Maturidade e evolução

POR GERSON NOGUEIRA

Mais do que a atuação diante do Tombense, ontem à noite, valeu mesmo o grande resultado que o PSC obteve. A vitória foi facilitada pela postura desarrumada do time da casa, confuso atrás e sem presença no ataque. No geral, um jogo tecnicamente ruim, alvo de apupos da torcida presente. Acima de tudo, porém, o triunfo na abertura da 11ª rodada confirma a ascensão do time sob o comando do técnico Hélio dos Anjos.

Foi a sexta partida do PSC sem derrota – duas vitórias e quatro empates – desde a chegada de Hélio. O gol (Reinaldo contra) surgiu meio sem querer, mas resultou do volume de jogo e da pressão imposta pelo PSC na maior parte dos primeiros 45 minutos.

Com a defesa resistindo bem à pressão do Tombense nos primeiros minutos, que chegava com Cássio Ortega e Everton, o Papão foi se estruturando e conseguindo encorpar um plano de jogo pensado para explorar os espaços que surgiam.

A situação teria sido muito mais tranquila caso o Papão tivesse aproveitado melhor as chances criadas em contra-ataques no primeiro tempo, em chutes de Elielton e Tiago Primão, o melhor da equipe. O gol aos 44 minutos permitiu que a equipe administrasse a vantagem no tempo final.

Tudo ficou ainda mais favorável quando o Tombense ficou com um jogador a menos (Ibson foi expulso aos 12 do 2º tempo) e se entregou ao desespero por não conseguir encaixar jogadas para tentar uma pressão sobre a zaga paraense.

Quando passou a explorar o lado direito com Felipe Cordeiro e optou pelo jogo aéreo nos 20 minutos finais, o time da casa até levou algum perigo, mas a defesa bicolor estava muito bem posicionada e ganhou todas. Atentos, Micael e Perema não deram chances, nem rebotes.

Algumas considerações sobre as atuações individuais do PSC. Diego Matos, mesmo tendo sido responsável pela jogada do gol, foi pouco explorado. Léo Baiano teve uma estreia correta, mas sem brilho. Na frente, Elielton foi muito acionado e usou bem o corredor que tinha à sua frente. Tiago Primão, tanto como defensor quanto como organizador, mostrou amadurecimento e segurança na distribuição de jogo.

O lado negativo foi o recuo excessivo quando tinha a vantagem de um homem a mais, concedendo oportunidade para que o Tombense ensaiasse uma reação. As substituições, de Diego por Bruno Collaço e de Léo Baiano por Caíque, nada acrescentaram, deixando o time até mais exposto.

Wesley Pacheco substituiu Diego Rosa nos 15 minutos finais e nem teve sua presença notada. A economia de gols (6) da campanha é reflexo direto do baixo rendimento dos atacantes. Caso evolua nesse departamento, o time tende a avançar ainda mais, visto que saltou da 8ª posição para a 3ª em seis rodadas e ultrapassou até o maior rival, pelo menos temporariamente.

O segredo da Série C está na maneira como as equipes reagem diante das dificuldades e exploram as condições de cada jogo. Ontem à noite, em Tombos, o PSC comportou-se conforme o figurino da competição. Não fez grande partida, mas mostrou-se sempre consciente de que era possível sair com os três pontos.

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Dúvida de Fernandes sobre ER é apenas despiste 

Só mesmo por uma tática de despiste, o técnico Márcio Fernandes disse ontem que ainda não definiu a configuração do meio-campo, preferindo não confirmar a presença de Eduardo Ramos no time do Remo para o confronto com o Juventude, amanhã à noite, no Mangueirão.

Até o leãozinho de pedra do Baenão sabe que o principal problema da equipe se localiza no meio-campo, especificamente na zona de criação. A saída de Douglas Packer escancarou a fragilidade do setor.

Com a contratação de Ramos, já legalizado junto à CBF, é natural que ele entre de imediato na equipe. Ou será que Fernandes ainda irá insistir com Zotti ou mesmo Garré, que não mostraram qualidades para comandar a meia-cancha?

