Mês: outubro 2021
A primeira viagem a gente nunca esquece*
Por Heraldo Campos (*)

A primeira viagem a gente nunca esquece. Principalmente uma viagem feita depois de quase dois anos passados dessa pandemia do coronavírus que está longe de acabar. Mesmo tendo que enfrentar práticas normais, como pegar vários ônibus, para chegar num destino de quase 700 km de distância, dessa vez foi acrescentado o ingrediente de que não podemos vacilar e muito menos deixar de usar máscara, ainda mais nos ambientes coletivos dos ônibus intermunicipais.
Assim, o meu relato de viagem começa quando saí de Ubatuba para Ribeirão Preto, para resolver umas pendências pessoais, para aquela região que um dia foi chamada de a “Califórnia Brasileira” e que, por causa da queimada da palha de cana, muito incomodava seus moradores em boa parte do ano. O ar carregado pela fuligem das queimadas, associado ao ar seco característico do clima da região, além de provocar transtornos respiratórios induziam o uso da “vassourinha hidráulica” para a limpeza dos quintais e calçadas, utilizando das nobres águas subterrâneas do Aquífero Guarani, responsável 100% pelo abastecimento do município.
A maratona rodoviária começa com minha saída da rodoviária de Ubatuba, ás 5 horas da manhã do dia 21 de setembro de 2021, terça-feira, com passagem de idoso no ônibus com direção a São Paulo. Depois de 3 horas e meia de uma viagem de 140 km de distância, desci na via expressa numa paralela à via Dutra, na frente de um hipermercado famoso, em São José dos Campos, as 8 e meia da manhã. Nessa parte da viagem o meu destino era ir ao médico fazer a quarta revisão dos ”tiros de laser” que levei na vista, para ajudar a baixar a pressão ocular, por causa de um glaucoma hereditário e crônico.
Um pouco antes desse momento da descida, confesso que a pressão da vista deve ter subido, antecipadamente, quando ao perguntar para o motorista sobre o CTA (Centro Técnico Espacial), local como ponto de referência para a chegada em São José dos Campos, ele me disse que não conhecia essa conhecida instituição aeronáutica. Foi quando descobri que a rota do ônibus havia mudado e ele não mais passava na “porta” do CTA.
Mas, no final, acabou dando tudo certo. Depois da consulta, quando foi retirado um dos colírios, porque a pressão ocular abaixou, segui para a rodoviária onde dei uma empacada de 3 horas, porque somente tinha ônibus para Campinas às 2 da tarde. Aqui cabe uma pequena lembrança: durante a espera da minha vez de ser atendido me chamou a atenção o número de crianças pequenas sendo atendidas na oftalmologia. Seria demais especular que a vista dessas crianças pode estar sendo alteradas por causa do precoce uso de celulares e seus derivados?
Seguindo a viagem, comprei na própria rodoviária de São José dos Campos, a passagem para Ribeirão Preto no ônibus das 6 da tarde. Cheguei na cidade 9 e meia da noite desci, como sempre fazia, no final da avenida do campo do Comercial (Comercial Futebol Clube, popularmente conhecido como “Bafo” e “Leão do Norte”) com a avenida do rio e subi a rua Lafaiete, na busca de um hotel. Acabei parando no alto de um hotel relativamente próximo do centro da cidade e do décimo andar do apartamento pude contemplar uma boa parte da “Califórnia Brasileira”.
Ventou na madrugada inteira e pouco consegui dormir porque a esquadria da janela chacoalhava sem parar e fazia muito barulho. Nessas menos de 24 horas que fiquei na cidade acabei, por sorte, não presenciando aquela nuvem de poeira com chuva, que acabou rolando nas cidades dessa região na semana seguinte. Após as incumbências domésticas resolvidas, ainda no meio da manhã, segui para a rodoviária para “estudar” o retorno para casa. Como ando de ônibus para cima e para baixo há muitos anos essa prática nunca foi difícil de fazer; o problema é que hoje com a pandemia cortaram um monte de horários de ônibus intermunicipais e as conexões acabam sendo um problema.
