Caso Marielle: delegado que obstruiu investigação teria recebido propina

Do Estadão:

O delegado de Polícia Federal Hélio Khristian Cunha de Almeida, acusado de obstruir as investigações no caso Marielle Franco, teria participado de esquema para enterrar inquérito aberto contra a Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Rio de Janeiro (Fetranspor). A informação consta da delação do ex-presidente da entidade, Lélis Teixeira, e liga o nome do agente à Lava Jato.

Hélio Khristian foi denunciado em outubro pela então procuradora-geral da República, Raquel Dodge, em um dos seus últimos atos no cargo.

Segundo a PGR, o delegado teria obstruído as investigações do caso Marielle Franco em esquema montado pelo conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado do Rio, Domingos Brazão, suspeito de ser o mandante do assassinato. Marielle foi morta com nove tiros em março de 2018.

No relato de Lélis Teixeira, Hélio Khristian teria se envolvido em esquema para beneficiar a Fetranspor em um inquérito da Delegacia Previdenciária da PF no Rio que investigava supostos crimes cometidos no âmbito da entidade. Em troca, o delegado teria recebido de R$ 2 milhões a R$ 3 milhões em propinas. O caso ocorreu em 2017, afirmou o delator.

Congresso boliviano reconhece Evo como presidente

Depois de empossar o socialista Sergio Choque como novo presidente da Câmara dos Deputados, os deputados e senadores presentes na Assembleia Nacional da Bolívia aprovaram uma determinação na que registraram o repúdio do Poder Legislativo ao golpe de Estado ocorrido no último domingo (10).

Na mesma ação, os congressistas afirmaram desconhecer a autoridade da senadora Jeanine Ánez como presidenta do país. Na terça-feira (12), ela se autoproclamou ao cargo, afirmando ser a quinta na linha de sucessão, após as seguidas renúncias de Evo Morales (presidente), Álvaro García Linera (vice-presidente), Adriana Salvatierra (presidenta do Senado) e Víctor Borda (presidente da Câmara). Vale lembrar que esses quatro foram ameaçados pelos comandantes militares do país, e forçados a renunciar.

Os congressistas que participaram da iniciativa são integrantes do MAS (Movimento ao Socialismo), o partido de Evo Morales. Eles também afirmaram que não aceitarão as renúncias de Evo e do vice-presidente Álvaro García Linera.

Em entrevista para o canal venezuelano TeleSur, o novo presidente da Câmara, Sergio Choque, afirmou que: “as figuram que se alçaram como autoridades após o golpe não têm legitimidade para organizar as eleições, nem para apaziguar o país”.

A declaração dos parlamentares não significa o fim do golpe de Estado na Bolívia, mas também mostra que os golpistas ainda não se consolidaram no poder. A situação política no país continua dentro de um impasse, que não parece que será resolvido em um curto prazo.

Apesar de ter o dobro da audiência, Fox será absorvida pela ESPN

Por Cosme Rímoli

Benjamin Back e Mauro Cezar Pereira.

Dois estilos completamente distintos.

Mas ambos vitoriosos.

Irão se juntar para discutir futebol.

Assim como PVC, André Kfouri, Oswaldo Paschoal, Zé Elias, Edmundo,Gustavo Hofman, Mano…

A adaptação será uma grande incógnita.

A Fox Sports optou pela descontração.

A ESPN/Brasil escolheu a sobriedade.

E mais a Libertadores da América, até pelo menos 2022.

A união forçada deverá acontecer no início de 2020.

Março é um mês muito comentado nas duas emissoras.

A fusão é considerada sem volta, obrigatória.

E marcará o fim dos canais Fox Sports.

O motivo é conhecido.

Depois de meses de negociações sigiliosas, no dia 14 de dezembro de 2017, a The Walt Disney Company anunciou nos Estados Unidos a compra da 21st Century Fox.

Gastou 52,4 bilhões de dólares, R$ 218 bilhões.

Além dos filmes, séries, desenhos, há os canais a cabo. Eles estão sendo agrupados ou vendidos no mundo todo.

No Brasil, o Cade decidiu só aceitar a negociação se a Disney abrisse mão ou da ESPN/Brasil ou da Fox Sports para evitar o monopólio no mundo dos esportes. Esta postura firme do Conselho Administrativo de Defesa Econômica protege a princípio a concorrência. Mas o grupo Globo, principalmente o Sportv, é o maior favorecido.

O Cade exigiu que a Disney escolhesse quais canal esportivo iria ficar. ESPN/Brasil ou Fox Sports. A escolha recaiu pela ESPN/Brasil.

A Disney fez de tudo durante 2018 e até o final deste ano para vender os canais Fox Sports. Chegou até a contratar a empresa Pyne Midia, que pertence a Benjamin Pine, ex-vice presidente de distribuição global da ESPN. Mas a crise, a recessão financeira brasileira foi forte demais.

