Círio 2021: imagem de Nazaré sobrevoa hospitais e povo caminha em romaria pelas ruas do centro

Imagem

Pelo segundo ano consecutivo, em função dos protocolos sanitários, o Círio de Nazaré aconteceu de forma diferente, sem a tradicional procissão pelas ruas de Belém, na manhã deste domingo, 10. Uma aeronave do Governo do Estado fez o traslado aéreo da imagem de Nossa Senhora de Nazaré, sobrevoando os principais hospitais da Região Metropolitana, além do trajeto do Círio, em homenagem aos profissionais de saúde e aos pacientes da covid-19.

Após a missa na Catedral Metropolitana, presidida pelo bispo auxiliar, D. Antônio de Assis Ribeiro, a imagem foi conduzida em carro oficial pelo entorno da praça Frei Caetano Brandão até o píer da Casa das Onze Janelas, onde foi colocada na aeronave. Ao mesmo tempo, milhares de pessoas caminharam da Sé até a Basílica entoando hinos e rezando, reproduzindo o trajeto habitual do Círio.

Para o copiloto do helicóptero, tenente coronel BM Paulo César, que também esteve na aeronave no ano anterior, o desafio deste ano esteve em aprimorar o que foi desempenhado em 2020. “O processo do Círio começou meses atrás e está culminando hoje para que todas as coisas aconteçam sem incidentes e da melhor forma possível. É sempre uma grata bênção que a gente recebe da Virgem Santa por estar nesse momento servindo a sociedade que pede por esta festa”, disse.

Após o embarque, por volta de 10h, a imagem, conduzida pelo padre barnabita e pároco de Nazaré, padre Francisco Cavalcante, iniciou o primeiro sobrevoo aos hospitais com chuva de pétalas de rosas. A rota incluiu 15 instituições, entre as quais, o hospital da Marinha, Ordem Terceira, hospital do Exército, Santa Casa de Misericórdia, Pronto Socorro da 14 de Março, Beneficente Portuguesa, hospital Amazônia, Ophir Loyola, hospital da Unimed, Pronto Socorro do Guamá, hospital Saúde da Mulher, Porto Dias, HABE, Metropolitano e, por fim, Aberlado Santos.

Encerramento

Por volta de meio-dia, a imagem desembarcou no estacionamento da Casa de Plácido e foi conduzida pelo governador Helder Barbalho até a Basílica de Nossa Senhora de Nazaré para a missa de encerramento do Círio, presidida pelo bispo auxiliar, D. Antônio de Assis Ribeiro. (Com informações da Agência Pará; fotos: Pedro Guerreiro)

Show de grande porte realizado em Belém não teve autorização da Secretaria de Saúde

A Agência Belém de Notícias, da Prefeitura de Belém, informou que um show de grande porte e que envolveu grande quantidade de pessoas, promovido na capital na última sexta-feira, 8, não foi comunicado nem autorizado pelas autoridades sanitárias municipais. Todas as providências legais cabíveis estão sendo adotadas para que os promotores do evento sejam responsabilizados pelo descumprimento das normas sanitárias da capital.

A Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) apresentou uma série de recomendações, levando em consideração o bandeiramento verde para a região Metropolitana I, onde Belém está inserida, e a alteração dos parâmetros para a liberação de eventos, conforme o decreto n°800 do Governo do Estado.

“Dentre as orientações da Sesma, que constam da Nota Informativa n°48, divulgada ainda no mês de setembro e que merecem destaque, está a lotação de 20% de público, considerando a capacidade total do local,  além da apresentação da carteira de vacinação com o esquema vacinal completo com as duas doses da vacina. Fora isso, todas as medidas protetivas como uso de máscaras devem ser respeitados”.