Na rodoviária fui em todos os boxes possíveis para ver as conexões e acabei decidindo voltar por Campinas e São José dos Campos, novamente, porque tanto as rodoviárias quanto os ônibus estavam relativamente vazios nos trajetos que fiz até chegar em Ribeirão Preto. Porém, sabia que poderia dar uma empacada no meio da viagem e dei mesmo, por falta de conexão. Cheguei em São José dos Campos perto das 9 da noite e num outro ônibus fui para Taubaté, onde não tinha mais ônibus para descer a serra para Ubatuba.
Eram 10 da noite e me lembrei de um bar distante da rodoviária e que frequentava em Taubaté nos anos 90, quando trabalhei e morei na terra de Monteiro Lobato, mas que valeria a pena o deslocamento, tomar umas porque ninguém é de ferro e descobrir um hotel próximo para dormir. Deu certo, tomei uns “bombarniques”, comi um excelente bolinho de bacalhau e o dono do bar, um velho conhecido e amigo, acabou pedindo para um dos seus funcionários me levar de carro num o hotel das proximidades.
No dia seguinte, peguei o ônibus Guará-Paraty, meu velho conhecido dos tempos que trabalhei e morei em Guaratinguetá, as 9 e 40 da manhã, e cheguei em Ubatuba na hora do almoço. Como esse ônibus desce pela rodovia Oswaldo Cruz e tem um trecho de serra parecido com um “saca-rolha” a sua carroceria tem que ser mais curta para fazer as curvas na descida, quando não tem que dar uma pequena marcha a ré para dobrar algumas curvas extremamente fechadas. Detalhe: nesse tipo de ônibus, geralmente sem banheiro, para uma viagem de 90 km, as janelas abrem e aquele vento na cara, com o ar úmido da Serra do Mar, é impagável.
O trecho foi repetido, entre Ubatuba e São José dos Campos, para uma quinta consulta oftalmológica, depois de um mês. Dessa vez sem problemas para descer na frente do um hipermercado famoso mas, se não estou atento, o motorista iria somente parar o ônibus para minha descida chegando em outra unidade do hipermercado em São Paulo, pois ele havia entendido que era na “marginal” da via Dutra que eu iria desembarcar. Após a consulta, voltei a usar 2 colírios porque a pressão ocular subiu, novamente.
Dessa vez a volta para Ubatuba foi relativamente tranquila, sem muita espera nas rodoviárias de São José dos Campos e de Taubaté, para o embarque nos “pinga-pinga” que fazem esses trajetos, na via Dutra e na rodovia Oswaldo Cruz. Mas, o que chamou a atenção, o que retardava um pouco as paradas dos ônibus na beira da estrada, era que várias pessoas que iam embarcar não estavam usando máscara para subir no transporte coletivo. E não precisamos dizer que até o cidadão achar onde estava “escondida” a bendita da máscara, alguns minutos da viagem “franciscana” (com muitas paradas para embarque e desembarque) eram consumidos por essa “desatenção”.
Para encerrar, registro que mesmo tendo 67 anos e portador de 5 carteiras de idoso, de algumas companhias de ônibus, não consegui viajar, gratuitamente, em trechos da viagem apesar de vários ônibus estarem quase vazios, com menos de 1/3 de sua ocupação e com muitas poltronas disponíveis. Por que essa situação não muda, com a oferta de poltronas disponíveis nos ônibus para os “velhinhos” que precisam viajar? No mais, sempre é bom lembrar que estamos no meio de uma pandemia e que todo cuidado é pouco, ainda mais nos coletivos urbanos ou intermunicipais. O uso de máscara é fundamental e como diz o outro “cochilou o cachimbo cai”.
*Heraldo Campos é graduado em geologia (1976) pelo Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista – UNESP, Mestre em Geologia Geral e de Aplicação (1987) e Doutor em Ciências (1993) pelo Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo – USP. Pós-doutor (2000) pelo Departamento de Ingeniería del Terreno y Cartográfica, Universidad Politécnica de Cataluña – UPC e pós-doutorado (2010) pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento, Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo – USP.
