Golpe (e não renúncia) derruba governo na Bolívia

Por Fernando Brito, no Tijolaço

O presidente da Bolívia, Evo Morales,ajoelhou-se ao ultimato militar que recebeu. Hoje à tarde, o comando das Forças Armadas bolivianas, “sugeriu” sua renúncia. Não é, pois, um “ato unilateral de vontade”.

Curioso como militares admitem, como no Chile, lançar tropas contra os “vândalos” quando o governo é de direita, mas apelam à renúncia do governo quando é de esquerda. E que não estava deslegitimado pelas urnas.

Numa curta declaração, Evo disse que renunciava “porque minhas irmãs e irmãos, líderes e autoridades do MAS [Movimiento Al Socialismo, seu partido] não continuem sendo perseguidos, perseguidos, ameaçados” e que era sua “obrigação como presidente indígena buscar essa pacificação”.

Qualquer discussão que houvesse sobre se sua votação superava os 10% de vantagem sobre o segundo colocado – cláusula constitucional para que não houvesse segundo turno – nenhuma delas negava que Morales tinha recebido a maioria dos votos dos bolivianos.

Sequer o país estava em crise econômica, ao contrário, mantinha-se em bons níveis de crescimento. Além de Evo, também renunciou o vice-presidente Álvaro Linera, que segue firme com Evo e que, como o presidente, tem um mandato constitucional até 21 de janeiro.

Vários ministros, antes deles, já tinha anunciado que deixariam os cargos, depois que suas casas foram queimadas por grupos de oposição.

Deu-se um golpe de estado, simples assim, do qual não se sabe quem emergirá no governo do país ou se farão uma nova eleição ou será dispensada esta formalidade para entregar o governo ao derrotado nas urnas..

Não há um governante que, senão aceitando um banho de sangue de seu próprio povo, pode resistir a um ultimato de seus próprias Forças Armadas.

Se Evo vai resistir, fora do Governo, num eventual processo eleitoral, não se sabe. Sabe-se, apenas, que a Bolívia voltou à sua triste rotina de golpes de estado.

Hoje cedo falei da historia de Florentino e o Diabo, de seu desafio folclórico. Evo, pelo visto, não teve chances de abrir a boca senão para se entregar.

ÁUDIOS

Série de áudios de opositores ao governo Evo Morales revela ainda o apoio “das igrejas evangélicas e do governo brasileiro”, além da articulação com políticos dos EUA e de Israel para “queimar estruturas do partido de governo e atacar também a embaixada de Cuba”.

Influência brasileira no golpe militar contra Evo Morales

Reparem bem nessa foto de manifestação em La Paz, Bolívia, onde está em curso um golpe de Estado. Há um boneco inflável com roupa de presidiário que representa o presidente Evo Morales.

Igual ao que fizeram do Lula aqui. O empresário que vende esses bonecos tem uma visão muito empreendedora na América do Sul, né!

Presença do governo Bolsonaro no golpe militar é mencionada em áudios vazados pela imprensa de La Paz.

Juiz impune, dirigente condenado

POR GERSON NOGUEIRA

Existem decisões que têm o mesmo efeito da facada na água. O Supremo Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) é dado a esses disparates, de vez em quando. Além da ineficácia das punições, costuma reformar sentenças reduzindo a pó o trabalho de seus juristas. Desta feita, nem será preciso chegar a tanto. A sentença é um primor de inutilidade.

Refiro-me à condenação, na sexta-feira, do presidente do PSC, Ricardo Gluck Paul, a 30 dias de suspensão de suas atividades como gestor do clube. A sanção decorre de entrevistas do dirigente criticando a atuação do árbitro Leandro Pedro Vuaden (RS) no traumático jogo contra o Náutico, válido pelo mata-mata de acesso à Série B.

Ricardo foi denunciado pela Associação Nacional de Árbitro de Futebol, que se apressou em defender seu filiado e teve o pleito prontamente atendido pelo STJD. Na prática, a decisão equivale a uma espécie de consolo moral, pois não tem qualquer efeito de ordem prática.

A suspensão não prejudica diretamente o clube, pois Ricardo será substituído em eventos oficiais e no ato de assinatura de documentos pela vice-presidente, Ieda Almeida. A medida é tão inócua que o presidente quase festejou a notícia, recusando-se inclusive a recorrer – tem esse direito visto que a decisão não foi unânime.