A DAZN Brasil, empresa de streaming, acabou sendo a única interessada. Mas, a princípio, queria apenas as instalações físicas da Fox Sports no Rio de Janeiro. Não queria assumir funcionários. Mesmo assim, desistiu no meio do caminho.

Assim, a única solução possível e que, já foi aprovada nos bastidores do Cade, será mesmo a fusão dos canais Fox Sports com a ESPN/Brasil.

Esse caminho já era indicado há meses, quando a ESPN/Brasil fez uma surpreendente reformulação mandando muitos funcionários embora.

Como Juca Kfouri e Arnaldo Ribeiro e outros jornalistas.

Assim como o diretor-geral, João Palomino.

Não houve contratações para cobrir a lacuna com as saídas

Na verdade, a cúpula da emissora já estaria ciente da possível fusão e se preparando para receber alguns funcionários da Fox Sports.

A fusão é muito melhor do que o simples fim dos canais esportivos, como aconteceu, por exemplo, com o Esporte Interativo, com quase todos seus funcionários demitidos.

Confirmada a fusão, a ESPN/Brasil absorverá uma pequena fatia de empregados da Fox Sports. 

Haverá dispensas, demissões.

Os funcionários dos canais com sede no Rio de Janeiro foram avisados.

E estão inconformados.

Porque a Fox Sports costuma dar o dobro de audiência da ESPN/Brasil.

Mas para a Disney pesou a tradição, a marça.

A ESPN é muito mais forte no mundo todo, principalmente nos Estados Unidos.

E por isso sua estrutura e seus empregados serão mantidos.

Ao contrário da Fox Sports.

A cúpula do Cade não tem outra solução a não ser aceitar a fusão.

A ESPN/Brasil foi fiscalizada e houve a certeza da tentativa de venda dos canais e a ausência de interessados.

Veja mais: Raí com um pé fora do São Paulo. Os fracassos são ‘todos seus’

O clima nos canais Fox Sports é de revolta, inconformismo.

Medo das demissões.

Mas a direção agiu com dignidade.

E preparou os jornalistas, produtores e câmeras para o que deverá acontecer.

A fusão com a ESPN, com sede em São Paulo.

E o fim dos canais Fox Sports…

As multinacionais, o valioso lítio da Bolívia e a urgência de um golpe

Por Vijay Prashad (*)

O presidente da Bolívia, Evo Morales, foi derrubado em um golpe militar no dia 10 de novembro. Agora ele está no México. Antes de deixar o cargo, Morales esteve envolvido em um longo projeto para levar justiça econômica e social ao seu país há muito explorado.

É importante relembrar que a Bolívia tem sofrido uma série de golpes de Estado, frequentemente conduzidos pelos militares e pela oligarquia em nome das empresas mineradoras transnacionais. No início, eram empresas de estanho, mas o estanho já não é o principal alvo na Bolívia. O alvo principal são seus depósitos maciços de lítio, cruciais para o carro elétrico.

Nos últimos 13 anos, Morales vinha tentando construir uma relação diferente entre o país e seus recursos. Ele não quis que os recursos naturais beneficiassem as empresas mineradoras transnacionais, mas, sim, a população boliviana.

Parte dessa promessa foi cumprida: a taxa de pobreza da Bolívia diminuiu e a população boliviana tem conseguido melhorar seus indicadores sociais.

A nacionalização dos recursos naturais, combinada com o uso de sua renda para financiar o desenvolvimento social, tem desempenhado um papel importante. A atitude do governo de Morales produziu uma resposta dura por parte das empresas transnacionais – várias delas levaram a Bolívia à Justiça.

Ao longo dos últimos anos, a Bolívia tem lutado para buscar investimentos para explorar as reservas de lítio de forma a trazer a riqueza de volta ao país e para seu povo.

O vice-presidente de Morales, Álvaro García Linera, disse que o lítio será “o combustível que alimenta o mundo”. A Bolívia não conseguiu fazer acordos com empresas transnacionais ocidentais e decidiu estabelecer parcerias com empresas chinesas.

Isso tornou o governo de Morales vulnerável. Ele entrou na nova Guerra Fria entre o Ocidente e a China. O golpe contra Morales não pode ser entendido sem olhar para esse confronto.

Choque com as transnacionais

Quando Evo Morales e o Movimento ao Socialismo (MAS) chegaram ao poder em 2006, o governo imediatamente procurou desfazer décadas de roubo das empresas mineradoras transnacionais.

O governo Morales imediatamente apreendeu várias das operações de mineração das empresas mais poderosas, como Glencore, Jindal Steel, Anglo-Argentinian Pan American Energy e South American Silver (hoje TriMetals Mining). Ele enviou uma mensagem de que os negócios não iriam continuar como de costume.

