Ameaças de Bolsonaro a Greenwald configuram crime de responsabilidade

Por José Cassio

As ameaças de prisão que Jair Bolsonaro fez ao jornalista Glenn Greenwald neste fim de semana, por causa dos vazamentos dos diálogos da Lava Jato, podem levar à abertura de processo de impeachment do capitão. A tese é de Tânia Mandarino, do coletivo Advogadas e Advogados pela Democracia.

“O primeiro dever de um Presidente é manter, defender e cumprir a Constituição. É, também, o maior limitador de suas ações”, diz a especialista. “Atentar contra a Carta configura, portanto, crime de responsabilidade”. O texto constitucional assegura a liberdade de manifestação do pensamento, sem que dependa de censura.

Esse é o preceito, segundo a advogada, que garante ao editor do The Intercept exercer seu trabalho sem ser ameaçado de ‘pegar cana no Brasil’ e sem que suas crianças sejam expostas ao constrangimento de serem chamadas de adotadas, por fruto de malandragem de sua família. “Neste caso, Bolsonaro atentou contra o exercício de direitos individuais e sociais, contra a família e contra duas crianças”, diz Tânia.

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Ela lembra que não por acaso o capitão já acenou com o desejo de acabar com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), uma legislação ordinária que deriva de um princípio constitucional que determina que os interesses deles sejam tratados com primazia.

ABI E ABRAJI SE MANIFESTAM

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e a Abraji (Associação Brasileira dos Jornalistas Investigativos) emitiram notas de solidariedade ao titular do Intercept Brasil, jornalista Gleen Greewald. Ele foi citado, ontem, pelo presidente Jair Bolsonaro como sendo passível de “pegar uma cana no Brasil”, em razão da divulgação dos conteúdos vazados de diálogos entre o ex-juiz e atual ministro Sergio Moro, o coordenador da força-tarefa da Lava-Jato, Deltan Dallagnol, e procuradores de Curitiba.

Pelo Twitter, ao cita as manifestações das entidades de profissionais de imprensa, a jornalista Miriam Leitão lembrou que a ameaça feita por Bolsonaro não é apenas a Greenwald. “A @Abraji e a ABI repudiaram a ameaça de prisão feita pelo presidente ao jornalista @ggreenwald. É a categoria dizendo que a ameaça a um é a ameaça a todos”, cravou, certeira, Miriam Leitão.

Tudo dominado: Globo, Record e SBT fazem blindagem a Moro e Bolsonaro

Por Ricardo Kotscho

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O sujeito liga para um Disque-Denúncia qualquer e avisa que um carro está sendo roubado na esquina da casa dele. Em vez de mandar uma patrulha atrás do ladrão, a polícia resolve investigar o autor da denúncia.

É isso que está acontecendo no Brasil bolsonariano, com essa história rocambolesca dos hackers fajutos de Araraquara, para esconder o que já foi apurado e denunciado pelo The Intercept e outros veículos sobre o modus-operandi do ex-juiz Sergio Moro e seus procuradores amestrados.

Mas essa blindagem só é possível porque as três grandes redes de TV do país formaram uma rede de proteção, que esconde o mais importante _ o conteúdo tóxico dos diálogos de Moro com os procuradores da Lava Jato _ para noticiar à exaustão o modus-operandi dos hackers tabajaras.

Globo, Record e SBT deixaram o jornalismo de lado para formar uma rede nacional com noticiário único, pautado somente por seus interesses comerciais e políticos, assim como fizeram durante a última campanha presidencial.

Varia apenas a forma de manipular as notícias, com as características de cada emissora, mas o resultado é o mesmo. Record e SBT são mais escrachados. Fazem questão de assumir o papel de porta-vozes do governo e se vangloriam disso.

Já a Globo, como de costume, é mais sofisticada, mais sinuosa, dá um ar de seriedade olímpica aos Bonners do JN, e não perde a chance de publicar editoriais sobre a sua “isenção e imparcialidade”, como se todo mundo fosse idiota.

Daqui a 50 anos, quem sabe, se ainda existir, a Globo vai pedir desculpas ao país, como fez por ter apoiado o golpe de 1964 e a ditadura militar, e escondido a campanha das Diretas Já, em 1964, pela redemocratização do país.

Até lá, muitos de nós já terão morrido e os mais jovens nem se lembrarão do que eles fizeram em 2019, para avacalhar e colocar em risco a jovem democracia brasileira, ameaçada pela ditadura da Lava Jato, de braços dados com o boçalnarismo em marcha.

