Elevar o som do estádio foi o truque para encobrir as vaias a Bolsonaro

O presidente da República, Jair Bolsonaro, foi ao pódio para comemorar o título com a seleção brasileira e dividiu o Maracanã entre vaias e aplausos tão logo teve o seu nome anunciado no sistema de som do estádio. Ele recebeu uma medalha de 1º lugar e viu o presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, fazer a entrega da taça de campeão. Pouco depois, ele foi até o grupo, recebeu o troféu após convite do capitão Daniel Alves e posou para foto ao lado dos campeões. Sérgio Moro, que foi com ele ao estádio, não se arriscou a descer e ser hostilizado pela maioria da plateia presente.

Pouco antes disso, ele foi o responsável por entregar a medalha para Tite, que hesitou para fazer um contato maior tentado pelo político. O técnico, aliás, sempre se manteve discreto em relação aos arroubos de Bolsonaro para faturar em cima do triunfo da Seleção. Tão logo entrou em campo vindo do mesmo túnel que dá acesso aos vestiários dos pelos jogadores, Bolsonaro ouviu uma considerável vaia do público presente. Era possível perceber uma reação mais negativa naquele primeiro momento.

O som foi elevado, mas as vaias continuavam. Instantes depois, um pequena parcela de apoiadores do presidente puxou aplausos e gritos de “mito”. Na saída do campo, após a participação no protocolo de premiação no pódio, o chefe da República, viu o estádio se manifestar em vaias novamente.

Mourinho recusa proposta milionária do futebol chinês

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O técnico português José Mourinho, atualmente sem clube, recusou uma proposta de 100 milhões de euros (cerca de R$ 429 milhões) do Guangzhou Evergrande, time chinês que hoje conta com o italiano Fabio Cannavaro liderando o banco de reservas. Segundo a emissora inglesa Sky Sports, os chineses ofereceram um contrato de 31 milhões de euros (cerca de R$ 133 milhões) por temporada, o que representaria a maior proposta já feita a um treinador na história do futebol.

O canal inglês cita Mourinho recusou a proposta pois deseja continuar no futebol europeu e conquistar pela terceira vez a Liga dos Campeões – ele venceu uma com o Porto em 2004 e outra com a Inter de Milão, em 2010. Mourinho chegou a ser cotado como novo treinador da Juventus, porém, segundo a Sky Sports, ele estava fora da faixa de preço do clube italiano, que optou por Maurizio Sarri, ex-Chelsea.

Esta não foi a primeira proposta chinesa recusada por Mourinho. O português já havia dito não à seleção chinesa. O time hoje é comandado pelo italiano Marcello Lippi, que liderou a Azzurra na conquista da Copa do Mundo de 2006. (Do UOL)

É tetra! Americanas conquistam a Copa do Mundo na França

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Não foi uma atuação brilhante. E muitos são críticos do jogo americano justamente por seu estilo pragmático de praticar o futebol. Nem por isso deixou de ser histórico. Nos anais da Copa do Mundo feminina , na página da edição francesa em 2019, estará lá:Estados Unidos conquistam o tetracampeonato mundial; com o recorde de gols numa competição (foram 26 após a vitória por 2 a 0 sobre a Holanda , ontem, em Lyon); eJill Ellis se sagrou a primeira técnica a ganhar duas copas .

– Foi incrível. São jogadoraas maravilhosas, jogam com coração e alma, e só posso agradecê-las. Quase não consigo falar, só que elas fizeram História – disse a técnica da seleção americana, muito emocionada.

Alguns milhares de americanos, que ajudaram a lotar o estádio em Lyon, puderam assistir de perto Rapinoe (eleita a melhor do jogo e uma das artilheiras do Mundial, com seis gols), Morgan e cia gravar os nomes naquela que já é conhecida como a Copa das copas. E verem a comemoração de quem sabe exatamente o seu tamanho.

– Não sei se consigo descrever o que estou sentindo. É incrivel! Nosso grupo trabalhou tanto para chegar aqui, não parece ser real. Estou muito orgulhosa, estamos sempre muito motivadas para vencer – declarou a capitã Rapinoe.