Improvável. O caminho óbvio é que o técnico opte pela escalação de Ramos, já integrado aos treinos. Será a presença de ER10, aliás, que levará muita gente ao estádio, confiando numa recuperação do time após três resultados negativos.

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Buffon e a suprema alegria de voltar para casa

Vi ontem o vídeo feito pelo goleiro Gianluigi Buffon, falando de seu acerto contratual com a Juventus para disputar mais uma temporada. Aos 41 anos, ele regressa ao antigo clube após uma rápida e pouco memorável passagem pelo PSG.

O mais interessante é o trecho onde Buffon abre o coração. Sorrindo muito, ele admite que foi um dos dias mais felizes de sua vida, pois estava voltando para casa. É possível para qualquer um entender este sentimento.

Trata-se de acolhimento e segurança afetiva. Algo que buscamos encontrar sempre em nossas vidas. Nem sempre isso é possível. Para Buffon, pelo visto, é.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 05)

#VazaJato: revista aponta novos crimes de Moro contra Lula

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Nova parceira do site The Intercept, autor da divulgação de vazamentos de conversas entre o ex-juiz Sergio Moro e procuradores da Lava Jato, a revista Veja entra de cabeça na primeira publicação sobre o caso. A capa traz Sergio Moro e a manchete “Justiça com as próprias mãos”. “Diálogos inéditos mostram que Sergio Moro cometeu irregularidades, desequilibrando a balança am favor da acusação nos processos da Lava Jato”, completa o subtítulo.

Fazem parte ainda do grupo de veículos da imprensa que publicam a Vaza Jato a Folha de S.Paulo e a Bandnews, com o jornalista Reinaldo Azevedo. A última publicação foi no domingo 30 e trouxe diálogos entre procuradores que revelaram a desconfiança do MPF em torno da delação do empresário Leo Pinheiro, da OAS, que serviu como base da acusação contra o ex-presidente Lula.

Outra presepada presidencial

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Leonardo Sakamoto, em seu blog no UOL, falou sobre a incoerência de Bolsonaro defender o trabalho infantil num país cujo principal problema é o desemprego entre os adultos.

Jair Bolsonaro defendeu o trabalho infantil em uma live na noite desta quinta (4). Usou a si mesmo como exemplo, contando que, “com nove, dez anos de idade”, colhia milho em uma fazenda na qual seu pai trabalhava no interior de São Paulo. 

“Não fui prejudicado em nada. Quando um moleque de nove, dez anos vai trabalhar em algum lugar tá cheio de gente aí ‘trabalho escravo, não sei o quê, trabalho infantil’. Agora quando tá fumando um paralelepípedo de crack, ninguém fala nada”, afirmou.

É difícil afirmar se o presidente foi prejudicado ou não, uma vez que uma série de fatores influenciam no desenvolvimento de uma criança. Mas a justificativa que ele usa para defender o trabalho infantil é, certamente, a de alguém que não explorou o seu potencial intelectual. Afinal, apenas quem observa o mundo a partir de um maniqueísmo raso não é capaz de compreender que o trabalho não é a única saída para evitar que uma criança seja dependente de drogas.

“Fiquem tranquilos que eu não vou apresentar nenhum projeto aqui para descriminalizar o trabalho infantil porque eu seria massacrado. Mas quero dizer que eu, meu irmão mais velho, uma irmã minha também, um pouco mais nova, com essa idade, oito, nove, dez, doze anos, trabalhava na fazenda. Trabalho duro”, afirmou também o presidente.

Não, presidente. O senhor não seria massacrado. Mas seu projeto seria, muito provavelmente, considerado inconstitucional, como tantos decretos que você apresentou.

Meu pai também trabalhou na roça quando criança. Homem correto, vida digna. Mas fez todos os sacrifícios, os possíveis e os impossíveis, para que seus dois filhos não tivessem que passar pelas mesmas privações que ele, podendo se dedicarem aos estudos e irem bem mais longe do que ele foi. Creio que esse deveria ser o desejo não apenas de pais e mães, mas também de uma nação: que seus filhos e filhas possam ir mais longe, vivendo mais e melhor, tendo a vida que desejaram, sem precisar passar pelas mesmas dificuldades que as gerações anteriores.