Ainda assim, Ricardo argumenta contra o posicionamento da principal corte desportiva do país observando que o árbitro de um dos jogos mais polêmicos do ano, com erro capital em lance que favoreceu o Náutico, ficou por duas ou três semanas sem apitar, mas já voltou à escala de jogos da Série A. Apitou (mal) Botafogo x Flamengo no meio da semana.

No fim das contas, Vuaden foi quem menos foi incomodado após a partida realizada no estádio dos Aflitos. Saiu de cena sob uma saraivada de críticas e admissão pela CBF de uma falha grave, mas, pelo visto, foi inteiramente perdoado em curtíssimo espaço de tempo.

Personagem do imbróglio, por omissão, o presidente da FPF também ganhou afagos da CBF logo que baixou a poeira do julgamento que manteve o resultado da partida entre PSC e Náutico.  

Adelcio Torres, citado pelo presidente alviceleste, foi destacado pela CBF para chefiar a delegação da Seleção Brasileira sub-23 na Espanha. No fim das contas, como se vê, apenas o mandatário do clube foi publicamente repreendido pelo tribunal. Ironicamente, foi sentenciado por defender os interesses do clube que preside.

Mesmo sem técnico, Remo garante time-base

Enquanto surgia a notícia do surpreendente interesse do técnico Rafael Jaques (S. José-RS) em trabalhar no Remo, a diretoria anunciou mais um pacote de renovações no elenco para a próxima temporada. Cinco atletas fecharam contrato: o volante Djalma, o zagueiro Mimica, o lateral-esquerdo Ronaell, o atacante Wesley e o goleiro Tiago.

Com os novos acordos, o futuro técnico azulino, cuja contratação ainda depende de pesquisas e negociações, já encontrará no Evandro Almeida um time-base para iniciar treinamentos. O elenco se complementa com jogadores egressos das divisões de base.

Vinícius; Cesinha, Mimica, Rafael Jansen; Djalma, Lailson (Pingo), Lukinha e Eduardo Ramos; Wesley e Hélio Borges (Wallace). Este seria o time caso o Remo precisasse entrar em campo neste final de semana.

Quanto ao futuro comandante, os nomes mais citados são os de Rogério Zimmerman, Sérgio Soares e Clemer. Rafael Jaques fez contato, mas tem chances quase nulas – nem tanto pelo currículo profissional.  

A questão é que diretoria e torcida não esquecem as ameaças que ele proferiu, após o jogo do S. José contra o Remo pela Série C, afirmando que o clube paraense iria se arrepender por um suposto gesto de desrespeito aos visitantes no Mangueirão. A mensagem cifrada foi devidamente entendida dias depois com o estranho resultado da partida entre Juventude e Ipiranga, que excluiu o Remo da briga pelo acesso.

Bola na Torre

Giuseppe Tommaso comanda a atração, a partir das 22h30, logo após o jogo da NBA, na RBATV. Valmir Rodrigues e este escriba de Baião integram a bancada de debates. Em pauta, a Segundinha do Parazão e os preparativos do Papão para a final da Copa Verde.

Esperneio de Jesus não tem amparo na realidade do jogo

A suada vitória rubro-negra sobre o Botafogo, na quinta-feira, não parece ter sido bem assimilada pelo exigente técnico Jorge Jesus. No estilo cortante que costuma exercitar nas entrevistas, ele manteve a agressividade exibida ainda no gramado do estádio Nilton Santos quando chegou a interpelar o zagueiro botafoguense Joel Carli.

Jesus entendeu que seus jogadores foram vítimas de uma autêntica “caça” por parte dos alvinegros. Criticou diretamente o técnico adversário, Alberto Valentim, repreendendo a maneira como armou o Botafogo. Segundo ele, o alvinegro não buscava jogar, apenas bater seus craques.

O experiente treinador é famoso em Portugal pelo destempero à beira do gramado, principalmente quando treinou o Benfica. Surpreende que, com tanta vivência no meio, Jesus ignore que clássicos centenários são marcados por intensa rivalidade.

Ao Botafogo, além de não perder, era fundamental não ser humilhado pelo Flamengo, que neste ano já estraçalhou adversários poderosos, como Grêmio e Corinthians. As provocações de Gabigol e Rafinha no jogo do turno, quando o árbitro Rafael Claus operou o Glorioso, também estavam muito vivas na cabeça dos atletas de Valentim.

