Cuidado com os medalhões

Recebo da Sandra Luz o seguinte comentário, a respeito das notícias sobre contratações de peso pelo Paissandu.

Gerson, tenho escutado alguns cronistas esportivos defenderem a contratação de um “nome de peso” para o elenco do Paissandu enfrentar a Série C, que começa no próximo dia 24.

Gostaria de saber sua opinião sobre assunto porque, na minha humilde visão, tirando como referência os últimos medalhões que aqui chegaram (Fábio Baiano, Luiz Mário e Fábio Bebel Oliveira), penso que o clube deva investir em jogadores bons que queiram realmente vencer no futebol, e isso quer dizer vestir a camisa com compromisso e respeito ao pavilhão azul-celeste.

O perfil deve ser igual ao desses jogadores que estão hoje na Curuzu, profissionais que demonstram que, de fato, assimilaram o projeto bicolor de subir para a Série B e falam isso em uníssono.

 Chega de chamar pra cá jogador em final de carreira, cujo objetivo é somente alimentar seus rendimentos e, o clube subindo ou não, vai embora sem olhar pra trás.

Tenho ouvido coisas absurdas, como alguém dar como bom exemplo o fato de um time da Terceirona ter contratado o Beto Cachaça, aquele mesmo que fez nome nos clubes do Rio de Janeiro, para reforçar a equipe!

Não consigo acreditar que nem mesmo os recentes fracassos havidos por aqui foram capazes de acordar essa gente.

Sandra,

Penso como você. Se for para trazer algum medalhão, que seja alguém que resolva, fazendo gols ou liderando a equipe.

Já ouvi defesas apaixonadas da contratação de Edmundo. Só quem não acompanhou a tumultuada passagem dele pelo Figueirense pode arriscar um palpite tão infeliz.

Não há dúvida de que seria um nome capaz de alavancar a marcar do clube, mas será o custo-benefício vale a pena?

Acho que nossos dirigentes têm feito muitas bobagens nos últimos anos. No caso do Paissandu, está na hora de sossegar o facho e adotar uma política mais austera, à altura das finanças do clube.

Vejo como positivo o fato de os dirigentes atuais serem menos pirotécnicos. Neste ano, depois das lambanças com o Léo Guerra e o Fábio Quasegol, estão pelo menos ouvindo a opinião do treinador antes de trazer reforços.

STJ mantém futebol das 11h às 17h

Notícia encaminhada por Sylvio Nóvoa:

Do site do Superior Tribunal de Justiça

A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou o mandado de injunção impetrado pela Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenape) para proibir a realização, em todo o território nacional, de partidas de futebol no período das 11h às 17h, durante os meses de novembro, dezembro, janeiro e fevereiro.
No mandado, a entidade sustentou que o Ministério do Trabalho e do Emprego, responsável pela regulamentação de todas as atividades e setores de trabalho, recusa-se a estabelecer regras especificas de proteção à saúde dos atletas profissionais de futebol, que continuam obrigados a jogar nesses horários críticos.

Para a Fenape, a exposição ao calor intenso, principalmente no período do horário de verão, coloca em risco a saúde e a vida dos atletas.
Previsto no artigo 5º, inciso LXXI, da Constituição Federal, o mandado de injunção é concedido sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, soberania e cidadania.
Segundo a relatora, ministra Laurita Vaz, a Lei n. 9.615/98 (Lei Pelé) impõe às entidades responsáveis pela administração do esporte profissional a observância de cuidados médicos e clínicos, bem como o oferecimento de condições necessárias à participação dos atletas nas competições.

Além disso, o anexo 3 da Norma Reguladora n. 15 do Ministério do Trabalho e do Emprego já disciplina os limites de tolerância para exposição ao calor dos trabalhadores em geral.
Para a ministra, não existe ausência de norma, mas um mero descontentamento da Federação com as que existem. Assim, por unanimidade, a Corte julgou o mandado de injunção extinto, sem resolução do mérito.

Convertendo o Fenômeno

O volante Roberto Brum, do Santos, comemora o fato de, finalmente, ter conseguido encontrar Ronaldo, do Corinthians, para contar o sonho que teve com o Fenômeno. Desde o início do ano, Brum fala sobre esse sonho, mas vinha se recusando a contá-lo, pois queria revelá-lo, em primeira mão, ao craque corintiano. O santista conseguiu isso durante o segundo jogo da final do Paulistão, no Pacaembu.

