Lula destaca papel dos militantes: “Vocês eram o alimento da democracia”

O ex-presidente Lula saiu no fim da tarde de hoje da prisão da PF em Curitiba após decisão judicial e subiu diretamente num palanque para falar com os cerca de 200 militantes presentes no local. “580 dias gritaram aqui: ‘bom dia, Lula, boa tarde, Lula, boa noite, Lula. Não importa se estivesse chovendo, que estivesse 40 graus, que estivesse zero grau. Todo santo dia, vocês eram o alimento da democracia”, afirmou.

Em seu primeiro discurso após deixar a prisão, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) agradeceu a militância, criticou o que chamou de “lado podre” da Polícia Federal e do Ministério Público e fez um afago à namorada, a socióloga Rosangela da Silva.

“Eu consegui a proeza de, preso, arrumar uma namorada”, disse o ex-presidente para uma multidão que o aguardava na saída da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Pouco depois, sob os gritos de “beija, beija”, os dois deram um selinho e arrancaram aplausos de quem estava presente.

Líderes de dois dos principais movimentos sociais brasileiros afirmam que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixa a cadeia mais “combativo” que antes. “O Brasil mudou. Teremos um Lula mais combativo”, afirma Guilherme Boulos, coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).

“Ele saiu maior do que entrou do ponto de vista politico e cultural. E sai mais de esquerda, mais combativo”, diz João Paulo Rodrigues, coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). As declarações foram dadas ao blog, nesta sexta (8), logo após o ex-presidente deixar a Polícia Federal, em Curitiba, onde permaneceu preso por 580 dias.

Decisão do STF dá um basta nas agressões à Constituição

Companheiras e companheiros deste grupo.
A decisão do STF, que fez mil e um malabarismos para se safar da República de Curitiba e dizer que não era necessário comparar com Constituições de outros países, bastava cumprir “a Constituição do Brasil” (Celso de Mello), foi, mais do que uma vitória de Lula, do PT e de todos que tinham consciência do golpe que sofremos em 2016, “com Supremo e tudo”, uma fragorosa derrota da elite brasileira, que, via EUA, colocou à frente o sabujo Sérgio Moro para executar o jogo sujo.
O mesmo jogo sujo que, planejado pelos ianques, destruiu as maiores empresas de construção pesada do país, destruiu milhões de empregos, continua desmontando o país, tenta privatizar as universidades, persegue os trabalhadores civis e agora os servidores públicos e acaba com a soberania do Brasil. Com um governo chefiado por mentirosos eleitos por fake news, incompetentes, submissos ao governo de Trump e aliados de fundamentalistas cristãos, de milicianos e do ódio.

Está na hora de dizer CHEGA!

Guilherme Barra

Jesus já se envolveu em tumulto durante jogo do Benfica

Por Paulo Vinícius Coelho

Jorge Jesus tem razão de reclamar que o jogo contra o Botafogo foi muito violento. O primeiro tempo foi mesmo e Alberto Valentim errou feio ao bloquear a busca pela bola do zagueiro Pablo Marí, para ganhar tempo. Apesar dos excessos botafoguenses, que deveriam ter sido contidos pela péssima arbitragem de Leandro Vuaden, o Flamengo entrou na pilha.

No final do primeiro tempo, o Botafogo tinha feito sete faltas. O Flamengo, dez. Jorge Jesus já viveu em Portugal episódios de tanto nervosismo quanto na noite do Nílton Santos, contra o Botafogo à flor da pele pelos dois meses e meio de salários atrasados e pela perspectiva da zona de rebaixamento.

Na temporada 2010/2011, o Benfica lutava pelo bicampeonato. Na noite de domingo, 27 de fevereiro, entrou em campo no Funchal contra o Marítimo com 48 pontos, dez a menos do que o invicto Porto. Jorge Jesus ostentava 17 partidas de invencibilidade, 11 delas pelo Campeonato Português, com 11 triunfos consecutivos.