Jesus sabe, mas não custa reforçar: em duelos entre rivais históricos há muito mais em jogo do que a circunstancial luta por pontos.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 10)

Trivial variado do golpe narco-teocrático que derrubou Evo na Bolívia

“União de milícias teocrática e narcotráfica deram o golpe na Bolívia? Qualquer semelhança será coincidência?”. Toni Bulhões

“O degenerado que comanda o Golpe na Bolivia levou homens armados e se ajoelhou diante da Biblia, dentro do Palacio: é o primeiro golpe abertamente cristão-militar na America Latina do sec XXI. Evo esta em Cochabamba e tem apoio de 40% do país. Bolivia pode viver dias sangrentos”. Rodrigo Vianna

“A quartelada boliviana virou golpe militar. E isso depois de Evo ter aceitado a convocação de novas eleições. Inacreditável que em 2019 a América Latina volte a viver cenas de 50 anos atrás. Onde está agora a OEA, tão “preocupada” com a democracia boliviana? Não ao golpe!”. Guilherme Boulos

“Bom, pra quem ainda tem dúvidas sobre a aberração que é a imprensa corp-br (aberração do liberalismo e aberração do acordo democrático do século XX), o que rolou com Evo foi mais que um golpe – foi tipo cosplay de América Latina 1972. Jornal ou TV que não usar o nome pode carimbar”. T. C. Soares

“Quando a direita não consegue ganhar pelo voto, arruma um jeito de dar um golpe”. Elika Takimoto

“Evo Morales teve quase 50% dos votos, mas acusado de fraude aceitou fazer outra eleição. Ainda assim o exército o obrigou a renunciar. Essa é a única forma de vencê-lo, mas a maioria da população vai aceitar? Na Bolívia o povo é acostumado a lutar”. Sidney Praxedes

“Democracia só é boa quando eles vencem. Quando perdem é julho/2103, com supremo com tudo. Ou com tanques nas ruas”. Wilson Ramos Filho

A frase do dia

“Jair Bolsonaro, o cavaleiro do antipetismo governa o Brasil há quase um ano testando uma agenda desnecessariamente radical. Sergio Moro, o Justiceiro de Curitiba, tornou-se um ministro subserviente e inócuo. Os procuradores da Lava Jato enredaram-se nas próprias armações, reveladas pelo The Intercept Brasil. Disso resultou que Lula saiu de Curitiba maior do que entrou”.

Elio Gaspari, jornalista

Para guru da extrema direita, Lula é o “maior ídolo da esquerda globalista no mundo”

Em seu primeiro comentário sobre a libertação do ex-presidente Lula e seus impactos no governo de Jair Bolsonaro, o principal articulador da nova direita internacional, Steve Bannon, classifica o petista como “o maior ídolo da esquerda globalista do mundo” desde a saída de Barack Obama do governo dos EUA, e afirma que sua volta às ruas trará “enorme perturbação política ao Brasil”.

Em entrevista exclusiva à BBC News Brasil, o CEO da campanha de Donald Trump à presidência e ex-estrategista-chefe de governo do republicano chama Lula de “cínico e corrupto”, diz que o petista foi corrompido pelo poder e sugere que seu retorno significará a “volta da corrupção” ao Brasil.

“Agora que está livre, Lula vai virar um imã para a esquerda global se intrometer na politica brasileira. Ele é o “poster boy da esquerda globalista”, diz.

O americano, por outro lado, avalia as investigações sobre o uso de laranjas no PSL e suposto caixa 2 na campanha de Bolsonaro à presidência como “puro non-sense” e uma tentativa do establishment de boicotar o governo. “Aconteceu o mesmo com Trump.”

Na visão de Bannon, que cancelou recentemente viagens ao Brasil, à Inglaterra, à Itália e à Austrália para estruturar uma força-tarefa contrária ao processo de impeachment contra Trump, nos EUA, é “bastante evidente” que o STF (Supremo Tribunal Federal) agiu para atrapalhar Bolsonaro ao decidir que réus só devem ser presos após se esgotarem as possibilidades de recursos – o que permitiu a libertação de Lula da carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, na última sexta-feira

“O Brexit, 2016 (eleição de Donald Trump) e Bolsonaro são fatores intrinsecamente ligados”, repete Bannon durante toda a entrevista. “Essas coisas (o impasse sobre a saída do Reino Unido da União Europeia e o impeachment contra Trump) mostram a ordem estabelecida se recusando a reconhecer o poder desse movimento populista e nacionalista.”

