O real tamanho do prejuízo

POR GERSON NOGUEIRA

A torcida do Papão ainda se recupera da traumática derrota nos pênaltis para o Cuiabá, quarta-feira à noite, no Mangueirão, enquanto a diretoria faz a tabulação do prejuízo que o penal perdido por Caíque Oliveira custou aos cofres do clube. Cálculos conservadores apontam para uma perda da ordem de R$ 3,3 milhões – a premiação de R$ 2,4 milhões e o lucro estimado com a renda do jogo das oitavas da Copa do Brasil 2020.

Pelo caráter inusitado, a cobrança de Caíque ganhou repercussão nacional com direito a matérias nos principais programas esportivos da TV. Atravessou fronteiras gerando comentários até na imprensa argentina. É o chamado marketing às avessas, tanto para o clube como para o jogador.

Mas, além dos inúmeros memes de gozação no âmbito da rivalidade entre Remo e PSC, o penal bizarro inventado pelo volante dói mais na alma alviceleste pela esplêndida chance perdida de conquista da Copa Verde num confronto que se mostrava extremamente favorável ao Papão.

O fracasso na CV vem se juntar à frustração da torcida com a perda do acesso à Série B no confronto com o Náutico, no estádio dos Aflitos. Há outro aspecto igualmente relevante a martelar corações e mentes: a incrível coincidência de derrotas nos segundos finais de jogos decisivos.

Algo que soa como sina a perseguir o bom trabalho de Hélio dos Anjos. O próprio técnico falou, depois da partida com o Cuiabá, que não consegue entender (e aceitar) que o time cometa erros capitais nos 20 segundos derradeiros de partidas tão importantes.

Questões emocionais ou psicológicas? Ninguém pode afirmar nada, por ora, mas é fato que a velha e boa malandragem andou em falta, tanto lá nos Aflitos quanto no Mangueirão. Tocar a bola com prudência, de preferência bem longe do campo de defesa, é uma regra clássica da administração de resultados no futebol mundial de hoje e de sempre.

A falta desnecessária cometida por Tiago Primão junto à linha lateral contra o Cuiabá lembra muito a sucessão de erros na troca de passes que oportunizou ao Náutico a jogada que levaria ao penal marcado por Leandro Vuaden. Tanto no Recife quanto em Belém faltou concentração e método para segurar a bola como a situação exigia.

Não que isso diminua o peso da imprudência cometida por Caíque. Tudo bem que ele tem o estranho hábito de coreografar suas cobranças – fez isso contra o próprio Náutico e, recentemente, diante do Sport Belém –, mas há momento para tudo na vida, e no jogo.

Djalminha, que apreciava cavadinhas, cansou de bater pênalti pelo modo mais simples, sem gaiatice. Loco Abreu, que também era fã do risco, cobrou penalidades sem efeitos especiais.

Em defesa de Caíque pode-se dizer que teve personalidade de manter um estilo, acrescentando um caqueado a mais com aquela última freada, mas alguém (o técnico, presumivelmente) deveria alertá-lo para a imensa responsabilidade que havia ali naquele instante. Brincadeira tem hora.

Ontem, em meio ao bombardeio de críticas ao volante, alguém recordou o drama do azulino Castor, autor do dramático gol contra diante do Corinthians pela Copa do Brasil 1996. Não há comparação com o ocorrido anteontem. Castor foi vítima de um acidente de trabalho, pois tentava afastar uma bola perigosa e o chute tomou outra direção.

Caíque teve tempo suficiente para definir um chute sem complicações. Nesse caso, mesmo que a bola não entrasse, não seria tão criticado. Nicolas errou também e não está sofrendo tanta rejeição.

A única semelhança entre os dramas de Castor e Caíque é quanto ao futuro. Castor ainda ficou por um tempo no Remo, mas não retomou mais a carreira promissora, tendo que buscar abrigo em outro clube. Caíque, pela bronca da torcida, dificilmente terá clima para seguir na Curuzu.

Jaques chega no dia 1º dezembro para ficar de vez

Em linha direta com o presidente Fábio Bentes, ontem, a coluna confirmou a chegada do técnico Rafael Jaques para dirigir o Remo. Acompanhado por um auxiliar técnico e um preparador, ele chega no dia 1º de dezembro para iniciar de imediato o trabalho no clube.

Além dos 14 jogadores remanescentes da campanha deste ano e confirmados para 2020, ele indicará nomes para completar o elenco. A apresentação dos atletas está prevista para 9 de dezembro .

Os profissionais que acompanham Jaques se integrarão à comissão técnica permanente do Remo, formada pelo auxiliar Netão, fisiologista Erickm, analista Caíque e treinador de goleiros Juninho.

Como já tem sido especulado, o lateral esquerdo Dudu Mandai e o atacante Claudio Maradona, por indicação de Jaques, têm grande possibilidade de contratação pelo clube. O atacante Matheusinho, também cogitado, é uma situação mais complicada, pois tem contrato com o São José até 2021.

Inversão de lógica confirma racismo na Ucrânia

O atacante Taison, que havia sido expulso por reagir a manifestações de insulto racial no jogo entre Shakhtar e Dínamo de Kiev, tomou outra punição: foi suspenso por uma partida pela federação ucraniana. Os dirigentes entenderam que o dedo médio exibido por Taison para a torcida foi mais agressivo que os cânticos e gestos imitando macacos vindos das arquibancadas.

