Destruição do Itamaraty não é falta de habilidade, mas “um projeto”

Por Tiago Angelo

O ex-ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou em entrevista ao Brasil de Fato nessa sexta-feira (12) que o processo de desmonte da diplomacia brasileira, em curso desde que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) assumiu o governo, não ocorre por falta de habilidade, mas “é um projeto” político.

O diplomata, que foi chanceler durante as administrações de Itamar Franco e Luiz Inácio Lula da Silva, comentou a possível nomeação de Eduardo Bolsonaro como embaixador em Washington, a degradação da imagem do Brasil em fóruns internacionais e a quebra das tradições diplomáticas do país.

“O Itamaraty sempre procurou ser guardião das tradições brasileiras que estão na Constituição. Nunca se colocou a questão ideológica em primeiro plano. Talvez a exceção tenha sido o começo do governo militar, depois do golpe [de 1964]. Mas ainda que no Brasil prevalecesse um regime ditatorial, o Itamaraty procurava se afastar disso e não fazer uma frente ideológica como estão fazendo agora: uma frente ideológica/religiosa”, afirma.

Nas últimas décadas, o país alcançou prestígio internacional com a consolidação de uma postura não intervencionista e com a capacidade de dialogar com atores diversos. A reputação rendeu ao Brasil um lugar de destaque entre os países em desenvolvimento e a capacidade de influenciar decisões ao redor do mundo.

No entanto, deliberações recentes, entre elas a de vetar qualquer referência ao termo “gênero” em resoluções da ONU, geraram perplexidade em diversas delegações estrangeiras, abalando a credibilidade do país.

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“Os países ocidentais, europeus, estão chocados com as votações que o Brasil tem feito sobre questões de gênero, questões de saúde reprodutiva da mulher. Em todas essas questões, o país tem entrado por um caminho que parece que o Brasil é uma teocracia medieval”, afirma.

Segundo ele, o Itamaraty parece “um navio sem rumo”. “Ou melhor, com o rumo errado, à beira do naufrágio, e com os diplomatas como passageiros de uma nau que está naufragando, procurando um barco salva-vidas. E dificilmente encontrarão. Eu sinto muita tristeza pelos meus colegas. Muitos devem estar trabalhando de maneira muito contrariada, até evitando ficar em lugares muito importantes, para não ter que se associar [ao governo Bolsonaro]. E isso agora vai só piorar”, lamenta.

Casamento real

O Brasil voltou a ser ridicularizado internacionalmente nessa quinta-feira (11), quando Jair Bolsonaro anunciou que pretende indicar seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), ao cargo de embaixador em Washington, nos Estados Unidos.

O parlamentar, que não tem experiência diplomática, completou 35 anos – idade mínima para assumir o posto – na última quarta-feira (10), um dia antes do anúncio de Bolsonaro. O cargo está ocioso desde abril, quando o diplomata Sérgio Amaral foi destituído.

“Não vou entrar no detalhe do nepotismo, porque assessoria jurídica do próprio Congresso deve ver [a questão]. [Mas a indicação] é grave de qualquer maneira. Foge totalmente aos padrões civilizados hoje em dia”, afirma Amorim.

Após Bolsonaro afirmar que pretende nomear Eduardo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que também poderá indicar seu filho Eric para a embaixada norte-americana em Brasília.

Para Amorim, “se isso acontecer, vai parecer coisa de dinastia do século 17, 18, em que se faziam alianças militares na base de casamentos, na época do poder absoluto das monarquias […] essa é uma prática que ninguém segue, a não ser as monarquias absolutistas”.

A indicação, segundo o diplomata, fragilizará ainda mais o Ministério das Relações Exteriores. “Há o debilitamento do Itamaraty como instituição, que tem muitos diplomatas competentes. E há o temor de formação de um eixo de extrema direita com setores do governo norte-americano. Nem o governo dos EUA como um todo tem essa visão. E o Trump tem uma postura muito pragmática. Não se deve pensar que por uma aliança ideológica ele vai deixar de defender o interesse norte-americano”, avalia Amorim.

Para ele, os últimos acontecimentos não representam uma falta de habilidade política, mas sim “um projeto”. “O próprio presidente Bolsonaro, não se referindo especificamente ao Itamaraty, mas à política externa – então indiretamente ao Itamaraty –, disse que o objetivo é destruir mesmo”, ressalta.

Hambúrguer e inglês avançado

Embora não tenha nenhuma experiência em cargos diplomáticos, Eduardo afirmou ser qualificado para exercer a função de embaixador. “Já fiz intercâmbio, já fritei hambúrguer lá nos Estados Unidos, no frio de Maine, estado que faz divisa com o Canadá. No frio do Colorado, numa montanha lá, aprimorei o meu inglês”, disse.

