Por que ‘sensação’ Vojvoda era desconhecido no Brasil antes do Fortaleza?

Por Rafael Reis

Juan Pablo Vojvoda, do Fortaleza, é o técnico sensação do futebol brasileiro - Robson Mafra/AGIF

Em 2019, Jorge Jesus comandou um Flamengo que entrou para a história por ser capaz de dar show dentro de campo e transformar esse espetáculo nos títulos do Campeonato Brasileiro e da Libertadores. No ano passado, foi a vez de Abel Ferreira se sobressair com um Palmeiras de defesa sólida como uma rocha e muita eficiência no ataque, características que lhe renderam os troféus da Copa do Brasil e também do principal torneio interclubes da América do Sul.

Pela terceira temporada consecutiva, o técnico mais badalado do futebol pentacampeão mundial é um estrangeiro. A diferença é que, ao contrário dos seus antecessores, ele não foi importado de Portugal e nem precisou cruzar o Oceano Atlântico para fazer sucesso por aqui. Apesar dos sobrenomes de origem croata e italiana, Juan Pablo Vojvoda é argentino de General Baldissera, uma minúscula cidade com menos de 3 mil habitantes, localizada na província de Córdoba e a mais de 500 km da capital Buenos Aires.

No comando do Fortaleza desde maio, ele conquistou o título do Campeonato Cearense e se mantém vivo em outras duas frentes: está classificado para as semifinais da Copa do Brasil e ocupa a terceira colocação no Brasileiro. Com 36 pontos conquistados em 22 partidas, a equipe cearense só está atrás de Atlético-MG (46) e Palmeiras (38) na tabela da Série A nacional.

Ainda que o campeonato ainda esteja em andamento, essa classificação já é um feito histórico para um clube que lutou contra o rebaixamento na temporada passada e que, nos últimos 50 anos, só conseguiu terminar entre os dez primeiros colocados do Brasileiro uma única vez (foi nono em 2019). O curioso é que quase ninguém no Brasil sabia quem era Vojvoda até cinco meses atrás, quando o Fortaleza anunciou sua contratação como substituto de Enderson Moreira.

Isso porque o argentino teve uma carreira bem modesta como jogador (começou como zagueiro do Newell’s Old Boys, mas logo começou a trafegar entre as segunda e quarta divisões da sua terra natal) e ainda está nos seus primeiros passos como treinador. Vojvoda só estreou como técnico de uma equipe profissional em 2017, com uma campanha de meio de tabela com o Defensa y Justicia no Campeonato Argentino. Na temporada seguinte, repetiu a dose à frente do Talleres.

Em 2019, foi contratado pelo Huracán e viveu o pior momento de sua carreira. Seu trabalho no clube durou apenas três meses. Depois de apenas uma vitória em sete partidas, foi demitido. E, sem muito mercado depois do fiasco, acabou se mudando para o pouco tradicional Unión La Calera, do Chile. Só que esse passo para trás logo se transformou em uma corrida de 100 metros para frente.

Vojvoda surpreendeu e ficou a apenas dois pontos de levar o clube a seu primeiro título nacional. O vice-campeonato valeu a classificação para a Libertadores. Mas o argentino preferiu não renovar seu contrato e foi embora.

O convite para dirigir o Fortaleza veio depois de apenas dois meses de desemprego. Logo no primeiro mês de serviço, levantou a primeira taça da carreira (o Cearense-2021). No mês passado, foi eleito pela equipe do UOL Esporte o melhor treinador do primeiro turno do Brasileirão.

O contrato de Vojvoda com o Fortaleza termina no fim do ano, mas tem uma cláusula automática de renovação para a próxima temporada. Mesmo assim, é pouco provável que ele não receba, nos próximos meses, propostas de clubes mais poderosos economicamente dispostos a contar com o treinador argentino que se tornou a sensação do Brasil.

Mas, antes de se preocupar com o futuro, a equipe cearense tem pela frente hoje o Atlético-GO, em casa, pela 23ª rodada do Brasileiro. Já os confrontos contra o Atlético-MG, válidos pela semifinal da Copa do Brasil, estão marcados para os dias 20 e 27 de outubro.