A Internacional da Perversão

Os fascistas do século XXI devem ser denunciados, desacreditados e combatidos em todas as frentes, sem a menor hesitação

(EFE)

Por Julio A. Muriente Pérez, na Carta Maior

Porque é a natureza do imperialismo que bestializa os homens, que os transforma em feras sanguinárias que estão prontas para massacrar, assassinar, destruir até a última imagem de um revolucionário, de um apoiador de um regime que caia sob sua bota ou que lute por sua liberdade. E lembremo-nos sempre de que não se pode confiar no imperialismo, nem um tantinho assim. (Ernesto Che Guevara)

O que têm em comum Jeanine Añez, Marine Le Pen, Santiago Abascal / Vox, Donald Trump, Mario Vargas Llosa, María Corina Machado, Leopoldo López, Álvaro Uribe, Isabel Díaz Ayuso, José María Aznar, os chefes do PAN do México, Nayib Bukele, Jair Bolsonaro, Mauricio Macri, Príncipe Mohamed bin Salman, Alberto e Keiko Fujimori, Sebastián Piñera, Benjamin Netanyahu, Iván Duque e outros personagens de mesma notoriedade e de diferente latitudes?

Eles se distinguem por graus acadêmicos de universidades de prestígio, prêmios Nobel, presidências, vidas ricas e altaneiras, contas bancárias volumosas, aristocracia fulgurante; uma representação primorosa de gente culta, iluminada e chique, vaidosa, eloquente e glamorosa, extremamente religiosa, elegante e bem alimentada, que monopoliza as capas da mídia planetária, assim como o mundo do espetáculo da grande política; na revista Hola ou na CNN; no El País, Le Monde ou The New York Times. Um ou outro figura em uma empresa offshore no Panamá ou nas Ilhas Virgens Britânicas.

crème de la crème, o melhor da civilização ocidental

Mas não é tanta a ternura; nem a limpeza; nem a inocência. Escondidos atrás dessa fachada incólume está sua verdadeira condição de golpistas, agentes repressores e torturadores, promotores de discriminação racial, cultural, étnica e nacional, furiosos anticomunistas para quem o melhor comunista ou lutador social é aquele que está morto, amigos e amigas da guerra – eles continuam a promover “as guerras justas” da civilização contra a barbárie – e a destruição do meio ambiente, inimigos da perspectiva de gênero e do aborto, genocidas gozosos, escrivães da violência e agressão, chauvinistas insuportáveis, manipuladores inescrupulosos, extremistas confessos e arrogantes que acreditam seriamente que podem dispor do planeta à vontade e com total impunidade, revivificadores de um discurso sombrio, de algumas ideias perversas que têm custado terrível sofrimento e morte à humanidade.

Gente má

Essas são algumas das cabeças visíveis do fascismo do século 21. Algumas vezes tiveram o pudor de ajustar suas ideias e intenções retrógradas. Agora que dizem que se sentem ameaçados pelos povos em luta, lançam-se para impor a sua vontade. Só falta colocarem a faixa com a suástica no ombro. E nem isso. Impunidade e concertação; nada de improvisação; nenhuma casualidade. Cálculo e premeditação. Uma mistura contraditória inegável de furtividade, torpeza e intolerância os distingue, vítimas de sua soberba, que os delata. Assim são eles.

Não é por acaso que o aristocrata Vargas Llosa arremeta contra a Venezuela em seus infames artigos ou contra o presidente Pedro Castillo – do Peru, um país que ele renegou por muito tempo e, agora, se tornou um aliado oportunista do genocida e corrupto Fujimori -, ao mesmo tempo que o indesejável Bolsonaro entrega a selva amazônica à dilapidação ecocida ou promove tambores de golpe e matanças em toda parte.

Não é por acaso que enquanto o belicista Trump ameaça todo o planeta e turve a democracia representativa, o fascista Piñera, o genocida Duque e Uribe e o golpista Añez lhe fazem coro entusiasmado. Enquanto o príncipe Mohamed bin Salman mata jornalistas e dissidentes, Netanyahu massacra palestinos.

