A despedida de Ique

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Por Ique

Esta charge, marca hoje minha despedida como chargista político. Mesmo não sendo uma atividade profissional regular, permaneci produzindo meu conteúdo. É que o vício de transformar minha indignação em charge, sempre foi mais forte.
O fato é que as charges, ferramentas imprescindíveis no jornalismo na década de 80, que me deram dois Prêmios Esso de Jornalismo, não têm mais o mesmo impacto, nem mais espaço profissional nos meios de comunicação. Nas redes sociais, manipuladas pelo algoritmo que as restringem a uma bolha, amordaçando sua função jornalística primordial, as charges acabam validando um embate insólito, onde, inacreditavelmente, a vida deixou de ser prioridade, o humanismo desapareceu, o bom senso passou longe, e o negacionismo, que, alimentado por fakenews, virou verdade absoluta e ideologia política.
Tal e qual na Alemanha n@zist4, muita gente supostamente esclarecida, culta e inteligente, embarcou numa realidade paralela de uma terra plana, infestada de comunistas maconheiros que comem criancinhas, e que tem que ser exterminados em nome de Deus acima de tudo. É muito absurdo junto, parece filme de ficção. E nessa insanidade, mais de 600 mil vidas foram ceifadas. Perdi muitos amigos para a Covid, mas perdi muito mais amigos ainda para o negacionismo e para a ignorância.
A julgar pela inércia e omissão das instituições democráticas, o mais provável é que tudo acabe em pizza, como sempre, e que os lados polarizados componham politicamente entre si pra que ambos ganhem, a impunidade prevaleça, e o povo faminto e sem oportunidades, continue perdendo.
Então, exausto, decidi focar na minha sobrevivência mental e emocional priorizando a qualidade de vida, me dedicando integralmente à minha arte na pintura, no desenho, na escultura, nos roteiros, onde tenho ainda muito a realizar. Com amor acima de tudo, quero curtir meus netos, que vieram pra dar novo sentido a vida, junto com a família que me fortalece, e com os verdadeiros amigos.
Gratidão aos que me acompanharam nos 44 anos de minha carreira como chargista político, da qual tanto me orgulho, e cujo ciclo, encerro aqui.

A banalização do mal

POR GERSON NOGUEIRA

Polícia conteve a invasão da organizada no jogo entre Paysandu e Ituano — Foto: Reprodução/TV Liberal

Em entrevista ainda no gramado da Curuzu, logo após a invasão de bárbaros no sábado à noite, o técnico Mazola Jr. mostrou lucidez e perspicácia para comentar que tudo é produto do estado de beligerância e ódio que campeia no país desde que a política do confronto virou prática diária, com demonstrações seguidas de menosprezo pela civilidade. É interessante (e animador) que alguém de um meio normalmente tão alienado tenha a exata noção do que acontece hoje no país dos insensatos.

Depois da exibição de truculência por parte de um grupo de supostos torcedores, que interrompeu a partida por 36 minutos, prejudicando aos que pagaram para estar no estádio e desrespeitando telespectadores, ouvintes e público em geral. Um ato isolado, mas pleno de significados no país que cada vez mais ama odiar.

Com a invasão, jogadores e comissões técnicas se sentiram ameaçados. Árbitro e auxiliares foram intimidados. Não deixa de ser assustadora a facilidade com que a turba conseguiu adentrar o espaço de jogo, passando pelo portão lateral e avançando até o centro do campo sem muito esforço.

Alguém armado ali poderia ter levado a uma tragédia de dimensões imprevisíveis. A rigor, depois do que se viu naqueles poucos minutos de surpresa e pânico, ninguém no estádio se sentiu seguro. Aos poucos, a polícia conseguiu restabelecer a ordem, embora com o pecado básico de não prender nenhum dos baderneiros – as imagens mostram que todos voltaram para a arquibancada e ficaram assistindo o jogo como se nada houvesse acontecido.  

Pior foi constatar, horas depois do episódio, um esforço de banalização da violência. Houve quem visse atenuante no fato de a invasão não ter terminado em agressão a atletas e ao árbitro, como se isso merecesse o benefício da compreensão absoluta. Outro argumento passa-pano é de que o jogo, apesar da paralisação, foi finalizado normalmente.

Nada disso pode servir para relevar o ocorrido. Houve uma quebra da normalidade, uma afronta às normas de segurança e um ato deliberado (e provavelmente premeditado) de atentar contra a integridade dos personagens do jogo. Não por acaso, jogadores do PSC já manifestam a intenção de deixar o clube, receosos da radicalização de parte da torcida.

É claro que aquele grupo de turbulentos não representa a massa torcedora, mas a ação audaciosa (que permanece impune, apesar da apresentação de um B.O. protocolar) permite crer que a minoria é capaz de atos lesivos à segurança de qualquer um.

A essa altura, a previsível punição (de 1 a 10 jogos, mais multa) que o PSC irá sofrer pelas ocorrências não é a pior face do deplorável espetáculo de sábado na Curuzu. Pior é perceber que aqueles tempos brutos e sem lei do futebol de várzea estão aí, vivinhos da silva, a nos desafiar.

Reta final da Série B destaca goleiro remista

O Remo ostenta hoje a condição incômoda de quarto pior ataque da Série B. Em 31 partidas realizadas, só conseguiu marcar 25 gols, acima apenas de Brasil, Vitória e Londrina, times que ocupam hoje a zona do rebaixamento.

Por outro lado, o Leão sofreu 33 gols, o que lhe dá um lugar de destaque entre as melhores defesas da competição. No momento, tem a sétima colocação entre as defesas menos vazadas.

Muito do que foi feito na reta final do campeonato, na qual o Remo está sem vencer há cinco rodadas, pode ser creditado ao goleiro Tiago Coelho, substituto do titular e ídolo Vinícius, que se recupera de lesão.

Tiago teve boa atuação diante do Sampaio Corrêa. Depois, pegou pênalti contra o Brusque e fez excelentes defesas que impediram uma goleada naquela partida. Voltou a aparecer bem diante da Ponte Preta, domingo, garantindo a segurança da zaga em momentos cruciais.

É, sem dúvida, uma das boas notícias de uma fase pouco positiva do Remo no campeonato.

Direto do blog campeão

“Voltei aqui, caro Gerson, para defender o Gedoz. Tenho visto os jogos atentamente, já que o Remo é minha paixão, crendo que são as escolhas do técnico, as responsáveis pela queda de rendimento mesmo com os desfalques. Contra Vila Nova, Brusque e Ponte dava pra pontuar. É que o Remo se expõe sem necessidade. Os adversários é que têm que correr atrás. Já era pro Felipe ter optado por uma feroz retranca só para garantir a permanência. Ano que vem a gente vê como fica, opção da diretoria. Injustiça, Gedoz não tem culpa de nada”.

Rildo Pereira Medeiros

“Gerson, dizer que o time foi ‘confuso, errático e sem iniciativa’ é redundante, posto que são características que marcaram a campanha do Paysandu por toda temporada 2021. Na transmissão da TV RBA você bem que tentou incentivar o time, e dar esperanças à torcida, invocando o nome Botafogo, exemplo de fênix. A rigor, o epílogo de uma tragédia anunciada. Resta à Diretoria, comissão técnica e ‘executivo’ – mercador de bondes, em últimos gestos de ética e respeito ao clube e à torcida, renunciarem”.

George Carvalho

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 26)