Anjo torto: Botafogo lança camisa com listras tortas em homenagem ao eterno Garrincha

Em comemoração ao aniversário do maior ídolo do clube, Garrincha, que faria 88 anos no dia 28 de outubro (a família considera o dia 18 de outubro como data de nascimento, mas há registros em cartório no dia 28), o Botafogo criou “A Camisa do Anjo Torto”. Uma edição especial e única, com as listras tortas, inspiradas na curvatura das pernas do Mané.

Mas não era só isso que o tornava tão diferente dos demais. Dentro de campo, Garrincha era um verdadeiro acrobata. Uma máquina – torta – de entortar adversários. Ou, simplesmente, a alegria do povo. Principalmente, do povo brasileiro e botafoguense.

Agora, o anjo das pernas tortas recebe essa simbólica homenagem da camisa que tanto honrou. Pela primeira vez na história, as listras alvinegras se curvam diante da maior estrela que já a vestiu. Afinal, só mesmo Garrincha poderia modificar uma das camisas mais tradicionais do futebol mundial.

“Garrincha é um patrimônio botafoguense e toda homenagem feita a ele é pouco, mas a ideia de entortar as listras da camisa tal qual suas pernas, é como se todo clube estivesse fazendo uma reverência a ele. Mané é o maior e um jogador único merece uma camisa única, ele que está eternizado em nossos corações, agora está eternizado nessa camisa”, diz Lênin Franco, diretor de negócios do Botafogo.

Os fãs do lendário jogador poderão ver a camisa de perto no Museu do Maracanã. O item, único no mundo inteiro, ficará em exposição a partir de novembro. (Transcrito de fogaonet.com)

Botafogo lança camisa Anjo Torto em homenagem a Garrincha

Mauricio Souza: entenda por que clube pode rescindir contrato por homofobia

Por Isabela Del Monde, no Universa

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O Minas Tênis Clube anunciou, na tarde de ontem, a rescisão do contrato com Maurício Souza. Desde o dia 12 de outubro, o clube se viu diante do cometimento de bifobia pelo jogador de vôlei, declaradamente e orgulhosamente bolsonarista. Até o nome de perfil do atleta leva o número 17. Ele postou em seu perfil no Instagram uma crítica à bissexualidade do Super-Homem. Isso mesmo: ele se incomodou profundamente com a sexualidade de um personagem de quadrinhos, algo ficcional, mas não viu qualquer problema com o presidente da República tirar foto com uma criança segurando uma arma ou de que somos o país que mais mata pessoas trans e travestis.

Felizmente, hoje em dia fazer esse tipo de coisa não passa mais batido, seja perante a sociedade civil, como a torcida do clube, seja perante os patrocinadores. A Fiat, principal patrocinadora do time de vôlei, que inclusive leva o nome da marca, exigiu providências. A Gerdau também. Diante da pressão pública, surgiu um debate de que o clube tinha pouca margem de manobra porque o atleta era contratado com carteira assinada, além de receber pelo uso de sua imagem, algo padrão dentro da indústria do esporte.

No primeiro momento o time acabou escolhendo o afastamento, uma multa e a retratação pública, a qual foi feita contrariamente a todas as técnicas e balizas que definem uma retratação, como, por exemplo, ser feita no mesmo veículo no qual ocorreu a violação e com clareza objetiva sobre aquilo do que se retrata. A suposta retratação não acalmou os patrocinadores, que esperavam, no mínimo, que ela fosse feita no perfil do Instagram do atleta, com a devida remoção da postagem bifóbica.

Em uma segunda tentativa de se redimir por meio de um vídeo em seu Instagram em 27 de outubro, o atleta piorou sua situação na medida em que não pede desculpas pelas ofensas, mas sim se direciona a quem se sentiu ofendido, invertendo as responsabilidades, além de insistir no inexistente direito de cometer crimes.