Rock na madrugada – Weezer, “Say It Ain’t So”
Em rota de desaceleração
POR GERSON NOGUEIRA

O Remo completou ontem cinco jogos sem vitória, um período negativo que remete à pior fase do time na Série B, logo nas primeiras rodadas, ainda sob o comando de Paulo Bonamigo. Diante da Ponte Preta, a equipe voltou a sofrer um gol muito cedo e não teve forças para reagir. Até tentou, mas as armas utilizadas não surtiram o efeito esperado. O lado preocupante é que a distância para o pelotão do Z4 vai ficando mais curta.
Aos 13 minutos, Marcos Junior aproveitou rebote dentro da área e mandou para as redes de Tiago Coelho, após jogada rápida de Rafael Santos pelo lado esquerdo. A Ponte já havia ameaçado duas vezes, mas errou na finalização. O Remo só havia levado perigo num chute de Tiago Ennes, que passou por cima do travessão.
Como acontece tantas vezes, o Remo só passou a jogar decididamente em busca da vitória depois de tomar o gol. Logo aos 16’, atacou com Lucas Tocantins e a bola foi ajeitada para Artur finalizar, livre, mas o chute saiu fraco, nas mãos do goleiro. Depois, Felipe Gedoz mandou um chute forte, que desviou e saiu tirando tinta.
O VAR entrou em cena aos 34’ em lance que o árbitro de campo marcou pênalti contra o Remo, mas a revisão mostrou que o ataque da Ponte estava adiantado. Em seguida, decidido a empatar, o ataque remista forçou jogada pelo meio e conseguiu uma falta frontal. Marlon disparou um chute forte, que Ivan espalmou para escanteio.
Nos instantes finais, Artur mandou a bola para as redes, mas estava impedido. Depois, Gedoz cobrou falta para nova boa intervenção de Ivan. Victor Andrade aproveitou o rebote e mandou para fora. O primeiro tempo terminou com o Remo em cima, empurrado pela torcida e pressionando, embora com muitos erros na construção das jogadas.
Veio o segundo tempo e o panorama mudou – para pior. O Remo veio sem Artur e com Lucas Siqueira no meio-campo. Ao contrário da pressão na reta final da primeira etapa, o time começou timidamente e custou a forçar ataques facilitando o controle do jogo pela Ponte Preta.

O melhor momento foi através de Lucas Tocantins, aos 23 minutos. Ele limpou jogada e mandou um chute forte, defendido por Ivan. O Remo trocava passes insistentemente, mas sem profundidade, aceitando o bloqueio imposto pela Ponte.
Jefferson e Wallace entraram na partida, mas não foram capazes de encaixar ataques que criassem desconforto para a defesa da Macaca. Só nos instantes finais, o Leão voltou a ameaçar: Rafael Jansen acertou um cabeceio de cima para baixo que o goleiro segurou sem dar rebote.
A Ponte investiu em contra-ataques com Rodrigão e Leo Naldi, esticando bolas e aproveitando as subidas do Remo em busca do empate. Um jogo tático bem executado pelo time de Gilson Kleina, com a contribuição da falta de criatividade do meio-campo e ataque azulinos.
Nos últimos sete jogos, o Remo fez três gols e sofreu oito. Sinal evidente da queda de rendimento e da desaceleração experimentada pelo time.
Perdas de peças importantes ao longo da campanha influem no processo, mas é fato também que o modelo executado não vem mais funcionando, depois de garantir a conquista de 31 pontos desde a chegada de Felipe Conceição. Talvez tenha chegado a hora de rever estratégias.
Desastre dentro e fora de campo
Fácil, extremamente fácil. Assim foi a goleada que o Ituano aplicou no PSC, sábado, na Curuzu. Em vários momentos do jogo, parecia que o mandante era o time paulista, tal a segurança tática que a equipe demonstrava desde que abriu o placar logo aos 9 minutos.
O primeiro gol surgiu de uma bola perdida pelo volante Paulo Roberto. Na sequência, o Ituano entrou na área em tabelinha entre João Victor e Léo Duarte, que disparou o chute no ângulo esquerdo da trave bicolor.
Sem sofrer resistência por parte do PSC, o Ituano foi se posicionando com saídas rápidas para o ataque, o que lhe garantiu o controle da partida. As tentativas do Papão eram facilmente neutralizadas.
