Até acho que o time do Flu é de irritar qualquer torcedor, mas não dá para aceitar a ação violenta e invasiva, própria de marginais. Torcedor de verdade critica, vaia e até xinga, mas jamais parte para a truculência.

Presidente reduz folga no Paissandu

“Temos que ganhar nem que seja de ‘meio a zero’. Foi frustrante o resultado porque todos esperavam uma grande apresentação. Quando fizemos um gol a 1 minuto, disse: acabou. Depois, o que vimos foi aquela frouxura lá”. Palavras são do presidente Luiz Omar Pinheiro, do Paissandu, ainda irritado com a má atuação contra o Sampaio.

Como efeito imediato, o mau rendimento no jogo diminuiu a folga do plantel. A reapresentação, programada para ocorrer quinta-feira, será antecipada para esta quarta. “Não tive tempo para conversar com a comissão técnica. O Edson (Gaúcho) viajou para Porto Alegre. Unilateralmente, mandei: eu quero que a apresentação seja quarta-feira. Isso é uma coisa do presidente”, decretou Luiz Omar.

A direção programou também um jogo-treino frente ao Izabelense, em Santa Izabel, domingo (31), para pôr o grupo em atividade. Pela Terceirona, o Paissandu só volta a campo dia 14 de junho contra o Rio Branco (AC), no Mangueirão. (Com informações do Bola)

Fiepa faz debate sobre a crise

A jornalista e comentarista política, Cristiana Lôbo, estará na sede da Federação das Indústrias do Pará (Fiepa), em Belém, nesta quinta-feira, 28, para proferir palestra sobre a “Crise financeira mundial e suas repercussões no Brasil, especialmente na Região Norte”. A palestra será no auditório Albano Franco, a partir das 19h. A palestra integra a programação da Semana da Indústria, promovida pela Fiepa e ocorre durante a Feira da Indústria do Pará (Fipa).  

Copa 2014: a verdadeira disputa

Comentário do leitor-internauta Alex Bernardes em meio à expectativa geral pela definição da sub-sede amazônica para a Copa do Mundo de 2014.

Olá Gerson, lhe escrevi semana passada e agradeço o espaço em sua coluna e blog para minha mensagem e fomento ao debate. Retorno ao tema de Belém sede da Copa, desta vez para dar parabéns à sua contundente síntese da disputa entre nossa amada capital e os barés: “…da decisão da Fifa… vai emergir a verdadeira capital da Amazônia”.

Ainda não tinha lido ou ouvido essa perspectiva, de fato certeira e, repito, contundente. Tens toda razão, e isso só aumenta minha tristeza de que todos nós, governo, opinião pública/sociedade, imprensa etc., tenhamos atentado tarde demais para a grandeza da disputa. Pela primeira vez percebo um certo desalento em alguns dos seus colegas (colunistas e articulistas) com nossas possibilidades, relatando por exemplo a preferência da Globo por matérias à Manaus e com informações de bastidores nada alvissareiras.

Já falei em comunicação anterior contigo de crítica à imprensa, mas percebo que o ônus de uma derrota é principalmente da população, em todos os sentidos. Não vejo em geral, as pessoas de fato incomodadas com a possibilidade de perdermos mais esse bonde da história, percebo uma certa anestesia, ausência de brio, talvez até nisso os manauaras estejam no momento nos suplantando: clamor e cobrança popular por este desafio. Mas também, atualmente, nosso povo anda anestesiado e sem brio em relação a outras questões tão ou mais importantes (vide a gestão e o estado de coisas da nossa cidade…).

Talvez em todos os séculos de vida da Belém morena essa seja sua maior derrota, por tudo o que representaria a Copa, como escreveste, “um salto de qualidade como nunca se viu”. Não pela derrota em si, mas pela ausência de percepção e luta de fato.

Do fundo do coração de quem apesar de ser interiorano ama muito essa cidade, torço pra estar errado, mas, no dia 31, acho que retiraremos do bolso nossos lenços; mas pra um choro que não precisava acontecer.

Para reforçar a tese de que as cartas já estão marcadas e Belém perdeu para Manaus li pela internet no jornal “A Crítica” de Manaus, que o governo está decidindo pelas bandas J. Quest ou Skank para a festa do anúncio de Manaus como sede da Copa.