Durante a partida, houve um momento de paralisação para que uma bola murcha fosse trocada. Então, Brum chegou perto de Ronaldo. Primeiro, o santista quis saber se o Fenômeno havia recebido um CD de pagode gospel que ele havia lhe enviado. No primeiro jogo entre Peixe e Timão no ano, na fase de classificação do estadual, Brum, que ficou no banco, pediu para Lucio Flavio entregar a Ronaldo um disco do grupo Pra God.

No papo com o craque dentro do campo, já na final, o santista quis saber se Ronaldo estava gostando das músicas. Em seguida, contou-lhe o sonho, por meio do qual, teria recebido de Deus a missão de converter o camisa 9.

– Ele disse que estava ouvindo o CD e deu um sorriso, aquele sorrisinho bonito do Ronaldo. No sonho, eu ia no Corinthians com a missão de falar sobre o amor de Deus para ele. Quando eu cheguei lá, encontrei o Ronaldo dançando o samba do CD que queria dar para ele. Um pagode de louvor do grupo Pra God. Quando eu vi isso, fiquei feliz, pois soube naquele momento que Deus já havia tocado o coração dele – comenta Brum.

Pagode gospel? Por God.

Esse Roberto Brum sempre foi mala, falastrão e metido a engraçado. Duvido que vá converter o Fenômeno a essa altura do pagode.

Tribuna do torcedor

Com relação à sua coluna de hoje sobre os pegadores de pênaltis, devo concordar que alguns goleiros têm um faro e maior frieza que outros, todavia segundo um estudo da universidade de Coimbra, Portugal, todo pênalti bem batido a um metro quadrado entre a trave lateral e a superior, ou seja, na área da forquilha, onde a coruja dorme, não tem goleiro bom.

Por outro lado, mesmo que o pênalti não seja batido naquela área indicada, mas com razoável força e em qualquer lugar, até em cima do goleiro, não tem goleiro que faça milagre. O problema é que ninguém quer assumir em dizer que o artilheiro tal bateu muito mal o pênalti, cheio de frescuras, com paradinhas, poses, colocado, com pouca força etc., e por aí vai. Fica mais fácil endeusar o goleiro.

Vide os pênaltis defendidos pelo “são” Marcos. Qual dos que ele pegou foi bem batido? Claro que ele é um bom goleiro, assusta os pernas-de-pau dos batedores e aí é fácil pegar! Será que ele pegaria aquele que o Ronaldo bateu contra o Santos? Raramente um batedor que bate com força e à meia-altura perde um pênalti. Este estilo quase sempre é usado pelos zagueiros que são intimados a bater penais, não é? E veja que poucos perdem!

Luís Leite de Souza – hoje aqui em São Paulo

Autuori e a Seleção

Do excelente blog de Cosme Rímoli:

Segunda-feira se apresenta em Porto Alegre a maior ameaça a Dunga.

Ele chega no Grêmio sem foco de resistência algum como treinador da Seleção Brasileira.

Deu o único título brasileiro ao Botafogo em 1995.

E ganhou o Rio de Janeiro.

Venceu a Libertadores com o Cruzeiro em 1997.

E ganhou Minas Gerais.

Fez do São Paulo campeão da Libertadores e Mundial em 2005.

E ganhou São Paulo.

Essa é a análise do presidente Ricardo Teixeira.

Ele adora o jeito tranquilo, sóbrio do treinador.

O destino o ajuda também a se a única sombra real ao cargo de Dunga.

Apesar de desempregado, Luiz Felipe Scolari tem péssima relação com Teixeira.

E não há vontade de nenhum dos lados de trabalharem juntos.

Carlos Alberto Parreira abandonou a Seleção Brasileira.

A Seleção Brasileira abandonou Carlos Alberto Parreira.

Muricy Ramalho está longe de viver um grande momento no São Paulo.

A eliminação precoce do Paulista e a fase atual do clube do Morumbi não o credencia.

Vanderlei Luxemburgo está desgastado, queimado.

Ainda por conta da CPI do Futebol.

O desempenho do Palmeiras também não estimula ninguém a fazer passeata para que assuma a Seleção.

O time que este treinador que chega do Catar vai encontrar o Grêmio arrumado.

