Baderneiros invadem o campo, mas não evitam vexame do Papão dentro de casa

Paysandu x Ituano, Matheus Mancini, Série C do Campeonato Brasileiro

O PSC precisava da vitória para se recuperar no quadrangular da Série C, mas sofreu a segunda derrota para o Ituano na tarde/noite deste sábado, no estádio da Curuzu. E perdeu de goleada: 4 a 1. O time treinado por Wilton Bezerra foi confuso, errático e sem iniciativa, sendo dominado desde o começo do jogo pelo rápido e organizado time paulista.

O vexame deixa o Papão com chances reduzidas de brigar pelo acesso, pois passa a depender não apenas de seus resultados. Com apenas dois pontos ganhos em quatro jogos, o time terá que vencer os dois próximos jogos e torcer para que Botafogo e Criciúma não vençam mais.

Léo Duarte abriu o placar logo aos 9 minutos, aproveitando saída errada da zaga paraense. O PSC ainda correu o risco de sofrer outros gols no primeiro tempo, atuando mal na construção de jogadas e sem criar nenhuma chance de gol. Com muitos erros de passe e jogadores abaixo do esperado, o Papão não conseguia equilibrar as ações.

Na etapa final, o PSC teve boa chance com Perema, de cabeça. O Ituano, rápido nas saídas, aproveitou o primeiro contragolpe e ampliou. João Victor recebeu passe longo e o apagão aéreo dos zagueiros do Papão, passou pelo goleiro Victor Souza e tocou para as redes. Três minutos depois, o Ituano chegou ao 3 a 0: Gerson Magrão lançou João Victor, que tocou para Tiago Marques marcar.

Torcedores do Paysandu invadem o gramado da Curuzu

Exatamente nesse momento um grupo de integrantes de uma facção organizada do PSC invadiu o campo a fim de paralisar o jogo e, aparentemente, deter a marcha do placar favorável ao Ituano. Impressionou a facilidade com que os baderneiros conseguiram abrir o portão lateral e entrar no gramado.

Não chegou a haver conflito, pois a polícia agiu rápido para conter os invasores, mas a partida ficou parada por mais de 30 minutos, até que a situação se normalizasse. Cenas de vandalismo se registraram nas arquibancadas e junto aos portões da Curuzu. Quando o jogo finalmente recomeçou, o PSC voltou melhor.

Marlon aproveitou falha da zaga e cruzou para Tiago Santos finalizar paras redes. Logo em seguida, outra boa chegada e Marlon chutou para as redes, mas o VAR flagrou impedimento no lance. Com tranquilidade, o Ituano retomou o controle da partida, perdeu várias chances de gol, mas nos acréscimos João Victor fechou o placar em 4 a 1.

Com o resultado, o Ituano saiu virtualmente classificado da Curuzu, com 9 pontos e três vitórias. Na próxima rodada, o PSC enfrenta o Botafogo – que venceu o Criciúma por 1 a 0 -, em João Pessoa. O Criciúma recebe o Ituano.

Os atos de vandalismo por parte de torcedores, a ameaça à integridade dos jogadores e da arbitragem, além da queima de papéis nas arquibancadas, devem causar punição ao PSC.

Debandada é só reflexo da política econômica de gambiarras de Bolsonaro

Por Maria Carolina Trevisan, no UOL

Bolsonaro e Guedes: ministro admite influência eleitoral sobre medidas econômicas - Edu Andrade

O primeiro grande reflexo negativo para a popularidade de Jair Bolsonaro (sem partido) foi a péssima gestão da pandemia. A CPI da Covid revelou uma estratégia que Bolsonaro repete para gerir a crise econômica: fabrica soluções mágicas, como a cloroquina, e oferece remendos aos problemas reais. São respostas que não se sustentam ao longo do tempo e aprofundam as crises. Na economia, Bolsonaro operou com a mesma estratégia equivocada, o que acabou derrubando ainda mais a sua aprovação, impactada, agora, também pela inflação em alta.

É o que mostra a pesquisa Exame/Ideia, do Instituto IDEIA, publicada nesta sexta (22): 53% dos entrevistados consideram o governo de Jair Bolsonaro “ruim/péssimo”, segundo a pesquisa Exame/Ideia. Trata-se exatamente do período em que a CPI demonstrou que o governo adiou a compra de vacinas, o que provocou milhares de mortes evitáveis.

A população já se deu conta da estratégia inconsistente e eleitoreira. O anúncio do furo no teto de gastos para viabilizar um Bolsa Família desfigurado, como é a proposta do Auxílio Brasil, provocou a alta do dólar e a debandada de quatro secretários do Ministério da Economia. A manobra aprofundou a crise e deve impactar na preço dos alimentos, que levará ao aumento da pobreza extrema e da fome. Tudo completamente equivocado para um país em que 20 milhões de pessoas passam fome, um problema gravíssimo.

