Libertadores: Conmebol libera 12.500 ingressos para torcida do Flamengo

A Conmebol informou que os 12.500 ingressos destinados aos torcedores do Flamengo para a decisão da Libertadores, contra o River Plate (ARG) estarão à venda a partir das 9h desta quarta-feira. Cada entrada custa 80 dólares – cerca de R$ 319,50 – e cada sócio do clube poderá adquirir um bilhete. Para comprar é preciso de uma senha entregue pelo Flamengo, que ainda define o processo.

Uma reunião do Conselho Deliberativo do Flamengo, marcada para o início da noite desta terça-feira, definirá como e com quais prioridades serão entregues às senhas. Internamente, há pressão para que uma parte dos ingressos seja destinada aos sócios do clube da Gávea, e também pela prioridade aos sócios-torcedores.

Bolsonaro foi citado por suspeito de matar Marielle

Investigações sobre os assassinatos da vereadora Marielle Franco e do seu motorista Anderson Gomes revelaram que um dos suspeitos dos crimes citou Jair Bolsonaro. Com isso, as investigações devem ser levadas para o Supremo Tribunal Federal, por conta do foro privilegiado de Bolsonaro.

Segundo revelações do Jornal Nacional na noite desta terça-feira (29), antecipadas pela coluna Radar, a Polícia Civil do Rio de Janeiro teve acesso ao caderno de visitas do condomínio na Barra da Tijuca, na Zona Sul do Rio, onde Bolsonaro tem casa e o policial militar Ronnie Lessa, acusado de ser o autor dos disparos que mataram a vereadora Marielle.

No dia do crime, em 14 março de 2018, um dos envolvidos no caso teria anunciado na portaria do condomínio que iria visitar Bolsonaro e acabou indo até a casa do PM reformado. Conforme o JN, no dia da visita, Bolsonaro estava em Brasília e não em sua casa no Rio de Janeiro.

Adversário político de Bolsonaro, o governador do Rio, Wilson Witzel, soube com antecedência das provas colhidas pela polícia do Rio sobre o surgimento do nome do presidente na investigação do assassinato de Marielle Franco.

Na semana passada, segundo um interlocutor relatou ao Radar, o governador não escondia a euforia com os fatos revelados nesta terça-feira pelo Jornal Nacional.

Internet chega aos 50 anos dominando o mundo – e em expansão

De uma conexão entre dois computadores instalados na Universidade da Califórnia, em Los Angeles (Ucla), e no Stanford Research Institute, a internet se tornou onipresente em meio século de existência. No dia 29 de outubro de 1969, a rede mundial de computadores foi criada num experimento liderado pelo pesquisador Leonard Kleinrock e, em poucas décadas, ganhou tração, se popularizou e hoje faz parte do dia a dia de 4,5 bilhões de pessoas no mundo.

Para o futuro, especialistas, e o próprio Kleinrock, preveem que a internet se tornará invisível. Algo como a energia elétrica – onipresente e da qual você nem se dá conta que existe.

— A internet tende a ser esquecida, como o que aconteceu com a corrente alternada do Tesla. Hoje, ninguém dá bola para a luz, a não ser quando falta. É isso o que vai acontecer com a internet — prevê o empresário Aleksandar Mandić, um dos pioneiros da internet no Brasil.

Ele completa:

— Nós entulhamos os canos, tudo virou digital. Até o dinheiro está mudando. Era escambo, virou metal, adotou o papel, se tornou plástico e, agora, está virando digital.

A criação da rede aconteceu sem a pompa esperada para um avanço desta magnitude. Não havia uma filmadora para registrar o feito, nem mesmo um gravador de voz, apenas anotações num caderno.

Kleinrock (foto acima) brinca que não pensou numa frase de efeito, como “um salto gigante para a Humanidade”, do Neil Armstrong ao pisar na Lua, ou “que coisas Deus tem realizado”, do Samuel Morse ao enviar a primeira mensagem por telégrafo. A primeira mensagem trocada pela internet foi a palavra “Login”, e o sistema caiu após o “L” e o “O”.

No início, a rede era conhecida como Arpanet, por ser um projeto financiado pela Agência de Projetos de Pesquisa Avançada (Arpa, hoje Darpa), braço de pesquisas do Departamento de Defesa dos EUA.