Eles não iam cometer um absurdo desses com gasto e anticlímax se não estivesse definido. Também me chama a atenção que a nossa comissão não tenha feito algo de fato maior, só um telão na praça da república no dia 31, muito pouco não? Acho que de fato sabem que as chances são pequenas, só não repassam isso.

Abraço,

Alex Bernardes

Na hora da onça beber água

Só para não esquecer de marcar na folhinha (se é que elas ainda existem), como fazia todo santo dia meu saudoso pai-avô Juca lá em Baião: no próxima dia 31, a essa altura do pagode, já saberemos quem levou a melhor na escolha das 12 sub-sedes da Copa do Mundo de 2014. O noticiário mais atualizado indica que, para aumentar a nossa cuíra, a Fifa já bateu o martelo quanto a 11 cidades. Só falta escolher a sede amazônica. Manaus e Belém ali, pau a pau (epa!), disputando a primazia.

Ricardo Teixeira e um monte de gente, incluindo senadores paraenses, torcem por Manaus. Teixeira, obviamente, não precisa explicar a sua preferência. Mas nossos parlamentares incorrem em equívoco monstruoso ao tratar a candidatura de Belém como querela político-partidária.

Muito mais coisa além da politicagem está em jogo nessa disputa. Da decisão da Fifa, que virá lá das Bahamas, vai emergir a verdadeira capital da Amazônia. É bom que todos tenham consciência disso, porque depois não adiantará sacar o lencinho do bolso.

Por sorte, além de seus méritos óbvios, Belém dispõe de eleitores e “torcedores” igualmente poderosos. Está com a candidatura, desde a primeira hora, o presidente Lula, o maior de todos os eleitores. Nas últimas semanas, o presidente da Vale, Roger Agnelli, também se manifestou favoravelmente. Nem é preciso lembrar que a Fifa não contraria governos, nem briga com patrocinadores.

Quem acompanha a história das Copas sabe que o que realmente conta é o acervo de benefícios destinados à cidade. Depois que o circo boleiro passa, as benesses ficam para usufruto da população, na forma de serviços mais azeitados – transporte, hospitais, comunicações e hotelaria.

Foi o que aconteceu com todas as cidades que sediaram partidas da Copa desde que o futebol ingressou na era dos mega-negócios, ali por volta de 1974, na Copa da Alemanha, em que pontificaram ases do nível de Franz Beckenbauer, Johan Cruyff, Sepp Maier, Gerd Müller e Paul Breitner.

O volume de dinheiro despejado no evento por patrocinadores e governos torna a Copa do Mundo ainda mais sedutora pelas conseqüências que traz. O negócio é tão atraente que a África do Sul, mesmo aos trancos e barrancos, vai sediar a sua Copa, por puro capricho de Blatter.

Vai dar um tremendo prejuízo, estimam consultorias respeitadas, mas isso não importa ao cacique suíço da Fifa. E deve importar menos ainda às cidades escolhidas, que já desfrutam dos benefícios e melhoramentos.

Com a Copa, Belém vai experimentar um salto de qualidade de vida e evolução urbana como nunca se viu. Só os descerebrados não percebem – ou fingem não perceber. É provável que não ofereça jogos memoráveis (talvez Croácia, Austrália e algum país africano sejam escalados para jogar aqui), mas isso é o que menos importa. A herança positiva é que conta.

 

Em tempo: Jader Barbalho, que foi o primeiro a tocar no assunto, logo depois da escolha do Brasil como país-sede, e Asdrúbal Bentes foram os políticos paraenses que se manifestaram aberta e publicamente em defesa da sub-sede da Copa em Belém. 

(Coluna publicada no caderno Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 26/05)

Gustavo Borges fala sobre atitude

Universitários de Belém têm encontro marcado nesta quarta-feira com um dos mais respeitados atletas brasileiros, o ex-nadador Gustavo Borges. Participante de quatro Olimpíadas, com quatro medalhas, Borges é o convidado do projeto Diálogos Universitários, realizada pela Souza Cruz, na UFPA, nesta quarta-feira, dia 27, às 18h30. O tema da palestra será “Atitudes de campeão”.
 
Um dos mais bem-sucedidos projetos de Responsabilidade Social da companhia, o Diálogos Universitários já reuniu em 5 anos de existência mais de 28 mil estudantes de universidades de 13 Estados. A proposta do projeto é promover com a juventude discussões em torno de grandes temas nacionais, mediadas por personalidades das mais variadas áreas do conhecimento. Este ano o projeto já agendou 20 edições pelo Brasil.

