Papão fica no 0 a 0 com o Botafogo e sai de campo vaiado pela torcida

Paysandu x Botafogo-PB, pela Série C

O jogo foi tecnicamente fraco, com poucos lances agudos e muitos erros de passe, principalmente por parte do PSC. No fim das contas, o placar de 0 a 0 fez justiça à produção das duas equipes, embora o Botafogo-PB tenha sido mais desenvolto nas jogadas ofensivas, tendo tido uma grande chance no primeiro tempo (cobrança de falta de Tsunami e rebote aproveitado por Clayton) e um gol de Welthon anulado, por impedimento, na etapa final.

Com a presença de mais de 3 mil torcedores na Curuzu, o PSC iniciou a partida de forma decepcionante, errando cruzamentos e chutes, sem oferecer perigo ao visitante. Do lado botafoguense, o time saía ao ataque organizadamente, ameaçando com jogadas de infiltração pelos lados.

Paysandu x Botafogo-PB

No começo da etapa final, o PSC deu a impressão de que iria pressionar em busca do gol. Conseguiu fazer bons ataques, principalmente com Diego Matos e Danrlei, mas a melhor chance veio em cabeceio de Denilson, defendido por Felipe. Os minutos foram passando, o técnico Roberto Fonseca demorou a fazer substituições e o time voltou ao ritmo errático da primeira etapa.

Ainda sofreu o gol aos 25 minutos, mas o lance foi anulado após revisão do VAR. O atacante Welthon estava ligeiramente à frente da linha de defesa do PSC. O próprio Welthon teve grande oportunidade para marcar, mas bateu à esquerda da trave bicolor.

O resultado frustrou a torcida, que vaiou o time e o técnico, chamado de “burro” ainda durante o segundo tempo. No próximo sábado, o PSC enfrenta o Ituano em Itu-SP pela terceira rodada do quadrangular da Série C. Precisa vencer para continuar com chances de classificação.

O passado é uma parada

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Roberval Davino, técnico campeão do Brasileiro da Série C pelo Remo em 2005, aparece nesta foto de 1976 como jogador do CRB. Escalação (de pé): Cesar, Valdir Espinosa, Alex, Pires, Major e Flávio; agachados: Roberval, Gilmar, Antonio Carlos, Dejair e Silva. Naquele ano, o CRB foi campeão alagoano e 12º colocado no Campeonato Nacional.

Força atemporal imortaliza obra de Renato Russo

Atemporalidade da obra de Renato Russo confere imortalidade a compositor que versou sobre 'a grande fúria do mundo'

Por Mauro Ferreira, no G1

Se o maior atestado da perenidade da obra de um compositor é a permanência das canções desse artista na memória popular, vale recorrer ao clichê para afirmar que Renato Russo vive. Morto há exatos 25 anos, Renato Manfredini Junior (27 de março de 1960 – 11 de outubro de 1996) saiu precocemente de cena com 36 anos de vida e 18 de carreira.

Foi tempo curto demais diante da dimensão do talento do artista, mas tempo suficiente para a construção de obra que conferiu imortalidade a esse cantor e compositor de origem carioca e vivência brasiliense que entrou em cena em 1978, primeiramente como integrante da banda punk Aborto Elétrico.

A propósito, é impressionante a atualidade de uma das composições seminais do cancioneiro de Renato Russo, Que país é este?, música composta em 1978 para o grupo Aborto Elétrico, revivida em shows da Legião Urbana – a banda posterior que, fundada por Russo em 1982, catapultou o artista ao estrelato nacional – e somente gravada em disco em 1987, como música-título de álbum improvisado pela Legião para solucionar impasse criativo.

Além de captar as turbulências da alma humana, Renato Russo soube radiografar momentos sociais e políticos do Brasil. Apresentada no primeiro álbum da Legião Urbana, Geração coca-cola é impiedoso retrato geracional da juventude dos anos 1980. Ele próprio um filho da revolução, Russo se assumiu burguês e fez da obra uma religião particular que angariou devotos Brasil afora.

Se esse cancioneiro continua sendo objeto de culto, a ponto de ainda gerar documentário sobre o artista (a partir do acervo pessoal administrado pelo herdeiro do artista), filmes roteirizados a partir de letras de músicas (o próximo, Eduardo e Mônica, estreia em 2022) e shows (consta que Seu Jorge irá abordar o repertório de Renato em cena), é porque tal cancioneiro tem força atemporal.

