Remo sai na frente, mas sofre virada em jogo na lama e com VAR “caseiro”

Edu Brusque

Em confronto realizado nesta sexta-feira, 15, no estádio Augusto Bauer, pela 30ª rodada da Série B, o Remo foi derrotado pelo Brusque por 3 a 1. O início da partida mostrou um Remo agressivo, buscando o gol e tentando superar as dificuldades geradas pelo gramado enlameado. Aos 12 minutos, em cruzamento de Lucas Tocantins, Pingo apareceu entre os zagueiros para cabecear e abrir o placar. Depois do gol, a equipe recuou um pouco e aceitou a pressão do Brusque no jogo aéreo, mas ainda criou oportunidades com Tocantins e o próprio Pingo, grande destaque na articulação e nas ações de ataque.

Remo foi para o intervalo vencendo

Nos instantes finais do 1º tempo, Pingo sofreu uma entrada violenta de John Cley, foi retirado de maca e chorando muito. Felipe Conceição efetivou sua substituição por Anderson Uchoa, que não jogava há sete rodadas. Foi o começo da derrocada azulina em Brusque. Na retomada da partida, o time catarinense acuou o Remo em seu campo e pressionou até chegar ao empate, aos 10 minutos, em cabeceio do zagueiro Luizão. Três minutos depois, Tiago Alagoano decretou a virada em nova falha de marcação da zaga remista.

A reação do Brusque foi facilitada pela ausência de marcação à frente da zaga, onde Marlon e Kevem ficavam expostos o tempo todo aos ataques. Os laterais Tiago Ennes e Raimar também tinham problemas para conter os avanços do Brusque.

O Remo não conseguia se estabilizar, acusou o golpe e as mudanças na equipe não surtiram o efeito desejado. Jefferson substituiu Victor Andrade, que pouco produziu no jogo, e Neto Pessoa entrou na vaga de Artur. O Brusque saía em contra-ataques rápidos e perdeu chances seguidas com Edu e Garcez. Uma bola estourou na trave e o VAR assinalou um penal de Tiago Ennes, muito questionado pelos azulinos. Na cobrança, Edu chutou e o goleiro Tiago Coelho defendeu.

Aliás, Tiago foi o grande destaque do Remo no segundo tempo, defendendo vários chutes perigosos do Brusque. Não conseguiu evitar, porém, o terceiro gol, marcado pelo artilheiro Edu – 16 gols no campeonato – nos acréscimos, após falha clamorosa do setor de marcação azulino.

No penúltimo minuto de jogo, Jefferson sofreu pênalti cometido pelo goleiro Ruan Carneiro. No lance, Ruan se contundiu e foi substituído pelo atacante Edu, pois o Brusque já tinha feito as substituições. Felipe Gedoz, peça apagada na partida, foi cobrar e mandou nas mãos de Edu, mas no rebote Rafael Jansen (que havia substituído a Marlon) finalizou para as redes. O VAR, porém, mais uma vez interferiu e acusou invasão da área na cobrança da penalidade.

Aliás, o VAR teve ativa participação na marcha do placar e foi motivo de muitas reclamações por parte dos azulinos. Quando o jogo começou, veio o aviso de que o VAR estava impossibilitado de traçar a linha que demarca impedimentos. O primeiro gol do Brusque deixou muitas dúvidas, pois Luizão parecia adiantado, mas o árbitro de vídeo não se manifestou. No gol da virada, nova polêmica: a bola foi tocada com o braço por Garcez na disputa de bola com Kevem, mas o VAR não se manifestou para revisar. O penal marcado em favor do Brusque também teve contribuição do VAR, apontando toque de Tiago Ennes na área.

O Remo teve um gol de Lucas Tocantins anulado no início do 2º tempo, sem revisão do VAR, que iria interferir para anular o gol decorrente da penalidade sob alegação de invasão da área – a repetição do lance não foi exibida.

Com a derrota, o Remo completou quatro jogos sem vencer e caiu para a 12ª posição, com 38 pontos. Na próxima rodada, domingo (24), enfrenta a Ponte Preta no estádio Evandro Almeida, precisando vencer para afastar qualquer risco de aproximação dos clubes que estão na parte inferior da tabela.