Os argumentos manauaras

Compilei os argumentos repetidos exaustivamente pelo marketing do governo amazonense para justificar a possível escolha de Manaus como sub-sede da Copa de 2014. Está publicado nos jornais manauaras:

1) Manaus é a quarta cidade mais rica do Brasil. (critério do PIB total e não per capita. A fonte dos dados é o IBGE).
2) O projeto apresentado pelo Amazonas para sediar os jogos da Copá está estimado em aproximadamente R$ 6 bilhões, incluindo recursos estaduais, municipais, federais e de empresas.
3) Independente das possíveis parcerias, o Amazonas detém uma situação orçamentária relativamente confortável diante do impacto da crise na receita dos estados de um modo geral. O Governo de lá, garante que tem capacidade de investir até R$ 4,8 bilhões até 2014.
4) O Governo do Amazonas foi o único a encaminhar ao comitê organizador da Confederação Brasileira de Futebol, um termo de compromisso que reivindica o credenciamento de Manaus como uma das sedes dos Jogos da Copa de 2014. No contrato de adesão o Estado se compromete, a fazer a entrega definitiva de todos os projetos em plenas condições de uso, de acordo com os padrões definidos para as competições, até o dia 31 de dezembro de 2012.
5) Projetos: metrô de superfície, complexos esportivos, consolidação da rede hoteleira internacional, ampliação do aeroporto e de vôos, abertura da BR-319, pontes, melhoria da infra-estrutura e do Turismo. 
Nos bastidores… 
No dia 12 de fevereiro, os senadores do Amazonas encaminharam carta à Fifa enumerando diversos fatores para que Manaus seja uma das sedes de Copa de 2014. Um dos pontos levantados foi a diversidade biológica e social do Estado.
Dias depois o gabinete do senador João Pedro (PT) enviou à imprensa amazonense cópia da resposta do secretário Geral da Fifa, Jerome Valcke, à carta de apoio dos senadores amazonenses.
No documento, enviado por fax da Fifa, Jerome Valcke afirma que as empresas parceiras apoiam o Estado como sede dos jogos, no resultado que deve sair no dia 31 de maio. Além disso, ele dá uma declaração que praticamente confirma Manaus como sede: “Antes de mais nada, como você deve estar ciente, o encontro do Comitê Executivo da Fifa, em Tóquio, em dezembro de 2008 sob requerimento do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, aceitou o aumento de 10 para 12 sedes na Copa do Mundo Fifa do Brasil 2014 por dois motivos: o tamanho do Brasil assim como a necessidade de reconhecer o Estado do Amazonas”. 

Para reforçar ainda mais a tal correspondência, o secretário geral da Federação complementou: “Em segundo lugar, o bom número de companhias, incluindo parceiros da Fifa como Coca-Cola, Sony, Adidas e outras como a Nokia indicaram seu apoio a Manaus”, frase que mais entusiasmou os senadores.
De acordo com o senador João Pedro (PT), Manaus já tem tudo para comemorar. “Para mim, eles sinalizaram que Manaus está entre as cidades-sedes. Fiquei muito contente coma resposta que recebemos”, anunciou João Pedro. “Esse é um desejo de toda a população, Governo, Prefeitura e Senado”, acrescentou.
“A carta é um grande indicador positivo para o Amazonas. Mas penso que, independente disso, é difícil Manaus ficar de fora por diversos fatores, como posição geográfica, infraestrutura, trabalho conjunto e o menor percentual de desmatamento da Amazônia”, comentou Jefferson Praia (PDT).

Alguns pontos curiosos. Lá, os senadores e empresários estão engajados na campanha. Aqui, como de hábito, só vão aparecer para desfrutar dos benefícios políticos. Outra: em nenhum momento, o fator futebol x torcida é citado nas argumentações amazonenses. Futebol, pelo que se observa, é mero detalhe. Tudo bem que a Fifa leva em conta o aspecto turístico, mas apontar uma sede sem qualquer tradição em futebol é um pouco demais – até para os padrões da conservadora entidade. O último aspecto a observar, embora já de conhecimento geral, é a firme (e nada discreta) participação de Ricardo Teixeira na campanha manauara.