Papão perde centroavante na véspera de jogo decisivo contra o Ituano

Danrlei não enfrenta o Ituano neste sábado — Foto: Ascom Paysandu

Uma baixa importante foi registrada no último treino do PSC, nesta sexta-feira, para o jogo deste sábado contra o Ituano, pela quarta rodada do quadrangular da Série C do Brasileiro. O centroavante Danrlei (foto) está fora da lista de relacionados para o jogo porque sentiu um incômodo na coxa esquerda. Já o meia Willian Fazendinha ficou de fora da relação por opção técnica.

O técnico Wilton Bezerra comandou um treino de posicionamento tático durante a manhã, seguido de jogadas de bolas paradas e finalizações. Em seguida, o grupo alviceleste ainda participou de um rachão. A concentração foi iniciada após o almoço. Os relacionados para o jogo são estes:

Goleiros: Elias e Victor Souza;
Laterais: Diego Matos e Leandro Silva;
Zagueiros: Alisson, Denilson, Perema e Victor Sallinas;
Volantes: Bruno Paulista, Jhonnatan, Marino, Paulinho, Paulo Roberto e Ratinho;
Meias: Ruy e José Aldo;
Atacantes: Thiago Santos, Luan Santos, Marlon, Rafael Grampola, Rildo, Robinho e Tcharlles.

A vitória como única opção

POR GERSON NOGUEIRA

Imagem

O jogo é decisivo, verdadeira final de campeonato. O PSC precisa da vitória para seguir vivo na disputa pelo acesso à Série B. Encara amanhã o líder Ituano, dirigido por Mazola Junior, técnico de histórica vocação para o defensivismo como estratégia de jogo.

A goleada de 6 a 0 sobre o Penarol-AM, válida pela Copa Verde, ainda repercute na Curuzu pela importância e estímulo aos jogadores na semana do confronto que todos entendem como o da reabilitação na Série C.

Vencer é sempre bom, vencer por seis gols é melhor ainda. A atuação disciplinada e objetiva foi fundamental para o triunfo. No fim das contas, mesmo com uma escalação mesclada, o PSC teve um de seus melhores desempenhos na temporada.

O torcedor que foi à Curuzu na quarta à noite teve o prazer de ver, pela primeira vez depois da goleada sobre a Tuna que garantiu o título estadual, o PSC saindo da tediosa rotina de jogos encerrados em 1 a 0 ou 2 a 1.

Wilton Bezerra era o técnico naquela ocasião e volta a assumir o time após a demissão de Roberto Fonseca. Sua reestreia não podia ter sido melhor. Além do triunfo, conseguiu fazer com que alguns jogadores voltassem a atuar em nível competitivo, casos de Ruy, Tcharlles e Luan Santos.

A expectativa é que, com Bezerra, a formação do time não fique sujeita a surpresas de última hora, como na era Fonseca. A partir de agora, os melhores deverão ter chances e titulares óbvios, como o centroavante Danrlei, devem ser escalados sem necessidade de pressão da torcida.

Goleada marca o renascimento de Wallace

Wallace foi uma das gratas aparições na partida diante do Galvez-AC pela Copa Verde. Além dos três gols marcados, teve forte participação nas articulações do ataque e mostrou entrosamento com o centroavante Neto Pessoa. Acima de tudo, o atacante mostrou ambição e foco. Chamou atenção a cena em que ele correu para pedir a bola e cobrar o pênalti, que resultou no 6º gol do massacre remista de 9 a 0.

Bom jogador, dono de recursos técnicos e chute certeiro, Wallace viveu bons momentos na Série C sob o comando de Paulo Bonamigo. Foi seu período mais produtivo desde que subiu da base para o grupo profissional.

Lesões em sequência atrapalharam sua participação na Série B depois de um começo promissor, ainda com Bonamigo. Com Felipe Conceição, as oportunidades minguaram, mas agora, plenamente recuperado, Wallace se candidata a brigar pela titularidade, ou ao menos se inscreve entre as alternativas para o ataque.

Qualidade Wallace tem para pleitear um lugar no time. Regularidade é o que ele mais precisa para convencer Felipe.

