Sampaoli ameaça deixar o Santos caso seja obrigado a cumprimentar Bolsonaro

O técnico do Santos, o argentino Jorge Sampaoli, estaria disposto a deixar o clube caso seja obrigado a cumprimentar Jair Bolsonaro, que insiste em assistir ao clássico contra o São Paulo que acontece neste sábado (16) na Vila Belmiro. As informações são do Blog do Paulinho, do jornalista Paulo Cezar de Andrade Prado.

Torcidas organizadas do Santos estão protestando contra a presença de JairBolsonaro na VIla Belmiro, neste sábado (16), para assistir ao clássico contra o São Paulo. A Torcida Jovem do Santos e a Torcida Sangue Jovem protestaram e emitiram notas contra a presença do presidente.

Segundo a nota da Torcida Jovem, os posicionamentos de Bolsonaro são incompatíveis com a “pluralidade social, racial, étnica e cultural da torcida santista”. A nota cita inclusive a luta contra a ditadura militar por parte da torcida.

A Torcida Sangue Jovem afirmou que Bolsonaro agride “bandeiras plurais” da torcida e do clube que são “alvo de constantes ataques pelos posicionamentos de Bolsonaro”. A nota registra que “repudiamos sua presença [de Bolsonaro] em nossas arquibancadas”.

Leia a nota da Torcida Jovem do Santos:

À Presidência,

O G.R.C.E.S. TORCIDA JOVEM DO SANTOS recebeu com total descontentamento a informação de que Jair Bolsonaro estará na Vila Belmiro no próximo sábado (16), acompanhando o jogo do Santos.

Repudiamos o palanque político que essa visita significa e reforçamos que os posicionamentos ideológicos de Bolsonaro são incompatíveis com a pluralidade social, racial, étnica e cultural da torcida santista e de toda a história de luta da TORCIDA JOVEM contra a ditadura militar, enaltecida por esse político.

Além disso, Bolsonaro torce para um time rival da capital, tornando sua presença no estádio ainda mais desnecessária.

O SANTOS FUTEBOL CLUBE tem se posicionado frequentemente sobre diversas causas sociais, honrando sua história de 107 anos e servindo como exemplo aos demais clubes do Brasil. Não fazemos amistosos contra os que tentam acabar com a nossa liberdade”

Ao chegar ao Forte dos Andradas, no Guarujá, litoral de São Paulo, Jair Bolsonaro disse aos jornalistas que, apesar os protestos das torcidas do Santos, irá à Vila Belmiro para assistir à partida entre Santos e São Paulo.

“O pessoal sabe que eu torço para o Palmeiras, mas como amante de futebol estou indo lá para assistir a um espetáculo, tenho certeza. A torcida do Santos vai me tratar com respeito como eu sempre tratei o Brasil”, disse Bolsonaro.

Até mesmo o técnico do Santos, o argentino Jorge Sampaoli, teria tido uma “áspera discussão” com um dos cartolas do clube, deixando claro que é contra o uso da Vila Belmiro como palanque para Bolsonaro.

Em entrevista coletiva nesta sexta-feira, após o treino, o técnico do Grêmio, Renato Gaúcho, revelou ter conversado com o presidente por telefone. Durante o contato, convidou Bolsonaro para assistir a partida na Arena Palmeiras.

“Ele me ligou e eu não vi, depois me retornou na terça-feira. Conversamos e aproveitei para convidá-lo a assistir ao jogo contra o Palmeiras no outro domingo. Ele disse que faria o possível, mas estava com agenda um pouco cheia. Mas fiquei muito feliz”, afirma Renato.

Renato ainda disse que gostaria de dar um abraço no presidente. Para o técnico, o comandante do país não tem um time fixo, embora seja torcedor declarado do Palmeiras.

“É o presidente do Brasil, não é torcedor do Palmeiras ou Flamengo. Tem uma bandeira só do país. Ele torce para todo mundo, gosta de futebol. Espero que esteja no jogo contra o Grêmio. Gostaria de dar um abraço nele, seria uma honra abraçar o presidente do país”, disse.

Papão põe a mão na taça

POR GERSON NOGUEIRA

Foi um jogo de paciência. O primeiro tempo foi muito mais favorável às movimentações do Cuiabá, sempre presente no campo de defesa do PSC e arriscando chutes de fora da área com Felipe Marques. No segundo tempo, com mais controle do jogo e certa malandragem para conter os avanços do adversário, o Papão chegou ao gol numa bola parada. A partir daí, passou a administrar o resultado com sabedoria e ainda teve chances para ampliar.

O Dourado, cantado em prosa e verso como um time perigoso e até melhor que o PSC, fez uma partida errática e não mostrou em campo a suposta superioridade. A melhor jogada ofensiva era através de Felipe Marques, que levou a melhor nos lances da etapa inicial, mas cansou na segunda metade e pouco incomodou a defensiva paraense.

Quando teve a posse de bola e espaço para trabalhar, o Cuiabá levou perigo, com jogadas rasantes pelos lados, principalmente nas subidas de Leo e Paulinho. Alê organizava o jogo e acionava Felipe e Jefinho, mas o centroavante não estava em noite inspirada.