Desconfio que, pelo tom laudatório do vídeo, não seja esse o desejo do presidente.

A frase do dia

“Não adianta querer tirar o Lula daqui, mandar ele pra casa e colocar uma tornozeleira no bicho. Eu não quero sair daqui por caridade e minha canela não é canela de pombo. Não aceito tornozeleira. Eu quero sair daqui com 100% da minha inocência. Fora disso, esqueçam”.

Lula, ex-presidente da República

O empresário e o reitor: vítimas de um Brasil que sucumbiu ao absurdo

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Por Carlos Fernandes

O empresário Sadi Paulo Castiel Gitz cometeu suicídio na manhã desta quinta (4) durante o Simpósio de Oportunidades para o Novo Cenário do Gás Natural em Sergipe. No evento estavam presentes o governador do estado, Belivaldo Chagas (PSD), e o ministro das Minas e Energia do governo Bolsonaro, Bento Albuquerque.

Dono da indústria Escurial Revestimentos Cerâmicos – que possui o gás como um dos seus principais insumos de produção – Gitz foi mais um dos empresários brasileiros que decretaram falência após a tragédia econômica em que o país foi lançado como resultado do inconformismo dos derrotados das eleições de 2014.

Os esforços empreendidos pelas forças reacionárias desse país a partir dos primeiros minutos após a confirmação da vitória da presidenta Dilma Rousseff, em outubro de 2014, para que o Brasil paralisasse, gerou consequências devastadoras para todo o conjunto da economia brasileira. E não só.

O empresário Sadi Paulo Castiel Gitz cometeu suicídio na manhã desta quinta (4) durante o Simpósio de Oportunidades para o Novo Cenário do Gás Natural em Sergipe.

No evento estavam presentes o governador do estado, Belivaldo Chagas (PSD), e o ministro das Minas e Energia do governo Bolsonaro, Bento Albuquerque.

Dono da indústria Escurial Revestimentos Cerâmicos – que possui o gás como um dos seus principais insumos de produção – Gitz foi mais um dos empresários brasileiros que decretaram falência após a tragédia econômica em que o país foi lançado como resultado do inconformismo dos derrotados das eleições de 2014.

Os esforços empreendidos pelas forças reacionárias desse país a partir dos primeiros minutos após a confirmação da vitória da presidenta Dilma Rousseff, em outubro de 2014, para que o Brasil paralisasse, gerou consequências devastadoras para todo o conjunto da economia brasileira. E não só.

As ilegalidades processuais que se seguiram, primeiro para a derrubada de uma presidenta legitimamente eleita, depois para decretar a prisão do principal candidato à sucessão de Michel Temer, beneficiário imediato do golpe, não só aprofundaram a crise como embalaram toda a nação num terrível invólucro de insegurança jurídica.

Uma vez imerso o país num mar revolto de intolerância política, paralisia econômica e desmoralização institucional, o que restou como a nova normalidade nacional foi o esfacelamento contínuo dos nossos fundamentos econômicos, a acusação leviana e persecutória dos “inimigos” da “moral e dos bons costumes” e a ilicitude generalizada.

O desfecho do que se transformou o Brasil não poderia ser outro.

O desalento daqueles que foram atingidos diretamente pela irresponsabilidade dos que preferiram jogar o Brasil inteiro na fogueira à respeitarem o resultado do processo democrático trouxe consequências aterradoras ao ponto de alguns chegarem a esse trágico fim.

Exemplo indissociável de tudo isso foi o reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Carlos Cancellier de Olivo.

Alvo do Estado policialesco que se transformou o país na esteira da operação Lava Jato e dos crimes cometidos pelo então juiz Sérgio Moro e, agora podemos afirmar nesses moldes, seus procuradores, Cancellier se viu de tal forma humilhado e injustiçado que preconizou o que agora vemos acontecer com Sadi Gitz.