Graffite, a quase-lenda que barrou Neymar na Copa

Quem detona as análises de Graffite nos jogos transmitidos pelo Sportv parece esquecer um fato que credencia o ex-centroavante como uma quase-lenda do futebol tapuia. Afinal, foi ele o escolhido por Dunga como opção para o ataque na Copa do Mundo 2020 na África do Sul.

Não haveria problema se, à época, a dupla Neymar-Ganso não estivesse em excepcional momento no Santos. Irritado com as cobranças da mídia e o clamor da torcida, o capitão do mato não hesitou em apostar suas fichas no centroavante, que terminaria por ser titular da suplência naquele mundial.

VAR e apito unidos pela mesma causa na Copa Brasil

A internet foi inundada ontem de memes sobre a mão amiga da arbitragem, mais uma vez, em benefício do Flamengo. No confronto semifinal pela Copa do Brasil, contra o Atlético-PR, os rubro-negros foram amplamente ajudados pelas interpretações do VAR e do árbitro Luiz Flávio de Oliveira, irmão de PC Oliveira, um dos expoentes da Central do Apito que a Globo montou e que vem se notabilizando como eminência parda do VAR.

No primeiro gol do Fla, um cartão de visitas da arbitragem nefasta. O atacante estava impedido, voltando da figura A para a figura B (salve, Teodorico!), mas o gol foi mantido pelo VAR. No minuto final, com a torcida paranaense vibrando com a vitória quase certa, eis que o VAR entra em cena de novo bancando um penal para lá de suspeito, em lance típico de disputa de bola na grande área.

A única pergunta possível, a essa altura dos acontecimentos, é: até quando?

Homenagem aos heróis do basquete bicolor

Será hoje, às 18h30, na sede social do PSC, a festa pelos 55 anos do título estadual invicto no basquete. Um dos melhores times da história do bola-ao-cesto paraense ganhou, de forma absolutamente brilhante, o campeonato paraense de 1966, exatamente no dia 22 de outubro.

Nelson Maués, revelado no Remo, era o craque da equipe, mas o esquadrão juntava outros heróis, igualmente importantes: Felinto, Lula, Pelé, Maroja, Noé, Façanha, Athala, Zamba, Maneco, Alfonso, Dionísio, Joelcio, Carneiro. Chico Cunha era o técnico.

Foi de Maués a cesta que garantiu a vitória no minuto final sobre o Remo, por 84 a 83. Giorgio Falangola era o presidente do clube. Os diretores eram Julinho Bendahan, Ambire Gluck Paul e Fred Coelho de Souza.

(Coluna publicada no Bola, edição desta sexta-feira, 22)

Por 7 a 0, TSE mantém Jatene inelegível

Imagem

Em julgamento realizado na tarde desta quinta-feira, 21, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou por 7 votos a 0 um recurso que tentava reverter a condição de inelegível o ex-governador Simão Jatene (PSDB). Com a decisão unânime, Jatene segue inelegível pelo período de oito anos (até 2022) por abuso do poder econômico e político nas Eleições 2014. O tucano foi condenado pela utilização indiscriminada e eleitoreira do Programa Cheque Moradia, que distribuía recursos em troca de votos para a chapa por ele encabeçada.

Jatene, como se sabe, vive fazendo lives alegando inocência e apontando o dedo contra seus adversários políticos. É óbvio que padece de um tipo de amnésia conveniente, relativamente comum em tucanos paraenses.

Vale dizer que ele segue inelegível por outra decisão do próprio TSE, não extinta ainda, e pela rejeição de suas contas pela Assembleia Legislativa.

Relatório da CPI da Pandemia é documento histórico da crise da covid-19 no mundo

Trabalho do Senado esboça base de uma resposta a governos que contribuíram para o avanço do coronavírus e amplia constrangimento internacional sobre Bolsonaro

Relatório final da CPI da Pandemia, apresentado nesta quarta.

Por Jamil Chade, no El País

Em 1921, um oficial do império turco-otomano foi assassinado nas ruas de Berlim. O autor do crime era um jovem armênio que, durante seu julgamento numa corte local, afirmou que estava vingando a morte de sua mãe num dos maiores massacres do século XX.