Caso Eduardo realmente seja indicado, seu nome será encaminhado à Comissão de Relações Exteriores do Senado. O órgão é responsável por nomear um relator com a incumbência de levantar o currículo do indicado. O nome é então colocado em votação na comissão e, depois, de forma secreta, no plenário do Senado.

Para ser embaixador em Washington, Eduardo deveria renunciar ao cargo de deputado. Uma proposta do Capitão Augusto Rosa (PL-SP), no entanto, pretende garantir que parlamentares mantenha funções eletivas mesmo após assumirem as sedes diplomáticas.

Segundo o site Opera Mundi, a decisão de indicar um filho ao cargo de embaixador nos EUA possui apenas um precedente recente: em 2017, o rei da Arábia Saudita escolheu o filho Khalib bin Salman como embaixador em Washington. Ele deixou o posto em 2019 após suspeitas de envolvimento no assassinato do jornalista Jamal Khashoggi.

Emoção até o último instante

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POR GERSON NOGUEIRA

O Remo ainda lamenta os pontos perdidos em casa, sábado, para o Luverdense. Levado ao pé da letra, o resultado ficou realmente aquém das expectativas criadas e das próprias exigências do momento da competição. É preciso, porém, entender que o jogo foi atípico e que as circunstâncias não podem ser menosprezadas.

Com estádio lotado, ambiente festivo, emoções à flor da pele e um certo clima de já-ganhou, o time remista entrou desplugado. A distração custou caro. Em dez minutos, um apagão permitiu ao Luverdense construir o que parecia quase uma vitória garantida. Em duas jogadas pela direita, Anderson e Kauê conseguiram chegar ao gol com extrema facilidade.

Com 2 a 0, a equipe de Junior Rocha ficou à vontade para desenvolver uma estratégia de espera. Mantinha-se em seu campo, explorava os erros de passe dos azulinos e saía em velocidade com jogadas sempre centralizadas em Juninho Tardelli, que acionava Da Silva e Kauê pela direita e Jefferson Recife e Anderson Ligeirinho pela esquerda.

O tempo ia passando, o drama se acentuando e revelando que, além do nervosismo de algumas peças (Daniel Vançan, Carlos Alberto e Geovane), o Remo tinha sérios problemas de confiança para definir situações no ataque. A bola queimava nos pés dos atacantes.

Só depois que Emerson Carioca entrou aos 23 minutos, no lugar de Carlos Alberto, o time se recompôs e passou a dispor de quantidade e maior qualidade na frente. Posicionando-se de maneira mais recuada, próximo a Eduardo Ramos, Emerson surpreendeu pelo desassombro e coragem de buscar a finta e o chute de média distância, coisas que seus companheiros pouco arriscavam fazer.

Sua entrada em alta rotação corrigiu desajustes da equipe. Entusiasmado, Emerson quase fez um gol tocando à esquerda da trave do LEC e ainda disparou um chute na gaveta, que o goleiro Edson espalmou para escanteio. Além da utilidade no esquema de jogo, Emerson foi responsável por afastar o marasmo e fazer a torcida continuar acreditando.

No segundo tempo, quando o Remo se lançou definitivamente à frente, já com Alex Sandro no lugar de Geovane, a importância do camisa 9 se acentuou porque ele se desdobrava ajudando Vançan no lado esquerdo e recuando para se juntar a Yuri e Ramires na marcação.

Com Garré substituindo a Marcão Assis, peça improdutiva pelo mau aproveitamento do jogo aéreo no primeiro tempo, o Remo cresceu em movimentação e elevou a qualidade do passe. Foi o suficiente para controlar as ações dentro do campo do LEC, mas o gol não saía.

Aos 31 minutos, em escanteio batido por Eduardo Ramos, o zagueiro Marcão escorou de cabeça e diminuiu. Pela primeira vez na partida, a torcida conseguiu festejar. O time então se lançou a um esforço de superação para alcançar o empate, que veio no minuto final dos acréscimos, em cabeceio de Eduardo Ramos.

A festa podia ter sido melhor, mas também podia ter virado pesadelo. O esforço dos jogadores compensou os erros, arrancando um empate com sabor de vitória. Até porque seria um tremendo pecado se a celebração vista no Evandro Almeida fosse manjada por uma derrota em campo.

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Arbitragem errática e tímida nos acréscimos

O Luverdense, a despeito de ter feito uma boa atuação quando teve a bola nos pés, foi muito aplicado também nas paralisações para conter a reação remista. E contou com a conivência involuntária do atrapalhado árbitro Gilberto Junior (PE), que inverteu marcações, aplicou cartões injustos e deixou de punir faltas violentas.

O pior foi ter colaborado com a cera ao conceder quatro minutos de acréscimos no primeiro tempo, quando o correto seria dar no mínimo seis minutos. No tempo final, a contabilidade foi ainda pior. O jogo ficou parado para atendimento a jogadores do LEC por mais de 10 minutos e Gilberto deu apenas seis.