A grande farsa só será desmascarada, se nas próximas revelações da Vaza Jato aparecerem os diálogos de Moro e os dallagnois com seus chefes e jornalistas, em que eram acertadas de comum acordo as pautas e as edições.

É esse o grande medo dos empresários da mídia e dos seus profissionais, que para garantir seus empregos foram assessores de imprensa da República de Curitiba, não repórteres.

Sem se importar com nada disso, Silvio Santos acha graça da grande pantomina e até se sente horado por sua rede ser chamada de SBT – Sistema Bolsonariano de Televisão.

A Record do bispo Edir Macedo e sua igreja, apoiadores de primeira hora, só quer saber das verbas oficiais de publicidade do governo, que ajudou a eleger, para investir em novos templos e fiéis, a serviço do seu próprio projeto de poder.

Posso estar enganado, e geralmente estou, mas diante de tanta hipocrisia, omissão e mentira, acho que até os Bonners já estão um pouco incomodados com a desfaçatez do noticiário que são obrigados a ler todas as noites.

Por mais que se disseminem as redes sociais, a maior parte do eleitorado, que não lê jornais nem tem acesso fácil à internet, ainda se informa pelo Jornal Nacional e suas contrafações mambembes da Record e SBT.

É a desinformação que garante ainda o apoio de um terço da população ao mito Bolsonaro e ao herói Moro, os protagonistas da grande tragédia bufa.

Tenho certeza que milhões de pessoas pelo Brasil afora já não conseguem entender como a polícia está investigando o denunciante do carro roubado e nada informa sobre o ladrão _ no caso, os muitos criminosos que, em nome do combate à corrupção, destruíram empresas e empregos, e faturaram alto com a fama de heróis.

Com a grande mídia (e suas raras exceções), o Judiciário e o Legislativo irmanados na defesa do governo e da Lava Jato, e a oposição batendo cabeça, sem achar o rumo, está tudo dominado.

Por isso, eles têm um grande objetivo em comum: não deixar Lula sair da cadeia tão cedo.

Esse é o grande pavor dos que deram o golpe de 2016 e levaram o país para o fundo do buraco, primeiro com Temer, e agora com o inacreditável capitão Bolsonaro.

Para garantir esse domínio absoluto, danem-se as leis, o Estado de Direito e a Constituição. Vale tudo.

E vida que segue.

Pela liberdade de imprensa

Editorial de The Intercept_Brasil:

Na manhã de ontem, dia 27 de julho, o presidente Jair Bolsonaro deu uma entrevista coletiva na qual ameaçou o jornalista e editor cofundador do Intercept, Glenn Greenwald. Eu, como todos aqueles que defendem a democracia, fiquei assustada. É por essa razão que o Intercept reafirma que: 

O Intercept condena veementemente as declarações que o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, fez sobre o jornalista e editor cofundador do Intercept, Glenn Greenwald. Jair Bolsonaro chamou Glenn Greenwald de “malandro” por ter casado com um brasileiro e adotado crianças no Brasil, o que dificultaria a sua deportação do país. A acusação seria ridícula se não fosse perigosa: o casamento de Glenn Greenwald ocorreu há quatorze anos, antes dele e da equipe do Intercept Brasil terem começado a publicar uma série de reportagens baseadas em um arquivo de conversas secretas revelando a má conduta de certos membros da força-tarefa Lava Jato. 

Bolsonaro também disse que Greenwald “talvez pegue uma cana aqui no Brasil”, uma expressão coloquial que soa como uma ameaça. Glenn Greenwald e os repórteres do Intercept Brasil conduziram seu jornalismo com a máxima integridade, sempre pensando no interesse público, e por isso, gozam de total proteção da Constituição brasileira. O Intercept apoia e reafirma o direito de Glenn Greenwald, e de todos os jornalistas do Intercept Brasil, de fazer jornalismo sem qualquer intimidação oficial, muito menos deportação ou prisão. 

Somos gratos pela solidariedade dos defensores da liberdade de imprensa em todo o mundo, já que as instituições democráticas brasileiras enfrentam esse profundo teste sob o atual  governo, comandado por um autoritário que não vê nada de errado em ameaçar um jornalista simplesmente por exercer a sua profissão.