No segundo tempo, o Ituano mostrou-se mais consistente ainda na transição, sempre liderada pelo meia Gerson Magrão. Aos 8 minutos, uma bola longa pegou a zaga bicolor desprevenida e Ratinho falhou no cabeceio, franqueando a entrada de João Victor para fazer o segundo gol.

Três minutos depois, Gerson Magrão recebeu a bola na intermediária do Ituano, caminhou sem ser combatido e deu um passe perfeito para João Victor. Este entrou na área e cruzou para Tiago Marques marcar o terceiro.
Tudo parecia se encaminhar para a consolidação da goleada quando um fato inusitado interrompeu a partida. Um grupo de baderneiros, ligados a uma facção organizada do PSC, invadiu o campo provocando susto e correria entre os jogadores dos dois times.
A Polícia agiu rápido e os invasores voltaram na mesma pisada, mas o jogo ficou paralisado por mais de 30 minutos. Quando a bola voltou a rolar, o PSC mostrou-se mais agressivo e disposto a reagir. Conseguiu marcar através de Tiago Santos e quase chegou ao segundo gol.
Em chute cruzado, Marlon balançou as redes, mas o lance foi anulado por impedimento do ataque alviceleste. A partir daí, o Ituano recobrou a tranquilidade e voltou a controlar as ações, trocando passes e explorando os contragolpes. Foi assim que, já nos acréscimos, João Victor fez o 4º gol.
A acachapante vitória do Ituano expôs, em cores vivas, as limitações individuais do PSC, que pareciam represadas pelo esquema fechado que Roberto Fonseca utilizava. Com o interino Wilton Bezerra, as fragilidades se escancaram comprometendo seriamente o projeto de acesso.
Agora, o PSC terá que vencer os dois próximos jogos, com Botafogo (fora) e Criciúma (em casa), enquanto torce para o Ituano não perder para nenhum desses times. Não é impossível, mas é pouco provável.
(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 25)
Remo pode ter um novo 9
POR GERSON NOGUEIRA
A grande dúvida no Remo para o jogo deste domingo contra a Ponte Preta está no comando do ataque. A torcida quer Neto Pessoa, principalmente depois que ele marcou três vezes na impiedosa surra aplicada no Galvez, terça-feira à noite. Cansado da experiência com Felipe Gedoz como falso 9, o torcedor vive sonhando com um centroavante de verdade.
Reticente quanto ao aproveitamento de Neto Pessoa, Felipe Conceição não parece disposto a contrariar a massa. O problema é que o técnico entende que utilizar um centroavante de ofício quebra o conceito adotado desde que assumiu a equipe no início do campeonato.

Para Felipe, quanto mais mobilidade na frente melhor será o desempenho ofensivo. Como tese, tudo bem. O problema é que há várias partidas o modelo não funciona. Mesmo quando o Remo vence, raramente Gedoz aparece como peça relevante.
E não é por falta de esforço. O meia tem se empenhado, participa das jogadas, mas esbarra na falta de traquejo para jogar enfiado entre os zagueiros adversários. Ao mesmo tempo em que não aparece no ataque, ele torna carente o setor de meio-campo.
Pela movimentação da semana, incluindo o jogo com o Galvez, Felipe Conceição tende a escalar Neto Pessoa e Victor Andrade como avançados, deixando Gedoz como homem de criação, que é de fato a sua função. Os demais homens de meio devem ser Lucas Siqueira, Marcos Jr. e Neto Moura ou Artur.
Curiosamente, a melhor atuação de Gedoz no campeonato foi diante da Ponte Preta, jogo que o Remo venceu por 2 a 1 com atuações inspiradas de Erick Flores e do camisa 10.
Aniversário é oportunidade para reverenciar o Rei
Como a coluna fecha na sexta-feira à noite, não há como saber se os jogadores que disputam o Campeonato Brasileiro acataram a proposta de Neto, ex-jogador e atual apresentador de TV. Nas redes sociais, ele instou a boleirada a homenagear o Rei Pelé, que aniversariou neste sábado, 23, completando 81 anos.