Não é por coincidência que enquanto o detestável José María Aznar enche a boca de insolências contra o presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador – Mas você, como se chama? … – o fascista do Vox, Santiago Avascal, se reúne com parte da liderança do PAN para anunciar em grande estilo a assinatura conjunta da chamada Carta de Madrid, uma proclamação solene contra o avanço do comunismo na Iberoesfera, em defesa da liberdade, da democracia e da propriedade privada.

Não foi por acaso que enquanto em Nossa América há uma reivindicação esperançosa e essencialmente justa da população originária maltratada e violada por cinco séculos, a fascista Isabel Díaz Ayuso ousa dizer, com aversão transbordante, que o novo comunismo se chama indigenismo … obcecada como outros de sua laia para justificar o genocídio que começou em 1492 na América. Díaz Ayuso e Abascal, os mesmos que tomaram em seu seio os terroristas confessos María Corina Machado e Leopoldo López, e que continuam a acreditar, junto com outros em seu país de origem, que têm direitos de propriedade sobre a América conquistada a sangue e fogo e que – parece que se esqueceram – eles perderam a sangue e fogo. Que a Espanha só trouxe liberdade, prosperidade, paz, compreensão à América Latina, ousou dizer o presidente da Comunidade de Madrid, com manifesta insolência.

Não é fruto do acaso que enquanto na Europa a extrema direita apoia espaços para o retorno do fascismo com personagens como Le Pen, em El Salvador um tonto ditador como Bukele goze de impunidade imperial para satisfazer sua vontade como uma criança mimada e na Argentina a direita neoliberal e entreguista de Macri esteja afiando as facas, confiante na volta ao poder.

Tais e quais

Nós os encontramos em muitos lugares do planeta, dando a falsa impressão de que estão dispersos ou agem de forma desarticulada. Mas existe um fio ideológico e político que os une. Por exemplo, seu anticomunismo patológico e doentio, na medida que, em sua ânsia de atacar implacavelmente aqueles que ousam erguer a bandeira da justiça e da mudança social, eles ressuscitaram os mortos que eles próprios afirmavam ter enterrado a muitos metros no subsolo, após o colapso da União Soviética e o desaparecimento do campo socialista do Leste Europeu. Acontece que os comunistas e o comunismo estão de volta, que, na realidade, nunca se foram, que agora adquirem o rosto de um indígena, de um camponês, de uma mulher, de um imigrante, de um negro, de um homossexual.

Eles são perigosos

Eles também se distinguem por sua intolerância, pelo manejo caprichoso do parlamentarismo, pela manipulação e adulteração da história, pela defesa visceral do neoliberalismo e da desigualdade de classe e por um fundamentalismo existencial ferrenho. Eles adoram a propriedade privada e detestam qualquer alusão à igualdade. Não seria exagero, muito menos injusto e talvez mantendo algumas distâncias, atribuir-lhes importantes coincidências com a mentalidade do Talibã afegão.

Astutos como são, alguns e algumas renovaram o mesmo discurso populista outrora usado pelos nacional-socialistas e Adolf Hitler. Eles querem se apresentar como os grandes defensores dos interesses dos povos; como os mocinhos que se organizam para enfrentar o diabo comunista.

Eles têm poder econômico e midiático, militar e político; e são graves contra aqueles de nós que têm a audácia de insuflar nova vida às lutas pela liberdade e justiça social. Eles estão contra a Venezuela e contra Cuba, contra a Nicarágua e contra a Bolívia, contra o Foro de São Paulo e contra tudo que cheire a democracia e justiça social.

Eles são a Internacional da Perversão

Não se trata de um grupo de nostálgicos, como aqueles que aparecem em alguns filmes do pós-guerra. Estão fincados no presente, ansiosos porque não termina a imposição da sonhada unipolaridade do capitalismo mais cruel; intrigados porque os povos seguem a lutar e não se resignam; desesperados porque aquele fantasma continua a viajar, não só pela Europa, mas por todo o planeta.