Grandes jogadores, muito dinheiro e o apoio total da diretoria.

E assume o time nas quartas-de-final da Libertadores.

Com o apoio total e irrestrito de Marcelo Rospide.

E salários de R$ 300 mil até o final de 2010.

Será apresentado no Olímpico como a ‘oitava maravilha do mundo’.

O caminho está aberto para Paulo Autuori.

Para onde quiser ir.

Basta manter o foco.

Se Dunga tropeçar…

Ele estará leve, livre e pronto…

Diego na Juve

O meia Diego confirmou que já chegou a um acordo com a Juventus e que aguarda apenas a liberação do Werder Bremen para efetivar sua transferência do time alemão para o italiano. Na semana passada, o pai e procurador do jogador, Djair da Cunha, já havia revelado o acerto com o clube de Turim.

“Já está tudo certo com a Juventus. Se os clubes se acertarem, eu poderei confirmar que jogarei lá na próxima temporada. Mas ainda não assinei nenhum papel com a logomarca da Juventus”, disse o meia em entrevista publicada nesta quarta ao jornal alemão “Syke”.

Maiores detalhes na edição de hoje do Bola.

Diploma de jornalista em pauta

O diploma de jornalista e os juízes do STF

Oswaldo Coimbra (*)

(*) Jornalista profissional e pós-doutor em Jornalismo pela ECA/USP

O Supremo Tribunal Federal pode extinguir a exigência de diploma para o exercício do Jornalismo, anunciou o site Congresso em Foco, em outubro do ano passado, no título de uma matéria assinada por Renata Camargo. A veiculação daquela informação merece crédito porque o site, no ar desde 2004, faz uma cobertura independente e analítica dos principais fatos políticos da Capital Federal e já obteve o reconhecimento de sua seriedade por parte dos próprios jornalistas, quando recebeu o Prêmio Vladimir Herzog, concedido pelo Sindicato dos Jornalistas de São Paulo.

A previsão do site se apoiava nas manifestações contrárias àquela exigência de seis dos onze ministros do STF que julgam não ser necessário a quem queira ser jornalista obter uma formação específica. Renata Camargo, porém, teve o cuidado de registrar em seu texto que os seis ministros poderão rever a posição antecipada sobre este assunto. Mas, obviamente, em contrapartida, entre os outros cinco ministros, que ainda não se manifestaram, poderá haver quem também acompanhe aquele ponto de vista expresso hoje pela maioria dos seus colegas.

Se a previsão do site se confirmar, o exercício do Jornalismo no Brasil ficará afetado, pelo menos por algum tempo, pela decisão com a qual o STF poderá anular os efeitos do Decreto Lei 972, criado pelos militares que controlavam a vida do país em 1969, quando aquela exigência foi imposta. Mas, como lembrou a jornalista em sua matéria, os poderes legislativo e executivo – através da Presidência da República e do Congresso Nacional – já deram mostras de que estão dispostos a criar novas regulamentações para o Jornalismo. Isto significa que, a médio prazo, esta questão dificilmente se esgotará com a decisão do STF.

Na discussão da exigência de diploma para os jornalistas no STF chama a atenção o fato de que os magistrados terão de se firmar uma posição – como, aliás, já começara a fazê-lo, conforme demonstram suas manifestações – sobre a escorregadia questão da formação de quem escreve profissionalmente – uma questão sobre a qual parece impossível adotar-se uma posição segura e definitiva, mesmo entre as pessoas que se ocupam exclusivamente dela: os educadores. Com isto surge a primeira pergunta inquietante, dentro desta discussão: como os membros de um tribunal de justiça poderão saber se a formação de um jornalista tem (ou não tem) uma natureza específica e por isto exige (ou não exige) diploma universitário?

Há no exercício do Jornalismo aspectos que parecem demandar uma formação meramente técnica fornecida até por um curso de segundo grau profissionalizante.

No entanto, mesmo estes aspectos – como muitos outros dentro desta profissão – remetem ao campo muito complexo do domínio da linguagem verbal. Algo aparentemente simples como a preparação de um título para alguma matéria jamais será realizado com a precisão e o rigor indispensáveis ao Jornalismo, se o jornalista não dispuser de recursos de expressão verbal suficientes para encontrar em seu vocabulário exatamente as palavras de que necessitará. E alguém poderá enxergar uma falta de caráter específico num ofício cuja prática exige, somente num de seus aspectos, o domínio de amplos recursos de expressão verbal?

