Da Época:
A prisão de Fabrício Queiroz, ex-chefe de gabinete de Flávio Bolsonaro, joga por terra tudo que o filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro vinha dizendo há um ano e meio sobre desconhecer o paradeiro daquele que foi seu braço-direito durante anos. Queiroz foi preso na casa de um advogado de Flávio Bolsonaro.
Disse o senador no ano passado a ÉPOCA, quando perguntado sobre o paradeiro de Queiroz:
“Não o vejo há muito tempo, não falo com ele há muitos anos. Qualquer contato meu com ele pode ser entendido pela Justiça como uma tentativa de obstruir alguma coisa. Então tenho de tomar cuidado triplicado para evitar que algum mal-entendido aconteça”.
O Ministério Público do Rio de Janeiro prendeu na manhã desta quinta-feira o ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz. Além dele, o juiz Flávio Itabaiana Nicolau, da 27ª Vara Criminal do TJ do Rio, expediu mandado de prisão contra a mulher de Queiroz, Márcia Oliveira de Aguiar. A informação é do jornal O Globo.
O casal e o senador são investigados pelo esquema da rachadinha na Assembleia Legislativa do Rio. Queiroz foi preso em Atibaia, no interior de São Paulo e deve vir para o Rio, onde é investigado. A operação denominada “Anjo” teve o apoio da Polícia Civil. O mandado de prisão contra Márcia está sendo cumprido com auxílio da Polícia Federal.
Márcia esteve no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio entre 2007 e 2017. Ela foi um dos sete parentes que Queiroz emplacou na estrutura do mandato de Flávio. Também foram lotados outros sete parentes dele no gabinete de Flávio desde 2007. Entre os parentes de Queiroz investigados junto com o casal estão ainda a enteada e duas filhas, uma delas é a Nahtalia Queiroz, conhecida por ser personal trainer.

Da coluna de Mônica Bergamo na Folha:
Na época em que estourou o escândalo das rachadinhas, em 2018, Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro preso nesta quinta (18) por envolvimento no escândalo, repetia sempre: “Podem me prender, mas não podem prender minha mulher nem milha filha”.
O recado era passado por meio de advogados para o coordenador da campanha, Gustavo Bebianno, de acordo com relatos feitos à coluna. A tradução feita na época pelo núcleo da campanha era a de que o ex-assessor poderia suportar a prisão calado – mas o mesmo não aconteceria se sua família virasse alvo.A mulher dele, Marcia Oliveira de Aguiar, que trabalhou no gabinete de Flavio Bolsonaro, e a filha, Nathalia Melo de Queiroz, que trabalhou com Jair Bolsonaro, também eram investigadas. E o que o ex-assessor mais temia aconteceu: a Justiça do Rio de Janeiro autorizou, nesta quinta, a prisão de Marcia.
AÇÃO CONJUNTA – A prisão de Queiroz foi determinada após ação conjunta do Ministério Público de São Paulo e do Rio de Janeiro e da Polícia Civil paulista. Além dele, também são alvos da Operação Anjos outros quatro ex-funcionários de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, contra os quais foram cumpridos mandados de busca e apreensão. Entre eles, Alessandra Esteves Marins, que ainda trabalha para o senador.
Ela mora em um imóvel que consta da declaração de bens do presidente Jair Bolsonaro entregue à Justiça eleitoral em 2018. A casa está localizada no bairro de Bento Ribeiro, Zona Norte do Rio. O imóvel também foi vasculhado por agentes policiais. Segundo as investigações, ela repassou cerca de R$ 19 mil a Fabrício Queiroz.