Em rota de desaceleração

POR GERSON NOGUEIRA

Remo 0×1 Ponte Preta-SP (Marcos Júnior)

O Remo completou ontem cinco jogos sem vitória, um período negativo que remete à pior fase do time na Série B, logo nas primeiras rodadas, ainda sob o comando de Paulo Bonamigo. Diante da Ponte Preta, a equipe voltou a sofrer um gol muito cedo e não teve forças para reagir. Até tentou, mas as armas utilizadas não surtiram o efeito esperado. O lado preocupante é que a distância para o pelotão do Z4 vai ficando mais curta.

Aos 13 minutos, Marcos Junior aproveitou rebote dentro da área e mandou para as redes de Tiago Coelho, após jogada rápida de Rafael Santos pelo lado esquerdo. A Ponte já havia ameaçado duas vezes, mas errou na finalização. O Remo só havia levado perigo num chute de Tiago Ennes, que passou por cima do travessão.

Como acontece tantas vezes, o Remo só passou a jogar decididamente em busca da vitória depois de tomar o gol. Logo aos 16’, atacou com Lucas Tocantins e a bola foi ajeitada para Artur finalizar, livre, mas o chute saiu fraco, nas mãos do goleiro. Depois, Felipe Gedoz mandou um chute forte, que desviou e saiu tirando tinta.

O VAR entrou em cena aos 34’ em lance que o árbitro de campo marcou pênalti contra o Remo, mas a revisão mostrou que o ataque da Ponte estava adiantado. Em seguida, decidido a empatar, o ataque remista forçou jogada pelo meio e conseguiu uma falta frontal. Marlon disparou um chute forte, que Ivan espalmou para escanteio.

Nos instantes finais, Artur mandou a bola para as redes, mas estava impedido. Depois, Gedoz cobrou falta para nova boa intervenção de Ivan. Victor Andrade aproveitou o rebote e mandou para fora. O primeiro tempo terminou com o Remo em cima, empurrado pela torcida e pressionando, embora com muitos erros na construção das jogadas.

Veio o segundo tempo e o panorama mudou – para pior. O Remo veio sem Artur e com Lucas Siqueira no meio-campo. Ao contrário da pressão na reta final da primeira etapa, o time começou timidamente e custou a forçar ataques facilitando o controle do jogo pela Ponte Preta.

Remo 0×1 Ponte Preta-SP (Felipe Gedoz)

O melhor momento foi através de Lucas Tocantins, aos 23 minutos. Ele limpou jogada e mandou um chute forte, defendido por Ivan. O Remo trocava passes insistentemente, mas sem profundidade, aceitando o bloqueio imposto pela Ponte.

Jefferson e Wallace entraram na partida, mas não foram capazes de encaixar ataques que criassem desconforto para a defesa da Macaca. Só nos instantes finais, o Leão voltou a ameaçar: Rafael Jansen acertou um cabeceio de cima para baixo que o goleiro segurou sem dar rebote.

A Ponte investiu em contra-ataques com Rodrigão e Leo Naldi, esticando bolas e aproveitando as subidas do Remo em busca do empate. Um jogo tático bem executado pelo time de Gilson Kleina, com a contribuição da falta de criatividade do meio-campo e ataque azulinos.

Nos últimos sete jogos, o Remo fez três gols e sofreu oito. Sinal evidente da queda de rendimento e da desaceleração experimentada pelo time.

Perdas de peças importantes ao longo da campanha influem no processo, mas é fato também que o modelo executado não vem mais funcionando, depois de garantir a conquista de 31 pontos desde a chegada de Felipe Conceição. Talvez tenha chegado a hora de rever estratégias.

Desastre dentro e fora de campo

Fácil, extremamente fácil. Assim foi a goleada que o Ituano aplicou no PSC, sábado, na Curuzu. Em vários momentos do jogo, parecia que o mandante era o time paulista, tal a segurança tática que a equipe demonstrava desde que abriu o placar logo aos 9 minutos.

O primeiro gol surgiu de uma bola perdida pelo volante Paulo Roberto. Na sequência, o Ituano entrou na área em tabelinha entre João Victor e Léo Duarte, que disparou o chute no ângulo esquerdo da trave bicolor.

Sem sofrer resistência por parte do PSC, o Ituano foi se posicionando com saídas rápidas para o ataque, o que lhe garantiu o controle da partida. As tentativas do Papão eram facilmente neutralizadas.

No segundo tempo, o Ituano mostrou-se mais consistente ainda na transição, sempre liderada pelo meia Gerson Magrão. Aos 8 minutos, uma bola longa pegou a zaga bicolor desprevenida e Ratinho falhou no cabeceio, franqueando a entrada de João Victor para fazer o segundo gol.

Paysandu x Ituano

Três minutos depois, Gerson Magrão recebeu a bola na intermediária do Ituano, caminhou sem ser combatido e deu um passe perfeito para João Victor. Este entrou na área e cruzou para Tiago Marques marcar o terceiro.

Tudo parecia se encaminhar para a consolidação da goleada quando um fato inusitado interrompeu a partida. Um grupo de baderneiros, ligados a uma facção organizada do PSC, invadiu o campo provocando susto e correria entre os jogadores dos dois times.

A Polícia agiu rápido e os invasores voltaram na mesma pisada, mas o jogo ficou paralisado por mais de 30 minutos. Quando a bola voltou a rolar, o PSC mostrou-se mais agressivo e disposto a reagir. Conseguiu marcar através de Tiago Santos e quase chegou ao segundo gol.

