O herói solitário do Galvez na noite do massacre azulino

Remo 9×0 Galvez-AC (Edivandro)

Edivandro, 38 anos, olhar tristonho de quem sabe o peso da luta diária, saiu de campo ontem sob aplausos da torcida remista. Não, ele não evitou a goleada de 9 a 0, mas certamente impediu que o placar fosse maior. Defendeu pelo menos três bolas que tinham destino certo. Fez o que podia embaixo dos três paus, mas o ataque remista estava infernal e inspirado.

Em alguns momentos, Edivandro se irritou com os companheiros de defesa, desabafava com gestos largos. A torcida ensaiou pegar no seu pé, mas depois se solidarizou com ele, ganhando aplausos entusiasmados. A humildade fez com que fosse até diante dos torcedores, conquistando ainda mais a simpatia da massa azulina.

Em seguida, o goleiro ainda recebeu o carinho dos jogadores do Remo e integrantes da comissão técnica. Ganhou a camisa azulina e relatou o drama pessoal. Ficou mais de um ano parado, após perder a mãe para a covid-19.

Por fim, desejou sucesso ao Leão: “Se continuar jogando assim, certamente será campeão da Copa Verde”.

Sem dó, nem piedade

POR GERSON NOGUEIRA

Remo 9×0 Galvez-AC (Rafinha, Tiago Miranda e Wallace)

O Leão fez gato e sapato do modesto Galvez acreano, ontem à noite, no estádio Baenão. Os números são acachapantes. Foi a maior goleada do Remo nas últimas décadas, a maior da história do clube em torneios da CBF e um recorde nas edições da Copa Verde. O placar de 9 a 0 serviu ainda como comemoração especial pela 40ª partida dos remistas na competição inter-regional.

Apesar da diferença técnica óbvia entre o Remo e o Galvez, poucos poderiam esperar um escore tão dilatado, até porque os azulinos entraram com um time mesclado. Felipe Conceição escalou alguns poucos titulares e muitos suplentes do time que disputa o Brasileiro da Série B.

Nos minutos iniciais, o Remo impôs marcação adiantada para provocar erros na saída de bola do retrancado Galvez. Com Rafinha, Neto Pessoa e Jefferson na linha ofensiva, as investidas priorizavam as jogadas de linha de fundo e foi por ali que nasceu o primeiro gol.

Marcos Junior foi lançado na área e deu um passe recuado para Neto Pessoa finalizar para as redes, logo aos 9 minutos. O Remo era superior e apertava o adversário não dando muitos espaços. Aos 15’, porém, acomodado com a vantagem parcial, a defesa permitiu uma chegada forte do Galvez, que mandou a bola na trave e quase empatou.

Aquela seria a última tentativa ofensiva do time acreano. Ainda no primeiro tempo, Neto Pessoa marcou duas vezes em menos de sete minutos, constituindo-se no grande nome da primeira parte do jogo.

O ritmo era de treino por parte do Remo quando a segunda etapa começou. Havia uma preocupação visível em evitar jogadas mais bruscas. Ocorre que o Galvez não oferecia nenhuma resistência, conformado com a derrota. Desse modo, o Remo foi ao ataque, conseguiu um escanteio e o estreante Edu escorou de pé esquerdo para as redes, logo aos 4 minutos.

A goleada se ampliaria aos 20’, após boa jogada de Wallace pela direita, que resultou em rebote para Rafinha encher o pé e marcar. Logo depois, Raimar (que substituiu a Ronald) foi derrubado na área. O pênalti foi cobrado e convertido por Wallace.

O próprio Wallace faria o sétimo, em rápida tabelinha com Neto Pessoa. Aos 31’, Neto Moura marcou chutando da entrada da área. E, aos 37’, saiu o nono e último gol, através de Wallace, novamente aparecendo com rapidez dentro da área e finalizando com um chute rasteiro.

Todos sabiam do favoritismo remista no jogo. Vencer era uma obrigação para um time que disputa a Série B, mas a aplicação do time e o resultado obtido empolgaram a torcida presente ao Baenão. Nos instantes finais, surgiu o coro pedindo o décimo gol, que acabou não ocorrendo.