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Papão conquista empate e mantém série invicta

O técnico Hélio dos Anjos saudou como positivo o empate do PSC em Caxias do Sul (RS), no sábado à tarde. E foi mesmo um bom resultado. Manteve o time na briga pela classificação e ainda segurou a arrancada que o Juventude ameaçava dar.

De negativo apenas o fato de que o Papão teve durante boa parte do tempo as rédeas da situação. Marcou o gol aos 30 minutos, com Nicolas, teve mais três excelentes chances e acabou se acomodando com a vantagem mínima. Na etapa final, mesmo com um jogador a menos (Dalberto foi expulso no 1º tempo), o Juventude conseguiu reagir e empatar aos 33’, com Breno.

Poucas vezes o PSC desfrutou num jogo de tantas chances para melhorar a artilharia. Nicolas, Tony, Jheimmy e Elielton, com atuação destacada, também perdeu o seu. O mais incrível foi o lance desperdiçado por Diego Rosa, que, livre e de frente para o gol, errou o arremate.

Hélio tem toda razão em enaltecer a evolução do time, que abandonou a sequência de tropeços para abraçar uma série invicta que já lhe garante uma posição de destaque na chave. Com dois jogos em casa nas próximas rodadas, as perspectivas não poderiam ser melhores.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 15)

A frase do dia

“Marielle foi assassinada há quase 500 dias. Sua memória desperta calafrios na extrema-direita no País. É um fantasma assombrando essa gente tosca, que não quer que o mandante do crime seja revelado. O que assusta vocês? O fato de ter sido mulher, negra, comunista ou lésbica?”.

Fabio Pannunzio, jornalista

Baenão é reinaugurado com grande festa do Fenômeno Azul

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Um público em torno de 14 mil pessoas compareceu ao estádio Baenão para comemorar a reinauguração e apoiar o Remo na partida com o Luverdense, pela Série C. Antes da partida, ex-atletas do clube – Adriano Paredão, Landu, Dico, Fábio Oliveira e Marquinho Belém – e torcedores famosos – como o cantor Nilson Chaves – foram homenageados no gramado. O fato é que a atmosfera de caldeirão voltou a ser vivenciada em toda a sua intensidade pelo Fenômeno Azul após cinco anos de inatividade.

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Lava Jato e a indústria das palestras: indícios de crimes que precisam ser investigados

Por Joaquim de Carvalho

Os diálogos obtidos pelo Intercept e revelados hoje pela Folha de S. Paulo mostram Deltan Dallagnol tramando sobre como burlar a vigilância da opinião pública, para fazer algo que é eticamente indefensável: aproveitar a exposição adquirida com uma função pública para ganhar dinheiro em eventos privados.

Outro ponto que deve ser verificado é a possível trama para burlar a lei, o que é, evidentemente, muito mais grave. Ele e o procurador Roberson Pozzobon discutem como se tornarem sócios ocultos de uma empresa para administrar cursos e palestras. É um indício de crime que, por si só, merece investigação aprofundada.

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Também precisa ser verificada a ocorrência de crime a partir de dois outros trechos das conversas de Dallagnol. Em um, ele sugere a uma colega do Ministério Público que faça palestra para a Unimed a partir de um caso em que ela estava atuando como servidora pública.

“Vc podia até fazer palestra sobre esse caso mais tarde em Unimeds. Eles fazem palestras remuneradas até”, disse Dallagnol à procuradora Thaméa Danelon, da Lava Jato em São Paulo e militante dos protestos de direita na avenida Paulista.

Ele fez palestras em várias cidades. Ao sugerir que Thaméa Danelon também faça palestras para a Unimed, Dallagnol demonstra que conhece o caminho das pedras.

Por si só, num primeiro momento, esse tipo de exploração de prestígio pode não ser crime, mas é preciso verificar até onde vai essa relação e sua origem. Médicos se destacaram no movimento para desestabilizar o governo de Dilma Roussef, principalmente depois que o programa Mais Médicos foi criado.

– Um número muito grande de médicos que nunca se envolveu em eleições está determinado a se envolver, mas influenciando, não se candidatando. É muito comum os pacientes perguntarem para a gente, em período eleitoral, em quem vamos votar, principalmente nas regiões menos favorecidas. Há um movimento grande da classe médica para participar da política dessa forma. Não é o candidato A ou B, o sentimento é escolher um candidato que, certamente, não será a presidente Dilma – disse.

Como os médicos liderados por Florentino Cardoso perderam a eleição em 2014, não é exagero suspeitar que tenham estimulado a Lava Jato no movimento que criou o ambiente que levou à derrubada de Dilma.