Questionado sobre se estes revezes, somados à volta da esquerda na Argentina e a derrota do aliado Matteo Salvini, na Itália, representaria a derrocada da onda da direita nacionalista populista, Bannon reconhece “obstáculos no caminho”, mas reage com as habituais críticas à imprensa.

“Isso é ilusão. nós ainda estamos nos primeiros passos, isso é uma revolução”, diz

Para Bannon, a liberdade de Lula pode ajudar a consolidar a base de apoio de Bolsonaro em torno da aprovação de reformas, ao mesmo tempo em que pode unificar a esquerda em torno do ex-presidente.

“Mas não ache que isso não vá vir sem um preço”, alerta.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista:

Lula
Image captionPara Bannon, Lula é ‘cínico e corrupto’

BBC News Brasil: Como estão as coisas com o processo de impeachment do presidente Donald Trump nos EUA?

Steve Bannon: Criamos um portal e estamos fazendo transmissões diárias, com notícias 24 horas, podcasts. Começamos há duas semanas porque nada estava sendo feito, não havia um local centralizado e é preciso ter para dar respostas às fake news, teorias de conspiração e de caça às bruxas. Ela (Nancy Pelosi, líder do partido democrata na Câmara dos EUA) está dando uma aula magna em guerra política. Então é preciso organizar as forças para contrapor. Isso vai ser grande, bem grande.

BBC News Brasil: A ideia nessa entrevista é ouvi-lo também sobre Bolsonaro, Lula e o que está acontecendo no Brasil.

Bannon: Veja, o Brexit, 2016 (eleição de Donald Trump) e até Bolsonaro são fatores intrinsecamente ligados. Brexit e 2016, definitivamente conectados,e Bolsonaro de forma decorrente. Você vê as mesmas coisas acontecendo. É irônico que no Halloween, em 31 de outubro, eles votaram para formalizar o processo de impeachment nos EUA no exato mesmo dia em que o Reino Unido não deixou a União Europeia como previsto, três anos depois (do referendo do Brexit).

E o voto da nova eleição geral do Reino Unido, em 12 de dezembro, vai provavelmente acontecer a poucos dias do voto do impeachment contra Trump. Acabam de definir que vai ser em meados de dezembro. Então, essas coisas mostram a ordem estabelecida se recusando a reconhecer o poder desse movimento populista e nacionalista.

E Bolsonaro, Lula e o Judiciário permitindo que Lula saia da prisão, isso vai fortalecer Bolsonaro. Acho que os seguidores dele verão a importância de continuar empurrando a agenda dele com um senso extra de urgência. Mas acho que isso vai causar uma perturbação enorme no Brasil, potencialmente enorme.

BBC News Brasil: Por quê?

Bannon: Acho que Lula é um dos políticos e indivíduos mais cínicos e corruptos no mundo. Obama se referiu a esse cara como “o cara”. Literalmente, entre aspas, “o cara” e ria.

Lula é o esquerdista o mais celebrado da história do mundo. O que eu chamo reino do terror financeiro e da corrupção… Foi Lula que fez essa roda girar em conchavo com um bando de políticos corruptos brasileiros.

Lula é uma figura trágica. Dado de onde veio e sua ascensão política, havia muitas, muitas coisas boas que ele estava fazendo. Mas ele é alguém que foi corrompido por dinheiro e poder. É evidente e, para mim, isso agora vai causar uma enorme perturbação política no Brasil.

Foi o que aconteceu no Reino Unido e nos EUA. Nos EUA, Nancy Pelosi e as forças da esquerda e da ordem estabelecida forçaram os EUA a uma crise constitucional neste fim de ano, junto à temporada de feriados. No Reino Unido, há uma crise constitucional no Reino Unido. Essencialmente, haverá um segundo referendo sobre o Brexit. As forcas antidemocráticas ganharam, elas tiraram as pessoas do caminho.

A mesma coisa no Brasil, isso vai levar o Brasil a uma crise constitucional, porque agora há um líder ativo da oposição, que deveria estar preso, agora solto e pronto para dar fôlego a seu grupo e tentar impedir tudo o que Bolsonaro está tentando fazer.

