Por Mariana Bastos:
Por conta da crise econômica mundial, o dinheiro público pode entrar literalmente em campo para erguer estádios para a Copa do Mundo de 2014. Consultadas, a maioria das cidades candidatas admitiu que, com a crise, houve retração da intenção de investimentos, principalmente advindos de empresas estrangeiras, para bancar as arenas. Sendo assim, as cidades e os Estados já admitem a possibilidade de abrir os cofres para levar a cabo seus projetos.
Essa hipótese vai de encontro ao que fora estabelecido como meta pelo Ministério do Esporte desde que o Brasil foi anunciado sede da Copa. O discurso sempre se baseou no fato de que o dinheiro público seria destinado apenas para obras de infraestrutura, enquanto os recursos para os estádios deveriam ser provenientes exclusivamente da iniciativa privada.
“Com a crise econômica, eu acho muito difícil que empresas privadas invistam no projeto neste primeiro momento. Estádio de futebol não é algo rentável que justifique o alto investimento”, reconhece Gustavo Corrêa, secretário de Estado de Esportes e Juventude e um dos membros do comitê de candidatura de Belo Horizonte”. Então, o Estado [de Minas] deve assumir a responsabilidade [pela modernização do Mineirão] e depois tentar fazer uma concessão para reaver parte do investimento.”
O orçamento da modernização do Mineirão chegou a ser reformulado para se ajustar ao que o Estado mineiro pode bancar. O secretário mantém os valores em sigilo. “Posso dizer que, em termos de valor, vai ser a maior obra do governo do Estado”, diz. Se há dificuldade de prospecção de investidores para a revitalização do estádio mineiro, que hoje abriga jogos de dois times da Série A do Nacional (Cruzeiro e Atlético-MG), a situação é ainda mais aguda no Norte e no Centro-Oeste.
Sem tradição no futebol, as cidades que serão sedes na Amazônia e no Pantanal devem ter ainda mais transtornos a fim de obter recursos para erguer ou revitalizar suas arenas. Provável sede da Copa na Amazônia, Manaus tem o segundo projeto mais caro e um futebol que nem tem representantes na Série C nacional.
A cidade chegou a anunciar como potenciais investidores a Camargo Corrêa, a Luso Arenas e a Andrade Gutierrez. Entretanto, Denis Minev, secretário de Planejamento e Desenvolvimento Econômico do Amazonas, admitiu que há poucas chances de conseguir parceiros para bancar os R$ 500 milhões necessários para erguer o moderno Vivaldão.
“Esse problema [crise econômica] é real. Há pouco interesse em investir em estádio na iniciativa privada, com exceção das maiores cidades. O Amazonas se comprometeu perante a Fifa a fazer o investimento caso não haja investidores privados. Nós temos uma ótima situação financeira hoje que nos permite dar essa garantia”, admitiu o secretário de Planejamento. (Do Folhaonline)
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