No entanto, essas grandes empresas continuaram com suas operações – com base em contratos mais antigos – em algumas áreas do país.

Por exemplo, a transnacional canadense South American Silver tinha criado uma companhia em 2003 – antes de Morales chegar ao poder – para explorar prata e índio (um metal de terras raras usado em televisores de tela plana) no Malku Khota.

A empresa então começou a estender o alcance de suas concessões. As terras reivindicadas pela empresa eram habitadas por comunidades indígenas bolivianas, que argumentaram que a companhia estava destruindo seus espaços sagrados, além de promover a violência.

No dia 1º de agosto de 2012, o governo Morales – pelo Decreto Supremo nº 1308 – anulou o contrato com a South American Silver (TriMetals Mining), que então procurou arbitragem internacional e compensação.

O governo canadense de Justin Trudeau – como parte de uma movimentação mais ampla em nome das empresas de mineração canadenses na América do Sul – colocou uma imensa pressão sobre a Bolívia. Em agosto de 2019, a TriMetals firmou um acordo de US$ 25,8 milhões com o governo boliviano, cerca de 10% do que havia exigido anteriormente como compensação.

A Jindal Steel, uma corporação transnacional indiana, tinha um contrato antigo para explorar minério de ferro no El Mutun, que foi suspenso pelo governo Morales em 2007.

Em junho de 2012, a Jindal Steel encerrou o contrato, procurando arbitragem internacional e compensação pelo seu investimento. Em 2014, a corporação ganhou US$ 22,5 milhões na Câmara de Comércio Internacional, sediada em Paris. Em outro caso, a Jindal Steel exigiu US$ 100 milhões em compensação.

O governo Morales apreendeu três instalações da Glencore, empresa de mineração transnacional sediada na Suíça, que incluíam uma mina de zinco e estanho bem como duas fundições. A desapropriação da mina ocorreu depois que a subsidiária da Glencore enfrentou violentamente os mineiros.  

Mais agressivamente ainda, a Pan American processou o governo boliviano em US$ 1,5 bilhão pela expropriação feita pela companhia nacional de energia da sua participação na Petrolera Chaco. A Bolívia pagou US$ 357 milhões em 2014.

A escala desses pagamentos é enorme. Foi estimado em 2014 que os pagamentos públicos e privados feitos para a nacionalização desses setores-chave totalizaram pelo menos US$1,9 bilhão (O PIB da Bolívia era, na época, US$ 28 bilhões).

Em 2014, até mesmo o Financial Times concordou que a estratégia de Morales não era totalmente inadequada. “A prova do sucesso do modelo econômico de Morales é que, desde que chegou ao poder, ele triplicou o tamanho da economia e conseguiu um recorde em reservas cambiais”.

Lítio

As principais reservas da Bolívia são de lítio, que é essencial para o carro elétrico. A Bolívia afirma ter 70% das reservas mundiais de lítio, principalmente no Salar de Uyuni.

A complexidade da mineração e do processamento do lítio fez com que a Bolívia não conseguisse desenvolver sozinha a indústria do lítio. Precisa de capital e conhecimentos especializados.

O sal está a 3.600 metros acima do nível do mar e recebe alta pluviosidade. Isso dificulta o uso da evaporação a base de sol. Tais soluções mais simples estão disponíveis no deserto de Atacama no Chile e no Hombre Muerto na Argentina. São necessárias soluções mais técnicas para a Bolívia, o que significa que são necessários mais investimentos.

A política de nacionalização do governo Morales e a complexidade geográfica do Salar de Uyuni afastaram várias empresas mineradoras transnacionais. Eramet (Franca), FMC (Estados Unidos) e Posco (Coreia do Sul) não conseguiram fazer acordos com a Bolívia e operam agora na Argentina.

Morales deixou claro que qualquer exploração do lítio teria de ser feita em conjunto com a empresa mineradora nacional da Bolívia, a Comibol, e com a Yacimentos de Litio Bolivianos (YLB), sua empresa nacional de lítio, como parceiros iguais.

No ano passado, a ACI Systems da Alemanha conseguiu um acordo com a Bolívia. Mas após protestos dos moradores da região do Salar de Uyuni, Morales cancelou o acordo em 4 de novembro de 2019.

Empresas chinesas, como a TBEA Group e a China Machinery Engineering, fizeram um acordo com a YLB. Dizia-se também que o Tianqui Lithium Group da China, que opera na Argentina, faria um acordo com a YLB.

Tanto o investimento chinês quanto a empresa boliviana de lítio estavam experimentando novas formas de extrair e compartilhar os lucros do lítio. A ideia de que se pudesse ter um novo pacto social para explorar o lítio era inaceitável para as principais empresas de mineração transnacionais.