Eles conspiram, organizam, financiam, manipulam. Todos os dias os ouvimos, os vemos ou lemos, lançando diatribes estridentes, insultos, ameaças e avisando que se preparam para impedir a todo o custo o avanço das lutas populares. São – descrição evocativa – voltados para o sol, como aquela canção fascista que, lembra Luciano G. Egido, “… acompanhava as execuções em massa, nas valas da guerra civil, na Espanha de Franco, que tentaram extirpar a hidra democrática e que, mais tarde, animaria os espancamentos e o óleo de rícino da repressão permanente ”.

É, com efeito, o fascismo do século 21. O rosto elegante do imperialismo dos nossos tempos.

Não basta dizer nunca mais. É errado pensar que aquele pesadelo passou e não vai voltar. A partir de 2021, as grandes contradições entre as minorias que controlam e desfrutam da riqueza e as maiorias que enfrentam e sofrem a pobreza e a injustiça social não só não diminuíram, como se aprofundaram. Essas minorias e seus aliados não têm intenção de desistir. O extremismo esclarecido dos fascistas modernos é sua ponta de lança, a mais eloquente, irreverente e escandalosa.

Que ninguém pense que, porque Deus assim o determinou, o bem triunfará sobre o mal, a justiça sobre a injustiça, ou o bem sobre o mal. Não há milagre que valha. Não há espaço para a justiça do destino. Todas as cartas estão na mesa. Ou lutamos e vencemos, ou assumimos a responsabilidade que a História nos exige, ou nos resignamo às terríveis consequências que já não nos são estranhas.

Os fascistas do século XXI devem ser denunciados, desacreditados e combatidos em todas as frentes, sem a menor hesitação. Sem que trema nosso pulso. À Internacional da Perversão deve ser anteposta a Internacional da Solidariedade, Internacionalismo e a luta tenaz e incansável em defesa de nossos povos e de todos os povos. Isso é certo, necessário e urgente na Nossa América e em toda a América, na Europa e na Ásia e na África, na Oceania e até na Lua.

Que saibam esses bandidos e bandidas e aqueles que lhes ajudam: não nos sentiremos tranquilos e tranquilas até que os apaguemos do planeta. Só então, mesmo que isso exija um grande esforço, a humanidade de hoje e de amanhã terá a segurança de poder construir a verdadeira liberdade e a felicidade.

Julio A. Muriente Pérez é Professor da Universidade de Porto Rico, Secretário de Comunicação e Propaganda do Movimento de Independência Nacional Hostosiano de Porto Rico e membro do Comitê Executivo e Diretoria Nacional

Jornal inglês cita 4 brasileiros na lista de 60 maiores talentos da geração 2004

Ângelo, Matheus Nascimento, Savinho e Tobias são os destaques brasileiros da geração 2004 - Divulgação Santos, Vitor Silva, Pedro Souza e Ricardo Duarte

Brasil, celeiro de jovens promissores no futebol, emplacou quatro jogadores na lista dos 60 maiores talentos da modalidade com nascimento no ano de 2004. O jornal inglês The Guardian, responsável pela eleição, citou o ponta-direita santista Ângelo, o atacante atleticano Sávio, o centroavante botafoguense Matheus Nascimento e o lateral direito do Internacional Vinícius Tobias — vendido ao Shakhtar Donetsk (UCR) — como os representantes brasileiros do guia.

Sobre Ângelo, do Santos, o jornal destaca o “poder de fogo” do atacante, o mais jovem jogador a marcar gol em uma edição de Copa Libertadores — aos 16 anos, quatro meses e 16 dias —, quebrando recorde que durava desde 1962. O tento foi assinalado contra o San Lorenzo (ARG) na partida de ida da terceira fase da Libertadores de 2021.

