Por que não comprar discurso de vitimização da Folha

Por Arnóbio Rocha

Folha de S. Paulo é o jornalão falido que se dedicou (e continua a se dedicar) a atacar o PT, Lula e a esquerda em geral, com afirmações de que são autoritários e que iam/irão romper a democracia, entre outras barbaridades.

A Folha de São Paulo era das primeiras publicações nos vazamentos e apoio ao famigerado juiz Moro e à Lava Jato, abraçou a causa como golpe de morte ao PT e à esquerda, nem pestanejou em vazar TUDO. Ao contrário, se locupletava.

A Folha de São Paulo jamais fez uma crítica ao impeachment de Dilma. Ao contrário, fez editorial de apoio à tremenda farsa, defendendo o rompimento da democracia.

Ano passado, privilegiou os ataques a Haddad, chegando à heresia de dizer que ele e Bolsonaro eram dois lados da mesma moeda, que defendiam projetos autoritários.

A Folha de São Paulo omitiu dos seus leitores sobre quem era Bolsonaro e sua família. Aliás, assim como seus parceiros da Globo e Estadão, achavam que domariam o monstro que alimentaram.

A Folha de São Paulo e seus parceiros foram rejeitados por Bolsonaro, não porque este ou aqueles pensem diferentemente a respeito do projeto econômico e de destruição de direitos, fim da democracia. São iguais, o que os separam é a disputa para comer o bolo das verbas publicitárias do Estado.

Por que deveríamos cair no conto do vigário e defender esse tipo de imprensa? Existe mesmo contradição com Bolsonaro? Por que Folha e os demais fazem editoriais defendendo Guedes-AI5? Por que defender jornal que apoia prisão em segunda instância e defende os absurdos do TRF4 e Lava Jato?

Chegam a ser inacreditáveis os que defendem e querem nos convencer de que a Folha de São Paulo é vítima do Bolsonaro. Não, não é, ela é igual. Algumas vezes pior, pois, em tese, a família Bolsonaro são apenas aventureiros fugazes, os jornalões, não.

Ser oposição a Bolsonaro não nos obriga a qualquer relação de solidariedade com seus aliados, que continuam, repito, nos atacando como se fôssemos iguais a eles. Então: “Quem pariu Mateus, que o balance”.

Simplesmente, é impossível, com alguma honestidade intelectual, defender a Folha, O Globo e Estadão. Que se virem com suas arminhas e cretinices verde-amarelas, patos e paneleiros.

Aqui não, violão!

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Arnóbio Rocha é advogado, membro da Associação Juristas pela Democracia.

Cruzeiro troca Abel por Adilson para tentar se salvar

Abel Braga não é mais o técnico do Cruzeiro. E o clube já tem um novo treinador: Adilson Batista. Abel deixou a diretoria à vontade para uma mudança após a derrota por 1 a 0 para o CSA, nesta quinta-feira (28), no Mineirão. A cúpula cruzeirense, então, entrou em contato com Adilson, que topou rapidamente o convite para as rodadas finais do Campeonato Brasileiro.

Em suas palavras, Abel disse à diretoria que não conseguia mais “tirar nada” do elenco na dramática luta contra o rebaixamento e achou melhor deixar o cargo à disposição. Pressionada e diante da necessidade do que chamou de “tentar algo novo”, os comandantes do clube mineiro optaram pela troca.

Adilson Batista desembarcará em Belo Horizonte na manhã desta sexta-feira (29). Momentos após o acerto, ele conversou com integrantes do departamento de futebol e buscou mais informações sobre o time. O trabalho em campo começará tão logo o novo treinador assine o contrato. Na segunda-feira (2), ele comandará a equipe no duelo contra o Vasco, em São Januário, no primeiro dos três jogos que terá para livrar o time do rebaixamento.

Os dois jogos finais do Cruzeiro no Brasileirão serão contra o Grêmio, também fora de casa, e o Palmeiras, no Mineirão. A Raposa ocupa atualmente a 17ª colocação, dentro da zona da degola, com 36 pontos – um a menos que o Ceará, ex-time de Adilson.  

Uma estrela em inferno astral

POR GERSON NOGUEIRA

Preso à redoma criada pelo pai, Neymar vive possivelmente seus últimos meses na França. A opção pelo Paris St. Germain mostra-se cada vez mais equivocada para quem tinha planos de conquistar o mundo. O esforço espalhafatoso para reconquistar espaço no competitivo e respeitado futebol espanhol acabou deteriorando de vez a relação dele com a torcida francesa.

Nenhum torcedor gosta de saber que seu clube é esnobado pelos jogadores – principalmente os mais badalados e caros, como Neymar. Desde o começo do ano, ele só faz manifestar o desejo de sair do PSG, fazendo movimentos até constrangedores para voltar ao Barcelona.

Chegou a propor usar dinheiro próprio para facilitar a negociação para deixar o clube francês. O projeto foi barrado pela firme determinação do proprietário do PSG, que exigiu que o contrato fosse cumprido.

É justamente essa frustração que ficou visível no comportamento do jogador contra o Real Madri, quarta-feira, quando foi mantido no banco de reservas no primeiro tempo por decisão do técnico Thomas Tuchel, que dá mostras de ter poderes absolutos para lidar com sua principal estrela.