BBC News Brasil: Quando o Sr. fala em enorme perturbação, está falando de que exatamente?

Bannon: Tentar parar o movimento de reformas de Bolsonaro, que claramente se contrapõe a muito da corrupção que emanava no escândalo da Lava Jato e outros. A reforma da Previdência, toda a reestruturação financeira, e a retirada da corrupção do sistema.

Segundo, acho que Lula vai tentar criar problemas sobre a Amazônia. O que ele traz consigo é uma rede da esquerda marxista e cultural. Traz os recursos, os globalistas, e traz na forma de um populismo de esquerda. Mas ele é um globalista e eles sempre o apoiaram. Particularmente nesse momento sensível, as forcas globalistas vão tentar interferir nos direitos absolutamente nacionais da população brasileira, que tem o direito de tomar conta da Amazônia.

BBC News Brasil: O Sr. acha que este cenário permitiria ao presidente Bolsonaro eventualmente escalar a repressão policial ou militar?

Bannon: Não, de jeito nenhum. Acho que Lula vai fortalecer as forças populistas de Bolsonaro para dizerem “Temos que fazer essas reformas o quanto antes”. Acho que isso é um tiro que ajuda a consolidar o controle de Bolsonaro e colocar um senso de urgência a seus seguidores.

Agora que está livre, Lula vai virar um imã para a esquerda global se intrometer na politica brasileira. Ele é o “poster boy da esquerda globalista”. Entre todos no mundo, ele é o maior ídolo, agora que Obama está fora da política. E até Obama se referiu a ele. Com Lula, toda a corrupção antiga vai voltar.

BBC News Brasil: Para muitos analistas, a saída de Lula da prisão aumentaria a polarização no Brasil e isso poderia ser positivo para o presidente Bolsonaro, já que ele enfrenta problemas dentro do seu próprio partido…

Bannon: Espere, espere. Previ a vitória de Bolsonaro quando ele tinha 5% das intenções de voto e disse que ele ganharia quase no primeiro turno. Acho que é positivo por mostrar que é preciso haver urgência e consolidação em torno de Bolsonaro e de seu projeto, mas não acredite que isso não vá vir sem um preço.

A razão de ser preciso mostrar urgência em ajudar seu programa é o fato de que ele agora vai ser desafiado por um “rockstar” internacional da esquerda globalista. Não vai ser tranquilo.

Olhe para o Reino Unido e para os EUA, os dois países estão passando por terremotos. Acho que o processo de impeachment pode potencialmente fortalecer o presidente Trump e acho que a eleição pode fortalecer o movimento de saída do Reino Unido da União Europeia, mas é um teste, é desestabilizador e ninguém sabe no que isso vai dar. Ninguém pode prever nada, cada dia agora é importante.

BBC News Brasil: O Sr. falou em corrupção. O PSL, partido de Bolsonaro, é investigado nesse momento por mau uso de recursos durante a eleição e no pagamento a assessores.

Bannon: Também aconteceu com o presidente Trump. Isso é non-sense, tudo o que está acontecendo é tangencial às mesmas coisas que aconteceram com Trump. Lula é corrupto. É por isso que ele é tão hipócrita. ele veio da pobreza e em algum momento foi idealista. Ele é a trágica figura da modernidade, que é corrompida pelo poder, dinheiro e influencia. Lula foi corrompido e estava preso por sua corrupção e por essencialmente permitir que todos fossem corruptos no governo Dilma. Mas isso (investigações contra Bolsonaro e o PSL) vai ser rapidamente contestado.

BBC News Brasil: Mas, diferente do que acontece com o presidente Trump, Bolsonaro está tendo problemas sérios com seu próprio partido. Ele teve discussões duras e públicas com o presidente do Partido…

Bannon: Isso não é verdade, isso não é verdade.

BBC News Brasil: Mas o próprio presidente admitiu que pode deixar seu partido…

Bannon: Trump teve enormes problemas com seu próprio partido. Outro dia, (o ex-senador republicano) Jeff Flake disse que, se o voto fosse secreto, 35 senadores republicanos votariam pelo impeachment. O establishment do partido republicano tolera Trump, não apoia Trump. E lembre-se que Boris Johnson e Nigel Farage (líder do Partido Brexit) apanharam do establishment do partido Conservador, os manda-chuvas do partido não querem um partido nacionalista populista. O mesmo establishment está fazendo isso com Bolsonaro. Tudo está intrinsecamente ligado. há uma revolta populista nacionalista em escala global em nações individuais e uma ordem de demônios da ordem estabelecida vai lutar até a morte porque entende que, se nós ganharmos, vamos colocar os corruptos fora do jogo.

