
Não ocuparam o espaço que deveria nos grandes jornais da mídia de papel as novas revelações do Intercept Brasil sobre a Vaza Jato. Aquelas em que os membros da Força Tarefa fazem comentários desumanos sobre as mortes dos familiares de Lula, Marisa, o neto Artur e Vavá, o irmão. Certamente o calor das revelações influenciaram as decisões sobre Aldemir Bendine. Estas, no entanto, relatadas pelos jornais.
Não apareceram também nas páginas a indignação do ministro Gilmar Mendes.
As ofensas foram imensas, a ponto de uma procurador pedir desculpas a Lula. A rede explodiu desde ontem com o que pode ser considerado um índice 100 de uma imaginária escala Bolsonaro de insultos.
No Twitter, uma procuradora assim se manifestou:
“Errei”.
Jerusa B. Vieceli.
“Errei. E minha consciência me leva a fazer o correto: pedir desculpas à pessoa diretamente afetada, o ex-presidente Lula”.
Em seguida, alertada que estava autenticando o vazamento, tentou amenizar:
“Lembrar de uma mensagem não autentica todo o conjunto. A existência de mensagens verdadeiras não afasta o fato de que as mensagens são fruto de crime e têm sido descontextualizadas ou deturpadas para fazer falsas acusações”.
“Os procuradores da Lava Jato nunca negaram que há mensagens verdadeiras, exatamente porque foram efetivamente hackeados. Contudo, não é possível saber exatamente o quanto está correto, porque é impossível recordar de detalhes de 1 milhão de mensagens em 5 anos intensos”.
Único registro nos jornais:
A Coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo informa que, na terça (27), mensagens reveladas pelo UOL e o site The Intercept Brasil mostraram procuradores da Lava Jato ironizando a morte da ex-primeira-dama e o luto de Lula, tanto no velório dela quanto no do neto Arthur, 7.
A reportagem gerou um desabafo de Marlene Silva, nora de Lula e mãe de Arthur. “Esses senhores [procuradores] não são humanos, não é possível, deu náusea, nojo, tristeza, perplexidade, indignação, raiva, muita raiva, choro… o que estão fazendo conosco!”, disse ela em uma rede social fechada aos amigos. “Nos deixem em paz”, completa Marlene.