Quem acompanhou o Mundial feminino sabia exatamente o que esperar das americanas. Uma pressão descomunal nos primeiros minutos de jogo a fim de abrir o placar o quanto antes. Foi exatamente o que elas fizeram. A ideia era repetir os outros seis jogos e marcar antes dos 15 minutos. Assim, veria a adversária sair para o ataque e poderia controlar a partida no contra-ataque.

A estratégia não foi bem sucedida, de início. Ao contrário das outras partidas, o time de Jill Ellis encontrou dois muros. Primeiro a linha de três na defesa que Sarina Wiegman levou a campo, que impedia, quase sempre, o último passe com perfeição. O segundo a goleira Van Veenendaal, que espalmou belo chute de Ertz; impediu o gol de Mewis com o peito; tirou chute de Morgan com o pé e depois com uma linda defesa para escanteio.

Carli Llloyd entra no fim

Chegar aos minutos finais sem levar um gol das temidas americanas deu coragem às holandesas. Mesmo tendo perdido qualidade no meio-campo com a aposta em três zagueiras, o contra-ataque assustou em alguns momentos. Sobretudo na principal qualidade das leoas: a bola parada. Ellis, que vem surpreendendo com suas mudanças táticas e trocando as jogadoras de suas posições originais, tentou algo novo. Tirou O’Hara – atacante que virou lateral – e colocou Ali Kireger.

As americanas precisavam melhorar a transição da defesa para o ataque. Principalmente com as holandesas mais dispostas a frequentar a área adversária. Mas um lance mudou completamente o jogo.

Um pé alto da zagueira Van der Gragt, em lance com Morgan na área, que, em seguida, caiu, suscitou a pergunta: pênalti ou a atacante se jogou? O VAR entrou em ação e a árbitra francesa Sthepanie Frappard consultou o vídeo. Na sua intepretação, falta.

Finalmente a chance de quebrar a muralha holandesa. A capitã Rapinoe pegou a bola, com a confiança de sempre, e bateu até fraco. Mas a goleira Van Veenendaal sequer se mexeu.

Com o placar aberto, viu-se outro jogo. A Holanda se abriu e se desestabilizou com o pênalti considera injusto. Agora sim a estratégia americana foi posta em campo. Faltava matar a partida. E o gol decisivo veio minutos depois com uma bela arrancada da meia Lavelle, que deu um corte em Van der Gragt e chutou cruzado.

Nos 20 minutos finais, a Holanda procurou cair de pé diante da supremacia americana, que, mais uma vez, se confirmou. Ainda sobrou tempo para justas homenagens desse domínio dos Estados Unidos. Carli Lloyd, eleita a melhor do mundo em 2015, entrou para se despedir da seleção com mais um título na carreira.

Festival Facada Fest é proibido por fazer crítica e escracho ao governo Bolsonaro

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A polícia impediu a realização na noite deste sábado do III Festival Facada Fest. Segundo denúncia dos organizadores e músicos, a proibição teria partido do deputado federal Eder Mauro. O Facada Fest é um evento de rock conhecido pela irreverência, com letras anárquicas e recheadas de críticas políticas a cada edição.

Há um mês, quando o cartaz do festival foi divulgado, o delegado-deputado – da bancada de apoio ao presidente Jair Bolsonaro – se manifestou nas redes sociais, prometendo agir contra os jovens caso o festival fosse realizado. O motivo da irritação foi um desenho do palhaço Bozo no cartaz do festival. O apelido “Bozo” é amplamente usado para nominar o presidente pelos partidos e grupos de oposição.

Pelo visto, o parlamentar falava sério e cumpriu a ameaça. A proibição causou revolta, tumultos e protestos no centro de Belém no sábado à noite.

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Indignados com a censura sem motivo justificado, os roqueiros fecharam ruas aos gritos de “Bolsonaro cheira pó!”, “Censura não nos cala” e “Abaixo a ditadura!”. Depois de criado o impasse, a situação acabou gerando um ato público de protesto em torno do Palácio Antonio Lemos, organizado por estudantes e participantes do festival. Barricadas e fogueiras foram acesas durante a manifestação.