(Transcrito da BBC Brasil)

Alvo de Lula é Guedes

Do blog de Reinaldo Azevedo no UOL.

O dia raiou, e Jair Bolsonaro, que havia se calado na sexta sobre a saída de Lula da cadeia, o xingou de “canalha” nas redes sociais. Em São Bernardo, o petista discursou e chamou o presidente de “miliciano”. Na Paulista, movimentos de direita e extrema-direita demonizavam o petista, o STF e a “Globolixo”. No evento lulista, o ex-presidente desceu a marreta na Globo, no SBT e na Record. Como naquela música, “paroles, paroles, paroles…” Enquanto os manifestantes estiverem se comportando dentro das regras do jogo, nada que a democracia não possa suportar. E cada um, como num poema de Cecília Meireles, que escolha o seu sonho. As questões realmente relevantes estão em outro lugar. Duas palavras são as chaves: economia e Justiça. Vamos à economia.

Descontadas a linguagem de palanque e as palavras de ordem para inflamar a militância — é tudo do jogo —, o discurso de Lula tem um eixo estruturante: oposição à política econômica de Paulo Guedes. Sob certo ponto de vista, Bolsonaro não tem do que reclamar. A oposição de Lula à reforma da Previdência — ou a boa parte dela — e à reforma do Estado mantém unidos os chamados “mercados” em torno de Guedes e, pois, de Bolsonaro.

(…)

Lula não teria escolhido a política econômica como eixo de seu retorno se não dispusesse de dados indicando a insatisfação de parte considerável dos brasileiros.

(…)

Em mau estado

Por Janio de Freitas, na Folha de S. Paulo

“Lula livre” se insere em momento muito particular da difícil batalha pela democracia na América Latina.

O povo chileno explode como uma bomba de retardamento contra a opressão econômica, e inovações justiceiras são inevitáveis. No Equador, o eleitorado traído de Lenín Moreno tomou-lhe as forças e cobra a dívida multissecular.

Na Argentina renasce uma ideia de solidariedade latino-americana contra a sufocação imposta pelas políticas econômicas elitistas. O México reencontra com López Obrador uma concepção de soberania real e sentido de democracia. Esse tabuleiro parecia ter uma casa reservada para Lula, em lugar estratégico.

Até onde permanecerá a liberdade de Lula é a primeira incógnita que sua nova condição propõe. Não só pela combinação de pendências judiciais e má disposição de parte do Ministério Público e do Judiciário quanto a esses processos, e outros imagináveis.

O bolsonarismo, no Congresso e fora dele, teve uma derrota que afinal lhe contrapõe um obstáculo na paisagem política, até aqui verdejante, da sua perspectiva.

Além disso, duas manifestações (duas até a elaboração deste texto) transmitem a contrariedade do segmento militar com a nova situação que também o derrota. A liberdade de Lula tem inimigos ativos.

O comentário do vice e general Hamilton Mourão ao restabelecimento do princípio constitucional da presunção de inocência, até que completado o trâmite do processo penal, foi claro na mensagem e no destinatário: “O Estado de Direito é um dos pilares da nossa civilização, assegurando que a lei seja aplicada igualmente a todos, mas hoje, 8 de novembro de 2019, cabe perguntar: onde está o Estado de Direito no Brasil? Ao sabor da política?”.

A resposta é simples: o Estado de Direito está no texto da Constituição. Só nele, em letras. E não em qualquer outra parte mais. Não há Estado de Direito onde um general (Eduardo Villas Bôas) pressiona e intimida a corte suprema do país, contra decisão com eventual benefício a um político preso — por deduzido e improvado crime comum, não por tentativa ou golpe contra a Constituição, como tantos já fizeram aqui tantas vezes.

Nem há Estado de Direito onde o mesmo porta-voz, colhido o efeito desejado na primeira investida, volta à mesma pressão intimidatória antes de nova decisão da corte maior.