Leão precisa acordar

POR GERSON NOGUEIRA

Treino do Remo — Foto: Samara Miranda/Ascom Remo

Com 38 pontos, em 12º lugar na classificação, o Remo enfrenta o Brusque hoje disposto a quebrar a sequência de três partidas sem vitória na Série B. O desafio é superar um adversário que corre risco de rebaixamento (16º colocado, com 32 pontos), tem três pontos perdidos por condenação (apologia ao racismo) e sofreu goleada na última rodada.

Para reencontrar a vitória, o Remo terá que ser objetivo e certeiro nas finalizações. Jogadas têm sido criadas, tanto em triangulações quanto em cruzamentos, mas os atacantes estão devendo – e muito. Nas últimas cinco partidas, o Remo marcou apenas dois gols, contra Sampaio e Náutico.

Diante do Vila Nova, o ataque finalizou 25 vezes, mas só chutou em direção ao gol em quatro tentativas. O adversário finalizou seis vezes, acertou quatro chutes e fez o gol.

Está mais ou menos claro que o modelo proposto por Felipe Conceição já foi testado e suficientemente aprovado, sendo responsável pela ascensão do time no campeonato, deixando uma posição vexatória para alcançar uma colocação intermediária e digna.

A dúvida é se, em algumas situações, o modelo não pode ser reciclado ou levemente alterado. É interessante a preferência por um ataque de mobilidade, inversão e trocas rápidas de passe, mas quando surge um jogador que sabe finalizar algo deveria ser repensado.

Neto Pessoa, que estreou por alguns minutos em Goiânia, mostrou desenvoltura e nas poucas vezes em que recebeu a bola deu bom tratamento a ela. Quase marcou num chute cruzado pelo alto e chutou da entrada da área para excelente defesa do goleiro. Num ataque que chuta tão mal, desperdiçar um bom finalizador é constitui pecado grave.

Fazendinha é a bola da vez no Papão

O PSC encara o confronto com o Ituano, amanhã, em Itu-SP, como uma decisão. Deve, aliás, encarar todos os jogos do quadrangular da Série C como autênticas finais. São partidas decisivas, que irão determinar o acesso à Série B 2022. Depois de dois empates, a necessidade de vitória pressiona os bicolores. Um empate não seria desastroso, mas uma derrota pode comprometer todo o projeto de subida.

Sem seu principal articulador, José Aldo, lesionado, o técnico Roberto Fonseca tem duas opções para o setor de meio-campo. Ruy e William Fazendinha. O ex-jogador do Castanhal vem pedindo passagem desde que foi contratado. A rigor, não teve chances ainda.

Na segunda-feira, contra o Botafogo, quando precisou substituir José Aldo, Fonseca deixou clara a sua preferência, optando por Ruy, que voltava de contusão. Fazendinha, porém, era a melhor alternativa àquela altura do jogo. Para amanhã, ele segue na condição de melhor substituto para José Aldo.

A questão é que a escolha, que a todos parece óbvia, cabe ao comandante, que é lento nas mexidas e teimoso na preferência por alguns jogadores.  

Micos absurdos que o futebol insiste em pagar

Jogadores e funcionários do Cruzeiro de braços cruzados, em greve por falta de pagamento de salários, e o presidente do clube se apresenta para dar palestra sobre gestão de futebol na Europa. Coisas de um clube que parece se acomodar com a Segunda Divisão. Coisas de uma casta de dirigentes que adora fazer pose enquanto a casa cai.

Lembrou até aquele slogan gaiato e inesquecível que a FPF mantinha até certo tempo atrás: “Ensinando o Brasil a fazer futebol”.

Onde há fumaça, geralmente tem mala também

A Rádio Itatiaia, de Belo Horizonte, deu o alerta. O Flamengo teria oferecido um agrado financeiro para a Chapecoense no duelo com o Atlético-MG, há duas rodadas. O objetivo óbvio seria tirar pontos do Galo na disputa direto pelo título da Série A.

A informação da rádio mineira revelou até o valor do suposto incentivo: entre R$ 400 mil a R$ 500 mil, sem a necessária apresentação de provas. O episódio ganhou repercussão e obrigou o Flamengo a se manifestar através de seu vice-presidente Rodrigo Dunshee.

O cartola soltou o verbo naquele estilo arrogante da atual gestão rubro-negra. Negou enfaticamente qualquer arranjo com a Chape e foi logo ameaçando processar a Itatiaia pela denúncia, sem esquecer de citar que o dono da emissora, Rubens Menin, também é grande colaborador do Galo.

