A ilusão da ajuda mútua

remo2x2luverdense-mt-6

POR GERSON NOGUEIRA

Notícia ruim para os que creem na lenda urbana de que a dupla Re-Pa pode se ajudar nas etapas classificatórias da Série C. A ideia é edificante, mas peca pela ingenuidade mais rastaquera.

É preciso entender que o sistema de classificação não permite vacilos a quem busca passar à próxima fase e ao mata-mata do acesso.

Por melhor que seja a intenção existente de parte a parte entre os velhos rivais, cujas diretorias convivem hoje harmoniosamente, não há forma de conciliar interesses conflitantes.

A glória de um pode significar a desgraça do outro e é assim que as coisas são. Caso cheguem empatados em pontuação até a 17ª rodada, como se encontram no momento, irão fazer um clássico de vida e morte na rodada de fechamento.

Até a hipótese de um empate que ajudaria a ambos deve ser descartada em nome do bom senso. Afinal, mesmo que a pontuação permita a passagem de ambos à etapa seguinte, haverá sempre a necessidade de ficar melhor posicionado para obter vantagem no cruzamento eliminatório.

Portanto, por mais que o prezado leitor-torcedor, seja da confraria dos bons samaritanos, tire essa ilusão pueril da cabeça. Utopias são necessárias na vida, mas todos sabem o sentido e o significado delas.

Leão e Papão são irmãos siameses, mas estão condenados a caminhar em rotas quase sempre opostas e conflituosas.

E nem vou levantar aqui a possibilidade (felizmente quase descartada) de uma disputa sangrenta para fugir ao rebaixamento. Melhor ficar por aqui, projetando brigas mais edificantes.

O fato é que o Papão de Nicolas não pode andar de mãos dadas ao Leão de Eduardo Ramos, por mais singela que a ideia seja.

—————————————————————————————

Quando um craque pendura as chuteiras

Como deve ter acontecido com muitos companheiros de ofício, dinossauros ou não, senti um baque ao ler a nota em Lúcio Flávio Pinto anuncia a sua aposentadoria.

Além do brutal prejuízo para o jornalismo que se pratica aqui e alhures, o que mais provocou impacto foi constatar que um mestre do ofício sente-se repentinamente impossibilitado de fazer o que mais gosta.

E fazer jornalismo é o que nós, jornalistas, mais amamos fazer, por mais redundante que isso possa parecer. Os do ramo entenderão.

De imediato tentei me colocar no lugar do Lúcio, procurando imaginar o que está sentindo neste momento tão dramático.

Triste, desamparado. Foi como me senti. Não gostaria de estar vivenciando esse adeus às armas tão precoce que os problemas decorrentes do Parkinson impõem ao velho companheiro.

Diferenças de pensamento e convicções políticas à parte, admiro a qualidade do trabalho e a coragem pessoal de Lúcio. Mais do que os muitos prêmios conquistados, o destemor no enfrentamento aos poderosos é o que me vem à cabeça quando lembro dele.

Poucos de nós podem ter esse legado profissional para ostentar.

Valeu, Lúcio. Parabéns por tudo.

—————————————————————————————-

Jogo-chave para os planos leoninos

Para o Remo, o jogo desta noite com o Ypiranga é daqueles momentos cruciais numa campanha. Em caso de uma vitória, o projeto de crise imediatamente cai por terra e o time retoma o caminho virtuoso.

Um empate não seria de todo ruim. Pode ser um alento, pois não deixaria o time tão distanciado do G4. Com alguma sorte pode permitir até a permanência na zona de classificação.

Problema mesmo é se o time sofrer um revés. Aí a desconfiança da torcida irá se acentuar e o afastamento do G4 torna-se inevitável.

O esquema esboçado por Márcio Fernandes dá a entender que o time vai praticar um jogo de controle da posse de bola, como forma de minar a resistência (e a paciência) dos donos da casa.

A conferir.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 19)

Trivial variado da terra do nepotismo explícito

“Essa amizade com Trump só existe na cabeça de Bolsonaro. Para o presidente racista dos EUA todos nós – inclusive os Bolsonaro – somos nascidos num ‘shit hole country'”. Lula Falcão

“Poxa, difícil era achar PC Farias, em tempos sem celulares e sem nada, mesmo assim cheguei junto como repórter, pela @Folha, sozinho, antes de todas as produções das grandes tevês, até o Cabrini comeu mosca. Como agora, nem o bravo Cabrini, quer achar o Queiroz do Bolsonaro?”. Xico Sá

d06ac27c-51df-432e-844d-1b3dbfc1ea02

“O que é mais imoral: a Bruna Surfistinha ou um Filho Surfistinha, que surfa nas ondas do poder do pai para usurpar do povo brasileiro um cargo em dólares, com direito a mansão, carrão, festas, prestígio, poder e mordomias, tudo pago pelo povo, e sem ter credenciais pra isso?”. Hildegard Angel

“True story. Imoral não é o filme sobre Bruna Surfistinha, como ataca Bolsonaro. Imoral mesmo é um presidente indicar um filho para embaixador em Washington, sem saber falar inglês direito. O que me incomoda não é a ficção. Mas a realidade”. Gilberto Dimenstein