A melhor maneira de explicar o quão bom Ângelo é provavelmente através de estatísticas e registros. É o mais jovem da história a marcar gol na Copa Libertadores, aos 16 anos, quatro meses e 16 dias, quebrando um recorde que era conquistado por Juan Carlos Cardena desde 1962 (…) Aos 15 anos, 10 meses e quatro dias, ele também se tornou o segundo jogador mais jovem a fazer sua estreia no Santos, batendo até mesmo o rei Pelé”, destacou a publicação.

O The Guardian ainda cita que o Santos é uma fábrica de estrelas, mencionando carreiras como a de Neymar, Robinho e Rodrygo, vendido pelo Peixe ao Real Madrid (ESP) em 2018 — cuja transferência ocorreu em 2019 por questões de idade. “Seu estilo é parecido com o de Rodrygo, mistura técnica e grande potência no drible”, completou o The Guardian.

Matheus Nascimento, do Botafogo, foi citado pela publicação como “Pequeno Cavani”, pelo estilo de jogo e os cabelos longos.

“Ele é o atacante mais promissor há anos em um país que teve problemas no ataque nas últimas duas Copas do Mundo. Está no Botafogo desde 2015, quando chamou a atenção dos treinadores do clube que viram seu potencial”, publicou o Guardian.

Sobre Sávio, do Atlético-MG, o jornal inglês aponta que ele é um dos jovens mais hábeis da geração. O próprio jogador, em entrevista publicada pelo Guardian, citou que seu ídolo é Ronaldinho Gaúcho, campeão da Libertadores com o Galo, em 2013.

“Savinho tem a alegria do futebol dentro de si e tem os movimentos do futebol brasileiro (…) e fez sua estreia profissional em setembro de 2020 com 16 anos, cinco meses e dias, quebrando o recorde de Reinaldo de ser o jogador mais jovem a jogar pelo clube no Brasileirão”, destacou.

Vinicius Tobias foi contratado pelo Shakhtar Donetsk após trabalho do olheiro Jos Boto. Na visão do observador, ele é um camisa 10 que atua na ala. A história de vida do garoto foi destacada no jornal inglês.

“Tem a história típica de um jogador de futebol brasileiro de origem pobre que via no esporte uma forma de ter uma vida melhor. Nascido em São Paulo e criado na Favela do Buraco Quente com cinco irmãos, não teve uma educação fácil”, publicou. (Do UOL)

Para os doidos, fracasso é sucesso

Morrem 600 mil pessoas numa epidemia que o monarca republicano chamou de “gripezinha“, e a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias ainda não se deu conta de que cloroquina é um medicamento ineficaz para a Covid

Por Elio Gaspari

Na sexta-feira completam-se 140 anos do dia em que Machado de Assis começou a publicar a história do médico Simão Bacamarte, “O alienista”. Ele era “o maior dos médicos do Brasil, de Portugal e das Espanhas. Estudara em Coimbra e Pádua”. Essa obra-prima está na rede. Lendo-a, recua-se no tempo e descobre-se que o doutor Bacamarte tinha suas razões. Bem que D. Pedro II avisaria, oito anos depois, na noite em que o embarcaram para o desterro: “Os senhores são uns doidos”.

Morrem 600 mil pessoas numa epidemia que o monarca republicano chamou de “gripezinha“, e a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias ainda não se deu conta de que cloroquina é um medicamento ineficaz para a Covid. Em dois anos, dois ministros da Saúde foram embora porque não queriam receitar a poção. Já o ministro da Tecnologia, um astronauta e coronel da reserva, garantiu, em abril de 2020, que pesquisadores do governo haviam descoberto um remédio contra o vírus. Não disse o nome, mas garantiu que ele estaria disponível em poucas semanas.