Para não parecer algo dirigido contra Taison, o Dínamo foi multado em R$ 87 mil e terá que cumprir um jogo com portões fechados, mas a decisão é passível de recurso.

De imediato, a Fifpro (associação internacional de jogadores) se manifestou no Twitter contra a punição imposta ao brasileiro. Afirmou, em nota, que “sancionar uma vítima de racismo vai além da compreensão e joga a favor daqueles que promovem esse comportamento vergonhoso”. 

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 22)

Adeus ao craque do traço

É com muita tristeza que informo aos amigos sobre a morte de José Arnaldo Torres, o nosso Atorres, genial cartunista, craque do traço, criador de algumas das capas mais poderosas da imprensa paraense. Uma grande perda. Ele nos deixou esta noite, tão de repente que ainda não deu tempo de assimilar direito a pancada.

Profissional super talentoso, cartunista afiado, fã da boa música, gente finíssima e parceiro de tantas jornadas e ‘pescoções’ sem fim nas madrugadas do DIÁRIO.

Foi uma honra e um privilégio trabalhar ao seu lado.

Vá com Deus, companheiro.

Dez expressões racistas que devem ser evitadas

Algumas expressões ditas até hoje surgiram durante o período da escravidão no Brasil e trazem um significado carregado de racismo.

Por Alexandre Putti, na CartaCapital

No Brasil, o 20 de novembro marca o Dia da Consciência Negra. A data foi escolhida por coincidir com o dia da morte de Zumbi dos Palmares, em 1695, um dos maiores líderes negros do Brasil que lutou pela libertação do povo contra o sistema escravista.

A data é dedicada à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira e sobre o racismo que essa população enfrenta. E não é só nos dados oficiais que o racismo fica exemplificado. Ao longo da história, algumas expressões e palavras foram criadas em cima de situações vividas por negros, principalmente na época escravocrata, e que são utilizadas até hoje.

Para pensarmos em uma sociedade mais igualitária, sem racismo e preconceito, precisamos urgentemente desconstruir esse discurso e parar de utilizar expressões que aparentemente não parecem ofensivas, mas são. E muito.

Mulata

A palavra se refere à mula, um animal originado do cruzamento de burro com égua. Na época da escravidão, muitas escravas eram abusadas pelos patrões e acabavam engravidando. Os filhos eram chamados de mulatos por serem o resultado do cruzamento de um homem branco com uma mulher negra. Hoje, as pessoas utilizam esse termo para se referir às pessoas pardas, mas a palavra deve ser imediatamente retirada do vocabulário.

Denegrir

Sempre que alguém utiliza essa palavra é para dizer que está sendo difamado ou injustiçado por outra pessoa. Mas segundo o dicionário Aurélio, a definição de “denegrir” é “tornar negro, escurecer”. Então, utilizar a palavra denegrir de forma pejorativa é extremamente racista.

Lista negra

Essa expressão é sempre utilizada de forma negativa. Uma pessoa estar em uma “lista negra” significa que ela está sendo perseguida ou que não poderá mais adentrar em certos ambientes. A palavra negra é colocado nessa afirmação de uma forma pejorativa e, mais uma vez, racista.

Mercado negro

Mercado negro segue a mesma ideia da lista negra. A palavra “negro” é utilizada de forma pejorativa para se referir a algo proibido, ilegal, perigoso e ruim.

‘Não sou tuas negas’

Essa é uma expressão extremamente racista. Na época da escravidão, eram recorrentes estupros, assédios e agressões contra as mulheres negras.  Já com as mulheres brancas o tratamento não era o mesmo. A frase se remete a essas mulheres, escravas, que no imaginário popular tudo podia se fazer.

Da cor do pecado

Essa expressão geralmente é utilizada como forma de elogio. Existe até música sobre a história de amor com um homem da cor do pecado. Mas essa expressão está longe de ser um elogio. Antigamente, ser negro era considerado pecado. Os poderosos da época junto com integrantes da Igreja Católica justificavam a escravidão como um castigo divino. Então, dizer que alguém é “da cor do pecado” é associado a algo negativo.

Criado-mudo

O nome do móvel que geralmente é colocado na cabeceira da cama vem de um dos papéis desempenhados pela escravos dentro da casa dos senhores brancos: o de segurar as coisas para seus “donos”. Como o empregado não poderia fazer barulho para atrapalhar os moradores, ele era considerado mudo. Logo essa expressão se refere a esses criados.

Doméstica

Domésticas eram as mulheres negras que trabalhavam dentro da casa das famílias brancas e eram consideradas domesticadas. Isso porque os negros eram vistos como animais e por isso precisavam ser domesticados através da tortura.

Inveja branca

Na contramão de todas as expressões e palavras anteriores, “inveja branca” significa uma inveja que não faz mal, que é do bem. Ou seja, associando à cor branca a coisa é boa, legal e não machuca.

Amanhã é dia de branco

E para encerrar, essa expressão que é a mais esdrúxula de todas. Dia de branco é utilizado para se referir a dia de trabalho, responsabilidade e compromissos. Como se só gente branca trabalhasse duro. Isso porque antigamente o trabalho dos escravos não era considerado trabalho e essa ideia perpetua até hoje.

Fonte: Stephanie Ribeiro (modefica), JusBrasil, Geledés, Universa e Wikipédia