O professor do Departamento de Informática da PUC-Rio Daniel Schwabe, que participou das pesquisas dos primeiros anos da rede, lembra que a rede era “um universo restrito” aos cientistas envolvidos no projeto.

Ela funcionava, basicamente, para que pesquisadores pudessem usar suas próprias máquinas para acessar o poder dos computadores instalados nas universidades. Com o surgimento do e-mail, em 1972, a Arpanet se tornou uma ferramenta de comunicação, amplamente utilizada pelos poucos cientistas que tinham acesso à rede.

— A gente não fazia ideia do que estava começando. Todos os usuários da Arpanet constavam num catálogo telefônico — lembra Schwabe. — Mas tem uma coisa que a gente continua fazendo até hoje: usar a rede para trocar piadas e receitas.

A popularização da internet começou na década de 1980, após a Arpa decidir separar a sua rede para formar a Milnet (Military Network) em 1983. Paralelamente, diversas redes eram montadas, não só nos EUA como em outros países, e conectadas à internet.

A NSFNet, mantida pela National Science Foundation, se tornou a principal rede acadêmica mundial, como uma sucessora da Arpanet. Por aqui, a Rede Nacional de Pesquisa foi criada em 1989, para construir a infraestrutura de rede entre as instituições acadêmicas.

As primeiras conexões brasileiras à internet aconteceram em 1991, com a primeira troca de pacotes via protocolo de internet pela Fapesp com o Fermi National Accelerator Laboratory, que por sua vez estava conectado à nascente rede mundial de computadores; e, em 1992, quando pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro realizaram a primeira conexão direta com a Ucla.

— Foi em fevereiro de 1991 que conseguimos trocar os primeiros pacotes de internet com o Fermilab. A gente se conectou à Energy Science Network, que era uma parte da internet. A internet, como o nome diz, é um emaranhado de várias redes conectadas entre si — lembra o diretor-presidente do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), Demi Getschko, um dos responsáveis pela conexão com o Fermilab.

Nascida com fins científicos e financiamento militar, a Arpanet — sucedida pela NSFNet e, por fim, chamada genericamente como internet — só ultrapassou a barreira acadêmica em 1991, com a promulgação da lei de computação de alta performance nos EUA, uma iniciativa do então senador Al Gore, que ocuparia a vice-presidência do governo de Bill Clinton.

A nova legislação abriu a rede para a exploração comercial, dando início a uma corrida pelos primeiros endereços .com.

A abertura comercial deu início à revolução que vivenciamos hoje. Segundo o Internet World Stats, a rede tinha 16 milhões de pessoas conectadas, ou 0,4% da população mundial, em 1995. Eram quase todos americanos.

 Hoje, são 4,5 bilhões de internautas, ou 58,8% da população mundial. Os sites de internet saltaram de 1, em 1991, para 1.630.322.579 no ano passado.

No Brasil, o empresário Aleksandar Mandić foi o criador da primeira BBS (bulletin board system), sistema parecido com a internet, mas centralizado num servidor. Em agosto de 1993, recebeu permissão para explorar comercialmente a internet, criando um dos primeiros provedores brasileiros de acesso à rede mundial de computadores.

— A primeira coisa que eu acessei foi o site da Nasa. Era basicamente o que existia. Não tinha nada para acessar na internet, era um mundo vazio. Se eu pudesse comparar, a internet é como o cano, e o conteúdo é a água. Nós inauguramos o cano, mas não tinha água para passar — lembra Mandić. — Nós recebemos um gateway de 64 kbps, mas nós tínhamos 10 mil usuários registrados. Aquilo entupiu! Nós comemoramos quando recebemos um link de 1 mbps. Para fazer uma comparação, hoje eu tenho 300 mbps na minha casa, só para mim. (De O Globo)

Gilmar: “Prisão do Lula só é viável num contexto de total destruição do sistema político”

Da entrevista de Gilmar Mendes ao El Pais:

P. A prisão do Lula contribuiu para a instabilidade política do país?

R. Eu acho que a prisão do Lula só é viável num contexto de total destruição do sistema político, e é isso que a Lava Jato conseguiu. Nada foi mais delirante que aquele episódio do Joesley [Batista], onde o [procurador Rodrigo] Janot chega a dizer que iria investigar ministros do Supremo.

O STF permaneceu intacto, mas o sistema num todo foi levado de roldão. O STJ foi levado de roldão. De fato, se deu poder para gente muito chinfrim, muito ruim, mequetrefe do ponto de vista moral e do ponto de vista intelectual. Foi essa a combinação que produziu a mídia e esse empoderamento [do MPF].