Os doidos estavam chegando, mas não se pode dizer que avançavam apenas sobre a saúde pública. Na semana passada, a Petrobras leiloou 92 blocos oceânicos e 87 encalharam por falta de interessados. Ninguém quis se meter com a exploração em áreas de proteção ambiental próximas à ilha de Fernando de Noronha e ao Atol das Rocas. O diretor da Agência Nacional de Petróleo veio à vitrine e anunciou: “O leilão foi um sucesso”. (No dia 1º de novembro começa em Glasgow, na Escócia, a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas.)

Machado de Assis conhecia os doidos de seu tempo. Nos Estados Unidos um grande empresário subornava servidores para sustentar que a condução da eletricidade por fios incendiaria cidades inteiras. No Brasil, os três homens mais ricos da terra, com três mil escravos, tinham um patrimônio equivalente a 10% do valor de todo o capital investido em ações e empresas. No Senado, um magano dizia que a escravidão era uma prova de caridade cristã, pois os senhores prestavam um grande serviço aos escravos.

Machado criou seu Simão Bacamarte, D. Pedro foi-se embora reclamando dos doidos. Ambos sabiam que, de tempos em tempos, os malucos dão as cartas.

A BBC via a ditadura pelo andar de baixo

Começa a chegar às livrarias a partir desta semana “Nossa correspondente informa — Notícias da ditadura brasileira na BBC de Londres: 1973-1985”, da jornalista Jan Rocha. É uma coleção de centenas de textos curtos que a repórter mandou para a emissora inglesa. O primeiro trata do lançamento da anticandidatura de Ulysses Guimarães à presidência da República. Era uma anticandidatura porque não tinha chance de vitória. A eleição seria indireta, e o presidente seria o general Ernesto Geisel. Um dos últimos textos, de 1985, conta o enterro de Tancredo Neves, eleito indiretamente numa ditadura que agonizava.

Em geral, os correspondentes estrangeiros olham muito para o andar de cima. Jan Rocha olhava quase sempre para o andar de baixo. Índios, fome, meio ambiente e, sobretudo, a repressão política. Tratava de assuntos que a censura proibia e da própria censura. Enquanto o “milagre brasileiro” encantava muita gente, a correspondente da BBC ouvia as queixas da Igreja Católica que, liderada pelo cardeal Arns, de São Paulo, opunha-se aos governos.

Os textos de Jan Rocha atravessam as dificuldades da política de abertura do governo Geisel. Em 1974, ela contou as prisões de professores paulistas, entre os quais esteve o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, chamado para um interrogatório. Anos depois, escreveu sobre a primeira greve de um movimento sindical supostamente domesticado. Lá estava a figura de Luiz Inácio Lula da Silva. Em 1985, Rocha registrou a saída de João Batista Figueiredo, o último general do ciclo.

Ele deixou o Palácio do Planalto por uma porta lateral.

É boa leitura para quem quer saber da época e volume valioso para pesquisadores que queiram ver além da névoa da censura.

Tunga de livreiros voltou ao ar

Renasceu das cinzas uma ideia que pareceu enterrada durante o governo Temer. É o tabelamento dos livros à francesa. Se vingar, nenhuma livraria, física ou eletrônica, poderá dar descontos superiores a 10% do preço de capa durante o primeiro ano de circulação de um livro. Lei parecida existe na França há 40 anos.

Quando essa girafa surgiu, Jeff Bezos era um garoto a caminho da universidade de Princeton. De lá para cá, do nada, ele criou a Amazon e se tornou um dos homens mais ricos do mundo. Começou vendendo livros a US 9,99 (hoje custam cerca de US$ 15). Seu negócio é dar desconto, em tudo. Não há no mundo quem tenha reclamado por ter comprado uma coisa barata na Amazon ou em qualquer outro lugar. Desde que surgiu o Estado, apareceram tabelamentos para impedir que se cobre a mais. Nesse caso, querem tabelar para impedir que se cobre a menos.