Mineradoras como a Tesla e Pure Energy Minerals (Canadá) mostraram grande interesse em ter uma participação direta no lítio boliviano. Mas elas não conseguiram fazer um acordo que levasse em consideração os parâmetros estabelecidos pelo governo de Morales.

O próprio Morales foi um impedimento direto à aquisição dos campos de lítio pelas empresas transnacionais não chinesas. Por isso, ele precisava sair.

Após o golpe, as ações da Tesla subiram astronomicamente.

*Vijay Prashad é historiador, jornalista indiano e diretor geral do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social

Edição: Rodrigo Chagas | Tradução: Pilar Troya

Hélio faz suspense sobre Hygor e mostra preocupação com início de jogo

Na entrevista que concedeu ontem, o técnico Hélio dos Anjos não confirmou a escalação para o confronto desta noite, mas confirmou as ausências de Perema e Uchoa, deixando no ar o possível aproveitamento do atacante Hygor Silva.

“O Hygor ainda é uma pequena incógnita, ora reage bem, ora sente um pequeno desconforto. Não é o mesmo músculo passado, é outro. Mas eu vou frisar uma coisa muito importante: independe da escalação, o grupo que eu tenho hoje preparado, definido para iniciar a partida, está muito bem. O próprio Elielton fez trabalhos muito bons, de muita aplicação, caso eu o use não vai ter nenhum problema. Mas, a questão Perema, o Victor [Oliveira] é um dos jogadores que mais jogou na temporada, não vejo maiores problemas”, disse o técnico.

Sobre o adversário, disse que mapeou pontos fortes e fragilidades, mas reconheceu a grande fase vivida pelo Cuiabá na Série B.

“Já esboçamos o adversário de todas as formas possíveis para os atletas e ainda tem duas reuniões com eles. Temos 11h da manhã [desta quinta-feira] o vídeo editado dos três últimos jogos, têm algumas coisas um pouco diferentes. Sabemos que pode ter uma ou outra mexida, mas é um time que, nos últimos sete jogos, perdeu uma partida e vem de uma sequência muito grande de partidas”, destacou.

Segundo Hélio, “é um jogo de circunstâncias diferentes com relação a regularidade. É um jogo em que não quero perder a nossa característica de jogo, a nossa forma de jogar, mas normalmente a gente trabalha também em função do adversário, em pontos decisivos para o adversário, tanto positivamente quanto negativamente”.

Preocupação com primeiros minutos

“Se formos ver como eles jogaram a maioria dos jogos dentro de casa, teremos que ter uma atenção muito grande nos momentos iniciais. Na maioria eles saíram para decidir o jogo no início, a gente sabe o porquê disso. Nesse último [contra o América-MG, pela Série B] eles não tiveram a felicidade, mas é um time fortíssimo, que voltou totalmente as suas atenções para a nossa decisão em função de que, com os resultados de ontem da Série B, eles não têm mais chances de subir, então tudo deles a partir de agora vai ser em cima desses dois jogos”.

Atraso de voo faz Papão chegar a Cuiabá horas antes do jogo

A delegação do Paissandu, que embarcou ontem à tarde para Brasília, com Cuiabá como destino final, teve sua chegada retardada porque a conexão na Capital Federal sofreu atraso. Por essa razão, a equipe ainda está em deslocamento para Cuiabá, desembarcando poucas horas antes da decisão. A diretoria publicou nota (abaixo) prometendo processar a companhia aérea pelo atraso.

O clube diz que a delegação chegou ao Aeroporto Internacional de Belém duas horas antes da saída para Brasília, primeiro destino do grupo. O problema é que o avião da GOL, empresa aérea que serve a logística da CBF, não decolou no horário previsto (17h20). O voo atrasou saindo apenas às 19h30.

Em função disso, o PSC também perdeu o voo da escala em Brasília. Informação da CBF indicava que os atletas chegariam a Cuiabá ainda na quarta-feira à noite, o que não aconteceu. A delegação partiu finalmente para a capital mato-grossense às 14h30 em voo fretado pela CBF.

O primeiro jogo da final da Copa acontece hoje, às 21h, na Arena Pantanal. A volta acontece no dia 20 de novembro, no estádio Jornalista Edgar Proença (Mangueirão).

Abaixo, a nota oficial divulgada pela diretoria do PSC:

O que está em jogo com a liberação para expansão da cana na Amazônia e Pantanal?

Decreto tende a promover desmatamento e é assinado pouco antes da divulgação de provável aumento nas taxas de destruição da floresta. Veja perguntas e respostas e fique por dentro do debate

O presidente Jair Bolsonaro, os ministros Tereza Cristina (Agricultura) e Paulo Guedes (Economia) assinaram um decreto, na terça (4), que revoga o zoneamento econômico-ecológico da cana-de-açúcar, instrumento que impedia a expansão do cultivo na Amazônia e Pantanal. Na prática, a norma deve ampliar o desmatamento.