Sua última derrota tinha acontecido justamente contra o Porto, no estádio do Dragão: 0 x 5. O Benfica lutou até o fim de uma partida extremamente nervosa. Só aos 94 minutos, o lateral-esquerdo Fábio Coentrão marcou com um chute de pé direito. Ao apito final, os jogadores do Marítimo foram ao árbitro protestar contra o tempo de acréscimo e Jorge Jesus meteu-se na confusão.

O jogador, ex-Atlético Mineiro, declarou que Jorge Jesus excedeu-se, mas disse que sofreu apenas um empurrão. Aquele Benfica foi vice-campeão, 21 pontos abaixo do Porto de André Villas Boas. No Nílton Santos, Jorge Jesus tem razão em reclamar da violência do primeiro tempo e do comportamento de Alberto Valentim. Mas o episódio parece ter muito mais a ver com os nervos à flor da pele do que com preconceito.

No futebol globalizado, já se viu Felipão treinar Portugal e dar soco no sérvio Dragu e José Mourinho treinar o Real Madrid e enfiar o dedo nos olhos do assistente de Guardiola, Tito Villanova. Guerras assim não são para acontecer. Ocorrem de tempos em tempos independentemente de cor, credo ou nacionalidade.

A confissão do crime

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira que não estaria onde está agora se o atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, não tivesse cumprido bem a missão quando era juiz responsável pela operação Lava Jato. Segundo o presidente, que fez discurso ao lado do ministro durante cerimônia de formatura de novas turmas da Polícia Federal, parte do que acontece na política brasileira atualmente se deve a Moro.

Bolsonaro não citou nenhuma ação específica julgada por Moro enquanto esteve à frente da Lava Jato. No entanto, Moro foi o responsável por condenar em primeira instância o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que era líder das pesquisas eleitorais antes de ser proibido de disputar a eleição do ano passado devido à Lei da Ficha Limpa.

Tempo curto para ajustes

POR GERSON NOGUEIRA

Os seis dias que faltam para a primeira partida da decisão da Copa Verde contra o Cuiabá devem ser dedicados a muito treinamento, avaliação e correção de problemas no PSC. Os amistosos contra Tuna e Sport foram oportunos por escancarar vulnerabilidades perigosas, principalmente quanto à marcação e posicionamento dos defensores.

Contra a Tuna, no domingo passado, apesar do placar favorável, o time teve dificuldades no primeiro tempo. Isso contra um time tecnicamente modesto e desmotivado pela eliminação na Segundinha.

Diante do Sport, a situação ficou mais clara ainda. Desde o começo, a defesa e o meio bateram cabeça para deter a rápida troca de passes entre jogadores rubro-negros. O gol de abertura nasceu de uma desatenção no lado esquerdo da zaga. Não custa lembrar que o Cuiabá tem como ponto forte as jogadas em velocidade.

De início, ficou a impressão de que a falha no primeiro gol do Sport tinha sido fortuita. Não foi. Minutos depois, o Belém marcou pela segunda vez, em lance ainda mais denunciador da baixa vigilância à frente da área.

Não se trata de apontar problemas apenas na marcação à frente dos zagueiros. As falhas são sistêmicas, envolvem também a recomposição por parte dos homens de frente, que não aconteceu na frequência adequada.

Outro ponto inquietante é que o Sport comandou a marcha da contagem. Sofreu o segundo empate já na etapa final, quando já era visível a pressa dos bicolores em chegar ao gol, o que comprometeu muito a criação de jogadas. Nem bem se estabeleceu o 2 a 2 no placar, o Sport saiu em contra-ataque de almanaque e marcou o 3º.

No lance, o jogador Edcleber só fez partir com a bola dominada, protegendo e correndo mais que os zagueiros Micael e Vítor Oliveira. Pesados e lentos, ambos não conseguiram conter o avanço e evitar o chute.

É claro que os amistosos devem ser observados sob a perspectiva de treinamento, programados para que o técnico possa justamente aferir o nível atual do time. Hélio dos Anjos chegou a argumentar que a falta de concentração em alguns momentos é própria de jogos não oficiais.