Não pode haver Estado de Direito onde o poder militar, poder armado, pretende definir o destino judicial e cívico de um político. Não ao sabor da Constituição. “Ao sabor da política?” Não. Ao sabor da força das armas, fornecidas pelo restante da população para a defesa da nação —esta fusão fascinante de povo, Constituição, leis, território, cultura, costumes, história—, e não só do capital privado.

No Estado de Direito em vão procurado pela pergunta acabamos de saber que ao começar o ano já eram 13,5 milhões os miseráveis, 50% a mais sobre os 9 milhões de quatro anos antes.

Diz o levantamento que são pessoas vivendo com menos de R$ 145 por mês. Menos de. Dispõem em média, portanto, no máximo R$ 4,83 por dia. Como comem, essas pessoas? Como se aguentam por todo um dia, por todos os dias, com a miséria de comida a que têm acesso? É insuportável pensar nisso. É insuportável pensar no tratamento dado aos pedintes, no descaso com esses farrapos de vida. Não vivem em Estado de Direito, estão condenados ao estado de miséria.

Bolsonaro proíbe a queima do maquinário de mineradores clandestinos na Amazônia. Já está claro: há um pedido dele para formulação de medida que legalize essa atividade. No Estado de Direito não se legalizaria o crime. Tanto mais por haver indícios fortes de que o controle dessa mineração está em milícias, com policiais e ex-policiais, não sediadas só na Amazônia. É o novo poder em expansão. Contra o direito do Estado e o Estado de Direito.

Na sessão do Supremo que reconheceu a Constituição e contrariou os defensores, na dura acusação do decano Celso de Mello, prática “própria de regime autoritário e autocrata”, Dias Toffoli puxou uma rodada de informações e considerações, muito impressionantes, sobre a criminalidade, a impunidade e a situação prisional no Brasil.

Mas não precisariam ser todos tão caudalosos. Bastaria lembrar que nem o clamor público, interno e internacional, foi capaz de vencer a barragem entre o assassinato de Marielle e Anderson e o que seria a investigação honesta do crime, seus antecedentes e envolvimentos pessoais: corrupção, milícias, vários crimes, poder, todos vasculhados e revelados.

Sem o Estado de Direito, o que viceja é o Estado de direita.

Nunca antes na história do Brasileiro…

Time sensação da temporada, o Flamengo do técnico Jorge Jesus está próximo do título da Série A e de quebrar vários recordes na competição da era dos pontos corridos, desde 2003 – e também desde 2006, quando o torneio passou a ser disputado no formato atual, com 20 clubes.

Atualmente com 74 pontos, um recorde para a 31ª rodada, o Rubro-negro tem pela frente mais sete jogos – Bahia (em casa), Vasco (em casa), Grêmio (fora), Ceará (em casa), Palmeiras (fora), Avaí (em casa) e Santos (fora) -, podendo ser campeão com três ou quatro rodadas de antecipação. Nessa sequência, o Fla poderá se consagrar como o melhor dos pontos corridos em 15 diferentes critérios.

CAMPANHA – O Flamengo (74 pontos) já tem a 10ª melhor campanha desde 2006, quando o Brasileirão passou a ser disputado por 20 clubes – isso com sete jogos a menos. Para superar o Corinthians, que fez 81 pontos em 2015 em 38 rodadas, o Fla precisa de mais oito pontos de 21 em disputa.

VITÓRIAS – O Flamengo tem hoje 23 vitórias, recorde para a 31ª rodada (o Flu ganhou 20 vezes em 2012). Faltam apenas duas vitórias para o rubro-negro superar os recordes de Cruzeiro (2014), Corinthians (2015) e Palmeiras (2016), que venceram 24 vezes desde 2006 (20 clubes).

DERROTAS – Batido apenas três vezes (Internacional, Atlético-MG e Bahia, todos fora), o Flamengo pode ser o campeão com menos derrotas desde 2006, superando o Palmeiras (2018) e o São Paulo (2006), que perderam apenas quatro vezes em 38 rodadas.

INVENCIBILIDADE – Sem perder há 18 rodadas, o Flamengo pode terminar o Brasileirão com 25 partidas sem derrota e quebrar a marca do Palmeiras, que detém a maior invencibilidade nos pontos corridos, desde 2003, quando ficou 23 jogos sem perder em 2018.