A medida é tomada em meio à expectativa da divulgação dos dados oficiais que devem apontar o aumento da taxa de destruição da floresta amazônica em termos significativos – normalmente, é feita em novembro, mas não há confirmação de quando ocorrerá de fato. Bolsonaro também assinou o decreto poucos meses depois da crise das queimadas na Amazônia, diretamente relacionadas ao desmatamento.

O etanol brasileiro produzido a base de cana é considerado mais sustentável porque as emissões da queima do combustível são compensadas com o crescimento da planta, que absorve CO2 da atmosfera. O produto brasileiro tem o balanço de gases de efeito estufa mais positivo do que o etanol produzido com o milho, por exemplo, mais comum nos EUA, mas se for obtido a partir do desmatamento da floresta, no entanto, a vantagem desaparece. A Amazônia responde por apenas 1,5% da área total do cultivo no Brasil (leia mais).

Pesquisadores, ambientalistas e parte do setor produtivo avaliam que o fim do zoneamento da cana ameaça as exportações brasileiras, principalmente para a União Europeia, Japão e outros países com maiores restrições ambientais. “Com seu ato, os dois ministros, tidos como a ‘ala razoável’ do governo, expõem dois biomas frágeis à expansão predatória e economicamente injustificável da cana e jogam na lama a imagem internacional de sustentabilidade que o etanol brasileiro construiu a duras penas”, afirmou o Observatório do Clima (OC) em nota.

Segundo a rede de organizações, da qual o ISA faz parte, no ano passado as emissões de gases de efeito estufa do setor de energia no Brasil caíram cerca de 5%, graças, em parte, ao aumento do uso de etanol (13%) no combustível usado no transporte de passageiros.

Governo e a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) insistem que o decreto não irá promover o desmatamento. Eles consideram que o próprio setor é capaz de autoregular-se ambientalmente e que o Renovabio, programa federal para os biocombustíveis, também estabelece restrições para quem desmatar (leia nota da Unica).

No ano passado, junto com outras organizações, o ISA liderou uma campanha contra o Projeto de Lei do Senado (PLS) nº 611/2011, do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), que tem o mesmo objetivo de permitir o cultivo de cana na Amazônia. Com a pressão, a proposta acabou sendo retirada da pauta do plenário a pedido do próprio parlamentar.

ISA e o OC elaboraram um texto com perguntas e respostas para você ficar por dentro do assunto. Leia abaixo.

Fonte IBGE 2015

O que era o zoneamento da cana, derrubado pelo decreto do último dia 6?
O zoneamento agroecológico da cana-de-açúcar era um extenso decreto, de 2009, que definia as regiões do país aptas à expansão da lavoura da cana com crédito rural público. Estava baseado em estudo da Embrapa que identificou 64 milhões de hectares aptos para o plantio mecanizado da cana, excluindo a Amazônia, o Pantanal e a bacia do Alto Paraguai (BAP), onde nascem os rios pantaneiros. As áreas identificadas correspondiam a quase oito vezes toda a área plantada com cana no país.

Por que o zoneamento foi feito e por que excluir a Amazônia e o Pantanal?
Na época em que o zoneamento foi estabelecido, havia forte interesse do Brasil em tornar-se um líder na exportação de biocombustíveis. A União Europeia havia estabelecido uma diretriz para a ampliação do uso de biocombustíveis em 2009, mas havia preocupação em garantir que esses não competissem com culturas alimentares (caso das plantações agroenergéticas na África) nem gerassem devastação ambiental (como o biodiesel de dendê da Indonésia, muito ligado ao desmatamento). O Brasil adotou o zoneamento como diferencial competitivo, excluindo regiões que eram frágeis ambientalmente, mas que também apresentavam desafios logísticos ou tinham clima inadequado para a cana.

Mas essas regiões já têm áreas desmatadas. Não se pode plantar nelas?
A cana não foi banida dos lugares onde já era plantada, inclusive em várias regiões da Amazônia, como o Acre, o Pará e o Amazonas. O que o zoneamento estabeleceu foi que não se poderia pedir financiamento público para expandir o cultivo e criar novas usinas nas três regiões que ficaram fora do licenciamento, nem em zonas de declividade superior a 12o, que demandariam o uso de trabalho degradante (bóias-frias). Três estados da Amazônia Legal, Mato Grosso, Tocantins, e Maranhão, concentram áreas significativas de cana plantadas em áreas compreendidas no bioma de Cerrado (incluídas no zoneamento) . Em 2015, segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) esses estados contavam com 300 mil hectares, 35 mil hectares e 47 mil hectares plantados de cana, respectivamente. O Pará vem na sequência, com 16 mil hectares, seguido do Amazonas, com 4,4 mil. Lembre-se: a restrição não é aos estados amazônicos, a chamada Amazônia Legal (onde o zoneamento identificou 8,7 milhões de hectares passíveis de expansão), mas sim ao bioma Amazônia – que, de resto, é em geral chuvoso demais para produzir cana com qualidade.