As entrevistas do treinador deixam claro que ele tem respaldo da direção para agir com dureza em relação a Neymar. Ao contrário do que o brasileiro projetava para este período da Champions League, desfrutando da condição de grande astro, a situação é inteiramente contrária.

Neymar sofre, porém, os efeitos do baixo aproveitamento em jogos na temporada (apenas sete em 20). Sem poder brigar pela titularidade, por não ter condicionamento para atuar por 90 minutos, ele é bombardeado pela mídia francesa. São críticas de toda natureza, incluindo o lado técnico, algo inédito na carreira do ex-santista.

Para pessoas próximas do jogador e gente que trabalha em sua assessoria de imprensa, Neymar tinha o confronto no Santiago Bernabeu como uma espécie de ponto culminante no segundo semestre, oportunidade parra mostrar à Europa que já está plenamente recuperado.

No meio da polêmica sobre suas reais condições para o jogo, Neymar deve estar constatando que a política de sonegar informações cobra agora um preço alto demais. Até mesmo o simples gesto de ter ido direto para os vestiários quando foi substituído no jogo diante do Lille, pelo certame francês, foi interpretado como um chilique, um desabafo de prima-dona.

Apesar dos problemas com Neymar, o PSG vem atuando bem na temporada, o que só aumenta a desnecessidade de manter o astro problemático. Mesmo que isso não tenha consequências imediatas para a Seleção Brasileira, é sempre temerário ter um jogador desse nível fora de suas melhores condições técnicas e emocionais.

Por ora, Neymar terá que ouvir de seus críticos análises que o nivelam a pernas-de-pau e que recomendam que tenha mais humildade. Em entrevista, Emanuel Petit, campeão de 98 pela França, foi categórico: “Joga para ele e só. Coloque-se no lugar dos outros jogadores do vestiário do PSG que passam meses vendo os caprichos deste aí, que caga para o PSG e seus sócios. Não tem respeito nenhum”. Diante desse cenário, prudência é o mínimo que se recomenda.

O troféu do Parazão Feminino e a polêmica desnecessária

Como reforço à velha fama de compadrio e confusão entre público e privado, a Federação Paraense de Futebol aproveitou a final do campeonato feminino para premiar uma figura de currículo polêmico e nenhuma vinculação com o esporte. Decidiu escolher a esposa do presidente Adélcio Torres para designar o troféu que será entregue à equipe campeã do Paraense de Futebol Feminino, a ser decidido na manhã do próximo domingo, no Mangueirão.

Esmac e Remo são finalistas da competição. As azulinas tentam conquistar o título pela segunda vez e a equipe do Madre busca o tetracampeonato consecutivo. Mas, assim do nada, a decisão de prestar um tributo injustificado à primeira-dama virou alvo de comentários e muita polêmica nas redes sociais, acabando por obscurecer a própria competição.

Iolanda Modesto Torres, mulher do presidente da FPF, foi anunciada ontem pelo departamento de comunicação da entidade como a pessoa que dará  nome ao troféu a ser entregue às campeãs. Até hoje, nunca teve exerceu qualquer papel em benefício do sofrido futebol feminino estadual.

A única explicação é que Iolanda é uma “desportista”. De fato, ela ganhou visibilidade nacional no ano passado, durante a Copa do Mundo da Rússia, quando teve a presença notada nos estádios chamando atenção para o fato de ter deixado a folha de ponto assinada por todo o mês de junho.

Sem medo de ser feliz, com o artifício de assinar por antecipação o ponto de 2 a 29 de junho, acompanhou os jogos tranquilamente ao lado do marido, que era convidado da CBF.

Depois da denúncia, publicada por um portal de notícias, ela foi submetida a um processo administrativo e o Ministério Público do Estado instaurou investigação, através da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e da Moralidade Administrativa.

Surpreende, portanto, que o troféu do Campeonato Feminino leve o nome de alguém completamente desvinculado do histórico de sacrifícios e desafios da modalidade no cenário estadual e nacional.  

Direto do blog campeão

“Há certo mistério nessa propalada reestruturação financeira adotada pelo Flamengo, cantada em prosa e verso, mas que ninguém explica como realmente foi feita. O clube ainda conta com uma dívida milionária, majoritária em impostos, ao mesmo tempo em que partiu para contratações de medalhões que ganham também salários milionários e inflaram exponencialmente a folha de pagamentos do clube. Quais são e de onde vêm as receitas além das provenientes das cotas de TV? Ninguém sabe precisar. A fartura de dinheiro nos cofres do clube propiciou a ele montar um time a peso de ouro com jogadores famosos, mas já sem mercado no futebol europeu, comandados por um técnico de segunda linha no futebol de lá, mas anos-luz em competência em relação aos daqui. Quanto ao nosso futebol, outrora formador de talentos, se entrar nessa pilha de pagar fortunas a jogadores rodados ou próximos da aposentadoria, continuará célere em sua caminhada rumo a insignificância”.

Miguel Silva, um torcedor cada vez mais cético

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 29)