Do lado bicolor, a marcação baixa atraía o adversário e deixava um espaço entre os volantes e o trio ofensivo, onde apenas Elielton aparecia com desembaraço. Por conta disso, mesmo sem atuar bem, o Cuiabá chegava sempre com perigo nas articulações no centro da área.

Aos 13 minutos, Felipe arriscou da entrada da área, mas sem maior perigo. Aos 20’ foi a vez de Jefinho bater colocado. A bola saiu à direita do gol de Giovanni. Em seguida, aos 22’, Felipe tentou novamente.

O Cuiabá imprensava o PSC em seu campo, mas exercia um domínio improdutivo, sem conseguir aprofundar jogadas, errando quase todos os arremates. A melhor jogada do Papão na primeira fase veio pelos pés de Vinícius Leite. Ele recebeu passe de Nicola, limpou bem o lance e bateu forte, mas a bola foi fora.

O primeiro tempo começou com o PSC mais compactado, buscando explorar o lado esquerdo, com Bruno Collaço e Vinícius Leite. Como Tomaz Bastos não acertava um passe e era improdutivo nas tentativas de saída para o ataque, Hélio fez a mexida que iria mudar o cenário do jogo.  

Leandro Lima substituiu Bastos aos 10 minutos e, a partir daí, o Papão passou a tocar a bola com mais rapidez e acerto, envolvendo a lenta defensiva do Cuiabá. Além de Collaço e Vinícius, Nicolas passou a cair pela esquerda e a situação se inverteu. Além de equilibrar as ações no meio-de-campo, o PSC passou a ser mais agressivo quando ia ao ataque.

Os erros de passe começaram a minar a movimentação do Cuiabá, que não acertava mais o caminho do contra-ataque. Aos 18’, Nicolas recebeu livre na entrada da área, mas bateu fraco. Três minutos depois, acertaria o alvo, cabeceando entre vários jogadores para marcar o único gol do confronto, após falta cobrada por Leandro Lima.

Na base da raça, o Cuiabá quase empatou aos 27’, num chute forte e cruzado do lateral Léo da entrada da área. Giovanni, que minutos antes reclamou de câimbra, se esticou para defender e evitar o empate.

No instante seguinte, Vinícius foi à linha de fundo e cruzou na cabeça de Nicolas. Livre, o atacante desviou à direita do goleiro Victor Souza. Para tornar o jogo ainda mais controlável, Hélio dos Anjos substituiu Caíque por Tiago Primão. Vinícius ainda teve grande oportunidade, aos 36’, chutando rente à gaveta direita do gol.

O jogo terminou com o Papão sufocando e provocando a expulsão do lateral Léo depois de grande arrancada de Vinícius Leite.

Uma vitória categórica, estratégica e inteiramente justa do time que melhor controlou a partida. Hélio foi mais certeiro que Marcelo Chamusca. Mesmo com placar mínimo, o triunfo deixa o PSC muito próximo da conquista de seu terceiro título da Copa Verde.

Dourado terá que fazer jogo de superação em Belém

O PSC pôs por terra a tese de superioridade técnica do Cuiabá, alimentada pela boa campanha de recuperação do time mato-grossense na Série B. Com sabedoria, o time paraense dosou energia e deu a impressão de ter terminado o jogo em melhores condições físicas que o dono da casa.

Para o segundo embate, na próxima semana, no estádio Jornalista Edgar Proença, o Cuiabá terá o desfalque de Léo na lateral direita, mas deve ter o retorno de Jean Patrick, seu principal meia de criação, que fez muita falta na partida de ontem.

Ocorre que o Papão, além da grande vantagem no placar, terá uma equipe mais preparada, confiante e sem nenhum estresse de viagem. A delegação paraense só chegou à Cuiabá no final da tarde de quinta-feira, após ter deixado Belém na quarta-feira.

A mexida na meia-cancha, com a saída de Tomaz Bastos para a entrada de Leandro Lima, tornou o PSC mais presente no ataque, subvertendo a a tendência inicial. A rigor, Tomaz nem deveria ter iniciado a partida. Mostrou dificuldades para o combate e a construção de jogadas.

No reta final da partida, o entrosamento entre Vinícius, Nicolas e Bruno Collaço mostrou-se decisivo para controlar e desnortear o Cuiabá.

Um baionense tentando fazer nome no futebol

Através do jovem Baião, dianteiro do Sport Belém, minha querida cidade voltou ao noticiário do futebol. O atleta é filho de Jorge Moreira, nobre filho da Vila de Calados. Jorge é integrante de uma família tradicional do interior baionense, irmão de Jango, goleiro já falecido.

Baião, como tantos outros jovens valores, chegou ao futebol da capital após deixar Calados para continuar estudos. Além dele, Jorge tem quatro outros filhos que jogam (bem) futebol, mas que preferiram ficar com a família.

Para conseguir levar adiante o sonho de ser jogador de futebol, Baião mora com uma família oriunda de Calados. Que honre o nome glorioso do município, que já legou ao Pará jogadores do nível de Oberdan e Marçal.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 15)