Remo 9×0 Galvez-AC (Wallace, Neto Pessoa, Neto Moura e Warley)

A atuação destacada de Neto Pessoa, sem que Renan Gorne tenha sequer sido lembrado, deixa no ar que o centroavante pode ganhar chance nos próximos jogos do Remo no Brasileiro. Wallace, também autor de três gols, volta a sinalizar que tem condições de brigar pela titularidade.

Destaque também para o desembaraço de Ronald na lateral esquerda, para a movimentação de Rafinha junto aos atacantes e a tranquilidade de Paulinho Curuá na cabeça-de-área. O volante foi finalmente lembrado substituindo a Marcos Jr. no 2º tempo.

Uma estreia irretocável do Remo na Copa Verde, estimulando os sonhos de conquista da competição pelo clube, depois de ter batido na trave na edição 2020, com a derrota por pênaltis na decisão em Belém.

Motivação é o principal trunfo de Bezerra no Papão

O PSC faz sua estreia hoje na Copa Verde enfrentando o Penarol amazonense na Curuzu. Mais do que a preocupação com o torneio, as atenções estarão voltadas para Wilton Bezerra, que volta ao comando do time após ter participado da conquista do título paraense.  

Motivação e intensidade são as palavras mais ouvidas na Curuzu desde que Roberto Fonseca foi demitido na esteira dos três resultados sem vitória no quadrangular decisivo da Série C. (Sim, o desligamento do técnico foi por demissão, ao contrário da versão de “comum acordo” espalhada por aí.)

Bezerra conhece bem o elenco e é provável que saiba mais sobre as características dos jogadores do que o próprio Fonseca. Muito da experiência acumulada com a pressão pela conquista do Estadual será colocada a serviço da missão ainda mais desafiadora de recuperar as esperanças de acesso à Série B.

Para o jogo de sábado, contra o Ituano, o time não deve sofrer muitas alterações quanto aos nomes escolhidos, mas a forma de atuar seguramente terá uma nova sistemática. É improvável que o PSC seja tão passivo quanto foi diante do Botafogo, seu primeiro jogo como mandante no quadrangular.

Por característica pessoal, Bezerra é adepto de palavras de incentivo, do chamamento à raça e à superação e de orientações voltadas para o lado psicológico. Já afirmou, por exemplo, que o acesso é a prioridade e que ninguém jogou a toalha. É uma forma mais incisiva de dizer que a equipe vai corrigir as falhas das últimas partidas.

Contra o Penarol, o time deve ser alternativo, mas com a presença de jogadores que têm sido escalados como titulares, casos de Ratinho, Paulo Roberto, Grampola e Luan Santos.

Japiim tem confronto desafiador em Roraima

O Castanhal tenta sua segunda vitória na Copa Verde, hoje à tarde, diante do S. Raimundo-RR, em Boa Vista. Na primeira participação, na semana passada, o Japiim derrotou o Fast Clube, em Manaus, por 2 a 0.

O adversário de hoje é o mesmo que deu trabalho ao Castanhal na recente Série D. Os times empataram em 1 a 1 e o Japiim venceu por 2 a 1, jogando no estádio Maximino Porpino.

Um ponto que pode favorecer o time de Cacaio é a situação administrativa do S. Raimundo, que teve dificuldades em manter o elenco da Série D e precisou recorrer a jogadores da base para completar o grupo na Copa Verde. 

(Coluna publicada no Bola, edição desta quarta-feira, 20)

Uma manobra de risco

POR GERSON NOGUEIRA

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É compreensível a relutância do presidente do PSC, Mauricio Ettinger, em tomar a decisão de demitir o técnico Roberto Fonseca a três jogos do fim do quadrangular do acesso. Pelos demais integrantes da diretoria, o treinador teria sido afastado depois da goleada diante do Ferroviário, ainda na fase de classificação.