Ambos inocentes, suas vidas foram destruídas e seus destinos foram selados por duas faces de uma mesma moeda.

As forças que ao mesmo tempo destruíram a indústria brasileira e jogaram o próprio Poder Judiciário para a marginalidade são responsáveis diretos pelas tragédias que dizimaram as esperanças de dias melhores não só desses dois brasileiros especificamente, mas de milhões de tantos outros.

Cancellier, um educador, e Sadi Gitz, um empresário, sem se conhecerem e com realidades completamente diferentes, foram vítimas iguais e congêneres de um Brasil que sucumbiu ao absurdo.

Até quando? E quantos mais?

Capacho até o fim

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Sabujo dos EUA Bozo sempre foi. Já bateu continência pra bandeira de Tio Sam. Ontem, na comemoração do Dia da Independência norte-americana, usou roupa de astronauta com a bandeira no braço. A primeira providência do filho capacho foi usar um boné do Trump. Normal.

Não tem jeito. Quem nasceu pra lamber saco de imperialistas não muda jamais.

Pior mesmo é ver a cambada de imbecis que segue os passos do asno-mor, admirando e festejando seus gestos de subserviência.

Papa diz em vídeo que juízes devem ser “isentos de favoritismos”

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O Papa Francisco emitiu uma dura mensagem contra violações do Judiciário no momento em que vem sendo revelado um conluio de Sérgio Moro com procuradores. Num vídeo lançado mundialmente nesta quinta-feira, o Papa diz que juízes devem ser “isentos de favoritismos e de pressões que possam contaminar as decisões que devem tomar”; “Os juízes devem seguir o exemplo de Jesus, que nunca negocia a verdade”.

No Brasil, a primeira divulgação do vídeo foi feita na página do Instituto Lula, no final da manhã. Assista ao vídeo logo abaixo.

O “Vídeo do Papa” é uma iniciativa global da Rede Mundial de Oração do Papa para divulgar a intenções mensais de oração de Francisco relacionadas com os desafios da humanidade e a missão da Igreja. Mensalmente, o Papa Francisco lança um víveo mundialmente.

Este vídeo, com o título “Integridade da Justiça” é 44º já lançado pelo Papa desde fevereiro de 2016, quando a iniciativa começou. Já houve vídeos dedicados aos refugiados, aos trabalhadores, aos desempregados e aos jornalistas.

“Dos juízes dependem decisões que influenciem os direitos e os bens das pessoas. Sua independência deve ajudá-los a serem isentos de favoritismos e de pressões que possam contaminar as decisões que devem tomar”, afirma o Pontífice.

“Os juízes devem seguir o exemplo de Jesus, que nunca negocia a verdade. Rezemos para que todos aqueles que administram a justiça operem com integridade e para que a injustiça que atravessa o mundo não tenha a última palavra”, acrescentou o Papa.

Processos sobre drogas são os mais julgados pela Justiça Militar

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As ações penais relacionadas aos crimes de tráfico, posse ou uso de entorpecentes atingiram, no período de janeiro a abril de 2019, o topo do ranking de julgamentos na primeira instância da Justiça Militar. É a primeira vez que o envolvimento de militares com tipo penal atinge esse patamar, segundo estatística produzida pelo Superior Tribunal Militar (STM).

O blog analisou o levantamento produzido pela Corte militar. Os dados revelam que, nos primeiros quatro meses deste ano, a primeira instância já julgou 98 ações penais que se enquadram no artigo 290 do Código Penal Militar (CPM), que configura como crime o “tráfico, posse ou uso de entorpecente”.

Nesse período de quatro meses, o segundo crime mais recorrente nas ações penais julgadas é o de deserção, com 92 ações, tipo penal que tradicionalmente ocupa o primeiro lugar nos rankings anuais da Justiça Militar.

A tendência de aumento no número de ações referentes ao tráfico, posse ou uso de entorpecentes é observada desde 2018, quando esse tipo de processo ficou em segundo lugar, com 258 ações julgadas. (G1)