Marco Aurélio sobre Bolsonaro: “Apenas criando um aparelho de mordaça”

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Ao jornalista Tales Faria, colunista do Uol, o ministro Marco Aurélio Mello, do STF, sugeriu que há apenas uma maneira de manter o presidente Jair Bolsonaro sem dar declarações disparatadas e agressivas, que resultam em instabilidade política e provocações de baixíssimo nível a adversários:

“No mais, apenas criando um aparelho de mordaça”, apontou Marco Aurélio. Outro ministro ouvido pelo colunista mostrou o clima de decepção no STF em relação à postura agressiva do presidente:

“O pior de tudo é o mau exemplo, a associação do sucesso político ou qualquer outro à incivilidade e à grosseria. Por outro lado, acho que pode ser um marco de como as pessoas não devem ser. A repugnância tem sido geral”, afirmou a fonte.

De modos distintos e combinados, o governo vive sob o signo da morte

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Por Reinaldo Azevedo

Um conflito entre facções rivais no Pará, no Centro de Recuperação Regional de Altamira, fez 57 mortos, com 16 decapitações. Tudo indica ser um capítulo do conflito entre o Comando Vermelho e o PCC (Primeiro Comando da Capital), que tem uma espécie de subsidiária no Estado: o Comando Classe A. O 29 de julho merece entrar para o nosso calendário político. Foi o dia também em que o presidente da República se referiu duas vezes à morte de Fernando Santa Cruz, ocorrida em 1974, nas dependências do DOI-CODI do Rio. Fernando era pai de Felipe Santa Cruz, atual presidente da OAB, que tinha dois anos à época.

Primeiro o presidente desafiou Felipe se este queria realmente saber como o pai havia morrido. Depois, numa transmissão ao vivo, enquanto tinha o cabelo cortado, contou uma mentira grotesca: afirmou que Fernando, que era membro do grupo de esquerda Ação Popular, tinha sido assassinado pela própria organização a que pertencia. Para registro: o corpo nunca foi encontrado.

Bolsonaro ainda houve por bem comentar uma tragédia havida no Rio: num surto, Plácido Correa de Moura, morador de rua, matou duas pessoas a facadas e feriu uma terceira. A Polícia reagiu atirando. Acertou as pernas do assassino, mas também a da cabo enfermeira Girlane Sena. O capitão médico Fábio Raia foi atingido por estilhaços. Ambos pertencem ao Corpo de Bombeiros e estavam no local para socorrer as vítimas de esfaqueamento. Um PM foi baleado de raspão.

E o que Bolsonaro tem a dizer a respeito? Isto: “Um morador de rua esfaqueou, matou, executou duas pessoas no Rio de Janeiro. Agora, não tinha ninguém armado para dar um tiro nele, é impressionante. Mas tudo bem. Estava drogado o cara? Tá certo. Viciado em drogas”.

Ah, sim: Wilson Witzel, governador do Rio, afirmou que teria dado um tiro na cabeça de Plácido. Sobre a ação obviamente desastrada da PM, não soltou uma palavra. Parabenizou a corporação pelo resultado. Sobre o massacre havido no Pará, Bolsonaro nada disse. Reagiu como se não tivesse acontecido, e isso explica seu jeito de ver o mundo e algumas características de seu governo. Observem que ele usa o caso do Rio para, mais uma vez, fazer a defesa do armamento da população.

Ora, o episódio aponta em sentido inverso: mesmo os tiros tendo sido disparados por policiais, que são experientes, pessoas inocentes foram feridas. Imaginem as consequências de amadores armados saírem por aí resolvendo conflitos à bala.

Temos no comando do país — e está certo Felipe Santa Cruz ao apontá-lo — um homem incapaz da empatia. A morte e o sofrimento dos outros não o mobilizam minimamente. Ou por outra: servem apenas a seu proselitismo raso. Como Bolsonaro identifica no presidente da OAB um inimigo, não hesita em vilipendiar a memória de alguém que foi torturado e morto se isso servir de instrumento de ataque. O que o sensibiliza no caso das facadas não são as mortes ou a dor dos familiares das vítimas, mas uma espécie de ódio redentor que põe na mão de cada homem uma arma para eliminar seu inimigo.

As fotos das cabeças cortadas certamente chegaram ao presidente. O Youtube está coalhado de vídeos que deixam claro o que ele pensa sobre presos e presídios. Não são pessoas que mereçam a sua atenção porque, afinal, estariam recebendo o tratamento justo. Como é mesmo? Ele só entende “direitos humanos para humanos direitos”. É uma estupidez. A rotina de maus-tratos nos cárceres brasileiros é o principal combustível da expansão e multiplicação dos partidos do crime. Ou por outra: os 57 mortos no presídio do Pará são parte do ciclo criminoso que aterroriza a sociedade uma vez que o ajuste de contas se dá também do lado de fora. Inexistem países que maltratam seus presos e tratam com dignidade o cidadão comum.

Dado o quadro de horror, Bolsonaro poderia, ao menos contar com um ministro da Justiça que fizesse, em seu lugar ou em seu nome, a coisa certa. Ocorre que Sergio Moro já não está mais entre nós. Hoje, está tentando salvar o que dá de sua biografia. Antes de cair em desgraça, enviou ao Congresso um pacote anticrime que contribui para o encarceramento, acirrando as condições já miseráveis dos presídios.

Temos um governo que, de modos distintos e combinados, vive sob o signo da morte. E, creiam, não há perigo de isso dar certo.

