Papão sofre para evitar derrota

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POR GERSON NOGUEIRA

Foi a pior atuação do PSC na gestão Hélio dos Anjos. Contra um time que tenta escapar da zona de queda, a equipe paraense teve imensas dificuldades para evitar uma derrota que parecia se desenhar ainda no primeiro tempo. Diante das dificuldades enfrentadas, o empate obtido às duras penas no segundo tempo pode ser considerado até um resultado razoável, embora signifique a perda de mais dois pontos em casa.

O problema crônico de falhas na criação e na finalização voltou a se manifestar logo de cara. O time não se organizava de forma a ocupar os espaços que o Boa Esporte permitia em sua estratégia de se manter na defesa e explorar a chamada “uma” bola.

Apesar das repetidas promessas do técnico Hélio dos Anjos, o PSC ficou encaixotado na marcação ao longo do 1º tempo, pouco explorou as opções pelos corredores laterais e fracassou quando teve algumas chances de abrir o placar. Para piorar, Tiago Primão se lesionou e teve que ser substituído pelo estreante Tomas Bastos logo aos 13 minutos.

O time mineiro fazia o feijão-com-arroz: defendia-se vigorosamente, mas pouco passava da linha de meio-campo. Quando arriscava, porém, levava desassossego aos homens de defesa do Papão.

Tomas Bastos até que entrou conectado. Recebeu bola às proximidades da área e bateu colocado, assustando o goleiro Renan Rocha. Uchoa foi outro que arriscou disparos de média distância, mas sem maior perigo.

Aí, aos 38’, Rafael Luz pegou uma bola em sua intermediária e saiu em direção à área bicolor. Driblou dois e passou à direita para Gindre. O atacante entrou na área e cruzou no segundo para um cabeceio certeiro de Kaio Cristian. A bola foi canto direito passando por baixo do goleiro Mota.

Nicolas ainda perdeu boa chance em cruzamento rasteiro aos 47’. Mesmo com maior posse de bola, o PSC saiu do primeiro tempo amargando a derrota parcial e os apupos da torcida (pouco mais de 6 mil pagantes no Mangueirão).

No intervalo da partida, Hélio dos Anjos trocou o dispersivo Diego Rosa pelo atacante Wesley Pacheco. Tentava aparentemente dar mais força ofensiva ao time, cuja principal jogada era a bola esticada para Elielton pela direita.

Aos 6’, Wesley limpou jogada junto à área e bateu forte no lado direito do gol do Boa. Renan Rocha defendeu bem. Logo em seguida, veio o penal. Elielton recebeu na área, deu um corte no zagueiro e foi tocado. O árbitro interpretou como infração e Tomás Bastos converteu.

O Boa resolveu então insistir mais no ataque e acabou premiado com um pênalti igualmente discutível, aos 15’, em lance que envolveu Micael e Bruno Maia. Gindre bateu e recolocou a vantagem para os visitantes.

Já desesperado, o PSC iniciou um esforço para tentar empatar novamente. Bruno Collaço e Vinícius Leite apareceram bem com cruzamentos perigosos, mas o ataque não tinha contundência e o tempo ia passando.

Aos 27’, Vinícius fez manobra rápida pela esquerda e cruzou na cabeça de Nicolas. O atacante desviou no canto garantindo o empate. Aos 30’, Elielton tentou cruzar uma bola e quase encobriu o goleiro.

Alguns outros ataques se repetiram, mais por empenho do que por inspiração, mas o PSC não conseguiu mais criar de nenhum lance agudo. O Boa esteve mais perto da vitória nos minutos finais, com chutes de Tsunami e Abner.

Um jogo que deixou um sentimento de lamentação entre os bicolores, pelas possibilidades concretas de vitória, mas que também permite um certo alívio, pois o time ficou em desvantagem no placar por duas vezes.

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Remo aposta em Neto para variar repertório ofensivo

O Remo não conseguiu arranjar até hoje um centroavante para chamar de seu na Série C. Tentou Emerson Carioca, Alex Sandro e Marcão Assis. Nenhum deles funcionou na posição, dando margem a reclamações da torcida e insatisfação do técnico Márcio Fernandes.

Quando ninguém mais esperava alguma novidade para o ataque azulino, eis que a diretoria fechou acordo com o experiente Neto Baiano (36 anos) para a reta final da fase classificatória. Cabe dizer que o jogador já havia sido procurado pelo Remo desde que Deivid Batista e Edno foram descartados.

De bom porte físico, presença constante na área, Neto se caracterizou como um atacante que arrisca chutes fortes de média distância e se apresenta para o jogo aéreo. Tem muito mais imposição do que Marcão, por exemplo.

É o tipo do atacante que Márcio Fernandes buscava como opção para situações de jogo em que o Remo precisa ter um homem de referência na área. Neto estava no Vitória (BA), que faz campanha trôpega na Série B. Já circulou por vários clubes, incluindo Palmeiras, Atlético-PR, Ponte Preta, Goiás e CRB.

O novo reforço chega hoje a Belém para exames e assinatura de contrato. Sua presença no jogo contra o Tombense vai depender da regularização junto à CBF.

Pelo sistema desenhado por Márcio Fernandes, que garantiu ao Remo a permanência ininterrupta no G4 do grupo B em todas as rodadas da fase classificação, a presença de um centroavante não é obrigatória.

Nos últimos jogos, o time tem usado um modelo de aproximação, que envolve jogadores do meio (Eduardo Ramos, Ramires e Garré) aos atacantes, Emerson e Gustavo Ramos. Com toque de bola e jogadas pelo chão, o Remo conseguiu bons resultados.

A presença de um atacante de área é explicada pela preocupação com a variação de repertório nos momentos decisivos da competição.

(Coluna publicada no Bola desta terça-feira, 30)

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