Em chute cruzado, Marlon balançou as redes, mas o lance foi anulado por impedimento do ataque alviceleste. A partir daí, o Ituano recobrou a tranquilidade e voltou a controlar as ações, trocando passes e explorando os contragolpes. Foi assim que, já nos acréscimos, João Victor fez o 4º gol.

A acachapante vitória do Ituano expôs, em cores vivas, as limitações individuais do PSC, que pareciam represadas pelo esquema fechado que Roberto Fonseca utilizava. Com o interino Wilton Bezerra, as fragilidades se escancaram comprometendo seriamente o projeto de acesso.

Agora, o PSC terá que vencer os dois próximos jogos, com Botafogo (fora) e Criciúma (em casa), enquanto torce para o Ituano não perder para nenhum desses times. Não é impossível, mas é pouco provável. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 25)

Remo pode ter um novo 9

POR GERSON NOGUEIRA

A grande dúvida no Remo para o jogo deste domingo contra a Ponte Preta está no comando do ataque. A torcida quer Neto Pessoa, principalmente depois que ele marcou três vezes na impiedosa surra aplicada no Galvez, terça-feira à noite. Cansado da experiência com Felipe Gedoz como falso 9, o torcedor vive sonhando com um centroavante de verdade.

Reticente quanto ao aproveitamento de Neto Pessoa, Felipe Conceição não parece disposto a contrariar a massa. O problema é que o técnico entende que utilizar um centroavante de ofício quebra o conceito adotado desde que assumiu a equipe no início do campeonato.

Felipe Conceição é suspenso no STJD por causa de ofensas | Esporte Pará |  Diário Online | DOL

Para Felipe, quanto mais mobilidade na frente melhor será o desempenho ofensivo. Como tese, tudo bem. O problema é que há várias partidas o modelo não funciona. Mesmo quando o Remo vence, raramente Gedoz aparece como peça relevante.

E não é por falta de esforço. O meia tem se empenhado, participa das jogadas, mas esbarra na falta de traquejo para jogar enfiado entre os zagueiros adversários. Ao mesmo tempo em que não aparece no ataque, ele torna carente o setor de meio-campo.

Pela movimentação da semana, incluindo o jogo com o Galvez, Felipe Conceição tende a escalar Neto Pessoa e Victor Andrade como avançados, deixando Gedoz como homem de criação, que é de fato a sua função. Os demais homens de meio devem ser Lucas Siqueira, Marcos Jr. e Neto Moura ou Artur.

Curiosamente, a melhor atuação de Gedoz no campeonato foi diante da Ponte Preta, jogo que o Remo venceu por 2 a 1 com atuações inspiradas de Erick Flores e do camisa 10.

Aniversário é oportunidade para reverenciar o Rei

Como a coluna fecha na sexta-feira à noite, não há como saber se os jogadores que disputam o Campeonato Brasileiro acataram a proposta de Neto, ex-jogador e atual apresentador de TV. Nas redes sociais, ele instou a boleirada a homenagear o Rei Pelé, que aniversariou neste sábado, 23, completando 81 anos.

“Uma dica para vocês, jogadores do Campeonato Brasileiro. Dia 23 é aniversário do Pelé. Todos vocês que fizerem gols têm que vibrar igual o Pelé. Tem que homenagear o Rei do Futebol. Vamos comemorar à la Pelé, dando soco no ar. Juntos comigo, ou não?”, incentivou Neto.

Pelé vive há tempos um ostracismo que tem origem em certa má vontade da própria mídia esportiva. Episódios da vida pessoal dele, como o polêmico caso da filha que o Rei relutou em reconhecer, acabaram por deixar sua imagem arranhada perante a opinião pública.

Ocorre que o Atleta do Século, lenda do futebol, não pode ser condenado inapelavelmente por eventuais falhas de comportamento. Afinal, quem não erra? Pelé é o maior de todos os tempos, mas, em determinados momentos, fica a impressão de que só o Brasil não reconhece e valoriza isso.

Em tempo: após um período internado para realizar uma cirurgia, Pelé deixou o hospital na semana passada e segue tratamento em casa.

Bola na Torre

O programa deste domingo começa mais cedo, às 20h30, na RBATV, com apresentação de Guilherme Guerreiro e participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em análise, os jogos de PSC e Remo no Campeonato Brasileiro e a Série B do Parazão. A edição é de Lourdes Cézar.

Remo elege três novos grandes beneméritos

A eleição de três grandes beneméritos agita os bastidores do Remo nesta semana. A escolha ocorre nesta segunda-feira, 25. Seis candidatos disputam as cadeiras que pertenceram a Manoel Ribeiro, Vinícius Bahury de Oliveira e José Severo, recentemente falecidos.

Os nomes que pleiteiam um lugar na galeria dos grandes beneméritos são Ulisses Oliveira, Sérgio Dias, Paulo Sérgio Paiva, Maria Jovelina Ferreira, João Santos e Carlos Gama. Só conselheiros, beneméritos e grandes beneméritos podem votar.

Errata

Por um lamentável lapso, a nota sobre Graffite na coluna de sexta-feira mencionou 2020 como data da Copa do Mundo da África do Sul. Óbvio que o torneio foi realizado em 2010, com cobertura deste escriba de Baião para os veículos do Grupo RBA.

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 24)