Quem perdeu com o zoneamento?
Muito pouca gente. De acordo com o mapa elaborado pela Embrapa, as regiões excluídas do zoneamento tinham apenas 12 usinas quando o decreto foi editado – menos de 3% do total de usinas do Brasil. Interesses paroquiais tentavam de tempos em tempos derrubar o zoneamento no Congresso: o opositor mais célebre é o senador paraense Flexa Ribeiro (PSDB), que desde 2011 tentava aprovar um projeto de lei para retirar a restrição à cana na Amazônia. A última tentativa ocorreu em março do ano passado, mas naufragou após críticas veementes de 60 entidades ambientalistas, de ex-ministros do meio ambiente e da Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar), principal entidade empresarial do setor. Você leu certo: até março de 2018, a indústria da cana era a favor da manutenção do zoneamento.

Há necessidade de reverter o zoneamento da cana para acomodar a expansão da produção?
Não. As lavouras de cana estão espalhadas, hoje, por mais de 10,8 milhões de hectares no Brasil, de acordo com a Unica. O zoneamento agroecológico identificou mais 64 milhões de hectares passíveis de expansão, dos quais 19,3 milhões possuem alta aptidão para a cultura. A produção prevista de etanol no Brasil é de 54 bilhões de litros até 2030, para cumprir com o compromisso do país no Acordo de Paris. Supondo que não haja ganhos de produtividade e uma relação linear entre a produção total de etanol atual (30 bilhões de litros em 2015/2016) e a área cultivada, seriam necessários 11 milhões de hectares adicionais para dobrar a produção, excedendo, assim, a meta de Paris. Não há necessidade de um único hectare de terra amazônica ou pantaneira para cana-de-açúcar. Considerando os ganhos de produtividade e a estimativa atual para expansão, esse número será muito menor.

O zoneamento era engessado demais?
Como qualquer política, o zoneamento da cana estava sujeito a atualizações. Por exemplo, pouco tempo depois de ele ter sido publicado, entrou no mercado uma nova tecnologia que permite cultivar mecanicamente em aclives de até 18o. Segundo alguns técnicos, isso expandiria a área apta para a cana em mais de 10 milhões de hectares. O jeito de incorporar tal mudança era rever o decreto, não revogá-lo.

Mas a cana seria expandida por áreas já desmatadas. Por que os ambientalistas falam que isso causaria mais desmatamento?
A primeira e mais simples explicação é o efeito-cascata sobre o gado. As culturas de commodities de alto rendimento, como a cana e a soja, elevam muito o preço da terra. Pecuaristas e grileiros podem se sentir estimulados a abrir mais áreas florestais para “pastagem” e vendê-las por grandes quantias para produtores de cana, e depois seguir para novos terrenos recém desmatados.

Antes da moratória da soja, em 2006, esse “vazamento” de desmatamento acontecia em várias cidades com plantações de soja, em Estados como Mato Grosso e Pará. Não há acordo parecido para a cana, apesar de o presidente da Unica e assessores do Ministério da Agricultura estarem usando a legislação do programa Renovabio como argumento (veja abaixo).

Um novo vetor de desmatamento dificultaria a aplicação da lei na Amazônia, onde estudos mostraram que o cumprimento do Código Florestal já é muito baixo e a maior parte do desmatamento é ilegal. Além disso, a nova infraestrutura precisaria ser instalada para processar e transportar a nova safra. Estes são, eles mesmos, fatores de desmatamento. Mas a perda de floresta não é o único problema da revogação: uma nota técnica publicada pelo Museu Paraense Emílio Goeldi aponta que a cana é uma cultura com alta demanda por água, podendo agravar os problemas de fluxo hídrico das regiões na borda da floresta, onde estão as terras degradadas. Além disso, o vinhoto usado para fertilizar os canaviais contamina os rios com nitrogênio em excesso e as queimadas para o cultivo da cana criam mais um elemento de risco de incêndios florestais numa região onde o regime de fogo já mudou.

O presidente da Unica, Evandro Gussi, afirma que a expansão da cana estaria regulada pelo RenovaBio, que não admite desmatamentos adicionais. Isso não basta?
O argumento é equivocado. A produção de cana de fato atende ao RenovaBio, a nova política nacional de biocombustíveis, cuja lei foi sancionada em 2017 pelo então presidente Michel Temer. O objetivo do RenovaBio é atender às metas do Acordo de Paris de aumentar a proporção de etanol e biodiesel na matriz energética brasileira.