Ettinger exerceu o papel moderador, ponderando que era melhor dar um voto de confiança a Fonseca, o que se revelou uma decisão acertada. Na sequência, o PSC se classificou à fase seguinte com uma rodada de antecedência. O problema é que o time jamais passou confiança, tendo apenas alguns bons lampejos.

Para o nível da competição, o elenco está no mesmo nível da maioria dos adversários, mas coletivamente ficou sempre alguns degraus abaixo. A falta de articulação no meio-campo foi compensada parcialmente com a entrada de José Aldo, mas no geral a equipe mostra falhas primárias de organização e um preocupante bloqueio ofensivo.

Na fase mais importante do campeonato, o PSC conquistou dois empates (Criciúma e Botafogo-PB) e perdeu uma partida, para o Ituano, sábado passado. Sem apresentar movimentação pelos lados e recorrendo sempre aos manjados cruzamentos sobre a área, o time exibiu fragilidades incompatíveis com o projeto de acesso.

Foi essa percepção que levou a diretoria a decidir majoritariamente pela dispensa do treinador, em reunião que começou no final da manhã e se estendeu até a tarde. Fonseca teve um desempenho de 52,8% no curto período em que comandou o Papão.

Além da saída de Fonseca, ficou definido que o auxiliar técnico Wilton Bezerra será o substituto nos jogos que restam pela Série C e no começo da caminhada na Copa Verde.

Bezerra tem no currículo a façanha da conquista do título estadual da temporada, revertendo a ampla vantagem imposta pela Tuna no primeiro jogo da decisão. Foi uma partida só, mas deixou excelente impressão entre os dirigentes e na própria torcida.

A Série C é bem diferente do Parazão e a missão agora é recuperar o time em três jogos – Ituano em casa, Botafogo fora e Criciúma fechando o quadrangular. Um tremendo desafio, mas Bezerra entra na condição de franco-atirador, e com a expectativa de que possa operar o pequeno milagre de fazer o time funcionar competitivamente.

Não deixa de ser uma jogada de risco, mas, nas circunstâncias, é algo que pode funcionar, principalmente quanto ao lado motivacional.

Tecnologia beneficia clubes e facilita vida do torcedor

Com o retorno de público aos estádios de quase todo o país, um ano e meio após a eclosão da pandemia no país, a CBF busca organizar e acatar os protocolos sanitários de prevenção à covid-19, lançando mão de tecnologia para tornar mais segura e menos problemática a atual fase de retomada.

Com um sistema mais ágil e informatizado de bilhetagem e meios de pagamento, a entidade vem conseguindo disciplinar o acesso da torcida aos estádios, parte mais crítica do processo. Desse modo, tem sido possível manter o distanciamento e evitar aglomerações e filas, principalmente no Mineirão, Maracanã e Allianz Parque.

O volume de dinheiro – principalmente com bilheteria – movimenta anualmente no Brasil cerca de R$ 4,5 bilhões, mesmo num ano típico, como o de 2020, quando a pandemia limitou serviços e impôs o isolamento social.

Na avaliação de especialistas, os principais estádios do Brasil devem passar a oferecer mais conforto, comodidade e opções de lazer nesta etapa de retomada, a exemplo do que já ocorre nas capitais europeias.

Um dos itens mais elogiados pelos torcedores é o modelo de aplicativo ou cartões/pulseiras cashless, que permitem solicitar comidas e bebidas sem se deslocar das cadeiras. Ao mesmo tempo, a tecnologia utilizada contribui no aspecto da segurança, pois as pessoas não precisam portar cartões ou dinheiro vivo para efetuar compras.

Na outra ponta do processo, os frequentadores de arenas Fifa dispõem de terminais de autoatendimento, que desafogam a procura por serviços convencionais, aumentam as vendas e permitem usufruir de promoções exclusivas, através de cadastro de torcedores e sistemas de fidelização.

Para as diretorias dos clubes, a boa notícia é o uso de meios eletrônicos que permitem acompanhar em tempo real e on-line a venda de ingressos, itens de lojas e restaurantes, facilitando o controle sobre a gestão de vendas. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 19)