Juiz impune, dirigente condenado

POR GERSON NOGUEIRA

Existem decisões que têm o mesmo efeito da facada na água. O Supremo Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) é dado a esses disparates, de vez em quando. Além da ineficácia das punições, costuma reformar sentenças reduzindo a pó o trabalho de seus juristas. Desta feita, nem será preciso chegar a tanto. A sentença é um primor de inutilidade.

Refiro-me à condenação, na sexta-feira, do presidente do PSC, Ricardo Gluck Paul, a 30 dias de suspensão de suas atividades como gestor do clube. A sanção decorre de entrevistas do dirigente criticando a atuação do árbitro Leandro Pedro Vuaden (RS) no traumático jogo contra o Náutico, válido pelo mata-mata de acesso à Série B.

Ricardo foi denunciado pela Associação Nacional de Árbitro de Futebol, que se apressou em defender seu filiado e teve o pleito prontamente atendido pelo STJD. Na prática, a decisão equivale a uma espécie de consolo moral, pois não tem qualquer efeito de ordem prática.

A suspensão não prejudica diretamente o clube, pois Ricardo será substituído em eventos oficiais e no ato de assinatura de documentos pela vice-presidente, Ieda Almeida. A medida é tão inócua que o presidente quase festejou a notícia, recusando-se inclusive a recorrer – tem esse direito visto que a decisão não foi unânime.

Ainda assim, Ricardo argumenta contra o posicionamento da principal corte desportiva do país observando que o árbitro de um dos jogos mais polêmicos do ano, com erro capital em lance que favoreceu o Náutico, ficou por duas ou três semanas sem apitar, mas já voltou à escala de jogos da Série A. Apitou (mal) Botafogo x Flamengo no meio da semana.

No fim das contas, Vuaden foi quem menos foi incomodado após a partida realizada no estádio dos Aflitos. Saiu de cena sob uma saraivada de críticas e admissão pela CBF de uma falha grave, mas, pelo visto, foi inteiramente perdoado em curtíssimo espaço de tempo.

Personagem do imbróglio, por omissão, o presidente da FPF também ganhou afagos da CBF logo que baixou a poeira do julgamento que manteve o resultado da partida entre PSC e Náutico.  

Adelcio Torres, citado pelo presidente alviceleste, foi destacado pela CBF para chefiar a delegação da Seleção Brasileira sub-23 na Espanha. No fim das contas, como se vê, apenas o mandatário do clube foi publicamente repreendido pelo tribunal. Ironicamente, foi sentenciado por defender os interesses do clube que preside.

Mesmo sem técnico, Remo garante time-base

Enquanto surgia a notícia do surpreendente interesse do técnico Rafael Jaques (S. José-RS) em trabalhar no Remo, a diretoria anunciou mais um pacote de renovações no elenco para a próxima temporada. Cinco atletas fecharam contrato: o volante Djalma, o zagueiro Mimica, o lateral-esquerdo Ronaell, o atacante Wesley e o goleiro Tiago.

Com os novos acordos, o futuro técnico azulino, cuja contratação ainda depende de pesquisas e negociações, já encontrará no Evandro Almeida um time-base para iniciar treinamentos. O elenco se complementa com jogadores egressos das divisões de base.

Vinícius; Cesinha, Mimica, Rafael Jansen; Djalma, Lailson (Pingo), Lukinha e Eduardo Ramos; Wesley e Hélio Borges (Wallace). Este seria o time caso o Remo precisasse entrar em campo neste final de semana.

Quanto ao futuro comandante, os nomes mais citados são os de Rogério Zimmerman, Sérgio Soares e Clemer. Rafael Jaques fez contato, mas tem chances quase nulas – nem tanto pelo currículo profissional.  

A questão é que diretoria e torcida não esquecem as ameaças que ele proferiu, após o jogo do S. José contra o Remo pela Série C, afirmando que o clube paraense iria se arrepender por um suposto gesto de desrespeito aos visitantes no Mangueirão. A mensagem cifrada foi devidamente entendida dias depois com o estranho resultado da partida entre Juventude e Ipiranga, que excluiu o Remo da briga pelo acesso.

Bola na Torre

Giuseppe Tommaso comanda a atração, a partir das 22h30, logo após o jogo da NBA, na RBATV. Valmir Rodrigues e este escriba de Baião integram a bancada de debates. Em pauta, a Segundinha do Parazão e os preparativos do Papão para a final da Copa Verde.

Esperneio de Jesus não tem amparo na realidade do jogo

A suada vitória rubro-negra sobre o Botafogo, na quinta-feira, não parece ter sido bem assimilada pelo exigente técnico Jorge Jesus. No estilo cortante que costuma exercitar nas entrevistas, ele manteve a agressividade exibida ainda no gramado do estádio Nilton Santos quando chegou a interpelar o zagueiro botafoguense Joel Carli.

Jesus entendeu que seus jogadores foram vítimas de uma autêntica “caça” por parte dos alvinegros. Criticou diretamente o técnico adversário, Alberto Valentim, repreendendo a maneira como armou o Botafogo. Segundo ele, o alvinegro não buscava jogar, apenas bater seus craques.

O experiente treinador é famoso em Portugal pelo destempero à beira do gramado, principalmente quando treinou o Benfica. Surpreende que, com tanta vivência no meio, Jesus ignore que clássicos centenários são marcados por intensa rivalidade.

Ao Botafogo, além de não perder, era fundamental não ser humilhado pelo Flamengo, que neste ano já estraçalhou adversários poderosos, como Grêmio e Corinthians. As provocações de Gabigol e Rafinha no jogo do turno, quando o árbitro Rafael Claus operou o Glorioso, também estavam muito vivas na cabeça dos atletas de Valentim.

Jesus sabe, mas não custa reforçar: em duelos entre rivais históricos há muito mais em jogo do que a circunstancial luta por pontos.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 10)

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