A torcida brasileira espera, sem falsas esperanças, que tudo seja esclarecido, porque sabidamente ninguém é anjo nessa história. Afinal, a chamada “mala” vive à solta, zanzando por aí, dependendo do grau de interesse dos envolvidos e da conta bancária de cada um.

Como é difícil provar a sua existência, o esquema guarda semelhança com a velha máxima sobre as bruxas: “No creo en brujas, pero que las hay, las hay”.

(Coluna publicada na Bola, edição desta sexta-feira, 15)

Jornal francês mostra como os EUA usaram a Lava Jato para seus próprios fins

Do Conjur

O que começou como a “maior operação contra a corrupção do mundo” e degenerou no “maior escândalo judicial do planeta” na verdade não passou de uma estratégia bem-sucedida dos Estados Unidos para minar a autonomia geopolítica brasileira e acabar com a ameaça representada pelo crescimento de empresas que colocariam em risco seus próprios interesses.

A história foi resgatada em uma reportagem do jornal francês Le Monde deste sábado (10/4), assinada por Nicolas Bourcier e Gaspard Estrada, diretor-executivo do Observatório Político da América Latina e do Caribe (Opalc) da universidade Sciences Po de Paris.

Tudo começou em 2007, durante o governo de George W. Bush. As autoridades norte-americanas estavam incomodadas pela falta de cooperação dos diplomatas brasileiros com seu programa de combate ao terrorismo. O Itamaraty, na época, não estava disposto a embarcar na histeria dos EUA com o assunto.

Para contornar o desinteresse oficial, a embaixada dos EUA no Brasil passou a investir na tentativa de criar um grupo de experts locais, simpáticos aos seus interesses e dispostos a aprender seus métodos, “sem parecer peões” num jogo, segundo constava em um telegrama do embaixador Clifford Sobel a que o Le Monde teve acesso.

Assim, naquele ano, Sergio Moro foi convidado a participar de um encontro, financiado pelo departamento de estado dos EUA, seu órgão de relações exteriores. O convite foi aceito. Na ocasião, fez contato com diversos representantes do FBI, do Departament of Justice (DOJ) e do próprio Departamento de Estado dos EUA (equivalente ao Itamaraty).

Para aproveitar a dianteira obtida, os EUA foram além e criaram um posto de “conselheiro jurídico” na embaixada brasileira, que ficou a cargo de Karine Moreno-Taxman, especialista em combate à lavagem de dinheiro e ao terrorismo.

Por meio do “projeto Pontes”, os EUA garantiram a disseminação de seus métodos, que consistem na criação de grupos de trabalho anticorrupção, aplicação de sua doutrina jurídica (principalmente o sistema de recompensa para as delações), e o compartilhamento “informal” de informações sobre os processos, ou seja, fora dos canais oficiais. Qualquer semelhança com a “lava jato” não é mera coincidência.

Em 2009, dois anos depois, Moreno-Taxman foi convidada a falar na conferência anual dos agentes da Polícia Federal brasileira, em Fortaleza. Diante de mais de 500 profissionais, a norte-americana ensinou os brasileiros a fazer o que os EUA queriam: “Em casos de corrupção, é preciso ir atrás do ‘rei’ de maneira sistemática e constante, para derrubá-lo.”

“Para que o Judiciário possa condenar alguém por corrupção, é preciso que o povo odeie essa pessoa”, afirmou depois, sendo mais explícita. “A sociedade deve sentir que ele realmente abusou de seu cargo e exigir sua condenação”, completou, para não deixar dúvidas.

O nome do então presidente Lula não foi citado nenhuma vez, mas, segundo os autores da reportagem, estava na cabeça de todos os presentes: na época, o escândalo do “Mensalão” ocupava os noticiários do país.

Semente plantada
O PT não viu o monstro que estava sendo criado, prosseguem os autores. As autoridades estrangeiras, com destaque para um grupo anticorrupção da OCDE, amplamente influenciado pelos EUA, começaram a pressionar o país por leis mais duras de combate à corrupção.

Nesse contexto, Moro foi nomeado, em 2012, para integrar o gabinete de Rosa Weber, recém indicada para o Supremo Tribunal Federal. Oriunda da Justiça do Trabalho, a ministra precisava de auxiliares com expertise criminal para auxiliá-la no julgamento. Moro, então, foi um dos responsáveis pelo polêmico voto defendendo “flexibilizar” a necessidade de provas em casos de corrupção.