Quem um dia irá dizer que não existe razão em tantas canções filosóficas e românticas que pregaram ética nos relacionamentos amorosos, ocupando progressivamente na obra do compositor o lugar de músicas que versavam sobre questões públicas?

Não é à toa que, a partir do quarto álbum da Legião Urbana, As quatro estações (1989), o culto a Renato Russo adquiriu proporções quase messiânicas. Sem menosprezar a contribuição de Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá (parceiros de Renato na criação de muitas músicas da banda), o grande pensador da Legião Urbana foi Renato Russo, catalisador das atenções.

Russo tinha habilidade para radiografar anseios e estados nublados da alma, como fez em Tempo perdido (1986), hit smithiano do segundo álbum da banda, Dois (1986), disco que alçou a obra de Russo a um patamar mais alto com músicas como Índios (1986) e Quase sem querer (1986), canção desde então sempre regravada e creditada também a Dado Villa-Lobos e ao baixista Renato Rocha (1961 – 2015).

Mudaram as estações, a indústria da música e a forma como canções são produzidas e ouvidas. Mas permanece intacto o poder de sedução de melancólica canção introspectiva como Por enquanto (1985), cuja letra pode ser entendida tanto como a exposição do fim de um relacionamento afetivo quanto como a dissolução de um ideal coletivo.

Vento no litoral (1991), tristíssima canção do álbum V (1991), é outro exemplo de salutar ambiguidade que somente reforça o valor da música. Os versos depressivos podem retratar tanto o fim de um amor como o de forte amizade – e foi sob o prisma da fraternidade entre amigos que a música inspirou peça de grande empatia, Aonde está você agora?, escrita em 1994 pela dramaturga Regiana Antonini.

Em suma, Renato Russo vive porque deixou obra pautada pela atemporalidade, embebida em sentimentos universais e emoções reais.

Se Perfeição (1993) ainda é a trilha sonora ideal para apontar a estupidez coletiva de parte da nação, Pais e filhos (1989) é canção que tem atravessado dimensões e fronteiras ao retratar relações familiares abaladas pela grande fúria que move o mundo e o ser humano à procura de amor e paz.

Renato Russo pode não ter explicado essa “grande fúria do mundo”, mas deixou pistas preciosas em letras que resistem sem música, mas que, a reboque de melodias, vem sendo a trilha sonora de sucessivas gerações. Até porque, em qualquer época, sempre haverá jovens perdidos no próprio tempo.

Governo do Pará garante absorventes a mulheres em situação de vulnerabilidade

O governador Helder Barbalho informou, por meio das redes sociais, que o Governo do Pará vai distribuir absorventes às mulheres paraenses de baixa renda. Na manhã desta segunda-feira (11), Helder publicou em seu Twitter que a distribuição gratuita vai priorizar mulheres em situação de vulnerabilidade e estudantes da rede pública.

Enquanto isso, o presidente Jair Bolsonaro voltou a falar ontem sobre o veto à distribuição gratuita de absorventes higiênicos para mulheres em situação de vulnerabilidade. No litoral paulista, onde passou o feriado, ele alegou que o projeto não tem “fonte de receita”. “Se o Congresso derrubar o veto do absorvente, vou tirar dinheiro da saúde e da educação. Tem que tirar de algum lugar”, ameaçou.

A vitória como prioridade

POR GERSON NOGUEIRA

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O Grupo C está embolado, todos ainda têm chances de acesso. Diante disso, o PSC precisa conquistar a liderança, ou se posicionar em segundo lugar. Para tanto, é obrigatório que passe pelo Botafogo paraibano hoje na Curuzu. A situação do visitante é pior ainda, pois perdeu em casa (para o Ituano) na primeira rodada.

Para os bicolores, que conseguiram um empate contra o Criciúma, não pode haver hesitação. A prioridade absoluta é vencer, o que nem sempre é tarefa simples, ainda mais em competição de forte equilíbrio.

A vantagem para a equipe de Roberto Fonseca é que, pela primeira vez após um ano e meio, a torcida estará presente. A Curuzu vai receber a Fiel, ansiosa por acompanhar e empurrar o time. Serão cerca de cinco mil torcedores, quantidade suficiente para fazer um barulho bom.

Em campo, o Papão vem evoluindo a cada jogo desde que se classificou com a vitória sobre o Altos-PI. Desde então, foram dois jogos (Manaus e Criciúma) bem encaixados, taticamente corretos.