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O blog se posiciona contra qualquer forma de censura ou intolerância a atividades culturais. O precedente é extremamente perigoso para a liberdade de expressão. Pela Constituição, nenhum ato cultural ou manifestação política pacífica pode ter sua realização proibida. E, cá pra nós, que raios de governo melindroso é esse que não resiste a protestos e críticas de um festival de música?

Pachequismo demais atrapalha

POR GERSON NOGUEIRA

O Brasil entra em campo hoje apenas para levantar a taça e botar a faixa de campeão do continente. A decisão com o Peru é vista assim por muita gente, quase que como um mero protocolo de consagração. Ora, o Peru… Ouço o tempo todo essa frase pedante e zombeteira desde quarta-feira à noite, depois que o time de Guerrero se classificou à final.

O entusiasmo que grande parte da mídia insufla, com repórteres-torcedores dando hip-hurras à Seleção, acaba por contagiar a torcida e até faz emergir aquele velho sentimento pachequista que parecia adormecido.

A alguns, como eu, esse comportamento só provoca asco e a lembrança imediata de fracassos retumbantes que se construíram na algazarra do oba-oba midiático.

Nesse clima, muita gente até já esqueceu os problemas enfrentados pelo time de Tite nos últimos jogos. Os sérios atropelos contra Venezuela e Paraguai, por exemplo. Lembram apenas – e com ênfase – da goleada sobre o próprio Peru e, obviamente, da vitória sobre a Argentina.

Em meio a esse crescente sentimento de euforia, o Brasil parece marchar para um inevitável passeio sobre os peruanos no Maracanã lotado, com direito a volta olímpica para todos os gostos e intenções.

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Óbvio que a Seleção tem lá seu grau de favoritismo. Faz campanha estatisticamente correta numa competição sofrível, com poucos destaques memoráveis. Não sofreu gol até aqui e parece ter finalmente adquirido aquele nível de confiança que blinda os vitoriosos.

O retrospecto também é arrasador. O confronto entre os dois times na fase inicial expôs o desnível técnico, acentuado pelas falhas tenebrosas do goleiro Gallese, responsável direto pelos três primeiros gols.

A fotografia daquele momento permitiria cravar o Brasil como imbatível para hoje. Ocorre que o futebol vira a página a cada jogo, e a graça da coisa está justamente aí. Assim como o Brasil adquiriu mais consistência, o Peru evoluiu, tornou-se competitivo, a ponto de surpreender todo mundo ao eliminar Uruguai e Chile.

Gallese, vilão daquela partida, tornou-se herói nacional no Peru, pelas defesas diante do Uruguai e pequenos milagres contra o Chile. O Brasil não fica atrás em mudança de expectativa. Daniel Alves, à beira da aposentadoria, virou craque da Copa após a atuação na semifinal. Já há até quem defenda sua convocação prévia para 2022, quando terá 39 aninhos.

Tamanho disparate só evidencia que o país apaixonado por bola parece não conviver bem com a ideia de que os anos dourados ficaram para trás – em todos os sentidos. Em meio a isso, surge a estranha boataria envolvendo uma possível saída de Tite. Se confirmada, seria o melhor dos mundos, para todos. A Seleção ficaria, seguramente, menos chata.

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Uma final digna de atenção e respeito

EUA e Holanda se enfrentam hoje, em Paris, na decisão da Copa do Mundo feminina. Até a emissora que comprou os direitos (e que havia anunciado com estardalhaço a transmissão inédita do mundial) se deu conta da bobeira de ter privado os telespectadores de assistir a jogos muito bons.

Tudo em nome da mania de subestimar a inteligência das pessoas. Como “as meninas do Brasil” haviam saído, julgaram que não havia motivo para continuar mostrando o torneio justamente em suas fases mais decisivas e interessantes.

Por isso, o grande público não viu apresentações arrasadoras da seleção norte-americana, sob a liderança da estupenda Alex Morgan, artilheira de altíssimo nível. Melhor jogadora do torneio, a camisa 13 mistura oportunismo e habilidades. Chuta muito bem e cabeceia melhor ainda.