“Nos delitos de poder, quanto maior o poder ostentado pelo criminoso, maior a facilidade de esconder o ilícito. Esquemas velados, distribuição de documentos, aliciamento de testemunhas. Disso decorre a maior elasticidade na admissão da prova de acusação”, afirmou a ministra em seu voto. O precedente foi levado ao pé da letra pelo juiz e pelos procuradores da “Lava Jato” anos depois, para acusar e condenar o ex-presidente Lula no caso do tríplex.

Em 2013, a pressão internacional fez efeito, e o Congresso brasileiro começou a votar a lei anticorrupção. Para não fazer feio diante da comunidade internacional, os parlamentares acabaram incorporando mecanismos previstos no Foreign Corrupt Practices Act (FCPA), uma lei que permite que os EUA investiguem e punam fatos ocorridos em outros países. Para especialistas, ela é instrumento de exercício de poder econômico e político dos norte-americanos no mundo.

Em novembro daquele mesmo ano, o procurador geral adjunto do DOJ norte-americano, James Cole, anunciou que o chefe da unidade do FCPA viria imediatamente para o Brasil, com o intuito de “instruir procuradores brasileiros” sobre as aplicações do FCPA.

A nova norma preocupou juristas já na época. O Le Monde cita uma nota de Jones Day prevendo que a lei anticorrupção traria efeitos deletérios para a Justiça brasileira. Ele destacou o caráter “imprevisível e contraditório” da lei e a ausência de procedimentos de controle. Segundo o documento, “qualquer membro do Ministério Público pode abrir uma investigação em função de suas próprias convicções, com reduzidas possibilidades de ser impedido por uma autoridade superior”.

Dilma Rousseff, já presidente à época, preferiu não dar razões para mais críticas ao seu governo, que só aumentavam, e sancionou a lei, apesar dos alertas. 

Em 29 de janeiro de 2014, a lei entrou em vigor. Em 17 de março, o procurador-geral da República da época, Rodrigo Janot, chancelou a criação da “força-tarefa” da “lava jato”. Desde seu surgimento, o grupo atraiu a atenção da imprensa, narra o jornal. “A orquestração das prisões e o ritmo da atuação do Ministério Público e de Moro transformaram a operação em uma verdadeira novela político-judicial sem precedentes”, afirmam Bourcier e Estrada.

Lição aprendida
No mesmo momento, a administração de Barack Obama nos EUA dava mostras de seu trabalho para ampliar a aplicação do FCPA e aumentar a jurisdição dos EUA no mundo. Leslie Caldwell, procuradora-adjunta do DOJ, afirmou em uma palestra em novembro de 2014: “A luta contra a corrupção estrangeira não é um serviço que nós prestamos à comunidade internacional, mas sim uma medida de fiscalização necessária para proteger nossos próprios interesses em questões de segurança nacional e o das nossas empresas, para que sejam competitivas globalmente.”

O que mais preocupava os EUA era a autonomia da política externa brasileira e a ascensão do país como uma potência econômica e geopolítica regional na América do Sul e na África, para onde as empreiteiras brasileiras Odebrecht, Camargo Corrêa e OAS começavam a expandir seus negócios (impulsionadas pelo plano de criação dos “campeões nacionais” patrocinado pelo BNDES, banco estatal de fomento empresarial).

“Se acrescentarmos a isso as relações entre Obama e Lula, que se deterioravam, e um aparelho do PT que desconfiava do vizinho norte-americano, podemos dizer que tivemos muito trabalho para endireitar os rumos”, afirmou ao Le Monde um ex-membro do DOJ encarregado da relação com os latino-americanos.

A tarefa ficou ainda mais difícil depois que Edward Snowden mostrou que a NSA (agência de segurança dos EUA) espionava a presidente Dilma Rousseff e a Petrobras, o que esfriou ainda mais a relação entre Brasília e Washington.

Vários dispositivos de influência foram então ativados. Em 2015, os procuradores brasileiros, para dar mostras de boa vontade para com os norte-americanos, organizaram uma reunião secreta para colocá-los a par das investigações da “lava jato” no país. 