Ocorrem duas coisas, porém. Primeiro, a Lei do RenovaBio não diz absolutamente nada sobre desmatamento. O único instrumento da nova política que toca nesse assunto, regulamentando parte da lei, é a Resolução 758/2018 da Agência Nacional do Petróleo e Biocombustíveis, que regula a certificação da produção de etanol e biodiesel. Em seu artigo 24, a resolução afirma que as unidades certificadas não poderão ter desmatamento após 2018 (data em que a resolução entrou em vigor), mas faz duas ressalvas fundamentais: primeiro, só se considera para a certificação a área cultivada com culturas energéticas dentro da propriedade (parágrafo 2º).

Se um fazendeiro tem, digamos, 10 mil hectares e separa 1.000 hectares para produzir cana ou soja para biodiesel, mesmo assim ele poderá desmatar o restante de sua propriedade dentro dos limites do Código Florestal. Mas não para por aí: a certificação também pressupõe – adivinhe! – que a produção elegível para certificação, no caso da cana, esteja nas áreas estabelecidas… pelo zoneamento da cana. Aquele mesmo que foi revogado. Ou seja, criou-se uma lógica circular, na qual a suposta garantia ambiental que embasou a revogação do zoneamento depende do próprio zoneamento revogado. É como querer contratar um estagiário e exigir três anos de experiência.

Por que a mudança prejudica os biocombustíveis ao invés de ajudar?
O etanol brasileiro era tido e havido como o biocombustível mais sustentável do mundo. No ano passado, o país exportou mais de 950 milhões de litros para as Américas, 660 milhões para a Ásia e quase 50 milhões para a Europa. A boa fama se deve em parte ao fato de as emissões de gás carbônico do ciclo de vida da cana serem muito baixas (quase todo o carbono emitido pela queima no motor do carro é sequestrado de novo pela cana ao crescer), diferentemente do álcool de milho americano, cuja eficiência de carbono é bem mais baixa. Além disso, a cana ocupa área relativamente pequena no país e vinha crescendo essencialmente sobre pastagens abandonadas no Sudeste e Centro-Oeste. Por isso neste ano, quando o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima) lançou um relatório especial sobre uso da terra que fazia críticas aos biocombustíveis em seu sumário quanto à competição com alimentos e florestas, a diplomacia brasileira interveio para explicar que nem todo biocombustível era assim – e conseguiu mudar o texto. O zoneamento era o salvo-conduto de sustentabilidade do álcool brasileiro – e por isso ele era defendido pela Unica, que mudou de posição de repente. Sem o zoneamento, o álcool brasileiro poderá voltar a frequentar as listas sujas de biocombustíveis, prejudicando as exportações.

Mas não é melhor ter cana na Amazônia do que energia de hidrelétricas como Belo Monte?
Esse argumento foi utilizado por assessores do Ministério da Agricultura para justificar a revogação do zoneamento. Ele não faz o menor sentido, uma vez que a energia de Belo Monte não fica na Amazônia – é despachada para o Sistema Interligado Nacional – e a cana plantada na Amazônia não seria usada para gerar eletricidade, e sim para abastecer carros. Nos dois casos, trata-se de alternativas que geram muito impacto e pouca riqueza local. Belo Monte fez a criminalidade explodir em Altamira e prejudicou todas as populações que viviam da pesca na Volta Grande do Xingu. A cana é uma cultura intensiva em terra e capital. Pequenos produtores tendem a ser prejudicados por sua expansão, seja pela valorização das terras e pela concentração fundiária que ela induz.

(Transcrito do site ISA)

Para levantar o 3º caneco

POR GERSON NOGUEIRA

O Papão dá inicio hoje, em Cuiabá (MT), a uma nova decisão da Copa Verde. Tem a chance de conquistar a competição pela terceira vez, consolidando-se como o maior vencedor do torneio. E pode estar justamente aí a grande vantagem psicológica sobre o representante mato-grossense. O Cuiabá venceu uma vez – em 2015, decidindo com o Remo – mas não tem o mesmo histórico vitorioso do time paraense.

Em seis edições, o PSC levantou dois títulos e marcou presença em duas finais. Um retrospecto respeitável, sob qualquer circunstância. Hélio dos Anjos e seus jogadores sabem perfeitamente disso e devem estar prontos a explorar essa vantagem emocional.

Por tudo isso, a final não permite apostar em favoritismo de nenhum dos lados, embora o time cuiabano esteja em atividade na Série B, jogando bem e conquistando vitórias importantes sob o comando do ex-bicolor Marcelo Chamusca, embora tenha perdido para o América-MG (por 2 a 0) na última segunda-feira após uma sequência de sete partidas sem derrota.

