Avaliação negativa do governo Bolsonaro salta de 48% para 53%

O descontentamento da população com o governo de Jair Bolsonaro não para de crescer, indica pesquisa realizada pela Genial Investimento e a Quaest Consultoria. A rejeição saltou de 48% para 53% entre setembro e outubro. O mesmo levantamento mostra que o total dos que consideram o governo regular recuou de 26% para 24%. E os que o apontam como positivo baixou de 23% para 20%.

O principal problema para os entrevistados é a economia (44% ante 41% de setembro), seguido pela saúde (24% frente os 28% do mês anterior) e corrupção (10% dos dois levantamentos)

Para os ouvidos pela Genial/Quaest, a economia como um todo (19%), o desemprego (15%) e a inflação (9%) são os temas que mais incomodam no Brasil neste momento.

A rejeição a Bolsonaro aumentou em quase todas as regiões. O maior salto foi registrado no Norte do país: de 37% para 55% entre setembro e outubro.

No Centro-Oeste, a avaliação negativa foi de 36% para 49%, e, no Sul, de 37% para 47%. No Sudeste, saltou de 47% para 51%. Já no Nordeste, ficou estável, em 61%.

Entre os entrevistados do sexo feminino, a rejeição a Bolsonaro pulou de 52% para 56%. Entre os homens, avançou de 43% para 50%. (Do Correio Braziliense)

Vitória escapa por detalhe

POR GERSON NOGUEIRA

Remo 0×0 Coritiba-PR (Lucas Tocantins)

Os técnicos costumam dizer quando a vitória não vem que só faltou a bola entrar. Nem sempre é verdade, obviamente. No caso do jogo Remo x Coritiba, ontem, Felipe Conceição tem toda razão em lamentar. Por detalhes, a vitória acabou escapando. O Remo fez por merecer, principalmente no segundo tempo, quando envolveu por completo o Coxa.

Aí o caro leitor há de perguntar: e o que faltou para vencer? Ao Remo faltou principalmente contundência ofensiva, que é a capacidade de transformar em chance real o que é apenas ensaio de perigo. Em muitos momentos, o time criou situações extremamente interessantes no ataque, mas faltava presença física na área.

Foi assim no 1º tempo, quando em escanteio cobrado por Mateus Oliveira a bola chegou a Lucas Siqueira embaixo da trave, mas o volante se atrapalhou por cima da trave, lance tipicamente para centroavante. Depois, Lucas Tocantins desviou à direita da trave de Wilson.

Além dessas tentativas, pouco igualadas pelo Coritiba em termos de ataque, o Remo lançou muitas bolas na área sem qualquer objetividade porque não havia ninguém capaz de desviar em direção ao gol.

Os problemas do Remo no 1º tempo nasceram da insegurança pelo lado esquerdo, onde Raimar se atrapalhou com as arrancadas do veterano Rafinha. Isso levou a trapalhadas, como quando o goleiro Tiago Coelho estourou uma bola com Igor Paixão, em lance que quase resultou em gol.

Sem o apoio dos laterais, o Remo careceu de maior presença no ataque. No meio, Marcos Junior, Artur e Lucas Siqueira não funcionaram outra vez. O excesso de falhas nas tentativas de alongar passes comprometeu a transição.

Mateus Oliveira, desligado no começo, melhorou na reta final da partida quando o Remo se lançou com mais intensidade ao ataque. Quando Felipe fez as mudanças habituais no 2º tempo, lançando Jefferson, Pingo, Gorne, Rafinha e Neto Moura, o time cresceu e encurralou o Coritiba.

Logo no recomeço da partida, Tocantins finalizou jogada de Mateus mandando na trave do Coritiba. Foi a segunda grande chance remista na partida. Depois, Gedoz bateu colocado e a bola desviou para escanteio.

Com marcação adiantada, o Remo não permitia que o Coritiba saísse de seu campo. Rafinha apareceu bem em dois lances chutando com perigo e Gedoz passou a funcionar como um ponta-de-lança, apresentando-se para uma finalização que desviou na zaga e passou rente à trave.

O jogo terminou com a frustração pela falta de gols. No minuto final, um grande susto: William Alves ficou cara a cara com Tiago, mas o goleiro saiu bem do gol e evitou a derrota. Cenário típico das oscilações e surpresas que a Série B oferece.

Felipe defende modelo – que pode ser aperfeiçoado

Na entrevista pós-jogo, Felipe Conceição deu algumas explicações para a insistência com alguns jogadores que têm tido baixo desempenho – Lucas Siqueira, Artur e Marcos Junior. Observou que os treinos determinam as escolhas, o que é perfeitamente compreensível.

Disse, ainda, que o torcedor cobra alguns nomes, mas que a responsabilidade dele é com o funcionamento do modelo de jogo que o Remo pratica. Em resumo, algumas peças seguirão merecendo espaço, mesmo que se observe deficiência e um rendimento aquém do esperado.

Cabe apenas observar que é sempre possível aperfeiçoar o modelo, mesmo encaixado e responsável pela segura caminhada do time até aqui.

Poder da grana desequilibra disputa no continente

Que ninguém alimente ilusões patrióticas. A supremacia brasileira nos torneios continentais não é somente de ordem técnica. Acima de tudo, é um poderio de natureza financeira. A crise gerada pela pandemia enfraqueceu ainda mais a economia futebolística de países vizinhos. O futebol brasileiro sofreu também, mas em níveis mais brandos.

O dinheiro jorra fácil – embora parte dele não tenha origem muito transparente – para Flamengo, Palmeiras, Atlético-MG e até Corinthians praticarem pequenas loucuras, só aceitas neste momento em face dos êxitos alcançados na Libertadores e na Sul-Americana.

O fato é que, pelo segundo ano consecutivo, a Copa Libertadores terá uma final brasileira. No ano passado, Palmeiras x Santos. Agora, Flamengo x Palmeiras. Na Sul-Americana, outro embate brazuca: Atlético-PR x RB Bragantino. As duas finais serão em Montevidéu.

Pachecos e afobadinhos de plantão já se arvoram a saudar a hegemonia brasileira, como se fosse assentada em bases sólidas. O RB Bragantino é o único dos quatro clubes envolvidos nas decisões que cumpre um planejamento sério, tanto dentro de campo quanto fora.

Os demais têm muito a explicar e dificilmente resistem a uma pesquisa mais refinada no Google. O Flamengo, poderoso e de imensa torcida, lucra há uma pelo menos década com a vantajosa partilha das verbas de patrocínio, além de se beneficiar grandemente da boa vontade da Justiça – vide o caso Ninho do Urubu.

No lado palmeirense, as dúvidas são ainda maiores. A parceria com empresa que surfa na onda de empréstimos a altos juros tem prazo de validade. Ainda mais com a descoberta do bombástico escândalo Pandora Papers. Vale lembrar que, há três décadas, o Palestra quase foi à lona após a passagem do furacão Parmalat.

Hoje, o real vale mais que as demais moedas do continente, o que permite ao Atlético-PR ter o melhor jogador do futebol uruguaio e ao Galo ter o mais destacado meio-campista argentino e garante ao Palmeiras a proeza de contar com o melhor zagueiro do Paraguai.

Com grana, os principais clubes brasileiros importam veteranos que ainda dão um caldo – só no Brasil, obviamente – e ainda se dão ao luxo de tirar figuras importantes dos demais clubes do continente. Não há milagre, apenas realidade de mercado. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 05)