Eles entregaram tudo o que os americanos precisavam para detonar os planos de autonomia geopolítica brasileiros, cobrando um preço vergonhoso: que parte do dinheiro recuperado pela aplicação do FCPA voltasse para o Brasil, especificamente para um fundo gerido pela própria “lava jato”. Os americanos, obviamente, aceitaram a proposta.

A crise perfeita
Vendo seu apoio parlamentar derreter, em 2015 Dilma decidiu chamar Lula para compor seu governo, uma manobra derradeira para tentar salvar sua coalizão de governo, conforme classificou o jornal. Foi quando o escândalo explodiu: Moro autorizou a divulgação ilegal da interceptação ilegal de um telefonema entre Lula e Dilma, informando a Globo, no que veio a cimentar o clima político para a posterior deposição da presidente em um processo de impeachment. Moro, depois, pediu escusas pela série de ilegalidades, e o caso ficou por isso mesmo.

Os EUA estavam de olho nas turbulências. Leslie Backshies, chefe da unidade internacional do FBI e encarregada, a partir de 2014, de ajudar a “lava jato” no país, afirmou que “os agentes devem estar cientes de todas as ramificações políticas potenciais desses casos, de como casos de corrupção internacional podem ter efeitos importantes e influenciar as eleições e cenário econômico”. “Além de conversas regulares de negócios, os supervisores do FBI se reúnem trimestralmente com os advogados do DoJ para revisar possíveis processos judiciais e
as possíveis consequências.”

Assim, foi com conhecimento de causa que as autoridades norte-americanas celebraram acordo de “colaboração” com a Odebrecht, em 2016. O documento previa o reconhecimento de atos de corrupção não apenas no Brasil, mas em outros países nos quais a empresa tivesse negócios. Como a empreiteira relutava, os magistrados ordenaram ao Citibank, que administrava o dinheiro da empresa nos EUA, que desse um prazo de 30 dias para encerrar as contas da Odebrecht. Em caso de recusa do acordo, os valores depositados nessas contas seriam colocados em liquidação judicial, situação que excluiria o conglomerado do sistema financeiro internacional, levando, inevitavelmente, à falência. A Odebrecht aceitou a “colaboração”.

A “lava jato” estava confiante de sua vantagem, apesar de ter ascendido sem a menor consideração pelas normas do Direito. “Quando Lula foi condenado por ‘corrupção passiva e lavagem de dinheiro’, em 12 de julho de 2017, poucos relatos jornalísticos explicaram que a condeação teve base em ‘fatos indeterminados'”, destacou o jornal.

Depois de condenar Lula e tirá-lo de jogo nas eleições de 2018, Sergio Moro colheu os louros de seu trabalho ao aceitar ser ministro da Justiça do novo presidente Jair Bolsonaro. Enquanto isso, os norte-americanos puderam se gabar de pôr fim aos esquemas de corrupção da Petrobras e da Odebrecht, junto com a capacidade de influência e projeção político-econômica brasileiras na América Latina e na África. Os procuradores da “lava jato” ficaram com o prêmio de administrar parte da multa imposta pelos EUA à Petrobras e à Odebrecht, na forma de fundações de Direito privado dirigida por eles próprios em parceria com a Transparência Internacional.

Conversão lucrativa
A recompensa que Sergio Moro escolheu para si também foi o início do fim de seu processo de canonização. Depois da eleição de Bolsonaro, veio à tona o escândalo da criação do fundo da Petrobras. O ministro Alexandre de Moraes frustrou os planos dos procuradores ao determinar a dissolução do fundo e direcionar o dinheiro para outras finalidades.

Em maio de 2019, o The Intercept Brasil começou a divulgar conversas de Telegram entre procuradores e Moro, hackeadas por Walter Delgatti e apreendidas pela Polícia Federal sob o comando do próprio Moro, enquanto ministro da Justiça. Elas mostram, entre outros escândalos, como Moro orientou os procuradores, e como estes últimos informaram os EUA e a Suíça sobre as investigações e combinaram a divisão do dinheiro.

Depois de pedir demissão do Ministério, Moro seguiu o mesmo caminho lucrativo de outros ex-agentes do DOJ e passou a trabalhar para o setor privado, valendo-se de seu conhecimento privilegiado sobre o sistema judiciário brasileiro em casos célebres para emitir consultorias, um posto normalmente bastante lucrativo. A Alvarez e Marsal, que o contratou, é administradora da recuperação judicial da Odebrecht.