TURNO – Com 32 pontos neste 2º turno, o Flamengo poderá quebrar o melhor turno desde 2006, que é do Palmeiras de 2018 (47 pontos, 14 vitórias e 24 gols de saldo). Para isso, o Rubro-negro precisa conquistar 16 dos 21 pontos possíveis pela frente. Outra marca é que o Fla poderá fechar o turno sem derrota, como o Corinthians do 1º turno de 2017 e o Palmeiras do 2º turno de 2018.

ATAQUE – Desde 2006, o recorde de gols no Brasileirão com 20 clubes é do Cruzeiro de 2013, que marcou 77 gols. O Flamengo hoje tem 64 gols (média de 2,06). Faltam mais 14 gols nos próximos sete jogos para o rubro-negro quebrar essa marca.

MANDANTE – Com 95,6% de aproveitamento em casa (14 vitórias e um empate), o Flamengo terá mais quatro jogos no Maracanã – Bahia, Vasco, Ceará e Avaí -, e poderá ser o melhor mandante desde 2006. Até hoje, esse recorde é do Corinthians (2015) e do Palmeiras (2018), com 87,7% de aproveitamento cada (16 vitórias, 2 empates e 1 derrota cada). E apenas dois clubes não perderam em casa como mandantes (Grêmio em 2009 e Atlético-MG em 2012).

VISITANTE – Jogando fora de casa, o Flamengo de 64,6% de aproveitamento (9 vitórias, 4 empates e 3 derrotas). O recorde atual é do Fluminense de 2012, com 68,4% de aproveitamento fora (11 vitórias, 6 empates e 2 derrotas). Mas para isso Fla precisará vencer Grêmio, Palmeiras e Santos fora.

PÚBLICO – Com 58.073 de média de público em casa, o Fla praticamente garantiu a melhor média de um time na era dos pontos corridos. O recorde anterior era do próprio clube, em 2018, com 51.224 pessoas por jogo, em casa.

RENDA – Com R$ 37,5 milhões de renda total (e mais quatro jogos pela frente – com mais de R$ 3 milhões em casa), o Flamengo poderá superar a marca do Corinthians de 2017 (R$ 43,8 milhões).

SEQUÊNCIA – O Flamengo alcançou a marca de oito vitórias consecutivas no Brasileirão de 2019, igualando o recorde do Cruzeiro de 2003 (que conseguiu isso duas vezes na campanha) e do Cruzeiro de 2013, que também venceu oito seguidas. Se vencer todos os seus últimos sete jogos, o Fla poderá chegar ainda a nove vitórias consecutivas.

ATAQUE & DEFESA – Dono do melhor ataque e da terceira melhor defesa, com três gols sofridos a mais que o São Paulo e dois a mais que o Palmeiras, o Flamengo pode ser campeão com o melhor ataque e a melhor defesa, igualando as marcas de São Paulo (2006), Corinthians (2015) e Palmeiras (2016 e 2018).

ARTILHEIRO – Apenas três clubes que foram campeões brasileiros na era dos pontos corridos conseguiram também ter o artilheiro do campeonato: Flamengo, em 2009 (Adriano), Fluminense, em 2012 (Fred), e Corinthians, em 2017 (Jô). Hoje, Gabigol é o artilheiro com 20 gols, seguido por Bruno Henrique, com 15 gols.

ASSISTÊNCIAS – Alguns campeões brasileiros tiveram também os líderes em assistências nos anos dos títulos: Cruzeiro, em 2003 (Alex); São Paulo, em 2007 (Jorge Wagner); Fluminense, em 2010 (Conca); Corinthians, em 2011 (Danilo); Cruzeiro, em 2013 e 2014 (ambos com Éverton Ribeiro); Corinthians, em 2015 (Jadson); e o Palmeiras, em 2016 e 2018 (ambos com Dudu). Hoje, Arrascaeta tem 9 assistências, uma a menos que Dudu, do Palmeiras. Nunca um time foi campeão também tendo o artilheiro e o líder em assistências.

TÉCNICO – O Brasileirão, desde 1971, já contou com 27 treinadores estrangeiros. O português Jorge Jesus poderá ser o primeiro a conquistar o título. Anteriormente, apenas o argentino Volante, em 1959, ganhou um título nacional ao vencer a Taça Brasil. Nos pontos corridos, a melhor colocação de um estrangeiro havia sido em 2003, quando o chileno Roberto Rojas foi terceiro colocado com o São Paulo.

(com informações do UOL Esporte)