Experiências autoritárias em diversas partes do mundo demonstram que, mais do que nunca, é hora de fortalecer o jornalismo independente, que não se ajoelha diante de governantes ou de corporações. É isso que o Intercept e o Intercept Brasil fazem. Nós não temos medo de enfrentar quem quer que seja porque é a democracia que está em jogo. Se você acha que essa luta é importante faça também sua parte. 

Homens encapuzados matam cacique da etnia Tukano na frente da família

Um cacique da etnia Tukano, de 53 anos, foi morto a tiros na casa em que morava, na comunidade Urukia, na Zona Norte de Manaus, na madrugada de quarta-feira (27). Homens encapuzados entraram na casa e atiraram contra o cacique. A esposa e a filha da vítima presenciaram o crime. Segundo a Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), que vai investigar o caso, a motivação do crime ainda é desconhecida.

De acordo com a esposa de Francisco de Souza Pereira, Dulcinéia Ferreira Lima, de 51 anos, o casal estava em casa, junto com a filha de 11 anos. Por volta de 1h, três homens não identificados arrombaram a porta e foram até o quarto em que eles dormiam.

“Eles meteram o pé na porta. Estávamos dormindo e acordamos assustados. Queriam tirar ele da casa, ele não saiu e deram tiros nele lá mesmo. E aí foram embora. Ainda colocaram a mão na boca da nossa filha para ela não gritar”, disse Dulcinéia.

Pereira era um cacique indígena da etnia Tukano e atuava em lideranças de 42 aldeias, segundo sua família. A esposa conta ainda que a vítima não tinha briga com ninguém e sempre trabalhou em prol das comunidades. (Do G1)

Com ataque a Glenn, Bolsonaro afasta farra do helicóptero das manchetes

Por Leonardo Sakamoto

Bolsonaro, em mais um dia de fúria, insinuou que o jornalista Glenn Greenwald poderia ser preso e afirmou que o responsável pelo The Intercept Brasil se casou com o hoje deputado federal David Miranda e, juntos, adotaram duas crianças brasileiras para evitar sua deportação por crimes futuros. O site vem divulgando diálogos que mostraram o ex-juiz Sérgio Moro, hoje ministro da Justiça, orientando procuradores da força tarefa da Lava Jato, o que é proibido por lei.

“Malandro, malandro, para evitar um problema desse [deportação de estrangeiros considerados perigosos], casa com outro malandro e adota criança no Brasil. Esse é o problema que nós temos. Ele não vai embora, pode ficar tranquilo. Talvez pegue uma cana aqui no Brasil, não vai pegar lá fora não”, disse.

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Não se sabe se essa era a intenção, mas a aberração dita pelo presidente teve o efeito colateral de afastar do foco do debate público e das manchetes dos principais veículos de comunicação o fato dele ter achado normal usar um helicóptero da Força Aérea Brasileira para transportar parentes e amigos para o casamento do filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro – o mesmo que está sendo indicado para o cargo de embaixador do Brasil nos Estados Unidos simplesmente por ser seu filho.

Após reagir de forma agressiva a uma repórter da Folha de S.Paulo que tratou do tema, na sexta, e abandonar a coletiva à imprensa, ele disse, no dia seguinte, que viaja sempre com dois helicópteros e não viu problemas em dar carona em um deles. “Eu vou negar o helicóptero a ir para lá e mandar ir de carro? Não gastei nada do que já ia gastar”. Lembrando que não foi ele quem gastou, mas os cofres públicos. Repete dessa forma outros políticos tradicionais, da esquerda à direita, que usaram o transporte a quem têm direito como autoridades para interesses privados de terceiros.

Piada com questão ambiental diante de morte de cacique

Repetindo a “Sexta do Foda-se”, o fatídico 19 de julho, quando falou dos “governadores de Paraíba”, disse que não existe fome no Brasil, afirmou que a tortura sofrida pela jornalista Miriam Leitão era mentira e atestou que os dados do INPE de desmatamento da Amazônia são falsos, o presidente também disse, neste sábado (27), que a questão ambiental é importante “só a veganos que comem só vegetais”.  Escolheu um péssimo momento para menosprezar a questão. Pois outro grupo que certamente se preocupa com o tema são indígenas que estão sendo assassinados por invasores de olho nas riquezas de suas terras.

Neste mesmo sábado, o país tomou conhecimento das denúncias da etnia waiãpi de que o cacique Emyra Waiãpi foi assassinado por garimpeiros que invadiram o seu território no Oeste do Amapá nesta semana. O presidente tem defendido a exploração de territórios indígenas, o que contribui para a sensação de impunidade por parte de garimpeiros e desmatadores.