“Uma dica para vocês, jogadores do Campeonato Brasileiro. Dia 23 é aniversário do Pelé. Todos vocês que fizerem gols têm que vibrar igual o Pelé. Tem que homenagear o Rei do Futebol. Vamos comemorar à la Pelé, dando soco no ar. Juntos comigo, ou não?”, incentivou Neto.
Pelé vive há tempos um ostracismo que tem origem em certa má vontade da própria mídia esportiva. Episódios da vida pessoal dele, como o polêmico caso da filha que o Rei relutou em reconhecer, acabaram por deixar sua imagem arranhada perante a opinião pública.
Ocorre que o Atleta do Século, lenda do futebol, não pode ser condenado inapelavelmente por eventuais falhas de comportamento. Afinal, quem não erra? Pelé é o maior de todos os tempos, mas, em determinados momentos, fica a impressão de que só o Brasil não reconhece e valoriza isso.
Em tempo: após um período internado para realizar uma cirurgia, Pelé deixou o hospital na semana passada e segue tratamento em casa.
Bola na Torre
O programa deste domingo começa mais cedo, às 20h30, na RBATV, com apresentação de Guilherme Guerreiro e participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em análise, os jogos de PSC e Remo no Campeonato Brasileiro e a Série B do Parazão. A edição é de Lourdes Cézar.
Remo elege três novos grandes beneméritos
A eleição de três grandes beneméritos agita os bastidores do Remo nesta semana. A escolha ocorre nesta segunda-feira, 25. Seis candidatos disputam as cadeiras que pertenceram a Manoel Ribeiro, Vinícius Bahury de Oliveira e José Severo, recentemente falecidos.
Os nomes que pleiteiam um lugar na galeria dos grandes beneméritos são Ulisses Oliveira, Sérgio Dias, Paulo Sérgio Paiva, Maria Jovelina Ferreira, João Santos e Carlos Gama. Só conselheiros, beneméritos e grandes beneméritos podem votar.
Errata
Por um lamentável lapso, a nota sobre Graffite na coluna de sexta-feira mencionou 2020 como data da Copa do Mundo da África do Sul. Óbvio que o torneio foi realizado em 2010, com cobertura deste escriba de Baião para os veículos do Grupo RBA.
(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 24)
Baderneiros invadem o campo, mas não evitam vexame do Papão dentro de casa

O PSC precisava da vitória para se recuperar no quadrangular da Série C, mas sofreu a segunda derrota para o Ituano na tarde/noite deste sábado, no estádio da Curuzu. E perdeu de goleada: 4 a 1. O time treinado por Wilton Bezerra foi confuso, errático e sem iniciativa, sendo dominado desde o começo do jogo pelo rápido e organizado time paulista.
O vexame deixa o Papão com chances reduzidas de brigar pelo acesso, pois passa a depender não apenas de seus resultados. Com apenas dois pontos ganhos em quatro jogos, o time terá que vencer os dois próximos jogos e torcer para que Botafogo e Criciúma não vençam mais.
Léo Duarte abriu o placar logo aos 9 minutos, aproveitando saída errada da zaga paraense. O PSC ainda correu o risco de sofrer outros gols no primeiro tempo, atuando mal na construção de jogadas e sem criar nenhuma chance de gol. Com muitos erros de passe e jogadores abaixo do esperado, o Papão não conseguia equilibrar as ações.
Na etapa final, o PSC teve boa chance com Perema, de cabeça. O Ituano, rápido nas saídas, aproveitou o primeiro contragolpe e ampliou. João Victor recebeu passe longo e o apagão aéreo dos zagueiros do Papão, passou pelo goleiro Victor Souza e tocou para as redes. Três minutos depois, o Ituano chegou ao 3 a 0: Gerson Magrão lançou João Victor, que tocou para Tiago Marques marcar.

Exatamente nesse momento um grupo de integrantes de uma facção organizada do PSC invadiu o campo a fim de paralisar o jogo e, aparentemente, deter a marcha do placar favorável ao Ituano. Impressionou a facilidade com que os baderneiros conseguiram abrir o portão lateral e entrar no gramado.