Cem anos depois, um novo extermínio abalou a sociedade. Desta vez, não havia trincheira e nem controle de territórios. Era uma guerra sem bombas. Mas com milhões de mortos. A pandemia da covid-19 colocou uma parcela do mundo de joelhos e mostrou que mesmo governos ricos não estavam preparados.

Mas essa não é a história completa da pandemia. O vírus mortal desembarcou num mundo no qual o negacionismo, o populismo, a desinformação deliberada, corrupção e busca pelo poder falaram mais alto que a defesa da vida em várias partes do planeta.

O relatório final da CPI da Pandemia —apresentado nesta quarta-feira com suas mais de 1.000 páginas—, portanto, é um dos informes mais importantes já produzidos desde o início da pandemia no mundo. Usando a lei, os mecanismos do Estado de direito e transparência, o informe detalha como mais de 600.000 pessoas morreram no Brasil. Sim, havia um vírus. Mas também um aliado: o Governo brasileiro.

O relatório deixa claro que as urnas não são respostas suficientes diante das mortes e que uma responsabilização precisa ser estabelecida.

Imediatamente após sua publicação, o documento ganhou as capas dos principais jornais mundiais. Mas a atenção dada ao relatório não ocorre por conta da importância do Brasil no cenário internacional. O motivo é muito maior: o trabalho transforma o que todos nós vimos e sentimos em lei, em provas, em apurações e testemunhas.

Em diferentes países, procuradores abriram investigações sobre responsáveis políticos. Na França, por exemplo, a chefe da pasta de Saúde passou a ser investigada. Na Organização Mundial da Saúde (OMS), um trabalho minucioso tentou entender o que ocorreu, quais foram as falhas da entidade e dos governos.

Mas nenhum desses exercícios —por constrangimentos diplomáticos ou considerações políticas— conseguiu realizar um mergulho tão aprofundado quanto o relatório da CPI.

Pela primeira vez, o negacionismo foi não apenas identificado. Mas também foi sistematizado e revelado em cada um de seus detalhes. Se a apuração dos senadores se refere ao Governo brasileiro, dezenas de especialistas começam a analisar o documento para tentar entender como práticas semelhantes por governos estrangeiros poderiam se encaixar no mesmo padrão.

Outro aspecto fundamental que chama a atenção internacional foi a capacidade do informe em destrinchar como governos usaram a pandemia para defender suas ideologias.

Por poder ou com cálculos eleitoreiros, politizou-se a máscara, o vírus, a vacina e até o abraço.

Mas o documento também trouxe indícios claros de que, na base dessa resposta, estão suspeitas de corrupção. Desde os primeiros dias da crise sanitária, entidades como a OCDE alertavam como a pandemia era “o paraíso” dos corruptos, já que abriam-se brechas perigosas diante da pressão por compras imediatas de materiais, regras de licitação que eram suspensas, a pressão popular por respostas e um mercado desabastecido.

O documento também foi recebido como uma contribuição fundamental para reforçar as acusações internacionais contra Bolsonaro, mesmo sem qualquer referência ao crime de genocídio. No Tribunal Penal Internacional, onde existem seis queixas contra o presidente brasileiro, funcionários acompanham com atenção o que ocorre no Brasil e as constatações da CPI.

Ainda em 2020, um relator da ONU deixou o Governo brasileiro irritado ao propor, oficialmente, que um inquérito internacional fosse estabelecido sobre a resposta do país à pandemia. Hoje, o documento da CPI é interpretado como um passo nesse sentido.

Fica também claro que, diante da tragédia da morte, a sociedade não irá tolerar a espera de 20 ou 30 anos para que uma Comissão da Verdade seja criada. A justiça que tarda não pode se gabar de não ter falhado.

Mesmo com suas limitações, a CPI esboça uma primeira página fundamental na resposta à pandemia no mundo. Não há o uso de armas como vingança, mas a lei, o único instrumento que uma democracia pode recorrer. E, por isso, o documento tem um papel histórico na trajetória global do vírus.

————————————————————-

Jamil Chade é correspondente na Europa desde 2000, mestre em relações internacionais pelo Instituto de Altos Estudos Internacionais de Genebra e autor do romance ‘O Caminho de Abraão’ (Planeta) e outros cinco livros.