Alex foi decisiva na semifinal contra a Inglaterra, contribuindo muito para a grandeza da partida, talvez tecnicamente a melhor dos últimos tempos no futebol feminino. Deu gosto ver o duelo tático, a troca de passes e até os dribles que inglesas e americanas mostraram em campo.

Hoje, a jovem e aguerrida Holanda terá um desafio monumental. Superar a favoritaça esquadra de Tio Sam. E aqueles que gostam de futebol, sem preconceitos em relação ao jogo das meninas, têm o compromisso de aplaudir Alex Morgan, goleadora e atleta politicamente consciente.

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Bola na Torre

O programa começa às 22h na RBATV, sob o comando de Guilherme Guerreiro. Tudo sobre os jogos das séries C e D. Na bancada de debatedores, Giuseppe Tommaso e este escriba de Baião.

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Prestar contas é sempre um triunfo da transparência

A notícia de que o Conselho Deliberativo do Remo aprovou a prestação de contas dos primeiros quatro meses da gestão de Fábio Bentes é um saudável sinal de que o clube, de fato, navega em águas mais transparentes, após maremotos recentes que quase levaram à sua destruição. A prestação também foi disponibilizada no site oficial para consulta de todos os interessados.

A segunda prestação já está encaminhada para análise dos conselheiros, encerrando a prática de apenas uma prestação anual, quase sempre mal feita e entregue com obsceno atraso, como tantas vezes ocorreu na gestão de Manoel Ribeiro. Que o hábito crie raízes e frutifique.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 07)

João Gilberto cantou um Brasil muito diferente deste, que não o merecia

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Por Kiko Nogueira

O Brasil não merecia João Gilberto.

O cantor do amor, do sorriso e da flor, da Bossa Nova, da delicadeza, o gênio do sussurro, do soar baixinho, absolutamente moderno, do Brasil das coisas belas — o que ele poderia ter a ver com a ascensão e glória da brutalidade bolsonarista?

João tinha 88 anos e estava no centro de uma disputa familiar infernal, miserável.

Dado seu estado de senilidade mental, conseguiu uma rota de escape diante da luta de seus herdeiros por seu dinheiro.

O encantamento, o sublime ficarão para sempre. 

A primeira vez em que eu ouvi “Amoroso” fiquei obcecado.

Abre com sua versão de “S’Wonderful”, de George e Ira Gershwin. O nome do disco é tirado de sua pronúncia baiana para “amorous”.

O violão casa perfeitamente com o luxo dos arranjos de Claus Ogerman.

O que João faz em “Retrato em Branco em Preto”, de Chico e Tom Jobim, a divisão dos versos no meio da harmonia, é inexplicável e inimitável.

Ainda tem “Estate”, em italiano, o bolero “Besame Mucho”, “Wave” — canções que ele transformava e das quais se apropriava.

Morre 60 anos após o lançamento de “Chega de Saudade”, o marco zero de uma revolução estética, de uma bomba de tranquilidade.

“Vai minha tristeza / E diz a ela / Que sem ela não pode ser…”

Inventou uma batida copiada no mundo, exportou a imagem de um lugar que, talvez, não tenha existido.

Ou melhor, que existia em sua arte, em seu gênio, e através dele em nós mesmos.

Viva João Gilberto e o porto seguro que ele inventou para nós.

Após empate, técnico azulino admite problemas no ataque

“Está faltando, realmente, a gente arrematar melhor. Talvez isso seja a tranquilidade do jogador no momento, o espírito. O jogador estar bem no jogo, estar tranquilo para fazer o gol, estar bem no jogo, estar tranquilo para fazer o gol, é disso que a gente está precisando. A hora que o gol sair, tenho certeza que as coisas mudam. Isso é normal, têm jogadores que enquanto o gol não sai, fica um pouco difícil, não tem essa confiança ainda para ir buscar”.

Márcio Fernandes, técnico do Remo, depois do empate com o Juventude