Não chegou a haver conflito, pois a polícia agiu rápido para conter os invasores, mas a partida ficou parada por mais de 30 minutos, até que a situação se normalizasse. Cenas de vandalismo se registraram nas arquibancadas e junto aos portões da Curuzu. Quando o jogo finalmente recomeçou, o PSC voltou melhor.
Marlon aproveitou falha da zaga e cruzou para Tiago Santos finalizar paras redes. Logo em seguida, outra boa chegada e Marlon chutou para as redes, mas o VAR flagrou impedimento no lance. Com tranquilidade, o Ituano retomou o controle da partida, perdeu várias chances de gol, mas nos acréscimos João Victor fechou o placar em 4 a 1.
Com o resultado, o Ituano saiu virtualmente classificado da Curuzu, com 9 pontos e três vitórias. Na próxima rodada, o PSC enfrenta o Botafogo – que venceu o Criciúma por 1 a 0 -, em João Pessoa. O Criciúma recebe o Ituano.
Os atos de vandalismo por parte de torcedores, a ameaça à integridade dos jogadores e da arbitragem, além da queima de papéis nas arquibancadas, devem causar punição ao PSC.
Debandada é só reflexo da política econômica de gambiarras de Bolsonaro
Por Maria Carolina Trevisan, no UOL

O primeiro grande reflexo negativo para a popularidade de Jair Bolsonaro (sem partido) foi a péssima gestão da pandemia. A CPI da Covid revelou uma estratégia que Bolsonaro repete para gerir a crise econômica: fabrica soluções mágicas, como a cloroquina, e oferece remendos aos problemas reais. São respostas que não se sustentam ao longo do tempo e aprofundam as crises. Na economia, Bolsonaro operou com a mesma estratégia equivocada, o que acabou derrubando ainda mais a sua aprovação, impactada, agora, também pela inflação em alta.
É o que mostra a pesquisa Exame/Ideia, do Instituto IDEIA, publicada nesta sexta (22): 53% dos entrevistados consideram o governo de Jair Bolsonaro “ruim/péssimo”, segundo a pesquisa Exame/Ideia. Trata-se exatamente do período em que a CPI demonstrou que o governo adiou a compra de vacinas, o que provocou milhares de mortes evitáveis.
A população já se deu conta da estratégia inconsistente e eleitoreira. O anúncio do furo no teto de gastos para viabilizar um Bolsa Família desfigurado, como é a proposta do Auxílio Brasil, provocou a alta do dólar e a debandada de quatro secretários do Ministério da Economia. A manobra aprofundou a crise e deve impactar na preço dos alimentos, que levará ao aumento da pobreza extrema e da fome. Tudo completamente equivocado para um país em que 20 milhões de pessoas passam fome, um problema gravíssimo.
Com a pandemia, a população reagiu apesar do boicote do principal mandatário do país. É a vacinação em massa — que Bolsonaro é contra — que proporciona ao país a possibilidade de uma retomada das atividades. A defesa da cloroquina não operou para a saída da pandemia, ao contrário, ajudou a retardar o fim da crise sanitária e pessoas morreram acreditando no tratamento precoce.
Agora, a pandemia deixou de ser o principal problema do Brasil. Para 79% dos brasileiros, a inflação e o aumento de preços são o grande problema do dia a dia, principalmente em relação aos combustíveis (43%), aos alimentos e bebidas (40%) e à energia elétrica (11%). Essa percepção está espalhada pelas classes sociais: quem ganha mais de 5 salários mínimos reconhece a alta dos combustíveis para o principal problema (63%) e quem ganha até 1 salário mínimo sente a alta dos alimentos como o que mais preocupa (44%).
A pesquisa mostra também que não há expectativa de melhora. Para 61% dos entrevistados, os preços devem seguir aumentando nos próximos seis meses. Ou seja, nem com os prometidos R$ 400 reais do Auxílio Brasil a população tem esperança.