Esta pergunta é a segunda pergunta inquietante, num instante no qual a Justiça brasileira vai se pronunciar de forma definitiva sobre este assunto. Há outras perguntas com a mesma natureza. Por exemplo: a formação intelectual de um jovem destinado à criação de textos para jornais, dentro de áreas especializadas, como as de Economia, Política, Saúde etc, pode prescindir de uma formação intelectual universitária?

Há uma generalizada insatisfação com a formação fornecida pelos cursos de Comunicação Social. Mas isto significa que um jovem destinado a escrever sobre Música, sobre Esportes ou sobre os graves problemas urbanos do Brasil, nada tem a aprender numa Faculdade de Música, de Educação Física ou de Urbanismo?

O melhor goleiro no Brasil

Aliás, como o assunto mais comentado desde quarta-feira tem sido o retorno triunfal de “São” Marcos, proponho uma pesquisa informal aos amigos internautas: quem é o melhor goleiro em atividade no Brasil hoje? Os que defendem clubes estrangeiros, como Júlio César (Inter), não entram na enquete. Mas não basta votar, tem que justificar o voto.

O medo e a solidão do goleiro

Há quem discorde, e é natural que seja assim, afinal estamos falando de futebol, onde todos praticamente têm opinião formada sobre qualquer tema. Refiro-me ao assunto obrigatório das últimas horas: “São” Marcos e sua indiscutível vocação para defender penalidades máximas.

Há até um filme do diretor alemão Wim Wenders que versa justamente sobre o medo do goleiro diante do pênalti. Certos goleiros parecem imunes a esse medo. Mais que isso: demonstram adorar aquele momento fatal, de maior dramaticidade no futebol.

Mais que o medo, há a solidão. Nada mais solitário do que um goleiro na missão de evitar o desastre. O futebol, essencialmente coletivo, nessas horas se transforma no jogo de um homem só.

Depois da sensacional performance contra o Sport, o goleiro palmeirense, campeão mundial de 2002, confirmou ser o melhor do Brasil em pênaltis. Alguns amigos e colegas advogam a tese de que todo grande arqueiro é, por natureza, um bom pegador de pênaltis. Não é bem verdade.

Os realmente diferenciados nesse departamento destacam-se pela destreza e frieza nas cobranças. E pela incrível capacidade de se antecipar, em fração de segundos, à decisão do cobrador. Além de muito treinamento específico, são atletas longilíneos, com reflexos especialmente apurados para os chamados tiros curtos, quase à queima-roupa.

O curioso é que alguns astros da posição fracassam nesse quesito. Rogério Ceni, inegavelmente um goleiro acima da média, pelo menos de clube, nunca foi brilhante em penais. Júlio César, um dos melhores do mundo atualmente, também não.

No outro extremo, despontam arqueiros que são feras no fundamento, que nasceram talhados para isso. De cara, além de Marcos, vêm logo à memória os nomes de Taffarel, Dida e do argentino Goicochea. E hoje, no Brasil, há o rubro-negro Bruno, quase perfeito quando a questão é pênalti.

O Pará também teve dois exímios defensores de pênaltis nos últimos anos. Ronaldo (ex-Paissandu), que praticamente ganhou sozinho dois títulos estaduais para o Paissandu, em cobrança de penalidades. O outro é Adriano, que andou salvando o Remo em várias ocasiões.

 

 

Persiste, porém, uma velha maldição a perseguir os especialistas em penais. Por um estranho mecanismo de compensação, quase todos erram muito em lances normais de jogo. Ronaldo, por exemplo, era questionado na Curuzu pela quantidade de gols sofridos em cobranças de falta. O próprio Marcos, mesmo no jogo da consagração contra o Sport, hesitou no lance do gol pernambucano, falhando no cruzamento que veio em sua direção.

O folclórico Goicochea era considerado frangueiro pela imprensa portenha. Bruno, do Flamengo, também é espalhafatoso em lances normais e costuma tomar frangos com preocupante frequência. 

E aí ficamos com velha máxima de Juan Alvarez, uruguaio que treinou o Paissandu durante a década de 60: talvez mais importante do que defender as bolas difíceis é não deixar que as fáceis entrem.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 14/05)