Ocorre que, no 2º tempo, o PSC mostrou-se inteiramente concentrado e focado em tentar em derrotar o ousado Belém. Apesar disso, não conseguiu em nenhum momento ser superior ao sparring. Ficou devendo e expôs falhas que não combinam com a longa invencibilidade de 23 jogos. (Foto: Jorge Luiz/Ascom PSC)

Garoto da Vila supera projeto de craque rubro-negro

Assim meio de repente, sem muito alarde e com muito menos badalação midiática que Vinícius Jr., o ex-santista Rodrygo começa a conquistar a exigente torcida do Real Madrid aproveitando todas as chances que Zidane tem lhe concedido no time principal.

Quando o contratou, a ideia do Real era ir cuidando de sua evolução aos poucos, em muita pressa. Projeto mais ou menos parecido com o que foi pensado para Vinícius, que chegou cercado de muito mais cartaz.

Pois em 43 dias, Rodrygo fez mais do que Vinícius em seu primeiro ano no clube. Dois meses depois da estreia oficial com gol contra o Osasuna, em setembro, o menino da Vila fez um hat-trick na goleada (6 a 0) sobre o Galatasaray, pela fase de grupos da Liga dos Campeões da Europa.

Em todo o ano passado, Vinícius marcou quatro vezes. Neste ano, sob o comando de Zidane, não tem sido relacionado para o time principal.

Rodrygo tem ainda o mérito, raro entre boleiros brasileiros, de conceder entrevistas em espanhol fluente, respondendo de maneira inteligente e clara. Outro diferencial em relação a Vinícius, até pouco endeusado como nova grande promessa de craque surgido na Gávea.

Mídia paulistana segue passando pano para arbitragem

Durante os anos 70 e 80, virou lugar-comum chamar parcela da mídia esportiva do Rio de Janeiro pela denominação Flapress pela coincidência de abordagens positivas ao clube mais popular do país. Isso se perpetuou e até ganhou amplitude na era Globo e influenciou exemplos em outros Estados, alguns com postura até mais evidenciada.

O Palmeiras, desde o ano passado, quando conquistou o Brasileiro com o pé nas costas e vários erros favoráveis por parte da arbitragem, conseguiu neste ano superar até o notório beneficiado Corinthians.

Anteontem, contra o Vasco, o árbitro Rafael Traci – que já havia operado o Botafogo diante do Cruzeiro há duas rodadas – deixou de marcar falta do atacante Luís Adriano no lance do gol da vitória palmeirense, além de ignorar uma bola que bateu na mão de um beque alviverde dentro da área.

Cabe observar que, na rodada anterior, o Ceará foi vitimado por uma arbitragem desastrosa na arena palmeirense, em São Paulo, com um gol ridiculamente invalidado na etapa final.

Engraçada foi a reação do presidente palmeirense Galliote, um radical crítico das arbitragens até umas 10 rodadas atrás. Segundo ele, não houve lance polêmico e nem favorecimento ao Verdão. Ainda teve a coragem de elogiar (a sério) a atrapalhada atuação de Traci.

O Corinthians merece um capítulo à parte na vitória sobre o Fortaleza na Arena Itaquera. O triunfo, que mantém o Timão na briga por uma vaga na Libertadores, foi saudada pelos analistas de todos os canais esportivos de S. Paulo, como se nada de estranho tivesse acontecido. Nenhuma crítica aos dois indecentes penais que mudariam por completo a cara do jogo.

Uma das jogadas faltosas – cabeceio dentro da área que tocou na mão de um defensor corintiano – lembrou o penal cometido por Bruno Collaço e não marcado por Dewson Freitas no Re-Pa da semifinal da Copa Verde.  

Rogério Ceni foi ferino: “Temos que valorizar o trabalho das pessoas do VAR que trabalharam hoje. Todos os lances de toque de mão foram avaliados, o árbitro foi lá olhar, tudo certo. Parabéns. Nada a reclamar diante de tanta ajuda que o VAR tem nos dado ao longo do campeonato”.

Enquanto isso, com aquele riso amarelo, analistas ficaram passando o pano, como se Ceni estivesse apenas esperneando sem motivo. Mas o técnico do Tricolor cearense tinha, sim, motivos de sobra para esculachar a arbitragem de Caio Max Augusto Vieira.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 08)