A forma de Bolsonaro e seus ministros operarem nas crises que tiveram e têm de gerir se mostrou errada e destrutiva. Acabou primeiro com o Ministério da Saúde e, agora, o Ministério da Economia está desmoronando. É o fracasso de apostar na eleição como objetivo final, sem pensamento estratégico, sem consistência. Gambiarras, apenas. O governo federal está perdendo o apoio do mercado, do agro e também dos evangélicos. No parlamento, ficou o centrão, que determina os próximos passos.
Mas, no momento, não parece que exista melhora possível. Há, sim, grandes chances de Bolsonaro se tornar o primeiro presidente do país a perder uma reeleição. Como mostrou a professora e cientista política Maria Hermínia Tavares de Almeida em sua coluna desta quinta (21), “estudo da consultoria Eurasia Group mostra que, em 224 confrontos presidenciais pelo mundo afora, o incumbente só foi derrotado em 32. Outro levantamento, realizado pela Ipsos Public Affairs com base em 300 votações, concluiu que o incumbente é imbatível quando aprovado por 40% do eleitorado. Já se contar com o apoio de 30%, sua chance de êxito cai para 19%, despencando para 8% quando apenas 1/4 da população o avalia bem”.
Neste momento, 23% dos brasileiros consideram o governo Bolsonaro “ótimo/bom”, de acordo com a pesquisa do Instituto IDEIA. Perder a reeleição seria seu grande feito — e um alívio ao país. Mas ainda há riscos de um segundo mandato. A reconstrução do Brasil arrasado será dura para quem quer que ganhe o pleito de 2022.
Pelé, 81

O Rei chegou
E já mandou tocar os sinos
Na cidade inteira
É pra cantar os hinos
Hastear bandeiras
E eu que sou menino
Muito obediente
Estava indiferente
Logo me comovo
Pra ficar contente
Porque é Ano Novo
(Chico Buarque)
Pelé 81 anos: vida longa ao Rei!
Bezerra trabalhou emocional dos jogadores para confronto PSC x Ituano
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O lado emocional e anímico pode fazer a diferença na partida decisiva que o PSC trava neste sábado, às 17h, com o Ituano na Curuzu, valendo pelo quadrangular da Série C. Em quarto lugar na chave, sem vitórias, os bicolores precisam dos três pontos para continuarem sonhando com o acesso à Série B.
Sem poder contar com o artilheiro Danrlei, que se lesionou na sexta-feira, o técnico interino Wilton Bezerra está focando na parte psicológica como arma para superar inseguranças e limitações do elenco.
“Buscando alguns aspectos táticos, técnicos e principalmente psicológicos. Nós estamos voltados para o lado emocional e motivacional dos atletas, para passar confiança. Englobamos tudo isso ao decorrer da semana”, disse o pernambucano que substitui Roberto Fonseca no comando da equipe.
Com apenas dois pontos conquistados em três jogos, contra um adversário que lidera o grupo C com seis pontos, o PSC terá que se impor na busca pela vitória. Wilton destacou a fase atual do Galo de Itu, treinado por Mazola Jr., e revelou que vem trabalhando em cima das possíveis dificuldades que terá durante o confronto.
“Esperamos um jogo muito competitivo, onde eles estão à frente da gente e vão vir para não perder. Se eles acabarem a partida com no mínimo um empate, eles já vão estar bem encaminhados. Então, sabemos da dificuldade que vamos ter, por isso que trabalhamos todos esses fatores”, afirmou.
O provável time do Papão para o jogo desta tarde: Victor Souza; Leandro Silva (Ratinho), Perema, Denilson e Diego Matos; Paulo Roberto, Marino e José Aldo; Marlon, Grampola e Rildo.
A RBATV transmite ao vivo a partida, com narração de Lino Machado e comentários deste escriba baionense.
‘Favorito’ Cruzeiro fora da briga pelo acesso mostra como foram injustas avaliações com Botafogo

Do blog Fogão.net
Antes de o campeonato começar, a mídia, em sua grande maioria, colocava o Cruzeiro como favorito ao título da Série B. Já o Botafogo era classificado como time de “meio de tabela” e até em rebaixamento para a Série C falavam. Ou até em virar América. Nada mais que exagero e avaliações precipitadas.