Fonseca já tem um time formatado, com poucas variações. A defesa está mais confiável com Perema-Denilson, as laterais têm Leandro e Diego Matos. No meio, que já foi motivo de muita dor de cabeça, a entrada de José Aldo arrumou as coisas. Os volantes devem ser Marino e Paulo Roberto.

Na linha de ataque, Marlon e Rildo são os titulares. O centro fica entre Danrlei e Rafael Grampola. O técnico manifesta ainda ter dúvida, mas é improvável que desafie a torcida escalando o lento Grampola e deixe o baionense Danrlei no banco. Outra vantagem do retorno do torcedor aos estádios. Técnicos marrentos passam a ter freio.

O Botafogo venceu os dois jogos contra o PSC nesta Série C, mas parece ter perdido parte de sua força ao longo da disputa. De toda sorte, é um adversário sempre tinhoso, que sabe jogar como visitante.

De técnico novo, Tigre vence e ensaia se agigantar

A vitória do Criciúma sobre o Ituano, 2 a 0, ontem, embolou um pouco o Grupo C, recolocando o Tigre catarinense na briga pelo acesso após o empate em casa diante do PSC. A troca de técnico (Paulo Baier por Claudio Tencati) fez bem à equipe, que surpreendeu o Ituano de Mazola Jr.

O equilíbrio predominou na partida. As equipes erraram muito. O Criciúma começou melhor e fez o primeiro em passe de Silvinho para Claudinho. Depois, quando o Ituano estava melhor, outra boa assistência de Silvinho deixou Dudu Vieira livre para finalizar.

O Criciúma assume a liderança, seguido pelo Ituano, mas pode ser alcançado pelo PSC. Curiosamente, as duas vitórias no grupo foram conquistadas por visitantes. O Papão que se acautele.

E a CBF confirmou dias e horários dos jogos do “returno” da segunda fase. PSC x Ituano será no dia 23/10, sábado, às 17h (domingo, às 18h). Finalmente, PSC x Criciúma será a 7 de novembro, domingo, às 18h.

Mais 90 minutos de pura inutilidade e tédio

Neymar errou 15 passes no jogo contra a Colômbia pelas Eliminatórias. Ele nunca havia errado tanto em um jogo pelo torneio. Confuso, tentando dribles impossíveis, confirmou a fase técnica ruim. A má atuação do camisa 10 se espraiou pelo time brasileiro, que pouco incomodou a zaga colombiana durante o jogo tedioso.

No primeiro tempo, a melhor chance foi também o único bom momento de Neymar. Ele tocou para Paquetá, que errou a finalização. Fred, uma invenção de Tite, perdeu outra chance.  Apesar do empate, a Seleção segue absoluta na liderança das Eliminatórias.

O segundo tempo foi ainda mais sonolento. Uma Seleção pouco inspirada, desinteressada e que não apresenta soluções quando se vê obrigada a superar linhas de marcação. Tite tirou Gabigol, botou o rápido Rafinha, mas não houve melhora.

A Colômbia então começou a assumir o controle das ações, criou algumas jogadas pelos lados, mas sem levar perigo suficiente. O Brasil de Tite está sem repertório e seus problemas vão além de Neymar. Não há meio-campo criativo, a insistência com Paquetá é outro delírio. A Copa está chegando e, desta vez, a Seleção não vai chegar como favorita. O que pode ser bom.

No clássico Argentina x Uruguai, a confirmação de que os argentinos estão jogando melhor, apesar de distantes do Brasil na pontuação. Messi tem com quem variar jogadas, por isso os gols saem naturalmente.

Alvinegro praiano mostra como se faz

Barrar um contumaz negacionista, que alega (com orgulho!) não ter se vacinado, foi o golaço da rodada no combate à pandemia neste fim de semana. Ponto para o Santos, que teve a coragem de impedir o abuso aos protocolos sanitários, vetando a entrada do indisciplinado presidente do Brasil, que diariamente descumpre regras e faz apologia do “liberou geral” mesmo após 600 mil vidas perdidas para a covid-19 no país.

Talvez por isso mesmo os deuses ajudaram e, em campo, o Peixe venceu o Grêmio no finalzinho, com gol chorado. Detalhe: foi o próprio Bolsonaro que revelou ter sido barrado na Vila Belmiro.

(Coluna publicada no Bola, edição desta segunda-feira, 11)