“Eu nunca imaginei que viveria para ver um vídeo onde um imbecil ignorante, que foi aposentado pelo exército como débil mental, criticaria a ANCINE. Quem é esse elemento para criticar uma Agência que revolucionou a arte nesse país. Estamos na merda, e estamos fedendo”. Alcenir Fernandes de Castro

“Brasil estarrecido com a decisão do Ministro Tóffoli, porque ela aceita a ‘tese’ absurda do Flávio Bolsonaro de que o MP não poderia investigar direto , a partir dos dados do Coaf, suas maracutaias financeiras. Ora, NUNCA precisou ordem judicial para isso!”. Pedro Ruas

“Como Eduardo vai representar os brasileiros se ele já representa a seita de Steve Bannon?”. Rubens Ricupero

“Virou circo mesmo? Bolsonaro escolhe membros para o Conama através de sorteio. Antes, havia eleição para escolha dos representantes. Tudo muito coerente com um governo que quer desmatar a Amazônia e libera os agrotóxicos”. Rogério Correia

“A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR: Por que o Judiciário não permite que o Adélio seja entrevistado e esclareça a dúvidas que pairam sobre o caso, dentro de sua visão pessoal sobre o ‘atentado’? Sumiram com ele e não permitem que pareça e nem dê entrevistas”. José Carlos Morsch

Messi abre restaurante para moradores de rua na Argentina

1091660-1-600x347 (2)

O jogador argentino Lionel Messi decidiu que seu restaurante, na cidade de Rosário, na Argentina, abrirá as portas durante os próximos 15 dias para moradores de rua.

Eles terão refeições disponíveis, além de banhos quentes, roupas e toalhas. Segundo Messi, a decisão foi tomada porque a temperatura na Argentina nestes próximos dias estará muito baixa.

Messi também está preparando locais para abrigo destes moradores, tudo custeado pelo craque argentino.

Lúcio Flávio Pinto anuncia aposentadoria

O jornalista Lúcio Flávio Pinto surpreendeu seus leitores e amigos nesta quinta-feira com a informação de que está se aposentando do jornalismo “linha de frente”, de reportagens especiais publicadas na internet e em seu Jornal Pessoal. Vai limitar sua atividade na imprensa a participações pontuais nos blogs que assina. Tomou essa decisão por conta de ter sido diagnosticado com o mal de Parkinson.

lucio-flavio-pinto_00530101_0_

Abaixo, a nota publicada por Lúcio:

Há algum tempo uma das principais fontes de angústia na minha vida é o jornalismo, meu ofício há 53 anos, iniciado aos 16 anos de idade e praticado com intensidade e paixão ininterruptas desde maio de 1966. Por várias vezes anunciei o fim do Jornal Pessoal ou deste blog, mas acabei voltando atrás e retomando o exercício da profissão. Infelizmente, porém, essa capacidade de renascer se exauriu. Meu médico voltou a me advertir que a composição de stress com ansiedade e angústia, que me dominam, é um veneno para um parksoniano, conforme fui diagnosticado.

Tenho tentado reduzir esses componentes, ao mesmo tempo genéticos, efeitos da função que exerço ou resultados da minha formação, mas os efeitos são inevitáveis no jornalismo crítico que pratico, especialmente num ambiente de extremismos, irracionalidades e absurdos, como o que estamos vivendo. Só há uma saída: suspender o jornalismo cotidiano, de linha de frente, de front mesmo. É o que faço neste momento, com profundo pesar, mas certo de ser a única maneira de conter o avanço acelerado da doença, como tem ocorrido recentemente.

Continuarei alimentando os outros blogs e utilizando este para inserir matérias que estão fora do universo digital, recuperando informações úteis que podem se perder. Talvez mantenha o Jornal Pessoal mensalmente. Espero contar com a compreensão e o acompanhamento dos leitores mais fieis.

Lúcio Flávio Pinto é sociólogo, formado pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo (1973). Foi professor visitante (1983/84) do Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade da Flórida em Gainesville, EUA. Foi professor visitante no Núcleo de Altos Estudos Amazônicos e no Departamento de Comunicação Social da UFPA.

É jornalista profissional desde 1966. Trabalhou nas redações de algumas das principais publicações da imprensa brasileira. Durante 18 anos foi repórter em O Estado de S. Paulo. Em 1988 deixou a grande imprensa. Dedicou-se desde 1987 ao Jornal Pessoal, publicação independente de periodicidade quinzenal.

Escreveu 21 livros, todos dedicados a temas relacionados com a Amazônia, os últimos dos quais “Amazônia Decifrada” e “A Questão Amazônica”. É co-autor de numerosas outras publicações coletivas, dedicadas à Amazônia e ao jornalismo. Recebeu o Prêmio Wladimir Herzog de 2012 pelo conjunto da sua obra. Foi considerado pela ONG Repórteres Sem Fronteiras, com sede em Paris, como um dos mais importantes jornalistas do mundo, o único selecionado no Brasil para essa honraria.

Mentor e referência para várias gerações de jornalistas paraenses, Lúcio tem uma carreira vitoriosa. Recebeu quatro prêmios Esso e dois Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas). Por seu trabalho em defesa da verdade e contra as injustiças sociais, recebeu em Roma, em 1997, o prêmio Colombe d’oro per La Pace e, em 2005, o prêmio anual do CPJ (Comittee for Jornalists Protection), de Nova York. (Foto: PAULO SANTOS)