Operação conjunta fecha maior garimpo ilegal em terra indígena no Pará

Uma área de cerca de 1 milhão de metros quadrados, dentro da Terra Indígena Apyterewa, estava tomada por garimpeiros ilegais trabalhando com maquinário pesado e material tóxico para retirar ouro. A descoberta foi feita em operação que reuniu agentes da Polícia Federal (PF), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), Polícia Militar (PM) e Ministério Público Federal (MPF). A terra indígena do povo Parakanã, entre os municípios de São Félix do Xingu e Altamira, no Pará, é hoje uma das mais invadidas do país.

Conhecido como “Pista Dois”, o garimpo ilegal teve as atividades paralisadas pela operação. Foram encontradas sete pás carregadeiras, um trator e dez conjuntos de motores-bombas, todos instrumentos para escavar o solo da floresta em busca de ouro. Também foram encontradas armas, munição e mercúrio, o produto extremamente tóxico que é usado para separar o ouro nas atividades de mineração ilegal.

O maquinário de grande porte foi inutilizado durante a operação, como prevê a legislação ambiental para equipamentos usados em crimes ambientais, quando a fiscalização não tem meios para apreender e guardar o material. A PF estima que as máquinas encontradas valiam pelo menos R$ 2 milhões, o que indica pessoas de grande poder econômico por trás da operação do garimpo. Os garimpeiros que estavam no local fugiram para a floresta ao verem a aproximação dos agentes públicos e por esse motivo não foram efetuadas prisões, mas foram encontrados documentos que permitem a identificação dos donos do garimpo ilegal.

O MPF acompanhou a operação e agora, com o fechamento do garimpo, o trabalho dos investigadores será para identificar todos os envolvidos no crime e responsabilizá-los perante a Justiça pelos crimes e também pelos danos provocados pela atividade ilegal. Pelas leis brasileiras, responsáveis por crimes ambientais são obrigados a financiar a recuperação da área que degradaram. (Da Assessoria de Comunicação/MPF)

Pará assume compromissos pela sustentabilidade da Pan-Amazônia

Como participante destacado da elaboração de estratégias atuais e futuras em defesa da Amazônia, o governador do Pará, Helder Barbalho, se reúne nesta terça feira (29), em Roma (Itália), com outros representantes de Estados do Brasil e do Peru. O encontro faz parte da Força-Tarefa dos Governadores para o Clima e Florestas (GCF).

No país, o governador participa desde segunda-feira (28), do encontro de governadores da região Pan-Amazônica, que integra a programação do Sínodo dos Bispos, no Vaticano. Na reunião, Helder assinou uma declaração com 13 pontos importantes na busca por soluções eficazes para manter a floresta preservada, reafirmando o compromisso com o desenvolvimento sustentável da Amazônia.

“Precisamos garantir oportunidades, emprego e renda compatíveis com a floresta em pé e, com isso, encontrar os caminhos para o desenvolvimento e assegurar com que o Brasil e sua Amazônia possam, efetivamente, cooperar para a agenda das mudanças climáticas e a sustentabilidade global”.

(Helder Barbalho, governador do Pará)

O contexto converge para a missão da Força-Tarefa (GCF), que é uma plataforma de diálogo de lideranças subnacionais com a intenção de estabelecer políticas eficazes de redução do desmatamento, sem afetar o modo de vida de povos indígenas e populações tradicionais.

Na reunião desta manhã, que começou às 8h (horário de Roma / 4h no Brasil), membros do comitê-diretivo do GCF, especialistas e líderes tiveram a oportunidade de debater estratégias. Entre os representantes dos estados peruanos estavam Francisco Antonio Pezo Torres, Pedro Bogarin Vargas, Luis Guillermo Hidalgo Okimura e Juan Manuel Alvarado Cornelio.

Helder Barbalho reforçou que a cobertura vegetal da floresta na Amazônia tem suas peculiaridades em cada estado brasileiro e finalizou dizendo que é possível compatibilizar uma política de desenvolvimento sustentável com o fortalecimento das vocações produtivas para geração de emprego e renda.