O mercado editorial brasileiro melhorou durante a pandemia. Quando ele esteve no apogeu, algumas editoras brasileiras imprimiam seu livro na China, onde a mão de obra era barata. Desde então, grandes redes de livrarias quebraram porque se meteram numa ciranda de vendas consignadas. Problema de quem micou, dando-lhes crédito.

O projeto da tunga no preço do livro dorme no Senado. O tabelamento de um produto para impedir que os consumidores paguem menos é a joia que falta ao mandarinato liberal de Paulo Guedes.

Recordar é viver

Hostilidade da infantaria petista não começou com a vaia a Ciro Gomes na Avenida Paulista.

Em 1984, o PT queria iniciar sozinho sua campanha pelas eleições diretas, mas o comício que organizou ficou fraco. Pouco depois, o governador paulista Franco Montoro começou a montar o comício na Praça da Sé.

Todo mundo sabia que seria um sucesso, mas, para não ser vaiado pela infantaria petista, Montoro chegou ao palanque com Lula. Quem costurou a cena foi o advogado Márcio Thomaz Bastos.

Classificado

O feirão de imóveis da Viúva no Rio incluiu a casa que pertenceu ao general Osório, o grande comandante da cavalaria durante a Guerra do Paraguai. É uma construção térrea, com 13 janelões e bonitos azulejos. Fica na Rua Riachuelo, perto da Lapa, e é um bonito exemplar da arquitetura da época em que ela se chamava Matacavalos.

Quem comprar o casarão ficará com um pedaço da história do Brasil no seu patrimônio.

Tem gato na tuba

A ruína da marca da Prevent Senior provocou um estranho movimento no mercado de operadoras de planos de saúde.

Começou uma satanização das empresas verticalizadas, que operam com plantéis médicos, hospitais e laboratórios próprios, controlam seus custos e cobram menos.

Tem gato nessa tuba, pois as malfeitorias cometidas pelo Executivo, pelas agências reguladoras e pelas operadoras verticalizadas ou não, foram coisa de malfeitores, nada a ver com os seus modelos.

Fogão embala e se isola com a melhor campanha do returno da Série B

Jogadores do Botafogo comemoram vitória por 2 a 0 sobre o CRB no estádio Nilton Santos - Twitter do Botafogo

Sete vitórias, um empate, apenas duas derrotas e aproveitamento de 73,3%. Esta é a campanha fulminante do Botafogo no returno da Série B do Campeonato Brasileiro que fez o clube alvinegro saltar do meio da tabela para a vice-liderança da competição. Com a vitória de ontem (8) sobre o CRB por 2 a 0, no estádio Nilton Santos (RJ), a equipe de General Severiano foi aos 22 pontos na segunda metade do Brasileirão, superando, inclusive, o líder Coritiba.

Agora, na pontuação geral, o Botafogo tem 51 pontos contra 50 do terceiro colocado Avaí e contra 48 do quarto Goiás. Na “conta padrão” de acesso, o clube precisa fazer 64 pontos. Ou seja, mais 13 pontos em 27 ainda a disputar. Apesar do embalo na competição, o lateral esquerdo Carlinhos – autor do segundo gol de ontem — preferiu adotar o discurso dos “pés no chão”.

“Era uma partida que sabíamos que seria muito difícil, de seis pontos [contra o CRB], mas fico feliz pela vitória, pelo gol e agora é manter os pés no chão”, declarou ao Premiere. Técnico da equipe, Enderson Moreira foi numa linha parecida e citou o trabalho psicológico que vem fazendo com o elenco alvinegro nesta reta final.

“Tento passar para os atletas um ambiente bom, saudável, de não se entusiasmar demais nas vitórias e de também não remoer demais as derrotas. Carregamos o peso de cada um da forma que tem de carregar”, declarou o treinador. Na próxima terça-feira (12) o Botafogo enfrenta o Cruzeiro, em Belo Horizonte (MG), pela 30ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro. (Do UOL)