Papão sofre para evitar derrota

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POR GERSON NOGUEIRA

Foi a pior atuação do PSC na gestão Hélio dos Anjos. Contra um time que tenta escapar da zona de queda, a equipe paraense teve imensas dificuldades para evitar uma derrota que parecia se desenhar ainda no primeiro tempo. Diante das dificuldades enfrentadas, o empate obtido às duras penas no segundo tempo pode ser considerado até um resultado razoável, embora signifique a perda de mais dois pontos em casa.

O problema crônico de falhas na criação e na finalização voltou a se manifestar logo de cara. O time não se organizava de forma a ocupar os espaços que o Boa Esporte permitia em sua estratégia de se manter na defesa e explorar a chamada “uma” bola.

Apesar das repetidas promessas do técnico Hélio dos Anjos, o PSC ficou encaixotado na marcação ao longo do 1º tempo, pouco explorou as opções pelos corredores laterais e fracassou quando teve algumas chances de abrir o placar. Para piorar, Tiago Primão se lesionou e teve que ser substituído pelo estreante Tomas Bastos logo aos 13 minutos.

O time mineiro fazia o feijão-com-arroz: defendia-se vigorosamente, mas pouco passava da linha de meio-campo. Quando arriscava, porém, levava desassossego aos homens de defesa do Papão.

Tomas Bastos até que entrou conectado. Recebeu bola às proximidades da área e bateu colocado, assustando o goleiro Renan Rocha. Uchoa foi outro que arriscou disparos de média distância, mas sem maior perigo.

Aí, aos 38’, Rafael Luz pegou uma bola em sua intermediária e saiu em direção à área bicolor. Driblou dois e passou à direita para Gindre. O atacante entrou na área e cruzou no segundo para um cabeceio certeiro de Kaio Cristian. A bola foi canto direito passando por baixo do goleiro Mota.

Nicolas ainda perdeu boa chance em cruzamento rasteiro aos 47’. Mesmo com maior posse de bola, o PSC saiu do primeiro tempo amargando a derrota parcial e os apupos da torcida (pouco mais de 6 mil pagantes no Mangueirão).

No intervalo da partida, Hélio dos Anjos trocou o dispersivo Diego Rosa pelo atacante Wesley Pacheco. Tentava aparentemente dar mais força ofensiva ao time, cuja principal jogada era a bola esticada para Elielton pela direita.

Aos 6’, Wesley limpou jogada junto à área e bateu forte no lado direito do gol do Boa. Renan Rocha defendeu bem. Logo em seguida, veio o penal. Elielton recebeu na área, deu um corte no zagueiro e foi tocado. O árbitro interpretou como infração e Tomás Bastos converteu.

O Boa resolveu então insistir mais no ataque e acabou premiado com um pênalti igualmente discutível, aos 15’, em lance que envolveu Micael e Bruno Maia. Gindre bateu e recolocou a vantagem para os visitantes.

Já desesperado, o PSC iniciou um esforço para tentar empatar novamente. Bruno Collaço e Vinícius Leite apareceram bem com cruzamentos perigosos, mas o ataque não tinha contundência e o tempo ia passando.

Aos 27’, Vinícius fez manobra rápida pela esquerda e cruzou na cabeça de Nicolas. O atacante desviou no canto garantindo o empate. Aos 30’, Elielton tentou cruzar uma bola e quase encobriu o goleiro.

Alguns outros ataques se repetiram, mais por empenho do que por inspiração, mas o PSC não conseguiu mais criar de nenhum lance agudo. O Boa esteve mais perto da vitória nos minutos finais, com chutes de Tsunami e Abner.

Um jogo que deixou um sentimento de lamentação entre os bicolores, pelas possibilidades concretas de vitória, mas que também permite um certo alívio, pois o time ficou em desvantagem no placar por duas vezes.

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Remo aposta em Neto para variar repertório ofensivo

O Remo não conseguiu arranjar até hoje um centroavante para chamar de seu na Série C. Tentou Emerson Carioca, Alex Sandro e Marcão Assis. Nenhum deles funcionou na posição, dando margem a reclamações da torcida e insatisfação do técnico Márcio Fernandes.

Quando ninguém mais esperava alguma novidade para o ataque azulino, eis que a diretoria fechou acordo com o experiente Neto Baiano (36 anos) para a reta final da fase classificatória. Cabe dizer que o jogador já havia sido procurado pelo Remo desde que Deivid Batista e Edno foram descartados.

De bom porte físico, presença constante na área, Neto se caracterizou como um atacante que arrisca chutes fortes de média distância e se apresenta para o jogo aéreo. Tem muito mais imposição do que Marcão, por exemplo.

É o tipo do atacante que Márcio Fernandes buscava como opção para situações de jogo em que o Remo precisa ter um homem de referência na área. Neto estava no Vitória (BA), que faz campanha trôpega na Série B. Já circulou por vários clubes, incluindo Palmeiras, Atlético-PR, Ponte Preta, Goiás e CRB.

O novo reforço chega hoje a Belém para exames e assinatura de contrato. Sua presença no jogo contra o Tombense vai depender da regularização junto à CBF.

Pelo sistema desenhado por Márcio Fernandes, que garantiu ao Remo a permanência ininterrupta no G4 do grupo B em todas as rodadas da fase classificação, a presença de um centroavante não é obrigatória.

Nos últimos jogos, o time tem usado um modelo de aproximação, que envolve jogadores do meio (Eduardo Ramos, Ramires e Garré) aos atacantes, Emerson e Gustavo Ramos. Com toque de bola e jogadas pelo chão, o Remo conseguiu bons resultados.

A presença de um atacante de área é explicada pela preocupação com a variação de repertório nos momentos decisivos da competição.

(Coluna publicada no Bola desta terça-feira, 30)

Papão volta a tropeçar em casa

https://www.youtube.com/watch?v=2yt1t5Oz9Ys