Cláusula permite rescisão em casos de violação de direitos humanos

Muitas pessoas nas redes sociais podem ter dúvidas sobre como uma empresa ou um clube pode lidar com situações assim e, por isso, apresento uma ferramenta jurídica à disposição desde 1920, a chamada Cláusula Moral, uma cláusula contratual que permite a patrocinadores, empresas, times esportivos e demais organizações o encerramento do contrato, sem pagamento de rescisão e demais valores, caso haja violação de direitos humanos e/ou da ética e moralidade pela pessoa contratada, desde que comprovada a violação. Essa cláusula, obviamente, não pode ser usada sem critérios como forma de evitar pagamentos devidos a pessoas que cumpriram todas as suas obrigações.

Essa ferramenta jurídica surgiu em Hollywood do começo do século 20 para proteger os estúdios diante de escândalos envolvendo as estrelas de cinema. Na época, isso servia, por exemplo, para justificar o encerramento do contrato de um ator que tivesse sido flagrado exercendo sua homossexualidade, por exemplo. Como a moral muda conforme a época, a aplicação dessa cláusula no Brasil, atualmente, jamais seria para um caso como esse. Mas sim, justamente, para o contrário, isto é, para responsabilizar o contratado pelas consequências da prática de LGBTfobia, o que, como sabemos, já é crime no Brasil.

Essa cláusula serve também para garantir que a contratante possa encerrar suas relações em casos de práticas de outras discriminações e crimes, como misoginia, racismo e crimes de má conduta sexual. Depois da eclosão do MeToo, no Estados Unidos, a partir de 2017, essa cláusula passou a estar presente, também, na maior parte dos contratos de altos executivos, como CEOs.

É extremamente comum que essa cláusula esteja presente em contratos de atletas nos EUA justamente porque a imagem do atleta, sua boa reputação e respeitabilidade social são intimamente vinculadas com marcas patrocinadoras e com a história e cultura do time pelo qual competem. Não é possível saber, até o momento, se o Minas tinha esse amparo ou se a rescisão está sendo financeiramente negociada.

Considero que seja fundamental que os departamentos jurídicos e de compliance das organizações conheçam esse instrumento à sua disposição não apenas para a sua própria proteção, mas também para a proteção de toda a sociedade, porque sabemos que um atleta filiado a uma equipe tem muito mais alcance e endosso e, portanto, seu discurso tem o potencial de atingir muito mais pessoas, causando dores e danos e conquistando mais adeptos ao discurso de ódio. É preciso frear, com rapidez, a dimensão de discursos discriminatórios e a Cláusula Moral é uma aliada nesse processo.

Fiquemos de olho nos próximos passos de Maurício Souza, fazendo nosso melhor para que seu próximo destino não seja o Congresso Nacional.

Papão tropeça de novo

POR GERSON NOGUEIRA

Paysandu x Castanhal, quartas de final da Copa Verde 2021

Sem tomar conhecimento do Castanhal, o time mesclado do PSC arrancou um bom resultado no 1º tempo do confronto válido pelas quartas de final da Copa Verde, ontem à noite. Fez 1 a 0 e controlou as ações. O problema é que a boa atuação se limitou à primeira metade da partida. Na etapa final, os bicolores se acomodaram e o Castanhal acordou a tempo de evitar a derrota, alcançando o empate a poucos minutos do fim.

Quando o jogo começou, o PSC parecia disposto a resolver a situação logo nos primeiros minutos. Adiantou a marcação, provocou erros primários por parte da zaga do Castanhal e chegou ao gol aos 10 minutos após boa jogada de Laércio, que cruzou na cabeça do volante Marino. O cabeceio foi no centro do gol, mas sem chances para o goleiro Axel.

O PSC ainda marcou um segundo gol, com Thiago Santos, mas o atacante estava impedido. O Castanhal concentrava suas investidas em lançamentos longos e sem direção. Pela direita, Rony e Pedrinho até tentavam furar o bloqueio da marcação, mas sem construir jogadas perigosas. O artilheiro Pecel, isolado, mal pegou na bola. Laércio, um dos destaques do time, finalizou forte aos 33’ e quase ampliou.

Quando o 2º tempo começou, Wilton Bezerra fez mexidas que não frutificaram. Saíram Bruno Paulista, Fazendinha, Marino, Robinho e Yan para a entrada de Alan Calbergue, Mateus Lopes, Ratinho, Luan e Tcharlles. As trocas desmontaram o setor de meio-campo e abriram um buraco à frente da defesa, propiciando a reação do Castanhal.