Em Roraima, os yanomami enfrentam o mesmo problema. Políticos não são ingênuos, sabem o tamanho de sua caixa de ressonância, o fanatismo de alguns de seus seguidores, que agem como torcida organizada e o gigantismo de redes simpáticas a eles ou por eles controladas. E, ao ter consciência disso, tornam-se cúmplices das consequências dos atos desses grupos.

Políticos dizem não incitar a violência com suas palavras. Por vezes, não são eles que atacam, mas é a sobreposição de seus discursos ao longo do tempo que distorce o mundo e torna a agressão banal. Ou, melhor dizendo, “necessária” para tirar o país do caos e levá-lo à ordem. Acabam por alimentar a intolerância, que depois será consumida por fãs malucos ou seguidores inconsequentes que fazem o serviço sujo. A declaração contra Glenn Greenwald e as promessas de abrir territórios indígenas e reservas ambientais para a exploração põe a violência em marcha.

Ataque frontal à liberdade de imprensa

O direito ao livre exercício de pensamento e à liberdade de expressão são garantidos pela Constituição Federal e pelos tratados internacionais que o país assinou. E o presidente tem esse direito. Mas liberdade de expressão não é direito fundamental absoluto, pois não há direitos absolutos. A partir do momento em que alguém abusa de sua liberdade, espalhando o ódio e incitando à violência, isso pode trazer graves consequências à vida de outras pessoas. Principalmente se esse alguém é o presidente da República.

Caso ache que foi profundamente agredido por conteúdos publicados por jornalistas (e ele deve ter o sarrafo mais alto que todas as outras pessoas exatamente pelo cargo que ocupa), deveria buscar junto ao veículo de comunicação, seu direito de resposta. E se isso for insuficiente, procurar na Justiça uma reparação. E não incentivar matilhas a assumirem o papel que seria de instituições democráticas.

O silêncio, neste momento, de algumas instituições do Estado que devem garantir a proteção à imprensa livre também assusta. O sentimento que fica é de que não se importam.

Os ataques a jornalistas não se resumem a enxurradas de críticas, o que faria parte do debate público. Invade a vida privada dos profissionais, distorcendo fatos, expondo dados pessoais, ameaçando famílias. Por vezes, transborda a rede e vai para a rua, para o restaurante, para a porta da casa. Esse processo de ataque a jornalistas se assemelha à tortura – instrumento de trabalho do açougueiro Brilhante Ustra, assassino da ditadura militar, apontado como herói por Bolsonaro. Não para que o profissional em questão seja apenas punido pelo que fez, mas para que, traumatizado, nunca mais tenha coragem de tratar do assunto novamente.

Caberá à sociedade decidir se quer uma imprensa livre, mesmo que discorde dela, e sair em sua defesa. Ou está satisfeita com a proposta colocada à mesa nas últimas eleições: substituir a pluralidade e o contraditório por uma “Verdade” distribuída por lives no Facebook ou em posts no Twitter pelo chefe do Poder Executivo. Tal qual um “Ministério da Verdade”, presente no livro “1984” de George Orwell, atualizado para os nossos tempos e trópicos. Jornalistas, não raro, são os primeiros a serem perseguidos e calados. Mas nunca são os únicos.

Enfim, um técnico que pensa

POR GERSON NOGUEIRA

Acompanhei com atenção entrevistas recentes de Fernando Diniz a um jornal e a um canal de TV. Em ambas, revelou com simplicidade os conceitos que têm garantido o sucesso de seu modelo de jogar futebol. Nem sempre alcança vitórias, mas é reconhecidamente um dos mais capazes técnicos em atividade no Brasil.

É um dos poucos – talvez o único – a se ombrear, em formulação ofensiva e teoria sensata de jogo, ao argentino Jorge Sampaoli, do Santos, que surpreende com ideias novas e surpreendentemente bem sucedidas.

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Diniz é direto, objetivo e tem um discurso que qualquer jogador pode entender, embora não desprovido de sutilezas e inovações que o futebol brasileiro há tempos deixou de considerar importantes.

Ao avaliar que a fase educacional da criança e do adolescente é parte essencial da formação do jogador profissional, Diniz demonstra ter uma qualidade rara entre os ditos “professores” em atividade no futebol do Brasil: ele pensa. Ao defender essa tese, ele quer dizer que atletas bem formados têm mais facilidade para entender as orientações.