“Tivemos a oportunidade de debater e construir propostas que envolvam e unifiquem as estratégias e demandas de cada Estado. Destaque para a questão da regularização fundiária, como também o apoio técnico para que a produção possa ser ostensiva, ampliando a produtividade das áreas rurais sem necessitar do avanço sobre as reservas legais. Discutimos ainda o processo de licenciamento e ações de rastreamento, comando e controle, e fiscalização”, ressaltou o governador do Pará.

“Precisamos aprender muito sobre a conservação de toda a flora e fauna da Amazônia”, disse o representante peruano, Juan Cornelio.

Captação – Recentemente, o Estado do Pará criou o Fundo da Amazônia Oriental (FAO) por meio do decreto n° 346, de 14 de outubro de 2019. A intenção é captar, de forma mais ampla e, através de parcerias, novos recursos nacionais e estrangeiros. Todos os eixos de investimento do FAO são alinhados aos objetivos da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável (ODS). O financiamento irá ajudar a implementar programas e fortalecer o aparelhamento dos órgãos fiscalizadores da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas).

O Estado também está em fase de conclusão da elaboração da Política Pública de Mudança e Adaptação Climática, que atuará diretamente para reduzir os efeitos adversos da mudança do clima.

O titular da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), Mauro O’de Almeida, também participou da reunião do GCF, em Roma, e reforçou que muitas iniciativas realizadas na Amazônia Legal serão reavaliadas para se adequar ao atual contexto.

“Nós decidimos que precisamos de uma revisão do zoneamento econômico ecológico e dos planos de prevenção, controle e tratamento, que nos estados variam. Também foi pontuado a necessidade de fazer um alinhamento das legislações, sobretudo, do licenciamento, para que não haja disputas entre estados”, afirmou o secretário.

O encontro também definiu a ampla participação dos estados da Amazônia na regulamentação do artigo 6º do Acordo de Paris, que trata do mercado de carbono e que deve ser proposta, em dezembro deste ano, para a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2019, a COP 25, que será realizada no Chile.

Deslumbrado como nunca, preconceituoso como sempre

“Todo mundo gostaria de passar a tarde com um príncipe. Principalmente vocês, mulheres, né?”. O comentário foi feito na manhã desta terça-feira (29) pelo presidente Jair Bolsonaro a jornalistas, na saída do hotel onde está hospedado em Riad, capital da Arábia Saudita, para uma série de compromissos oficiais. 

O presidente havia sido questionado por uma repórter sobre a pauta que seria discutida entre o líder brasileiro e o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, conhecido como MBS — com quem tem três encontros marcados na capital do país árabe.

“Tem uma certa afinidade entre nós dois, desde o ultimo encontro em Osaka (na reunião do G20, no Japão). Acredito que vai ser uma tarde bastante proveitosa”, completou Bolsonaro.

Aos 34 anos, MBS acumula as posições de ministro da Defesa, vice-primeiro ministro e herdeiro do trono saudita e vêm ganhando destaque na imprensa internacional graças a seus esforços para modificar a imagem internacional do reino saudita, um dos mais conservadores e fechados de todo o mundo árabe.

Para recuperar a pegada

POR GERSON NOGUEIRA

O objetivo está bem definido: conquistar o tricampeonato da Copa Verde e assegurar a bonificação de R$ 2,4 milhões correspondente à vaga nas oitavas de final da Copa do Brasil do ano que vem. O PSC precisa passar pelo Cuiabá para atingir esses objetivos terminando a temporada em paz com a torcida e com as finanças.

A tarefa não é tão simples, pois envolve batalha em dois jogos com um time de bom nível, que disputa o Brasileiro da Série B e está em plena atividade, ao contrário dos bicolores. O longo período sem participar de jogos oficiais – o último foi contra o Remo, pelas semifinais da Copa Verde – é um fator de risco para as pretensões do Papão.  

De volta da inusitada folga de 10 dias concedida pela comissão técnica, o elenco já retomou os treinamentos, mas o esforço para compensar o período de inatividade talvez não seja suficiente para deixar a equipe em pé de igualdade física e técnica para o primeiro confronto da decisão, previsto para o dia 14 de novembro.

A realização de amistosos (o primeiro será contra a Tuna, domingo) é fundamental para que os jogadores readquiram o condicionamento da fase classificatória da Série C, que representou o melhor momento do time sob o comando de Hélio dos Anjos.