Depois de duas boas tentativas, com Rony e Lukinha, o Japiim finalmente chegou ao gol em escapada do garoto Ruan aos 37 minutos. Ele entrou na área e tocou na saída de Paulo Ricardo para empatar. Resultado ruim para os bicolores e com sabor de vitória para os castanhalenses.  

A “lei do silêncio”, imposta pela diretoria do PSC após o vexame diante do Ituano, não permitiu que se soubesse qual foi a avaliação de Wilton Bezerra sobre o desempenho do time alternativo, se é que o técnico interino teria algo relevante a dizer.

Leão aposta na cautela diante da Raposa

O Remo tem outra decisão pela frente hoje, em Belo Horizonte, contra o Cruzeiro. É o confronto de dois times que ainda buscam fugir ao perigo do rebaixamento. Com 39 pontos, um a mais que o Leão, a Raposa precisa alcançar o número mágico dos 44 pontos (ou 43) para se tranquilizar.

Em relação ao acesso, o time de Vanderlei Luxemburgo já não tem qualquer chance. Tenta agora fechar a campanha de forma digna e uma vitória sobre o Remo é o primeiro passo para se tranquilizar.

É justamente aí que residem os perigos no caminho do Leão, que está há cinco rodadas sem vencer. A atuação decepcionante diante da Ponte Preta, domingo passado, ainda repercute junto à torcida. Mudanças são esperadas na escalação e na maneira de atuar.

Remo encerra preparação para encarar o Cruzeiro — Foto: Samara Miranda/Ascom Remo

O técnico Felipe Conceição sinaliza a intenção de alterar o perfil do time, buscando se fechar mais para evitar novas derrotas. Para tanto, é necessário que o sistema defensivo funcione melhor do que nos últimos jogos.

É possível que Marlon seja deslocado para a lateral esquerda, a fim de fechar mais o setor, excessivamente vulnerável contra a Macaca. O ataque também pode ser afetado por essa reformulação. Victor Andrade, titular até então, pode ceder espaço para um meia – no caso, Mateus Oliveira.

Pelo que se observa, Felipe vai apostar num jogo reativo, considerando o empate como um resultado interessante. A conferir.

Tempos de mudança de consciência no vôlei

O Minas Tênis Clube tomou uma atitude inédita no vôlei brasileiro. Rescindiu o contrato do atleta Maurício Souza depois da repercussão negativa de postagens de teor homofóbico nas redes sociais. É verdade que a decisão teve mais a ver com a pressão dos patrocinadores, mas vale como um posicionamento que deve passar a prevalecer em casos semelhantes.

Maurício fez comentários ácidos sobre a orientação sexual do personagem filho do atual Superman, Joe Kent, que se revelará bissexual nas próximas edições da clássica HQ. Não foi uma declaração isolada. Maurício é, declaradamente, um eleitor e apoiador do presidente Jair Bolsonaro, comungando das ideias conservadoras e homofóbicas deste.  

A decisão do Minas foi anunciada após intensa reação às manifestações de Maurício. O clube chegou a afastar o jogador, mas quase recuou diante do apoio que os demais atletas manifestaram ao colega. A coisa só mudou de figura quando as empresas que patrocinam o time exigiram que fossem tomadas “medidas cabíveis” ao caso.

Mesmo que por vias hesitantes, a decisão do clube marca um ponto importante na escalada de enfrentamento à intolerância no país. São vitórias pontuais que não podem ser subestimadas.

Quando a omissão pode ser criminosa

Quem acompanhou o jogo Goiás x Botafogo não teve como deixar de notar a tolerância excessiva do árbitro Anderson Daronco com a pancadaria imposta pelos goianos ao longo da partida. Os alvos preferenciais foram Chay e Rafael Navarro, os principais jogadores botafoguenses, caçados sem clemência desde os primeiros minutos.

Mais que a violência dos jogadores do Goiás, chamou atenção a omissão do árbitro, que só teve coragem de aplicar um cartão no lance em que Chay levou uma paulada na perna e teve que ser retirado de campo. O volante que praticou a entrada criminosa recebeu o amarelo, mas Daronco merecia um cartão vermelho pela irresponsável condução da partida. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 28)