Também é preciso investigar o uso de funcionárias da Procuradoria da República para organizar as palestras de Deltan Dallagnol.

Se isso aconteceu, é um desvio de finalidade, o que, em interpretação rigorosa, pode ser visto até como crime de peculato, que é se apropriar de bem público — no caso, o serviço de funcionárias pagas com dinheiro do contribuinte. O que também há de grave nesses diálogos é a evidência de que se estabeleceu uma rede, a partir da Lava Jato, para influenciar a opinião pública.

Um exemplo: no dia 3 de julho, procurador do Ministério Público de São Paulo Edilson Mougenot Bonfim conseguiu espaço nobre na Folha de S. Paulo para atacar, em artigo, o trabalho realizado pelo Intercept e dizer que os diálogos revelados caracterizam “O parto de uma calúnia”.

Moro também foi defendido por ele em uma entrevista à Gazeta do Paraná, nesta semana. “As decisões do juiz Sergio Moro são belas decisões”, disse Edilson.

O que se sabe agora, com o vazamento ao Intercept publicado na Folha, é que o prestígio alimentado por pessoas como Edilson Mougenot também serve para alavancar um negócio de palestras mantido por ele.

Num diálogos publicados, Deltan Dallagnol intermedia uma palestra de Dallagnol, em 2017, para a Escola de Altos Estudos em Ciências Criminais, fundada por Edilson Mougenot Bonfim.

“Caro, o Edilson Mougenot [fundador da Escola de Altos Estudos em Ciências Criminais] vai te convidar nesta semana pra um curso interessante em agosto. Eles pagam para o palestrante 3 mil”, disse Deltan a Moro.

“Pedi 5 mil reais para dar aulas lá ou palestra, porque assim compenso um pouco o tempo que a família perde (esses valores menores recebo pra mim… é diferente das palestras pra grandes eventos que pagam cachê alto, caso em que estava doando e agora estou reservando contratualmente para custos decorrentes da Lava Jato ou destinação a entidades anticorrupção – explico melhor depois)…”, emendou.

Dallagnol ainda disse a Moro:

“Achei bom te deixar saber para caso queira pedir algo mais, se achar que é o caso (Vc poderia pedir bem mais se quisesse, evidentemente, e aposto que pagam)”.

A princípio, Moro disse que já estava com a agenda cheia, mas posteriormente aceitou o convite e participou com Deltan, em 26 de agosto de 2017, do 1º Congresso Brasileiro da Escola de Altos Estudos Criminais em São Paulo.

Portanto, como cliente da palestra de Moro, o procurador Edilson Mougenot Bonfim não tem opinião isenta.

Edilson Mougenot Bonfim, nascido no Paraná, pertence à carreira do Ministério Público do Estado de São Paulo há cerca de 30 anos. Foi promotor do júri, é procurador na área criminal e, agora se sabe, tem o negócio paralelo das palestras.

No júri, Edilson Mougenot ficou famoso em um julgamento no qual, enfrentando o criminalista Márcio Thomaz Bastos, denunciou a indústria dos pareceres: peritos criminais utilizavam o prestígio acumulado em casos famosos para cobrar caro por pareceres em ações privadas.

Ou seja, acumulavam prestígio na função pública para, depois ou ao mesmo tempo, ganhar dinheiro do outro do balcão, em pareceres que integram a defesa de acusados de crimes. Como pareceristas, não têm compromisso com a verdade. Já como peritos forenses, se mentirem, podem ser processados.

Tratei desse caso no meu livro “Basta! Sensacionalismo e Farsa na Cobertura Jornalística do Assassinato de PC Farias” (editora Girafa, 2005).

Nos processos criminais, o nome desses peritos é mais importante do que o conteúdo do parecer. Se o perito famoso está contradizendo a acusação, isso é levado em conta no julgamento. No episódio escancarado pela Folha, acontece algo parecido, não em processos, mas na milionária indústria de palestras.

A palestra de Moro ou Dallagnol só tem valor pela visibilidade que adquiriram em casos em que atuaram como servidores públicos. Quem pagaria entre R$ 850 (ex-alunos) ou R$ 940 (novos participantes) para ouvir um desconhecido — ainda que bem preparado tecnicamente —,  falar?

Moro e Dallagnol valem sobretudo pelo que fizeram ao ex-presidente da república. Pelas conversas vazadas, Dallagnol já sabia que essa exposição poderia se transformar em renda extra.

Escreveu ele à esposa:

“Vamos organizar congressos e eventos e lucrar, ok? É um bom jeito de aproveitar nosso networking e visibilidade”. 

As atividades extras talvez expliquem por que Dallagnol, mesmo sendo o coordenador da força tarefa, nunca compareceu a uma audiência em que o ex-presidente Lula prestou depoimento. Ele não tinha tempo.