É simples, mas não é pouco se considerarmos o quanto a baixa elaboração mental prejudica a noção do que é o futebol. E não estou me referindo a jogadores e técnicos. Refiro-me, também, ao entorno. Jornalistas, por exemplo. Falam muito, mas pensam quase nada.

O treinador do Fluminense leva vantagem nesse aspecto, por tornar possível a ressurreição de um futebol que faz bem aos olhos e ao coração, que não seja apenas uma muleta para torcidas ávidas por resultados.

Diniz está no extremo oposto de figuras como Felipão, Mano Menezes, Abel, Cuca, Renato Gaúcho e até Vanderlei Luxemburgo, que no Vasco assumiu de vez a persona do futebol pragmático, até mesmo pelo longo tempo de desemprego.

No Atlético-PR, Diniz aperfeiçoou o que havia ensaiado fazer no Audax e no Oeste. Colocou suas ideias em prática, fazendo com que a bola fosse trabalhada desde a saída pelos pés dos goleiros. Decretou o fim do chutão a esmo e dos cruzamentos inúteis.

Seu jeito de desenhar equipes tem um pouco a ver com o que Pep Guardiola fez com extremo sucesso no Barcelona, lembra o mago incompreendido Marcelo Bielsa e é uma homenagem involuntária aos conceitos de Telê Santana.

Mestre Telê queria seus times cultivando o drible e o toque de bola para  envolver os adversários. Pouco se afastava desses princípios, mesmo quando a pressão crescia. Foi graças a essa filosofia que o Brasil de 1982 não ganhou a Copa, mas entrou para a história.

Diniz não parece preocupado em fazer história. Quer futebol bem jogado. E explica que seus times jogam assim porque ele entende que é a maneira mais fácil de conquistar vitórias. Seus colegas de profissão apostam tudo no jeito roceiro. Bola aérea, ligação direta e briga insana no meio-campo. Que se dane a preocupação estética.

Gosto de ver o Fluminense de Diniz jogar porque a bola é tratada com carinho, respeito e consideração. O futebol bem jogado precisa muito de gente como Diniz. Que ninguém o atrapalhe.

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Um atacante à espera de um voto de confiança

Um dos mais habilidosos atacantes do PSC, Vinícius Leite andou amargando longos períodos de esquecimento nas mãos de três técnicos. Não foi muito utilizado por João Brigatti, Léo Condé e Hélio dos Anjos. Com o último parece mais próximo de um resgate, embora tenha sido lançado apenas em situações de visível aperreio, como na partida contra o Volta Redonda, quando entrou no lugar de Leandro Lima.

Mesmo tendo técnica, velocidade, boa definição e virtudes para atuar em qualquer posição do meio para a frente, segue no calvário de reserva de luxo. Wesley já entrou na equipe e Jheimy voltou a ter chances. Vinícius ainda espera por um voto de confiança. Quando isso ocorrer, tem condições de vir a ser muito útil.

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Generosidade brilha em momento dramático

Dalton Silva, torcedor do PSC, botou a camisa alviceleste e fez questão de ir ao Hemopa doar sangue para ajudar no tratamento de Carlos Alberto, meia-atacante do Remo, hospitalizado desde a madrugada de sexta-feira com problemas que indicavam anemia profunda.

Dalton fez o que todo desportista de verdade tem que fazer em momentos assim. Ignorou as diferenças clubísticas, deu um chega-pra-lá no fanatismo e partiu sem medo para um ato de solidariedade humana.

Não há espaço para briguinhas bobas e encrencas por bandeiras quando uma vida está em jogo. Dalton, sabiamente, cumpriu seu papel. Deu um tremendo exemplo de generosidade e merece ser lembrado. Carlos Alberto está melhor, iniciando tratamento para se recuperar plenamente.

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Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda o programa, a partir das 22h, na RBATV. Rui Guimarães e este escriba de Baião participam dos debates. Os telespectadores interagem com perguntas e concorrem a premiações.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 28)

Remo anuncia reforço para a zaga

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O zagueiro Cris, de 31 anos, foi anunciado na noite deste sábado como nova contratação do Remo. Ele foi emprestado pelo River (PI) e vem para suprir a ausência de Rafael Jansen, que foi submetido a uma cirurgia e só deve voltar aos treinos em setembro. O zagueiro foi revelado na base do Corinthians (SP) e passou por Fortaleza (CE), Rio Branco (AC) e Guarani (MG), entre outros clubes.