Com a pandemia, a população reagiu apesar do boicote do principal mandatário do país. É a vacinação em massa — que Bolsonaro é contra — que proporciona ao país a possibilidade de uma retomada das atividades. A defesa da cloroquina não operou para a saída da pandemia, ao contrário, ajudou a retardar o fim da crise sanitária e pessoas morreram acreditando no tratamento precoce.

Agora, a pandemia deixou de ser o principal problema do Brasil. Para 79% dos brasileiros, a inflação e o aumento de preços são o grande problema do dia a dia, principalmente em relação aos combustíveis (43%), aos alimentos e bebidas (40%) e à energia elétrica (11%). Essa percepção está espalhada pelas classes sociais: quem ganha mais de 5 salários mínimos reconhece a alta dos combustíveis para o principal problema (63%) e quem ganha até 1 salário mínimo sente a alta dos alimentos como o que mais preocupa (44%).

A pesquisa mostra também que não há expectativa de melhora. Para 61% dos entrevistados, os preços devem seguir aumentando nos próximos seis meses. Ou seja, nem com os prometidos R$ 400 reais do Auxílio Brasil a população tem esperança.

A forma de Bolsonaro e seus ministros operarem nas crises que tiveram e têm de gerir se mostrou errada e destrutiva. Acabou primeiro com o Ministério da Saúde e, agora, o Ministério da Economia está desmoronando. É o fracasso de apostar na eleição como objetivo final, sem pensamento estratégico, sem consistência. Gambiarras, apenas. O governo federal está perdendo o apoio do mercado, do agro e também dos evangélicos. No parlamento, ficou o centrão, que determina os próximos passos.

Mas, no momento, não parece que exista melhora possível. Há, sim, grandes chances de Bolsonaro se tornar o primeiro presidente do país a perder uma reeleição. Como mostrou a professora e cientista política Maria Hermínia Tavares de Almeida em sua coluna desta quinta (21), “estudo da consultoria Eurasia Group mostra que, em 224 confrontos presidenciais pelo mundo afora, o incumbente só foi derrotado em 32. Outro levantamento, realizado pela Ipsos Public Affairs com base em 300 votações, concluiu que o incumbente é imbatível quando aprovado por 40% do eleitorado. Já se contar com o apoio de 30%, sua chance de êxito cai para 19%, despencando para 8% quando apenas 1/4 da população o avalia bem”.

Neste momento, 23% dos brasileiros consideram o governo Bolsonaro “ótimo/bom”, de acordo com a pesquisa do Instituto IDEIA. Perder a reeleição seria seu grande feito — e um alívio ao país. Mas ainda há riscos de um segundo mandato. A reconstrução do Brasil arrasado será dura para quem quer que ganhe o pleito de 2022.

Bezerra trabalhou emocional dos jogadores para confronto PSC x Ituano

José Aldo e Marlon estão entre os relacionados do Paysandu — Foto: Jorge Luís Totti/Ascom Paysandu

O lado emocional e anímico pode fazer a diferença na partida decisiva que o PSC trava neste sábado, às 17h, com o Ituano na Curuzu, valendo pelo quadrangular da Série C. Em quarto lugar na chave, sem vitórias, os bicolores precisam dos três pontos para continuarem sonhando com o acesso à Série B.

Sem poder contar com o artilheiro Danrlei, que se lesionou na sexta-feira, o técnico interino Wilton Bezerra está focando na parte psicológica como arma para superar inseguranças e limitações do elenco.

“Buscando alguns aspectos táticos, técnicos e principalmente psicológicos. Nós estamos voltados para o lado emocional e motivacional dos atletas, para passar confiança. Englobamos tudo isso ao decorrer da semana”, disse o pernambucano que substitui Roberto Fonseca no comando da equipe.

Com apenas dois pontos conquistados em três jogos, contra um adversário que lidera o grupo C com seis pontos, o PSC terá que se impor na busca pela vitória. Wilton destacou a fase atual do Galo de Itu, treinado por Mazola Jr., e revelou que vem trabalhando em cima das possíveis dificuldades que terá durante o confronto.

“Esperamos um jogo muito competitivo, onde eles estão à frente da gente e vão vir para não perder. Se eles acabarem a partida com no mínimo um empate, eles já vão estar bem encaminhados. Então, sabemos da dificuldade que vamos ter, por isso que trabalhamos todos esses fatores”, afirmou.

O provável time do Papão para o jogo desta tarde: Victor Souza; Leandro Silva (Ratinho), Perema, Denilson e Diego Matos; Paulo Roberto, Marino e José Aldo; Marlon, Grampola e Rildo.

A RBATV transmite ao vivo a partida, com narração de Lino Machado e comentários deste escriba baionense.

