Futebol de pires na mão

Árbitro do "Re-Pa do século" apita clássico do próximo domingo ...

POR GERSON NOGUEIRA

O movimento é até surpreendente, se comparado ao fosso existente entre a direção de clubes e representante de atletas das séries A e B, os capitães de 16 times que disputam a Série C se engajam na mobilização para reivindicar recursos junto à CBF para que os clubes da Terceira Divisão consigam pagar os salários dos elencos.

Vinícius, goleiro e capitão do Remo, e Micael, zagueiro e capitão do PSC, representam a dupla paraense. O texto do documento encaminhado à confederação é direto: “Nos apresentamos diante da CBF com a intenção de solicitar a doação de recursos para os clubes da Série C, com destinação exclusiva de manter em dia o pagamento dos salários e imagens dos seus atletas”.

Além da assinatura de Vinícius e Micael, o apelo à CBF é subscrito por representantes de Volta Redonda, Imperatriz, S. José, Vila Nova, Ferroviário, Remo, Manaus, Ypiranga, Brusque, Jacuipense, Treze, Botafogo, Ituano, Santa Cruz e S. Bento. O documento não foi assinado por Boa Esporte, Londrina, Criciúma e Tombense.

A situação dos clubes é aflitiva em função da paralisação de atividades em todo o país. No Pará, a situação torna-se mais preocupante em função da realidade financeira da dupla Re-Pa. Já faz tempo que os dois gigantes do nosso futebol dependem da receita mensal para sobreviver. A

Ambos não conseguem manter um fundo de reserva para situações emergenciais. Nesse cenário, a pandemia da Covid-19 pegou todos desprevenidos. O Remo receia uma situação de pré-insolvência, caso as competições não sejam retomadas a partir de maio. No PSC, o quadro não é tão diferente, visto que o clube já enfrentava dificuldades para manter salários e encargos desde 2018, ano do rebaixamento à Série C.

O reinício do campeonato estadual – aliado à possível ajuda financeira da CBF – representará uma espécie de maná dos céus para os velhos rivais. Ao mesmo tempo, os dirigentes dos demais clubes do Parazão desenham cenários possíveis para o caso de a quarentena continuar.

Florescem teses sem sustentação prática – como a de encerramento do Parazão com declaração de campeão, vice e rebaixados – e outras mais racionais, como a que prega a anulação pura e simples, sem campeão e sem rebaixamento, com repetição de classificados de 2019 à Copa do Brasil e Copa Verde de 2021.

A proposta defendida pela FPF é de esperar pelas deliberações da CBF e pelo estágio da doença no Estado. Serve de alento a possibilidade de o Parazão ser encaixado em datas alternativas à tabela da Série C. Em favor da tese, há o fato de que o campeonato precisa de apenas seis datas – duas da fase de classificação, duas para as semifinais e duas para a decisão.

Os debates, ainda sem chancela oficial, vêm se desenvolvendo nos bastidores. Terceiro colocado, o Castanhal defende que se valorize o posicionamento dos quatro primeiros, propondo que nenhum time seja rebaixado e que o campeonato de 2021 tenha 12 participantes. Papão e Leão não defendem oficialmente nenhum plano, por enquanto.

Mata-mata na Série A volta à mesa de discussões

Com os temores e dúvidas sobre o calendário do futebol pós-pandemia , ressurge a tese de adoção do mata-mata ao invés do sistema de pontos corridos, em vigor desde 2003. Caso isso aconteça, a primeira divisão nacional pode mergulhar na mais séria crise financeira de sua história, agravando a penúria da maioria dos clubes.

O problema é que as empresas (Globo e Turner) que adquiriram os direitos de transmissão não irão aceitar a redução no número de jogos. Ambas pagam cerca de R$ 1.2 bilhão aos clubes disputantes da Série A. O combinado é entregar 380 partidas por temporada.

Caso a competição abrace o velho formato de mata-mata, apenas 19 partidas ficariam no sistema de pontos corridos. Ficariam 204 partidas neste modelo. A TV perderia um terço do campeonato, o que pode acarretar um prejuízo de R$ 600 milhões.

A parte leonina do dinheiro vem do serviço de pay-per-view da Globo, que já sofreu perdas substancial no ano passado em função da crise econômica. A emissora pagou cerca de R$ 550 milhões pelos direitos de transmissão.

Para 2020, a previsão era de alcançar R$ 700 milhões, mas a pandemia já alterou todas as planilhas. Clubes como Flamengo, Palmeiras, Grêmio e Corinthians constituem exceção em meio ao aperreio geral. O quarteto conta com um valor mínimo garantido.

O grande nó da questão é que, segundo o regulamento do Brasileiro, a TV terá direito de renegociar o mínimo garantido aos clubes “mais rentáveis” a um valor proporcional ao número de jogos. É, portanto, desinteressante para todos os clubes a ideia de ressuscitar o mata-mata.

Daniel Alves e o desafio de chegar inteiro à Copa 2022

Boleiros costumam ser condescendentes e corporativos. Roberto Carlos, lateral esquerdo campeão mundial em 2002, esbanjou boa vontade ao defender ontem que o veterano Daniel Alves seja convocado para todos os jogos da Seleção Brasileira, independentemente de sua condição técnica atual e da posição que ocupa no time do São Paulo.

Para Roberto, Dani Alves é um “fenômeno” em campo e uma liderança entre os jogadores, capaz de atuar tanto no meio-campo como pelo lado. Só não falou sobre o rigoroso desafio físico que a próxima Copa do Mundo vai exigir de atletas quarentões como o são-paulino.

Bola na Torre

Lino Machado apresenta o programa, a partir das 19h30, na RBATV, com a presença de Saulo Zaire e Mariana Malato no estúdio. Participações de Guilherme Guerreiro, Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião em ritmo de home office. 

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 29)

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