Como mostra a própria tabela da Série B, o Cruzeiro perdeu por 1 a 0 para o Avaí nesta sexta-feira e ficou com 39 pontos, a 13 do G-4 e a sete do Z-4. O máximo que pode chegar é a 60 pontos, se vencer todos os jogos, número praticamente impossível de garantir volta à elite do futebol brasileiro. Ainda assim, o clube mineiro conta com a boa vontade da imprensa, que seguiu falando em acesso nas últimas partidas e se recusa a jogar a toalha.
Do outro lado, o Botafogo tem 55 pontos, 16 a mais que o Cruzeiro, mesmo tendo que superar os péssimos números de Marcelo Chamusca. “Patinho feio” para os especialistas, o time alvinegro deu a volta por cima, mas ainda assim convive com críticas e desconfiança. Como é difícil criticar os resultados, as ressalvas constantes são ao desempenho.
É bem verdade que o Cruzeiro melhorou bastante com Vanderlei Luxemburgo, tornou-se um time mais forte e difícil de ser batido. Mas, ainda assim, nunca esteve nem entre os dez primeiros colocados. Ou seja, não se justificavam tantos elogios.
Cabe ao Botafogo seguir trabalhando, conquistando pontos e dando resposta dentro de campo até obter o acesso. Afinal, nada melhor que contrariar previsões pessimistas.
Twitter admite que algoritmo favorece postagens da direita

O Twitter divulgou nesta sexta-feira (22/10) os primeiros resultados de uma pesquisa interna realizada em sete países (Alemanha, Canadá, França, Japão, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos) que apontou que o algoritmo da rede social impulsiona mais postagens feitas por políticos e organizações de direita do que os de esquerda.
“Analisamos milhões de tuítes de pessoas eleitas nesses países entre 1º de abril e 15 de agosto de 2020. Os analistas usaram esses dados para verificar quais tuítes foram amplificados no fluxo das notícias quando é escolhido o feed que mostra o algoritmo em relação ao cronológico”, diz o estudo.
A pesquisa comparou duas maneiras pelas quais um usuário pode visualizar sua linha do tempo na plataforma: a primeira usa um algoritmo para fornecer uma visão personalizada dos tuítes nos quais o usuário pode estar interessado, com base nas contas com as quais ele mais interage e em outros fatores; a segunda é a linha do tempo mais “tradicional”, em que o usuário lê as postagens mais recentes em ordem cronológica inversa.
O estudo comparou os dois tipos de cronograma, considerando se alguns políticos, partidos políticos ou veículos de notícias eram mais ampliados do que outros. O estudo analisou milhões de tuítes de autoridades eleitas entre 1º de abril e 15 de agosto de 2020 e centenas de milhões de tuítes de organizações de notícias, principalmente nos Estados Unidos, no mesmo período.
O único país analisado em que o resultado não foi constatado foi na Alemanha. Nos outros seis, “os tuítes das contas da direita política receberam uma amplificação algorítmica maior do que da esquerda, se estudados como grupos”, ressalta a rede social.
Nesta base, a maior discrepância entre direita e esquerda estava no Canadá (liberais 43%; conservadores 167%), seguido pelo Reino Unido (trabalhista 112%; conservadores 176%). Mesmo excluindo altos funcionários do governo, os resultados foram semelhantes, disse o documento.
Segundo a plataforma, essa amplificação não “é problemática em si”, mas não se sabe ainda “o que causou esse desequilíbrio”.
“A amplificação algorítmica não é problemática por padrão – todos os algoritmos amplificam. A amplificação algorítmica é problemática se houver tratamento preferencial em função de como o algoritmo é construído em relação às interações que as pessoas têm com ele”, afirmam Rumman Chowdhury, diretor de engenharia de software do Twitter, e Luca Belli, pesquisador do Twitter.
Além disso, o Twitter diz que o código não dá impulso ao que o usuário informou não querer ver. Caso contrário, isso seria um problema na construção do algoritmo em si. Agora, os profissionais também vão fazer parcerias externas para tentar entender o que causa esse comportamento preferencial.
A plataforma também disse que disponibilizaria sua pesquisa para terceiros, mas disse que as preocupações com a privacidade a impedem de disponibilizar os “dados brutos”.