Alguns jogadores têm mostrado bom desempenho, com destaque para o atacante e ex-azulino Felipe Marques e Jefinho, mas as características da equipe é que tornam o confronto mais duro. É um time rápido, que gosta de explorar a troca de passes no campo adversário e dispõe de laterais, Léo e Paulinho, bastante agudos.  

Jean Patrick, meia que organiza as ações do time, é o desfalque confirmado para esta noite (será substituído por Escudero), o que naturalmente favorece o Papão no setor onde residem hoje as maiores interrogações sobre o time de Hélio dos Anjos.

A provável escalação do PSC tem Vítor Oliveira na defesa, ao lado de Micael, e Caíque Oliveira e Wellington Reis como volantes. Tomas Bastos, recuperado de contusão, deve ser o titular do setor de criação. O ataque é o mesmo que foi experimentado nos amistosos contra Tuna e Sport Belém: Elielton, Nicolas e Vinícius Leite.

O desenho da equipe, se confirmado por Hélio dos Anjos, tende mais para um time que vai concentrar esforços no ataque com os naturais cuidados defensivos. Não parece escalação muito defensiva, o que é uma boa notícia, visto que a pior estratégia fora de casa é a cautela excessiva.

Com os olhos postos na segunda partida, marcada para o Mangueirão, o PSC não pode se lançar afoitamente ao jogo de hoje, nem se preocupar apenas em não tomar gols. O esforço deve ser no sentido de equilibrar as ações, evitando erros no começo.

A longa invencibilidade (23 jogos) é mais um trunfo, afinal é preciso ter qualidade para ficar tanto tempo sem perder. Dessa certeza nasce boa parte da confiança demonstrada nos últimos dias pelos jogadores do Papão.

Com Fredson, Leão vai fechando a zaga para 2020

O Remo vem, aos poucos, renovando contrato com peças importantes do elenco. A defesa está praticamente fechada, com Mimica, Rafael Jansen e Fredson (foto). Do grupo de zagueiros da atual temporada falta apenas confirmar Marcão, cuja situação depende da liberação pelo Marítimo, de Portugal. A depender da diretoria, o jogador será mantido no elenco.

É uma política segura preservar jogadores que tiveram bom desempenho no clube. Garante ao futuro técnico uma base para iniciar trabalho, evitando a importação em massa verificada no final de 2018. Na ocasião, o Remo não tinha jogadores suficientes para montar um time, o que levou a exageros (e erros) nas contratações.

O grande problema está no meio-de-campo, setor que conta hoje com Djalma, Rafael Tufa, Lukinha, Lailson, Carlos Alberto, Pingo e Eduardo Ramos. É evidente que falta força de marcação e, seguramente, pelo menos mais um meia-armador para articular jogadas.

Encontrar as peças certas, dentro das opções do mercado e dos limites do orçamento do clube, é responsabilidade que caberá ao técnico a ser anunciado até o fim da semana.

Evolução tática de Pikachu é mérito de Luxemburgo

É inquestionável o crescimento de Pikachu no aspecto tático, evitando as correrias desabaladas e participando mais do esforço coletivo de cobertura à linha de zaga. A mudança parecia impossível de acontecer pelas próprias características do ala, mas Vanderlei Luxemburgo conseguiu fazer o jogador executar funções restritas ao lado direito.

Desde os tempos de PSC, Pikachu fazia o típico lateral ofensivo, sem responsabilidades defensivas. Com o tempo essa deficiência se acentuou e se tornou mais visível no Vasco. Luxemburgo organizou o time e, de certa maneira, enquadrou Pikachu, que não joga mais no velho estilo peladeiro tentando se fazer presente em todos os setores do campo.

Agora, tudo ficou mais simples e vem funcionando bem. Como um lateral mais atento à marcação, ele se preserva mais e mostra fôlego para as subidas ao ataque quando a situação favorece.

A atordoante modéstia de Zlatan Ibrahimovic

Zlatan Ibrahimovic está se tornando um peregrino do futebol. Passou pela Espanha, esteve na França e disputou a atual temporada da Liga Americana (MLS), mas parece estar de malas prontas outra vez. Uma mensagem sua, postada ontem nas redes sociais, dá a entender que o boquirroto pode estar deixando o LA Galaxy. O Flamengo, que já demonstrou interesse em contratá-lo, que se habilite.

“Cheguei, vi, venci, conquistei. Obrigado, LA Galaxy,por me fazerem sentir vivo novamente. Aos fãs do Galaxy: vocês queriam Zlatan, eu vos dei Zlatan. Não têm de agradecer. A história continua… Agora, voltem a ver beisebol”, diz a mensagem do craque sueco, com a modéstia de sempre.

(Coluna publicada no Bola desta quinta-feira, 14)