‘Favorito’ Cruzeiro fora da briga pelo acesso mostra como foram injustas avaliações com Botafogo

Chay - Botafogo x Cruzeiro

Do blog Fogão.net

Antes de o campeonato começar, a mídia, em sua grande maioria, colocava o Cruzeiro como favorito ao título da Série B. Já o Botafogo era classificado como time de “meio de tabela” e até em rebaixamento para a Série C falavam. Ou até em virar América. Nada mais que exagero e avaliações precipitadas.

Como mostra a própria tabela da Série B, o Cruzeiro perdeu por 1 a 0 para o Avaí nesta sexta-feira e ficou com 39 pontos, a 13 do G-4 e a sete do Z-4. O máximo que pode chegar é a 60 pontos, se vencer todos os jogos, número praticamente impossível de garantir volta à elite do futebol brasileiro. Ainda assim, o clube mineiro conta com a boa vontade da imprensa, que seguiu falando em acesso nas últimas partidas e se recusa a jogar a toalha.

Do outro lado, o Botafogo tem 55 pontos, 16 a mais que o Cruzeiro, mesmo tendo que superar os péssimos números de Marcelo Chamusca. “Patinho feio” para os especialistas, o time alvinegro deu a volta por cima, mas ainda assim convive com críticas e desconfiança. Como é difícil criticar os resultados, as ressalvas constantes são ao desempenho.

É bem verdade que o Cruzeiro melhorou bastante com Vanderlei Luxemburgo, tornou-se um time mais forte e difícil de ser batido. Mas, ainda assim, nunca esteve nem entre os dez primeiros colocados. Ou seja, não se justificavam tantos elogios.

Cabe ao Botafogo seguir trabalhando, conquistando pontos e dando resposta dentro de campo até obter o acesso. Afinal, nada melhor que contrariar previsões pessimistas.

Twitter admite que algoritmo favorece postagens da direita

O Twitter divulgou nesta sexta-feira (22/10) os primeiros resultados de uma pesquisa interna realizada em sete países (Alemanha, Canadá, França, Japão, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos) que apontou que o algoritmo da rede social impulsiona mais postagens feitas por políticos e organizações de direita do que os de esquerda.

“Analisamos milhões de tuítes de pessoas eleitas nesses países entre 1º de abril e 15 de agosto de 2020. Os analistas usaram esses dados para verificar quais tuítes foram amplificados no fluxo das notícias quando é escolhido o feed que mostra o algoritmo em relação ao cronológico”, diz o estudo.

A pesquisa comparou duas maneiras pelas quais um usuário pode visualizar sua linha do tempo na plataforma: a primeira usa um algoritmo para fornecer uma visão personalizada dos tuítes nos quais o usuário pode estar interessado, com base nas contas com as quais ele mais interage e em outros fatores; a segunda é a linha do tempo mais “tradicional”, em que o usuário lê as postagens mais recentes em ordem cronológica inversa.

O estudo comparou os dois tipos de cronograma, considerando se alguns políticos, partidos políticos ou veículos de notícias eram mais ampliados do que outros. O estudo analisou milhões de tuítes de autoridades eleitas entre 1º de abril e 15 de agosto de 2020 e centenas de milhões de tuítes de organizações de notícias, principalmente nos Estados Unidos, no mesmo período.

O único país analisado em que o resultado não foi constatado foi na Alemanha. Nos outros seis, “os tuítes das contas da direita política receberam uma amplificação algorítmica maior do que da esquerda, se estudados como grupos”, ressalta a rede social.

Nesta base, a maior discrepância entre direita e esquerda estava no Canadá (liberais 43%; conservadores 167%), seguido pelo Reino Unido (trabalhista 112%; conservadores 176%). Mesmo excluindo altos funcionários do governo, os resultados foram semelhantes, disse o documento.

Segundo a plataforma, essa amplificação não “é problemática em si”, mas não se sabe ainda “o que causou esse desequilíbrio”. 

“A amplificação algorítmica não é problemática por padrão – todos os algoritmos amplificam. A amplificação algorítmica é problemática se houver tratamento preferencial em função de como o algoritmo é construído em relação às interações que as pessoas têm com ele”, afirmam Rumman Chowdhury, diretor de engenharia de software do Twitter, e Luca Belli, pesquisador do Twitter. 

Além disso, o Twitter diz que o código não dá impulso ao que o usuário informou não querer ver. Caso contrário, isso seria um problema na construção do algoritmo em si. Agora, os profissionais também vão fazer parcerias externas para tentar entender o que causa esse comportamento preferencial. 

A plataforma também disse que disponibilizaria sua pesquisa para terceiros, mas disse que as preocupações com a privacidade a impedem de disponibilizar os “dados brutos”.