Para efeito de comparação, o Cuiabá joga duas vezes por semana contra equipes do mesmo porte, o que lhe dá vantagem técnica em relação ao estágio atual do Papão. Por outro lado, o time mato-grossense sofre o desgaste natural decorrente de tantos jogos disputados em curto espaço de tempo.

Caberá a Hélio intensificar os treinamentos para que o PSC recupere a pegada e não perca suas principais características: a força de marcação e a estabilidade do sistema defensivo, que garantiram a invencibilidade de 21 jogos (15 empates e 6 vitórias), feito considerável e de grande importância em confrontos decisivos.

Hora de fechar contas e enxugar despesas

O Remo resolveu ontem um problema criado no calor da necessidade de reforçar o ataque durante a Série C. No afã de achar um camisa 9, depois de fracassar com as contratações de Edno e Marcão, o clube trouxe Neto Baiano, veterano centroavante com carreira construída em clubes nordestinos. Com contrato vigente até 2020 e rendimento abaixo do esperado, sua presença passou a ser contestada pela torcida, o que levou a um acordo de rescisão, anunciado ontem.

Nem considero que Neto Baiano tenha feito um papel tão ruim. Disputou nove partidas, marcou cinco vezes. É a melhor média entre todos os centroavantes que o Remo teve desde o ano passado. Fez três gols na maior goleada do ano – 6 a 1 sobre o Atlético-AC – e marcou contra o PSC.

Em sua defesa, poderia argumentar que chegou na hora errada, entrando num time desajustado, com graves problemas de criação no meio-campo e laterais improdutivos. Não faltou vontade, comprometimento e participação nos jogos. Algumas vezes até exagerou na dose.

Caso tivesse sido contratado desde o início da Série C, quando o Remo tinha uma equipe bem entrosada e difícil de ser batida, teria tido mais sucesso. Por coincidência, foi nesse período que o time mais sentiu falta de um artilheiro que jogasse dentro da área, explorando o jogo aéreo. Márcio Fernandes dependia de Emerson Carioca e Alexsandro, que nunca inspiraram confiança.

Marcão chegou e não disse a que veio. Neto pelo menos fez o que era possível fazer. Como o time não alcançou os objetivos – acesso à Série B e título da Copa Verde –, ele e Eduardo Ramos sofreram os efeitos da decepção entre os torcedores.

Para evitar problemas de curto prazo, no âmbito financeiro, o clube agiu bem em chegar a um acordo com o centroavante. É improvável, porém, como querem alguns, que ocorra o mesmo em relação a Eduardo Ramos. Ao contrário de Neto, E10 tem história no clube e sua contratação só foi possível em função de acordos celebrados em cima de dívidas passadas.

Com um esquema de jogo que permita maior participação de meio-campistas mais jovens e com capacidade de marcação, tanto Eduardo quanto Yuri podem ser úteis ao novo time a ser formado para 2020.

Da arte patética de transformar futebol em teatro

O palmeirense Deyverson, famoso pelas declarações folclóricas, saiu com uma frase sincera depois do jogo com o Avaí, no último domingo. O Palmeiras saiu vencedor graças a um pênalti inexistente, cavado pelo centroavante nos minutos finais do segundo tempo.

Aos repórteres, Deyverson disse que é seu papel cair e esperar o árbitro recorrer ao VAR. Além do desconhecimento óbvio sobre o verdadeiro papel de um jogador de futebol, que é defender seu time jogando limpamente, o atacante revelou que tem por hábito ludibriar os árbitros.

Não é de hoje que Deyverson é acusado de catimbeiro e simulador de faltas. Atira-se em campo, estabanadamente, ao esbarrar em qualquer adversário. Felipão, quando técnico do Palmeiras, repreendeu publicamente essa atitude diversas vezes.

Como muita gente que vive do futebol no Brasil, a finalidade do VAR parece ter sido distorcida pelo palmeirense. Deyverson não entendeu que a monitoração eletrônica pode desmascarar eventuais encenações em campo. Caso exagere na teatralização, pode vir a sofrer penalidades, como advertência e suspensão, além de ficar marcado junto às arbitragens.

Neymar até hoje paga o preço dos excessos ao longo da carreira, cujo ponto culminante foi a desastrosa performance na Copa do Mundo de 2018, quando o mundo todo acompanhou (e censurou) suas tentativas patéticas de enganar os árbitros. Deyverson, pelo visto, não aprendeu essa lição.

(Coluna publicada no Bola desta terça-feira, 29)